Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

11 de julho de 2011

Sincretismo e a Liberdade em Deus

Sábado passado assisti a um filme (Santo Forte) que falava das diversas religiões que existem no Brasil. Pessoas de diversas religiões eram entrevistadas, contando suas experiências e seus costumes nas respectivas religiões. Uma das coisas que achei interessante é que a maioria das pessoas entrevistadas fazia parte da religião católica e mais alguma coisa. Uma era católica e umbandista. Outro era católico, batizou a filha no candomblé (com água benta conseguida em uma igreja católica; o padre gostou de saber que a filha dele já tinha sido batizada no catolicismo) e pediu à mãe dele para orar por ele na Universal quando estava doente. Uma outra se declarava ateia, mas acreditava nos espíritos da vizinha (que era umbandista) e até pedia favores para eles.
O que mais me chocou foram os relatos que as diferentes pessoas envolvidas na umbanda faziam. Uma moça, que deixou de praticar a sua religião mas que não se "converteu" a nenhuma outra, contava que quando ia ao seu terreiro e tinha feito algo de errado, o preto velho dava uma "paulada" nela: montava nela, como se fosse um cavalo, e batia nela. A moça sentia dor como de pauladas, e saia do terreiro com dor de cabeça e o corpo doendo, apesar de não apresentar feridas visíveis. Também na própria casa, se ela falava alguma coisa indevida, o seu preto velho a castigava, fazendo-a voar de um cômodo ao outro da casa. Outro relato foi o de uma senhora, já anciã, que contou como perdeu a irmã. Esta última bebia a oferenda de cerveja que tinham feito à pomba-gira chamada "Rainha do Inferno", pelo qual a pomba-gira um dia montou nela e disse para sua irmã que a ia levar. A senhora contava como rogou à pomba-gira para não levar sua irmã, que tinha um filho pequeno, mas a pomba-gira não ouviu. A anciã falou para sua irmã comprar a própria cerveja, mas ela não quis, e um dia, estando no banco para receber um dinheiro, morreu. A senhora ainda contou que estando frente ao caixão da sua irmã, a pomba-gira apareceu e riu, dizendo: "Levei ou não levei?". 
A moça do primeiro relato afirmou que estas entidades não são más em si mesmas, mas que são as pessoas que pedem para elas fazerem o mal aos outros. Porém, o interessante é que elas são compradas, não tem vínculos de fidelidade: Quem pagar mais recebe o favor da entidade. Ao ver e ouvir tudo isso, eu ficava pensando como é possível que as pessoas continuem servindo a deuses que os castigam, que fazem favores a quem dá mais. São literalmente escravos. A senhora anciã chegou até a falar que por uma parte é feliz, mas que por outra não é, e nunca vai ser. Não especificou o porque, mas se via a aflição e o temor no seu rosto. Eu só podia pensar na liberdade que temos em Jesus, no amor que ele nos da, na paz que temos com ele. E não entendi, aliás, não entendo, como as pessoas podem continuar envolvidas nisso.
Um outro relato me deu foi vergonha. Um homem, envolvido na umbanda também, falou dos evangélicos, afirmando que ele como umbandista não ousa mencionar o diabo, e que não entende como os evangélicos, sobretudo da Universal, passam o tempo todo chamando o diabo. Para ele isso é querer ter o capeta por perto. Outro disse que os pastores ficam fazendo palhaçada, e quando as pessoas estão doentes chegam querendo expulsar demônios e gritando, fazendo muito barulho. Ele não gostava desse espetáculo, e por isso preferia ficar com a sua religião, novamente católico misturado com religiões afro-brasileiras. E fiquei pensando nas oportunidades que a gente perde de mostrar a essas pessoas a verdadeira mensagem do Evangelho. Agora estou lembrando de uma passagem em Atos, quando Paulo encontrou uma menina que adivinhava o futuro. Ele simplesmente chegou e a libertou em nome de Jesus. No texto não fala de gritos, barulhos ou objetos milagrosos. Não imagino a Paulo com copos de água ou sabões abençoados.
A mensagem do Evangelho é tão simples e tão libertadora! O nosso Deus é poderoso, e nos ama! E há tantas pessoas que não o conhecem, que até usam o seu nome, já que o Brasil é um pais altamente sincretista, onde, como uma mulher no filme falou, "qualquer coisa está bom, tudo dá no mesmo", onde se fala de Jesus e de Exú, onde os santos tem dois nomes, onde as pessoas assistem a missa de manhã e vão cultuar seus deuses nos terreiros à noite, onde quem vai à Universal pode muito bem "orar alguém". Deus está virando um nome, algo para juntar a muitos outros nomes e tradições. E a mensagem de Jesus se perde muitas vezes na nossa própria ignorância, na vontade de alguns de aparecer, nos ritos inúteis de pastores que usam o nome de Deus para fazer shows que nos ridicularizam, que ridicularizam o nome de Deus. Quantas vezes vi pastores expulsando demônios com paletós na televisão, querendo curar pessoas com copos de água! Só não tinha visto como isso afasta as pessoas de Jesus. Uma pessoa como o senhor do filme, para quem os cristãos são palhaços, como vai querer prestar atenção na mensagem que temos a comunicar?
Há muitas pessoas que não conhecem de Deus. E nós temos uma missão. Muitos há escravos das suas entidades, à mercê das vontades destas. Há muito a fazer. E nós, como cristãos, sabendo que temos um Deus que nos ama e que nos liberta, temos que rever a forma como estamos vivendo o nosso cristianismo. Cristianismo no Brasil muitas vezes é sinônimo de intolerância, de preconceito, de barulho, de ridículo. E enquanto se perde o tempo pregando uma mensagem que nada tem a ver com Jesus Cristo, discutindo se devemos ou não cortar o cabelo, beber, dançar, usar shortinho, expulsando demônios depois de té-los invocado, abençoando sabonetes e mandando ao inferno todo mundo, há pessoas que estão presas a suas entidades, escravas, ou simplesmente sem esperança, sem saber o que fazer com a própria vida, sem rumo e sem amor. Quando estava vendo o filme veio na minha cabeça a passagem de 1 João 4,18: "No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor." Deus é amor. Nele não existe medo. Há muitos que vivem no medo. E nós, que conhecemos Deus e o seu amor, o que estamos fazendo para que as pessoas o conheçam também? 

