Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens

31 de março de 2011

De Ideologias e a Visão que os E.U.A Têm do Resto do Mundo

Uma explosão. O terrorista árabe ou o traficante latino-americano surgem na tela correndo com um fuzil enorme, sendo perseguidos pelo herói, um americano disposto a salvar o mundo, ou o presidente dos Estados Unidos que pilota um avião pronto a jogar uma bomba no terrorista. No final, todos os terroristas são mortos, o herói surge entre as ruínas provocadas pelas bombas e abraça a moça que tentava resgatar. Ou fica brincando xadrez com o parceiro que o ajudou a massacrar os "maus". E assim mais um filme americano termina.
A visão de mundo dos americanos se encontra em seus filmes, em seus livros. Eles sempre salvam o mundo. Claro, para eles o mundo é o pais deles. O resto que se dane. O engraçado é que eles invadem os países dos outros, matam quem querem, destroem cidades inteiras, e ninguém faz nada. Como no filme do Hulk. Hulk tinha se refugiado no Rio, na favela da Rocinha, e trabalhava numa fabrica de guaraná (um guaraná verde radioativo). Quando o governo gringo descobre manda todo um exército para invadir a favela da Rocinha. Claro, eles fazem e desfazem. E o governo brasileiro nem aparece, porque, como sempre, se os gringos querem invadir um lugar entram e pronto. Essas cenas se repetem em outros filmes, e os estadounidenses entram em qualquer pais do globo quando e como querem. Eles nem se dão ao trabalho de descrever direito os outros paises: se é um pais latinoamericano, sempre tem burros nas ruas, pessoas sujas, carros caindo aos pedaços e casinhas de argila. Se é Europa, cidades velhas, ou lugares cheios de neve. No filme "Sr. e Sra. Smith", na cena na Colômbia, eles estão em um hotel caindo aos pedaços, e estão com roupas de verão em Bogotá, uma cidade bastante fria.  
Também nos livros deles podemos ver o que eles pensam sobre a gente. Recentemente li um livro horrível, chamado "Desvio". Ele se passa na Colômbia. Justo na minha cidade, Bogotá. Já nas primeiras páginas o autor descreve um lugar horrível: fotos de cadáveres no aeroporto (!!), pessoas sendo espancadas no meio da rua, guerrilheiros das Farc andando de farda por ai. Se percebe que o autor nem se tomou ao trabalho de ir de verdade na cidade, porque nem o aeroporto ele descreve direito. Em outros livros já vi a opinião que eles têm de quem não é do pais deles: alguém ignorante, sempre pobre, que não tem noções de civilização.
O pior de tudo isso não é que eles pensem isso (se bem que é ridículo eles se acharem o centro do mundo). O pior é que a gente vê os filmes deles, a gente lê os livros deles. Claro que não vou fazer campanha contra os filmes ou os livros. Mas é importante "consumir" estes produtos de uma forma crítica, e não passiva. É como com todas as informações, é preciso estar atento ao que se recebe, analisar e decidir o que presta e o que não. Tem muitos filmes interessantes. Tem outros, geralmente de ação, que só passam uma mensagem "somos os donos da Terra". Podem servir como entretenimento, para quem gosta de ver sangue correndo e explosões a cada três segundos. Mas é preciso ter em conta a mensagem que eles transmitem. É preciso perceber que tudo o que a gente assiste, lê, ouve, tudo passa uma mensagem. 
Os Estados Unidos são conhecidos pela sua mania de grandeza. Eles se entrometem nos assuntos dos outros paises, claro, quando há algúm interesse pessoal no meio. Eles dizem que lutam pela liberdade e pelos direitos de todos, mas massacram e oprimem bastante gente nos lugares onde intervêm, além de ter bastantes problemas sociais dentro das próprias fronteiras. Eles não são exemplo de nada. São um pais como qualquer outro. Só que eles passam a mensagem, pelo menos na mídia, de que eles são melhores. Eles falam de violações de direitos em vários paises, sendo que no próprio pais o racismo e a violação dos direitos de quem é negro ou imigrante são pão de cada dia. 
Mas aqui só quero falar mesmo do que a gente recebe, que são os filmes, os livros, as séries de TV, ahh, e as visitas do presidente. A gente consume várias ideologias, várias visões do mundo. A visão que eles têm dos outros. Uma visão do mundo que me indigna cada vez mais. Quando assisto um filme onde o Esquadrão classe A ou os agentes secretos, os assassinos pagos ou os Silvester Stallones invadem, explodem e matam a vontade quem entrar no seu caminho, sem importar se estão em outro pais, com outras leis e com uma soberania própria, tudo "para salvar o mundo", fico me perguntando se as pessoas alguma vez pararam para pensar sobre o que estão assistindo. Ou se estão simplesmente consumindo tudo passivamente. Sendo adoutrinados a sentir como povos inferiores, dependentes dos súper heróis gringos. 
Só quero que as pessoas reflitam, que não consumam tudo passivamente, que não achem que o que eles nos mostram é a verdade absoluta, que percebam que é por isso que os Estados Unidos fazem o que fazem, passando por cima das decisões da ONU, invadindo onde ninguém os chamou. Afinal, a gente está acostumado a isso, desde sempre fomos ensinados que se são eles podem fazer o que quiserem. Eles, que falam de armas nucleares no Oriente, quando o único pais do mundo a realmente usar uma bomba nuclear foram eles.
As ideologias são uma coisa sutil, que penetra no imaginário de todos sem que se perceba. Ou quem é que não pensa nos árabes como terroristas? Quem que não pensa na Colômbia como o pais das drogas? Quem primeiro falou de terrorismo árabe foram os gringos, quem vive mostrando droga "colombiana" são os filmes gringos. E meu sangue ferve cada vez que vejo isso.
O povo estadouni
dense pode ser uma maravilha. As pessoas em si não podem ser enfiadas numa sacola e dizer que todos são racistas ou com ar de superioridade. Mas o que o governo e os produtores de filmes, aqueles que estão na mídia e "dão a cara" pelo pais, passam, é a mensagem errada. Porque ninguém é perfeito. Nem eles são perfeitos, nem superiores, não são maravilhosos nem éticos nem corretos em tudo o que fazem. Eles não defendem o mundo, defendem só os próprios interesses. E o pais deles não é o mais civilizado e limpo do mundo. Os paises latinoamericanos não são cheios de índios, não há burros nas nossas escolas (como mostra um episódio de "Todo mundo odeia o Chris", e olha que essa série é engraçada...), os colombianos não nadam em rios de coca e os brasileiros não são todos favelados, os russos e os italianos não são todos mafiosos, e sobretudo, cada pais tem sua soberania, e os gringos não podem entrar num pais sem pedir permisso. Claro, excepto quando a ONU passa a mão na cabeça deles ou quando desobedecem na cara, mas ai já é em escala maior, como a guerra do Iraque. Operações tipo "Hulk" são absurdas. O Esquadrão classe A não pode andar por ai livremente. Espero que algúm dia os estadounidenses percebam que não são os reis do pedaço. Aliás, se é por potência mundial os Estados Unidos estão declinando bastante. Num futuro próximo outro pais será a tal potência. Ai quero ver o que eles vão colocar nos filmes deles.

