Livros de geografia são importantes, mas é mais bonito ler a descrição das terras agrestes, do mares imensos e dos vales desérticos, descrições que transportam realmente ao lugar descrito, ao ponto que às vezes parece que, querendo, se pode deixar os personagens onde estão e sair dar uma volta por ai, é muito mais real do que aprender que na Austrália existe uma rocha gigante e há uma grande parte deserta, ou então saber que na Inglaterra há campinas. Da mesma forma, livros de antropologia nunca vão se comparar a livros que descrevem o ser humano desde dentro, a partir do que tal personagem sente, tal outra pensa e faz.O que eu aprendi com os livros de literatura? O que me faz não parar de ler? O que me faz mergulhar de cabeça nas páginas dos livros mesmo em um lugar cheio de gente, de barulhos e de rotina? É o mundo. É mais do que possa expressar com palavras. É simplesmente a capacidade de ser livre, de sair por ai conhecendo gente, sofrendo com alguns, rindo com outros, desfrutando um belo sol brilhando no topo das montanhas mesmo estando num lugar banhado pela tormenta viajando em terras onde coisas impossíveis são reais, onde criaturas que não existem aqui falam, pensam, existem. Livros de autoajuda me parecem chatos, entediantes, receitas de bolo para a vida. Livros técnicos são importantes. Ler Nietzsche, Paul Tillich e Platão é importante, mas o que faz realmente meu ser crescer e ser livre, são os livros de literatura. Com eles conheço o mundo que ainda não tenho dinheiro para conhecer de verdade, com eles vou a épocas que nenhuma máquina do tempo vai trazer de volta. E conheço o ser humano no seu mais íntimo.
Os livros para mim são como velhos amigos, cada um contando-me sua história.