5 de julho de 2011

Em Nome de Deus

Em nome de Deus já se fizeram muitas coisas. Se condenaram pagãos, se rebelaram camponeses, se invadiram países e se massacraram povos. "Deus" tem sido usado para justificar muitas ações, que no fundo tinham como base mesmo era a ambição de alguns, o desejo de poder de poucos. 
A história mostra muitas abominações feitas em nome de Deus. Os índios foram mortos e os negros escravizados em nome de Deus, e depois mortos e torturados por grupos de "cristãos" como o Klu Klux Klan. Durante as reformas protestantes, Lutero e muitos outros mataram em nome de Deus, e os camponeses, os anabatistas e muitos outros grupos que se atreveram a pensar por si mesmos foram condenados por ir "em contra de Deus". E também se levantaram "profetas" que em nome de Deus proclamavam o fim do mundo e que realizaram loucuras como os acontecimentos de Munzter (cf. Jan de Leiden). As cruzadas massacraram os povos árabes em nome de Deus. Na época vitoriana era mais fácil mandar as prostitutas para o inferno do que mudar as injustiças e a hipocrisia da sociedade.
Muitas vezes o nome de Deus se usou para submeter vontades, para justificar injustiças, para manipular massas. Até os dias de hoje se ouvem muitos absurdos pronunciados em nome de Deus. Milagres, promessas, o nome de Deus se usa para vender benefícios e para comprar fidelidades. "Deus" é usado para justificar doutrinas contrárias umas às outras, para amaldiçoar pecadores e para curvar pessoas a determinadas regras. Uns dizem que Deus não aceita tatuagens, outros dizem que Deus não gosta de quem bebe, alguns dizem que Deus está à disposição de quem quiser um milagre, outros condenam quem não segue direitinho o manual de "seguidores de Deus". Deus até autorizou a invasão do Iraque (O Bush achava que estava servindo a Deus, ou pelo menos isso disse...)!
 Me pergunto o que Deus pensa de todo esse mal uso do seu nome... e o pior é que foram ações humanas as que usaram o nome de Deus para encobrir-se ou justificar-se, mas as pessoas muitas vezes não querem ouvir falar de Deus por culpa de todo o mal que já foi feito em seu nome!  

28 de outubro de 2010

De Vocações e Expectativas

Com o fim deste ano acadêmico, chego ao fim da minha vida como seminarista. Me formarei, serei bacharel em teologia, e minha vida tomará outros rumos. Ser seminarista foi uma experiência maravilhosa, que me fez mudar muito minha forma de pensar, minha forma de agir. Aqui também encontrei minha vocação, aquilo que me faz feliz, mesmo sendo difícil. Eu gosto de teologia. Eu gosto de estudar. E eu gosto de exegese. É difícil, e ainda tenho muito que aprender, mas eu gosto.
E ai vem a confusão. Quando vim aqui tinha certas expectativas, que agora estão muito longe da minha cabeça e do meu coração. Não que Deus tenha deixado de ser meu Deus. Não que "o chamado" não fosse real. Só que enxergando as coisas desde outros pontos de vista, tudo fica mais complicado, sobretudo porque quando se volta ao redil todos os outros têm a mesma visão que eu deixei há muito, e à qual não pretendo voltar.
Rebeldia? Heresia? Desobediência? Não sei. Sei que muitos esperam de mim algo
que não posso mais oferecer. Sei que minha vida tem uma função, que não vim ao seminário à toa. Mas o que eu quero não estava dentro dos planes originais, e não sei como conciliar o que eu quero com o que se quer de
mim.
Sei que minha vocação é uma: me enfiar nos textos e fazer uma boa exegese. Eu gosto disso, gosto do hebraico, gosto de enxergar no texto coisas novas que nunca vi porque lia com os olhos da dogmática e da tradição. E sei que a exegese enriquece a vida também. Não é simples teoria. A Bíblia é mais complexa do que se pensa. E mais rica do que se fala. E menos rígida do que se impõe na igreja. Por muito tempo fugi da profissão de professora, mas acho que me persegue. Acho que o que eu vou fazer mesmo é ensinar (além da exegese, claro). E para isso tenho que estudar.
Agora minha vida está tomando outros rumos, e ai deixo nas mãos de Deus. Que faça ele o que quiser. Mas que faça e me mostre o que eu hei de fazer, como hei de fazer, como construirei a minha vida.
Eu penso que as pessoas são feitas para desenvolver diferentes tarefas. Na Bíblia também diz, que no corpo existem muitos membros. Eu não me vejo como os outros querem ver-me, mas não por isso acho que esteja fugindo do meu "chamado". Se eu gosto de exegese é por algo. E se fazendo exegese, e ensinando, eu posso fazer a minha parte, não vejo como esteja me afastando da "vocação" e do "chamado". O problema agora é saber o que fazer. Durante quatro anos estudei, me esforcei, vivi muitas coisas belas e ruins, casei, cresci. Agora o mundo está frente a mim, e eu não sei ainda como encará-lo. Tenho uma dívida a pagar, uma responsabilidade a cumprir. E sonhos, metas, ideais, tantos sonhos... tenho uma expectativa própria, também. Porém, por enquanto, tenho de deixá-la de molho. Primeiro tenho que responder às expectativas dos outros, experimentar um caminho, experimentar outro, encontrar meu lugar na vida. E não vou deixar de aproveitar as oportunidades, já que Deus está no controle. Afinal eu vim por isso, porque disse que minha vida estava nas mãos de Deus... e se Deus quer me mostrar um caminho, bem-vindo seja! Meu Deus... os nervos não faltam... o desconhecido dá sempre um pouco de medo!

18 de junho de 2010

Quem Sou Eu?

Desde ontem venho ouvindo essa pergunta. Primeiro na sala de aula, e não saiu mais da minha cabeça. Hoje meu outro professor a repetiu. Não é uma pergunta de resposta fácil, já que quem eu sou é para mim um mistério tão grande... mas vamos por partes.

As aulas deste semestre curiosamente têm estado muito relacionadas umas com as outras, os temas convergem e dialogam entre si, e todos levam às mesmas conclusões:

A salvação é coisa para ser vivida na Terra, isso de que ser salvo é ir ao céu é coisa do passado. Nesse sentido, as aulas de ética e teologia têm me servido muito, já que a ética é algo que muitos estão transgredindo, e mesmo dentro da igreja o valor da vida se perdeu, por aquilo de que o ser humano 'é totalmente ruim'. Se somos totalmente uma porcaria, a melhor perspectiva que temos é morrer e ir para o céu. A vida na terra é algo de passagem, por isso, se sofremos aqui, ou se nossos direitos são violados aqui, ou se somos oprimidos e manipulados por ideologias que favorecem aos poderosos, não há como reagir: o mundo é assim, é mau, e não temos perspectivas de mudança ou libertação. Porém, tenho aprendido que o homem não é mau totalmente, é um ser complexo cheio de ambiguidades. Eu poderia falar que sou isso, um ser complexo, mas nem isso responde à pergunta de quem sou eu, porque ela não me está perguntando como sou, mas quem sou.

Outra coisa que aprendi, e que deriva da primeira, é que o sistema atual do mundo é totalmente contrário à mensagem de Jesus, à mensagem da vida, à simples lógica que diz que a vida é importante. Não só a vida dos ricos, não só a vida dos seres humanos. A vida da Terra tem valor, cada pequenino ser humano, criança, mulher, homem, ave, insetos, árvores, tudo é valioso, tudo merece respeito e tudo precisa de atenção. Parece algo que todo mundo sabe, mas acho que de tanto ouvir falar a gente acaba esquecendo a essência do valor da vida. Todo mundo sabe que o planeta está sofrendo, que se não mudamos nossa atitude o aquecimento global acabará conosco. todos sabem, mas todos deixam pra lá. É mais importante o interesse monetário daquela indústria que arrasa com as florestas e contamina os rios, ou daquele grupo insurgente que tira as famílias de suas casas e as condena a uma existência de marginais para poder ter mais terras para cultivar drogas. E esquecemos, nós crentes em Jesus, que foi Deus quem fez o mundo, e nos baseamos na tradução errada do Gênesis para dizer que nós temos o controle sobre o mundo porque Deus mandou. Mas o original não diz para estar sobre a natureza, e sim junto com ela. Somos parte da natureza também, dependemos dela para viver, não somos donos absolutos de cada árvore, cada rio, cada pedaço onde os animais ainda tentam sobreviver. Somos apenas vizinhos destes animais, destes árvores, e, sim, podemos usufruir deles, mas com respeito e cuidado.