P.S. Ainda acho engraçado que os filmes deles mostrem a mania de perseguição que os gringos têm. Tudo acontece com eles. Os árabes não têm mais nada para se preocupar que em explodir as cidades deles, os extraterrestres não têm mais planetas para visitar que não a terra deles, todos os imigrantes querem ir para lá, todos, desde o mais simples ladrão até o terrorista mais poderoso querem matar o presidente deles. Fala sério! 

22 de março de 2011

Igreja de Produção em Massa II

As vezes a pressão que a gente sente na igreja é mais do que podemos suportar. Sei disso porque às vezes não sei o que fui fazer lá, não sinto aquela paz, aquele "estou aqui louvando a Deus", mas sinto uma carga, uma pressão, um "tenho que vir porque pega mal...". Pega mal. Para meu marido, claro. Acho que é o preço de casar com ministro. Ainda bem que ele não é pastor. As igrejas cobram demais do pastor e da sua família. A esposa de pastor deve ser uma mulher submissa que trabalha em todas as atividades da igreja. Que está ai sempre que se precisa. Ahhh fala sério, isso não é pra mim! De mim só se cobra que eu vá na igreja. Mas ainda isso é bastante.
Mas o que eu queria falar mesmo é da hipocrisia que resulta dessa pressão da igreja por fazer seus membros "santos". Santo não é qualquer um, ele tem que cumprir certas regras: tem que ser religioso, ir na igreja todo domingo, participar em todas as atividades, nunca beber nem fazer nada que não seja "de crente".  Isso corta muito as asas das pessoas. Pelo menos as minhas e de muitos que conheço. E ai, surge a hipocrisia. Alguns se resignam, cumprem ao pé da letra o que os outros membros da igreja cobram, e vivem felizes. Até eu já fui assim, e achava que tudo era vontade divina. Mas um dia acordei para a vida real, e não consigo mais ser assim. Não consigo me sentir pecadora por tudo. Não consigo eleger minhas roupas com base no que posso ou não usar na igreja. Só que a pressão ainda existe. E só resta andar, mesmo sem querer, mesmo odiando ter que fazer isso, pelo caminho da hipocrisia.
A hipocrisia que faz dividir o guarda-roupa em dois: roupa que se pode usar na igreja, roupa que não se pode usar. Mesmo que o vestido seja comprido até o chão, se ser tomara-que-caia pode ferir a respeitabilidade de certos velhinhos membros da igreja, então melhor não. E se a gente quiser ir tomar um gole com os amigos num barzinho, melhor sentar nos fundos, não seja que alguém da igreja passe e veja a gente. Absurdo! Como se a gente estivesse cometendo o maior crime! Porém, se sabe que certas coisas pegam mal. Então a gente tem que fingir, tem que se esconder, tem que fazer tudo quando os outros não vão ver. Tem que ser hipócrita.
Eu já cansei disso. Sinceramente não estou nem ai para o que os outros pensam de mim o do que eu faço. Mas tenho que pensar no meu marido, porque pode pegar mal para ele. E assim, tenho que continuar com a hipocrisia. Tenho que me segurar quando quero sair dançando, tenho que deixar de ser eu mesma.
Nesse sentido a igreja me asfixia. Em lugar de ser o grupo de irmãos com os quais me reúno para louvar Deus, virou um grupo de gente pronta a apontar o dedo na minha direção, para falar mal de mim. E não suporto mais isso.
Afinal, onde fica a liberdade? Se todos os olhos estão atentos para qualquer nosso "erro", onde fica a nossa liberdade individual?