O que aprendi que me levou à reflexão da pergunta "Quem sou eu" é um novo caminho de espiritualidade, um desafio muito grande para uma seminarista que mal deixa tempo para ler a Bíblia, para dedicar um tempo em silêncio a Deus. Este caminho o encontrei no livro que tivemos que ler para a matéria de "Aconselhamento Cristão", o qual se chama: 'Crescer, os três movimentos da vida espiritual', de Henri M. Nouwen. Profundamente simples mas tremendamente complexo, ele mostra como ser melhores pessoas na relação consigo mesmos, com os outros e com Deus. Difícil para mim é pôr em prática o que o livro fala (não é receita de bolo ou auto-ajuda, é um simples falar da essência do ser humano, por isso é difícil, acho...), me dedicar a me achar de verdade. O professor, fazendo as reflexões do livro, planteou a pergunta que titula esta postagem. Se respondo - Sou Viviana, ele diz: Não perguntei seu nome. Quem é você? -Sou seminarista.-Não perguntei o que você faz... e assim por diante. Eu já tinha ouvido esta pergunta e essas respostas, muito tempo atrás, nas minhas aulas de filosofia no segundo grau. O professor Roberto Cano falou exatamente as mesmas coisas: Quem é você? Eu não estou perguntando nome, sexo, idade, estado civil ou profissão. Eu perguntei quem é você. Ao ouvir de novo esta pergunta nesse sentido, percebi como deixamos de lado tão facilmente as coisas essenciais da vida, como passamos os anos procurando melhoras profissionais, um bom emprego, e quão pouco nos preocupa-mos em conhecer a nós mesmos. Isto porque tanto nessa época como agora, a resposta é a mesma: não sei. Não sei quem eu sou.

É um pouco desolador não saber quem se é. Eu sei o que estou estudando e o que quero fazer quando me formar. Sei que daqui a uma semana vou estar vivendo meu último dia de solteira, e que vou ser esposa. Sei de onde venho, e que quero ainda ir para muitas partes. Mas quem eu sou? Qual é a minha essência? Para que estou no mundo, quem eu sou?

Espero encontrar-me daqui por diante. Vou precisar aprender a disciplina, encontrar um tempo para mim mesma, sem fugir de mim, sem pôr música ou ligar a tevê para não me sentir só. Preciso ouvir minha voz interior, o quê ela tem para me dizer. E também preciso um tempo em silêncio diante de Deus. Um tempo em que possa ler a Bíblia sem questionar Paulo, ou zoar Davi, ou dizer que Neemias era um racista. Pode que não concorde com eles, mas a questão vital não é concordar ou não, mas escutar o que essa Bíblia que fala a tantos tem a me dizer. Coisa de seminarista: antes eu ouvia, agora só estudo a Bíblia. Estudo no sentido acadêmico, de datas de composição e teologias originais. Eu amo isso. Eu gosto de descobrir a voz do autor dirigida ao seu público de tanto tempo atrás. Mas ainda sei e acredito que Deus usa esses textos para falar às pessoas. Só tenho que voltar a eles com outra perspectiva. Ai, Senhor. Parece tão fácil escrito...

Talvez daqui a uns anos eu leia de novo este texto, talvez tenha esquecido meus propósitos, voltando à correria muda do dia-a-dia. Espero que não, espero ter estabelecido um diálogo comigo mesma, e um diálogo com Deus. Espero ter aprendido um pouquinho de mim, e poder responder, pelo menos em parte, a pergunta: Quem sou eu.

22 de maio de 2010

Da confiança em Deus quando se confiou nos seus filhos

Ultimamente estou muito decepcionada. Quando se procura ajuda, o que se acha são vagos "talvez" ou "vamos ver...". Estar numa situação de dependência e de necessidade é muito ruim. É algo pelo qual cedo ou tarde, alguma vez na vida todos passam. E não é legal. Não é legal se ver impotente, não achar a saída para os problemas, saber que a única opção é um milagre. E ai entra a decepção.

Eu sei que Deus pode tudo. Eu sei que ele é a minha única esperança, o único que de verdade não vai me sair com respostas meia-boca. Eu sei, e vejo, que ele me sustenta dia-a-dia, e que mesmo com os problemas sem resolver posso afrontar um dia após o outro. Mas a decepção não vem de Deus. A decepção vem dos seus filhos.

Não sei se é falta de fé, ou se esperava mais das pessoas, só sei que sim, Deus ajuda, mas eu acho que ele deu capacidade às pessoas de ajudar os seus semelhantes. Uma comunidade que se diz cristã, que se reúne cada domingo para cultuar Deus, deve demonstrar com fatos o que vive cantando e pregando. De nada serve ficar falando aos outros da bondade de Deus se seus próprios filhos não são bondosos, se não estão nem ai para seus próprios "irmãos". A resposta que agora todos dão é "confia em Deus", "ele vai te ajudar".

Tudo bem. Deus me ajuda, sim. Mas Deus deixou aos seus filhos a tarefa de cuidar uns dos outros. O individualismo do mundo está de forma tal presente dentro da igreja que agora é Deus quem deve fazer o trabalho que ele mesmo deu aos seus filhos (isso porque a igreja vive pregando que é preciso se afastar do "mundo"...). Que Deus opere não duvido. O que me deixa sem palavras é a indiferença, e a cara de pau dos seus filhos. Imagina se Jesus tivesse dito ao cego: "meu filho, confia que Deus resolve". Ele mostrou, na prática, ao cego que Deus resolve. Ele não o deixou na mão. Ele é, ou deveria ser, o nosso exemplo de igreja, por isso é que dizemos que somos cristãos. Mas para a igreja é mais fácil dizer "Deus te ajuda", e dar as costas para quem precisa.

Mas agora a igreja se preocupa mais em comprar coisas pro "templo". Em aparecer, fazer campanhas, vender bençãos, excluir membros, julgar uns aos outros. O amor de Deus, o cuidado que Deus demonstrou por meio do seu Filho, a caridade de uns com outros, tudo isso se perdeu. Agora tanto faz se alguém sai da igreja. Ninguém faz perguntas. Pode até morrer que ninguém se importa. Ah, e se por acaso algúm dia a pessoa volta à igreja, simplesmente fingem interesse e perguntam onde esteve todo esse tempo.

Será que Deus quis isso? Será que basta um simples "vai que Deus te ajuda"? Já falava disso Tiago, quando censurava aqueles que diziam aos seus irmãos: vai, que Deus te ama, e não davam pão para matar a fome, nem água para matar a sede. Assim como se demonstra o amor de Deus?
As "obras" da igreja são importantes. Sim, a obra de tal templo, a contrução de tal outro, obras aqui e obras ali. Obras mortas, que deixam de lado as pessoas que precisam, que deixam de lado o ser humano que, técnicamente, é mais importante que qualquer edificação.

Sinceramente, só posso esperar em Deus. Sinceramente, confio mais em pessoas que não conheço, nas quais não tenho esperanças depositadas. Pelo menos elas não vão me decepcionar. Mas aqueles que um dia fingiram que me amavam, esses podem ficar longe. Eu me viro. Deus me ajuda, mesmo que tenha que mover a misericórdia o coração de algúm desconhecido (como já fez, na minha vida, inúmeras vezes), mesmo que tenha que descer do céu a ajuda divina. Seus filhos, que moram na terra, deixaram sobre os ombros dele a carga que ele tinha dado para eles. A igreja, instituição, essa sim, cada vez mais me deixa com o pé atrás. Claro, há grandes excepções. Há sempre pessoas de verdade, pessoas sinceras. Pessoas que se não gostam de algúem falam na cara, e não dão a impressão de ser amiguinhos. E que quando gostam de alguém, estão ai para o que for. Ainda bem que, quase sempre, eles são maioria nas igrejas. Quase sempre.

Que falsidade. Que atuação. Será que a igreja está virando uma grande peça de teatro, onde todos fingem se amar, quando na verdade cada um está preocupado com seu próprio umbigo? Muitos exemplos de iniquidade (no sentido de falta de misericórdia) tenho visto dentro da igreja, já nem deveria me surpreender. Eu sei que a igreja é o conjunto dos pecadores redimidos. Ainda somos pecadores. Sem Deus as nossas reuniões e os nossos ideais perdem o sentido. O problema são essas pessoas que são metidas a santas, que se acham perfeitas, puras e sem mácula. Da minha experiência, esses são os mais perigosos.

E assim, me resta esperar em Deus. Ainda bem tenho Deus, senão já estaria doida. Ainda bem ele me ama, ainda bem ele me entende, ainda bem ele me guia, na minha tolice, na minha crise, nas minhas perguntas, muitas ainda sem resposta. Ainda bem tenho ele para curar minhas mágoas, para me fazer entender que somos todos tão pequenos, tão limitados e imperfeitos, e que, mesmo com raiva, devo compreender aqueles que me decepcionaram. Não é fácil. Não é que vou confiar de novo. Só é aceptação: fazer o quê, eles são assim mesmo...


P.S. O pior são as desculpas fúteis e absolutamente sem noção que certas pessos dão para sua falta de caridade... com um golpe desses melhor o silêncio...

8 de maio de 2010

Quando se diz que a razão mata a fé...

Não entendo por quê as pessoas ainda fazem esta distinção. Muitos acham que se pensam um pouquinho diferente do que é ensinado na igreja estão ofendendo a Deus, renegando Jesus ou virando ateus. Muitos dizem que se aprofundam muito no conhecimento perdem a base da fé. Eu não entendo. Não entendo que se oponha a fé à razão, que se diga que ser "muito racionalista" nos faz perder Deus de vista. Para mim as duas coisas fazem parte do ser humano, e são as duas importantes. Deus nos fez místicos. E nos fez pensantes. Já desde o início ele nos deu a liberdade de escolha. Por quê então o conflito quando eu penso algo que os outros não pensam?
A liberdade está dentro do ser humano. Mesmo que por muitos meios os poderosos tenham tentado tirar esta liberdade, e em muitas ocasiões tenham conseguido submeter as consciências ao que eles queriam, a liberdade não tem sumido. Só fica sufocada. E a primeira liberdade que temos é a de pensamento. Que alguém diga que temos que nos submeter a determinadas doutrinas e ordens, porque sim, ou porque senão vamos ao inferno ou ofendemos Deus, é pecado. O pecado daquele que falou, que se acha Deus para determinar o que os outros devem fazer. Claro que deve haver, no mundo, uma ordem. O ser humano não pode viver no caos. Mas o homem não deve ser obrigado a atuar de determinada forma atendendo aos desejos de alguém mais. Ele deve fazer o que deve fazer, tendo consciência do que faz.

A razão não se opõe a Deus. Na verdade, foi Deus quem nos deu cérebro, ele nos deu a capacidade de questionar. Se Deus me fez assim, porque devo sufocar os meus questionamentos e me submeter ao que me dizem que deve ser o mundo? Desta forma, não vivo o mundo com meus sentidos, mas vivo-o por meio do que os outros me dizem que devo viver.

Pensar é arriscado. Quem questiona arrisca contrariar as pessoas. Ser achado maluco, ou herege. Quem tem dúvidas, sobretudo em questões religiosas, é tido como alguém que não tem fé. E ai é onde entra a definição errada do que é fé. Quando se pensa em fé se pensa em "crer sem ver", "saber que algo vai acontecer antes que aconteça", "esperar em Deus". Tudo bem. Quando temos fé sabemos que Deus opera mesmo em situações que não entendemos ou às quais não vemos solução. Mas a fé não mede o conhecer. Que eu questione alguns dogmas ou doutrinas da igreja, que duvide de algumas coisas que ouço por ai nas igrejas ou das pessoas, que eu não consiga entender mais outras coisas que teimam me ensinar e dizer que "é assim e basta" não significa que deixei de crer em Deus. Significa que estou usando minha liberdade de pensar. Eu sou livre de questionar dogmas, doutrinas, regras culturais, etc, não por simplesmente querer contrariar, mas porque tudo isso é construção humana, e como humano insuficiente para eu entender algumas coisas, insuficiente para apagar minhas perguntas, ou satisfazer minha consciência. É a possibilidade que tenho de procurar algo melhor. Um exemplo. Eu não concordo com a sociedade machista ocidental, sobretudo a brasileira. No Brasil ainda há muita desigualdade entre os gêneros. Isto não me faz feminista. Não gosto do termo feminista porque não acho que nós mulheres sejamos o melhor do melhor, e que os homens sejam uma droga. Simplesmente acho que a sociedade deveria pôr cada um em seu lugar, um ao lado do outro, um complementando ao outro. Não nascemos separados. Atendendo ao mito da criação, Deus nos fez juntos, varão e fêmea, para juntos construir um mundo, cuidar das outras espécies, trabalhar em parceria. Não submetendo a vontade do um ao outro, não tratando o outro como ser inferior. Eu questiono, e sempre questionarei, atitudes machistas, fora e dentro da igreja, como o tratamento da mulher como simples objeto sexual, como simples dona de casa, como simples entretenimento do homem. Na igreja, não admito que se defenda, ainda, que a mulher não pode ser pastora. Eu pessoalmente não quero ser tal, mas a mulher que queira bem pode. Por quê não? Que fundamento me dão para dizer que Deus não quer? E se alguém fala em Paulo pode esquecer, que Paulo não é alguém com quem eu concorde muito...

Eu questiono muitas coisas. Mas sei, com a minha razão, que não tenho a capacidade de saber tudo. Até onde eu possa, eu quero entender as coisas que passam ao meu redor. Mas tem muitas, muitíssimas coisas que eu não entendo. Não entendo a trindade. Não entendo por quê o homem faz tanto mal, quando tem dentro de si a capacidade de fazer tanto bem. Não entendo a relação entre as religiões. Estou na tensão de saber que devo respeitar todos os outros, mesmo que pensem e acreditem em coisas diferentes, e saber que não posso, e não quero, abrir mão das minhas convicções. É difícil. Para mim Jesus é tudo o que se precisa. Como fazer com os outros? Não entendo, também, por quê ainda há pessoas que brigam por coisas tão periféricas como o dia de celebração do culto, os ritos, a forma de culto. Não entendo muitas coisas. Minha razão não tem resposta para tudo. Eu preciso de Deus, e minha razão só me dá a consciência disso.

O problema entre a razão e a fé se deu no Iluminismo, que colocou a razão como deusa soberana solucionadora dos problemas do mundo. O homem no centro do mundo, sabendo tudo, fazendo tudo. E depois, o lado irracional deste homem se revelou, matando miles nas colonizações, nas guerras mundiais, nas conquistas. Ainda hoje muitos morrem por causa da irracionalidad do homem. O mundo está em peligro de extinção pela irracionalidade e a ambição do homem. E então as pessoas se voltaram contra a razão, e disseram que a fé é mais importante. Só que não é fé em Deus. É fé no que eles dizem que é Deus. E abrem um manual de teologia sistemática e descrevem Deus, o separam em categorias, por qualidades, atributos e sei lá mais o quê, e dizem que esse é o Deus que devemos seguir. Isto eu questiono. E vou sempre questionar.

É um paradoxo. Eu tenho uma idéia de Deus, que é resultado do que eu tenho vivido (e Deus tem feito grandes maravilhas em mim), que é diferente das outras. E não posso impôr o que eu penso aos outros. Mas também os outros não podem me impôr o que pensam. Paradoxo porque luto pelo que penso.

Este mundo precisa de pessoas que pensem. Pessoas que não aceitem as coisas sem pensá-las, que lutem pelo que pensam e tratem de resolver suas dúvidas. As dúvidas não são pecado. As dúvidas fazem parte do ser humano, um ser limitado cuja razão não encontra as respostas para tudo automâticamente. Duvidar nos faz procurar saber mais, entender mais. E se não entendo definitivamente alguma coisa, trato de encontrar um equilíbrio para viver com essa dúvida. Deus sabe tudo, algumas coisas eu saberei só quando for morar com ele...

Mas a razão não mata a fé. Até a vivifica. Porque eu não tenho fé por ter, eu sei, tomo consciência de que sou um ser limitado, e mais, tomo consciência da minha necessidade de Deus. Mesmo sem entender muitas coisas, posso me relacionar com Deus. Mesmo duvidando, não estou me afastando de Deus. Estou chegando mais perto, e perguntando a ele a resposta. Não que, se posso, não tenha que estudar para tentar chegar a uma resposta plausível.

Dizer que a razão mata a fé elimina uma parte do ser humano indispensável à sua liberdade. Faz com que o homem se reprima e vire um simples receptor de idéias, em lugar de ser um forjador de idéias. Dizer que a razão mata a fé mata, na verdade, a interação do homem com o mundo, o faz acreditar em coisas que foram verdade racional há muito tempo, mas que agora devem ser revisadas. Fecha o homem em um mundo que foi, o aliena do mundo que é. Ter fé não é acreditar cegamente em tudo que se ouve ou se crê saber. Ter fé é saber que mesmo sem entender muitas coisas deste mundo, Deus está conosco. É saber que precisamos dele, com todo o nosso ser, razão incluída.

13 de novembro de 2009

Heranças medieváis na Igreja

A Idade Média acabou há muito tempo. Isto é o que pensamos, o que dizemos. Quando pensamos em Idade Média imaginamos um mundo escuro, cheio de pessoas ignorantes, supersticiosas, um mundo onde as leis eram ditadas pela Igreja Católica, e o mundo era "cristão", porque o mundo era Europa.
Em muitos aspectos a Idade Média acabou de verdade. Mas dentro das nossas igrejas insistimos em conservar muitas coisas que desde esta época aprisionam o ser humano, fazendo-o ser, literalmente, uma "ovelha", na mão do seu pastor. Algumas são tão ridículas que se as pessoas parassem para pensar um pouco se revoltariam. Mas geralmente todo mundo se submete. Afinal, é da vontade de Deus que as coisas sejam desta maneira. E aqui é onde começam as heranças medieváis:
1. Qualquer regra de conduta é legitimada na vontade de Deus. Isto era feito pela Igreja Católica na Idade Média, e continua sendo feito por cada pastor em cada igreja. Eu tenho que ler a Bíblia porque é vontade de Deus. Eu não posso ir dançar porque Deus não gosta disso. Assim, além das pessoas ser alienadas e amedrontadas (contra a vontade de Deus, o que podemos fazer?), elas nunca vão a aprender a ser donas dos seus próprios atos, de afrontar as consequências de suas próprias escolhas. Elas vão fazer-não fazer por medo do castigo "divino".
2. A deificação do sacerdote-pastor ou o que seja. Agora são até bispos primazes, apóstolos, títulos que demonstram que o ser humano não saiu da coleira. A maioria de igrejas tem o seu pastor ou líder no patamar dos santos. Seja pelo impedimento de chamá-lo pelo nome, seja pela adoração descarada, as massas estão sendo levadas, ou melhor, já estão acostumadas, a ver no pastor a representação de Deus. Ele é o "servo de Deus", o que lhe dá direito a ser infalível. Sua palavra é lei (mesmo em algumas igrejas batistas, pelo que deveriam ser democráticas, quem faz o que quer é o pastor... e se alguém não gostar pode mesmo é ir embora!!), sua pregação revelação divina, não é possível questioná-lo... afinal, ele é um santo, e sabe mais do que a gente, então o que ele diz está certo. E assim, dia após dia muitas abobrinhas são lançadas sobre os fiéis (nem todos os pastores são ruins, mas há uns que misericórdia! E lastimavelmente eu tenho conhecido muitos dos últimos...). Ahhh, o povo da igreja, somos fiéis, não de Deus, mas do pastor. Olha só, e somos ensinados a obedecer, abaixar a cabeça como boas ovelhinhas, porque, você sabe, Deus não gosta de rebelião...
3. A demonização do outro. Isto vem mesmo desde antes da Idade Média, vem desde o regime sacerdotal pós-exílico, que se abrogou o direito de ser dono da verdade absoluta. Se eu estou certo, o outro está errado, é ou não é? Pois é, e até hoje quem não comparte o que eu penso, quem não aceita a minha verdade, é o pagão, o errado, o filho do diabo... aquele que me contamina se fico por perto dele. E pensar que esta mentalidade legitimou as massacres da colonização, que os povos nativos destas terras foram assassinados em nome de uma verdade absoluta revelada por um "Deus absoluto"... e o cristianismo, desde a sua origem, se fez com sangue! Hoje não matamos, mas desprezamos, discriminamos, olhamos com cara de "tadinho dele vai pro inferno", rejeitamos e às vezes até humilhamos. E dizemos ainda por cima que Cristo amou o mundo... só que, para nós, esse mundo somos nós mesmos! Que lindo, Deus nos ama, o resto que se ferre, eles não acreditam na minha verdade, merecem ser condenados! E depois colocamos a culpa na maldade do mundo pelas injustiças, guerras e ódios, todos fruto de um preconceito que não ve o outro como um igual, mas como um objeto: de conquista (missionária: o outro é objeto de conquista porque deve 'ser convertido', ele não interessa de outro jeito, só esse), de compaixão pela sua "tolice", de desprezo. E ainda estamos dispostos, mesmo disfarçadamente, a queimar em fogueiras quem for diferente de nós.
4. A depreciação da mulher. Depois de 2000 anos, depois da chegada da modernidade, dos direitos, da igualdade, ainda temos o descaro de tratar a mulher como prato de segunda mão. Ela pode, sim, trabalhar na igreja. Mas olha, só pode ser missionária... educadora religiosa... dar aula na EBD... ahhh, e a mulher do pastor é o substituto voluntário (ou forçado?) do pastor. Ela tem que estar onde se precise, não pode deixar de liderar a MCA, os jovens, as crianças, a EBD... ahhh! mas se a mulher ousar pensar em chegar a ser pastora, ou algum outro título semelhante, ai va a igreja medieval, com a Bíblia em mão, para dizer que "Deus não gosta disso". Claro, Deus não gosta se eu não gosto. E o homem é ciumento com seus títulos. Sinceramente eu não sei se poderia ser pastora, se aguentaria tudo o que esse cargo significa. Mas negar à mulher o direito de fazer o que ela quer fazer é a coisa mais retrógrada do mundo.
Além dos cargos dentro da igreja, a mulher ainda é banida, o seu corpo ainda não foi aceito pela sociedade. O curioso é que a negação do corpo da mulher foi acentuado, sim, desde o início da tradição, com o safado de Tertuliano colocando a culpa em nós pelo pecado, e com Agostinho, que para mim não tinha se resolvido totalmente... mas de forma teórica, porque se podem ver gravuras onde os vestidos medievais não tinham nada de discreto, pelo menos em questão de decotes... pero a era vitoriana tampou a mulher de cabeça a pés. O protestantismo tirou de nós uma das poucas coisas que tinhamos.
Engraçado, numa sociedade como a brasileira, onde o que mais se vê são corpos de mulheres nuas ou seminuas... mas elas não são mulheres, elas são objetos, coisas que despertam o desejo masculino, a cobiça masculina, mas nunca o respeito masculino. E por isso, as castigadas somos nós. Isto é, o cara não consegue olhar uma mulher sem respeitar sua integridade, sem controlar sua lascívia, e por isso nós devemos nos cobrir até os olhos. Criticamos a burka mas não aceitamos blusas de alcinha. Claro, os ombros são atraentes, e os homens podem ser seduzidos... fala sério! O homem que aprenda a controlar seu corpo e sua mente, que eu tenho o direito de me vestir como melhor me sinta! (porém, é necessário atender aos limites do vulgar... porque uma coisa é liberdade e outra libertinagem, e andar por ai peladona porque me sinto a vontade também já não da). Quem pensou, num calor de 40 graus, usar camisa de manga porque a alcinha "é do diabo"?
5. Sexo é tabu. Ainda. O corpo é algo que deve ser ocultado, esquecido, ele é mau, nos leva ao pecado... devemos procurar ser anjinhos, escapar da carnalidade deste corpo maldito... corpo que, por incrível que pareça, Deus fez! Deus fez a gente com sexo, Deus fez as nossas formas, as nossas características, o que achamos atraente no outro, o que vemos e o que ocultamos. Se Deus nos fez, porque estamos seguindo ainda Platão, e sua demonização do corpo? (O corpo é o cárcere da alma, ele é mau, a alma boa). Eu prefiro pensar que se Deus nos fez, e como nos fez, foi por algo. Devemos tirar o corpo da sua punição imerecida! Devemos cuidar de nós mesmos, amar-nos, e sobretudo aceitar como somos, homens e mulheres de carne, sujeitos à materia. Se não, Deus teria feito um monte de espectros para povoar o mundo, sem corpo... se ele nos fez com corpo, não é para negá-lo!
6. O conceito de pecado. Este foi a ferramenta mais eficaz para manipulação de massas na Idade Média, porque o sacerdote era o único caminho para obter o perdão dos pecados. Agora dizemos que vivemos sob a graça. Mas que graça é essa que exclui as pessoas da comunhão porque estão "em pecado", um pecado muitas vezes ditado pela cabeça do líder? Já ouvi falar que ir ao cinema era pecado... pera aí, o pecado prescribe? Se era tem que ser agora, ou então nunca foi pecado. Essa questão de pecado ainda não deixou de ser ferramenta de manipulação. Cada um diz que isto ou aquilo é pecado, e as pessoas são ensinadas a viver com medo do próximo respiro, porque podem "pecar", e Deus fica chateado com elas. Eu não sei mais se Deus se importa tanto com as coias que dizem que é pecado fazer. Se for pecado dançar, Deus foi muito injusto comigo me colocando para nascer num pais que se mexe ao ritmo da cumbia, da salsa, do merengue e do vallenato. A dança está no meu sangue, e prefiro "pecar" feliz a reprimir meus passos (que também não são lá a grande coisa) por um pecado que, pelo que tenho percebido, não é mais que herança cultural. Assim como as roupas, herdamos dos colonizadores estadounidenses (no caso dos batistas, pelo menos dos que conheço) uma demonização da cultura na qual eles deviam ser os estranhos, mas da qual fomos extirpados como sem perceber. E assim, dançar é ruim, se vestir conforme ao clima tropical é ruim, dependendo do credo beber é ruim... e se volta à alienação, que não ensina às pessoas que se bebem muito podem estragar o corpo, ou se fumarem demais vão ter câncer de pulmão... é mais fácil dizer que é pecado, que ai o medo da condenação eterna as vai mater longe de tudo o que se queira (o que aqueles, que sabem um pouco mais, querem).
7. A doutrinação automática dos "crentes". Já na Idade Média as pessoas eram ensinadas a aprender sem questionar. O que eles aprendiam, as doutrinas, era revelação de Deus (uma revelaçao manipulada, disfarce de poder político e econômico), e por isso mesmo não era para pensar, era para aceitar. E nas nossas igrejas estamos assim, ainda enfiando "conhecimentos" nas cabeças das ovelhas (tadinhas, muitas vezes "ovelhas" mesmo...), e elas aceitam sem questionar, obedecem sem protestar, acreditam sem pensar. E o que nós sabemos, não, eles não podem saber, não estão preparados. E seguem assim, num mundo de fantasia, sem indagar pelo Deus da vida delas, aceitando a versão de Deus que cada pastor dá, que cada denominação ou liderança dá. Porque, isso sim, cada igreja tem sua própria versão de "Deus". Muitas coisas que se poderiam ensinar, coisas simples, como a formação da Bíblia, como a autoria e a originalidade dos textos sagrados, são ocultados, como se saber que muito provavelmente Jonas nunca foi comido por peixe nenhum abalasse a fé em Deus. Ou, talvez seja por isso mesmo, porque o "Deus" que é ensinado não bate com um Deus recontado em diversas histórias, construido em diversas tradições. O "Deus" que aprendemos é imutável, inefável, imóvel. E o Deus dos hebreus era tudo menos isso. E o nosso Deus, nem temos um, só seguimos o Deus dos outros, o Deus que nos contaram como era. E ai vamos, igreja medieval em um mundo pós-moderno, imperfeito, que cada dia está pior. E ficamos brigando pela nossa verdade, obrigando os outros a nos ouvir (quantas vezes passei nas praças onde sujeitos pregam ou cantam, com todo o fôlego, sem pensar que talvez isso, em lugar de ser testemunho do amor de Deus, é fastídio para quem passa ou vive, trabalha ou fica ali). E distorcemos a verdade do evangelho, a simplicidade de Jesus, em meio de um monte de normas, dogmas (e se você não tomar a Santa Ceia... não vai ficar em comunhão com Deus nem com os outros), regras, proibições.

E depois nos queixamos pelo sucesso obtido pelas "igrejas" manipuladoras que oferecem um Deus-boneco (ele TEM que fazer o que eu quero). Se não ensinamos as pessoas a pensar, a questionar o que se lhes fala, tudo que tenha o título de Deus é sagrado!
Jesus nos disse para amar ao próximo como a nós mesmos. Ele não especificou a religião, cor, sexo ou idade desse próximo. Só disse para amar. E esse amor não é aquele da boca para fora, tão comum e desgastado pelos "crentes" que saem repartindo "amor" por ai, falando a todo mundo que "Deus te ama". Sim, isso é verdade. Mas também é verdade o que disse Tiago, que se digo ao meu irmão que Deus o ama, mas não faço nada para suprir sua necessidade, para mostrar mesmo na pele o amor de Deus, não estou fazendo nada. Falar é, afinal, muito fácil. Cadê as ações? Cadê o compromisso com um Deus que morreu para dar vida ao mundo? Cada vez mais estamos mandando o mundo à morte, omitindo nossa responsabilidade na construção de um futuro, de um mundo melhor. Afinal, este mundo é máu. O homem é uma massa danada, condenado desde o início. Afinal, nosso lugar não é aqui, é lá no céu. Por isso estamos como estamos, porque se deixassemos de olhar tanto para o céu e olhassemos mesmo para quem está do meu lado, enxergariamos as verdadeiras dores, as verdadeiras injustiças, e o sangue ferveria nas veias, e nos levantariamos para fazer alguma coisa. Mas como este mundo não importa...
E ficamos presos, cativos na Idade Média, fechando os olhos e os ouvidos, os nossos e os dos outros, a fim de que a tradição seja continuada, a fim de que a hierarquia seja mantida. A fim de que a massa continue dominada, mansas ovelhinhas no rebanho do "pastor". Ai de nós, que temos tão grande responsabilidade pela ignorância e desespero dos outros!
P.S. Muitos pastores são servos sinceros de Deus. Muitos são ignorantes sinceros. Mas, lastimavelmente, a grande maioria são sinceramente safados, sinceramente políticos, sinceramente manipuladores (talvez minha visão seja muito sinistra, mas tenho experimentado isso na pele...). Queira Deus que surjam mais pessoas que enxerguem o mundo de verdade, o exemplo real que Jesus nos deu, e sigamos verdadeiramente os passos daquele que denunciou as injustiças, enfrentou aqueles que tinham o poder, e que morreu pela verdade!

18 de setembro de 2009

A letra escarlate e o costume

Nestes dias li e me apaixonei pelo livro "A Letra Escarlate", de Nathaniel Hawthorne. A medida que o lia imaginava todas as coisas que poderia escrever sobre ele. Lamentavelmente não tinha um computador por perto... mas este livro maravilhoso, reflexo do pensamento de uma inteira sociedade, colonizadora das então terras virgens dos Estados Unidos, tem muito para nos dizer.

Uma coisa que eu amei do livro é como ele mostra, tão claramente, o impacto que a sociedade tem sobre a vida das pessoas. Os protagonistas viviam numa sociedade rigidamente puritana, onde as crianças não podiam brincar e onde todos os aspectos da vida tinham a ver com a religião (pelo menos aparentemente). Um pastor era santo só pelo cargo que tinha. E um pecador era irremissivelmente condenado ao fogo do inferno, de acordo com a gravidade do seu pecado.

O autor faz um tecido maravilhoso de consciências humanas, costumes, ideias. O pastor e a mulher. Unidos pelo pecado. Afastados pelas aparências. E a consequência do seu pecado, manchada no caráter por este mesmo pecado.

Hester é um modelo de sofredora. Numa sociedade que tinha esquecido que Deus é misericordioso e perdoa o pecador, que tinha degradado Hester a mais ínfima das posições na escala social, rejeitada, humilhada e criticada por todos, evitada como se tivesse uma doença mortalmente contagiosa, ela luta por viver. Ela não foge, aceita sua condenação com paciência, consciente de que é merecida. (Aqui tem um aspecto da mentalidade daqueles dias.) Ela vive sua vida procurando apenas se manter e manter a sua filha, a quem não entende. Borda com paixão o seu martírio, a letra vermelha, como se fosse algo digno de orgulho e não de dor. Nem acusa ao pastor, covarde e mentiroso, pela sua ação. Ela é rebelde, no meio de tudo. Não se deixa levar pelas humilhações, não desiste. Continua sempre, fazendo cada vez mais belos trabalhos, vestindo a sua filha como se fosse uma princesa.

O pastor Dimmesdale. O hipócrita. Tanto nessa época como hoje, tantos vão por ai com uma máscara de santidade, mostrando ao mundo o bons e virtuosos que são. Mas o autor não o deixa impune. Ao contrário de hoje, a sociedade de outros tempos tinha consciência dos seus atos. Se ninguém sabia o adultério do pastor, Deus sabia. E ele sabia disso. Por isso sua alma foi cada vez mais atormentada, suas leituras da Bíblia não lhe revelaram o amor e a compaixão de Deus. Se sabia condenado para sempre. (Conforme ao pensamento puritano da época) E queria confessar. Muitas vezes quis confessar. Porém, as aparências ganhavam. O medo do que os outros falassem, o medo de afrontar as consequências do pecado fechava a sua boca, fazendo-o mais culpável, por deixar a mãe da sua filha afrontar a punição sozinha. Esta personagem vive ao longo do livro um conflito intenso, que o desgasta, o martiriza mais profundamente do que a letra fazia com Hester, acaba com a sua razão e com sua vida. Ele foi vítima do seu pecado, afinal. Seu pecado maior, que não foi o adultério. Foi a hipocrisia.

Pearl. "Filha do pecado", o autor lhe da um caráter ao mesmo tempo rebelde e independente, original. Ela, ao ser gerada fora dos padrões estabelecidos pela sociedade, nasce diferente aos outros. É única. Sua mãe não a entende os outros a rejeitam. Pequena e linda, desde cedo aprende a se defender dos outros, das opiniões dos outros, dos ataques dos outros. Se afasta assim do contato humano, não só dos que a rejeitam, mas também da sua mãe, que como já disse, não sabe como lidar com ela. Nathaniel Hawthorne faz de Pearl o reflexo do seu pensamento. Ele era puritano convicto, mas dentro de si não aceitava as convenções. Achava injusto o que eles fizeram com Hester. E assim, fez de Pearl uma criatura livre de convenções humanas, flutuante, livre como um pássaro, que é a descrição mais frequente que ele faz da menina. Porém, o autor se recusa a condenar completamente a sua sociedade. Assim, Pearl, o passarinho livre, só vira ser humano completo, só fica gentil e amorosa com sua mãe e os outros quando o pecado do pastor é revelado, quando ela descobre a sua culpa, ou melhor, a culpa dos seus pais, e entende porque ele andava sempre com a mão no coração, e porque sua mãe carrega a brilhante letra escarlate no seio. O pecado revelado da à menina uma consciência moral que ela não tinha.

O médico Chillingworth. O marido traído. O vingador. A outra face do pecado. Ele é vítima, mas ao empreender o seu plano de vingança contra o pastor, vira um pecador também. Ele é muitas vezes comparado com o demônio, feito inumano por guardar maldade em seu coração contra outro ser humano. Hawthorne escreve tão bem que se pode até imaginar seu coração apodrecendo no meio do peito, comido pelo rancor.

Este livro espelha não somente os costumes da sociedade puritana, suas crenças, seu folclore, mas também é uma janela para o caráter e pensamento do seu autor. Ele nos faz refletir muitas coisas, como o peso da sociedade sobre as pessoas, a grande parte que os costumes e ideologias de cada sociedade têm na vida privada do indivíduo, na sua própria consciência. Na atualidade um casal de adúlteros seria apenas mais um do montão, o caso se resolveria tranquilamente com o divórcio e os "pecadores" nem estariam ai para o que os outros pensassem. Mesmo na igreja, muitas coisas se fazem em baixo do tapete, desde que nenhum irmão saiba, tudo bem. A nossa conciência cada vez mais está ficando adormecida, relativa.

É interessante ver, no livro, como as personagens se debatem com a sua consciência, que foi sendo formada desde seu nascimento, conforme às crenças, conforme ao que se considerava bom e correto. Hester, que aceitou a culpa e o castigo, se pergunta se algum dia Deus irá perdoar ela. O pastor, cuja culpa está escondida às consciências de todos, se atormenta pela sua hipocrisia e porque sabe que, apesar de tudo, Deus sabe de seu pecado. E se acha mais condenado ainda que Hester, pois sua covardia não o deixou confessar o crime. O doutor, tão entregue está à sua vingança que não pensa em Deus, nem na piedade, nem na salvação. Só no final admite ser condenado, também, pela sua maldade.

Esta consciência de culpa é totalmente oposta ao nosso cristianismo moderno. O pessimismo antropológico de Lutero ficou no passado. Agora sabemos que temos perdão. O Deus da Bíblia não nos condena, ele tem misericórdia de nós. E ai temos outro ponto de reflexão. As diferentes interpretações da Bíblia. Como é possível que esse pastor, que pregava cada domingo um belo sermão, que lia a Bíblia com devoção, não tenha encontrado nas suas leituras a misericórdia e o perdão de Deus que nós lemos, que nós encontramos? Como a concepção de Deus pré-moldada que se tem na sociedade pode estabelecer os parâmetros para entender o que lemos? E ainda dizem que cada um interpreta ao próprio modo. Cada um interpreta seguindo o modelo que aprendeu desde sempre! Por mais que o pastor Dimmesdale lesse e relesse textos como João 3,16, ele nunca ia ver nele o amor de um Deus perdoador. Ia ver o amor de um Deus que ama a quem é socialmente íntegro, socialmente correto, responsável e puro.

"A letra escarlate" é um livro fantástico. A leitura é absorvente, se tem vontade de saber o que vai acontecer com tão atormentadas personagens, se sofre pela dor de Hester, da raiva pela covardia do pastor, se odeia o médico cruel. E no entanto, se conhece uma sociedade que foi precursora da atual sociedade americana (se eles vieram ver como esta USA agora!! iram morrer de novo em segundos... de um ataque). Se percebe até que ponto a sociedade pode magoar as pessoas, pode fazer das pessoas alguém digno ou alguém miserável. E se vê até que ponto estamos presos na nossa sociedade, amarrados aos nossos costumes, crenças e ideologias. E se levanta (pelo menos em mim) a rebeldia. Dá vontade de entrar na situação só para defender a pecadora, para levantar sua moral, para opinar. Mas o puritanismo já foi. Agora temos é que opinar na nossa sociedade, mudar as coisas erradas, sair da gaiola do costume.

1 de setembro de 2009

Vida Frágil

Semana passada aconteceu uma tragédia pessoal que me fez pensar no frágeis que somos. Nós sabemos que algum dia vamos morrer. Temos consciência disso, só que nunca esperamos a morte hoje, nem amanhã. Sempre a vemos como algo que virá lá longe. E quando ela vem e leva com ela alguém querido, alguém que pensávamos que viveria até chegar à velhice, alguém que tinha tudo para continuar com vida, vemos que não somos nada, que não somos donos dos nossos dias, que a morte está por perto, e que não vai avisar quando ela vir por nós.

E ai tantas confusões, tantas dúvidas e problemas, tanto caos que formamos dentro de nós mesmos, atormentando os nossos dias sem saber como parar, ficam de lado. E vemos que a vida é mais que problemas, mais que dúvidas, mais que lamentos. E que devemos aproveitar cada minuto dela, porque talvez em cinco minutos já não estejamos neste mundo.

E pensamos em Deus. Pelo menos eu pensei em Deus. No meio de tantas coisas que se falam de Deus, no meio de tantas versões de Deus (Deus caixa de banco, Deus-faz-milagres-quando-eu-quero, etc), no meio de tantas dúvidas e tantas palavras faladas por ai, vi que Deus é, sobretudo, esperança. É bom saber que ele nos cuida. É bom saber que ele nos ama apesar de sermos tão fracos e falhos e ruins. É bom saber que ele está conosco nos momentos mais tristes da nossa vida. E é bom saber que quando morrer, estaremos com ele. Talvez seja algo que nem todos acreditem, mas é o que me da forças, é o que eu acredito. Algo tão simples de pensar, que ainda não entendo porque as pessoas pegam essa esperança e a colocam numa caixa fechada, à qual se tem que chegar por meio de rituais, sacrifícios, coisas faça-não faça. Como se Deus ligasse para as convenções humanas. Como se ele se interessasse no tamanho da saia, do cabelo, da alcinha da blusa. Como se ele classificasse as pessoas pelo seu jeito de vestir e se expressar. Para mim o que Deus vê é o coração. Está escrito na Bíblia, essa Bíblia que é tão usada por ai, tão levada em baixo dos braços de tantos, mas que muitas vezes é usada só de adorno, ou para tirar dela coisas que ela não diz.

Talvez seja bom não pensarmos que vamos morrer. Se vivessemos pensando isso, nada fariamos, viveriamos com medo, medo de morrer. Mas também não podemos deixar de ter consciência da nossa fraqueza. Somos frágeis, devemos nos cuidar, e sobretudo aproveitar ao máximo o que a vida nos ofereça. Mesmo nas dificuldades mais difíceis, onde nos sentimos presos, como se não tivessemos saída, devemos lutar, esperar, sonhar. E saber que Deus está conosco. Isso dá um consolo à alma que é difícil sentir imaginando que estamos sozinhos no mundo. Que bom que Deus cuida da nossa vida frágil!