12 de março de 2011

Igreja de Produção em Massa

Hoje estava conversando com a minha amiga e pensei de repente na frase que é o título deste texto. Eu vinha pensando já há algum tempo sobre o assunto, sobre as diferenças, individualidades e sobre a igreja. Querida e velha igreja. A igreja de que eu falo não são as pessoas em si, cada uma, cada "crente". É a igreja instituição, aquela que é representada pelo prédio com a cruzinha, geralmente. Que é composta de pessoas, mas que ao se pensar nela se pensa como uma. Eu mudei muito desde que deixei a minha igreja na Itália e vim fazer teologia. Às vezes me pergunto até que ponto foi bom ter mudado. Mas acho, não, tenho certeza que não posso voltar atrás. Eu sou o que sou agora e não vou jogar fora quatro anos andados. E não quero ser o que eu era. Porque agora eu estou numa crise ferrenha, mas estou me encontrando. Antes eu
 era mais uma "ovelhinha". Mais uma. Pensando igual, agindo igual, se der mole até vestindo igual aos outros membros da igreja.
Analizando a sociedade, vejo que as pessoas gostam de ser diferentes. Só que terminam se encaixando em algum grupo "diferente", onde todos são iguais. Tem os rastafaris, tem os punk, tem aqueles que gostam de hip hop e muitos outros grupos. Cada um proclama a sua vontade de ser diferente dos padrões normais da sociedade. Só que, dentro da sua própria sociedade, que é seu grupo, todos são iguais. Vestem as mesmas roupas, usam as mesmas gírias, ouvem as mesmas músicas. É uma homogeneização de pessoas em um grupo separado. Mas, para mim, afinal dá tudo na mesma.
E na igreja é a mesma coisa. Vivem proclamando que devemos ser diferentes, que a gente tem que se afastar do "mundo", que o "mundo" não presta e todo é do capeta, e que nós, crentes, devemos ser referência. Mas, afinal, terminam todos sendo iguais. Vira uma produção em massa de "crentes" que, dependendo da denominação, podem ser mais ou menos evidentes. Assembleianas que não cortam o cabelo, não usam maquiagem e não depilam as pernas. Crente não bebe. Crente não dança. Crente não pode fazer isso ou aquilo. Crente de verdade vive na igreja. Crente não vai de tomara-que-caia na igreja, não usa shortinho, não usa saia curta. Os homens vão de cabelo curto. Se der mole vão até pedir para as mulheres usarem véu! E todo mundo fica igual.
E eu cansei disso. Eu sou diferente, e gosto da minha individualidade. Gosto de fazer as minhas coisas, de vestir como eu quero, como eu me sinto bem. Gosto de ouvir minhas músicas, cantar, dançar. Gosto de sair, de curtir, de rir. Gosto de fazer as coisas sem ter que pensar se "vai pegar mal", se vou escandalizar alguém. E não gosto de fazer nada obrigada. E às vezes acho a igreja muito opressiva. Como se ao entrar ai me enfiassem num saco de generalização, e eu deixasse de ser eu, para ser igual aos outros (saindo um pouco do tema, mas dentro do mesmo raciocínio, penso que isso leva muita gente a aloprar. Essas pessoas que eram os super cristãos, e que de um momento ao outro saem por ai não querendo saber de igreja, indo na gandaia e vestindo roupas estrafalárias. Elas se libertam da "opressão", mas vão ao outro extremo, achando que agora tudo está liberado... isso porque nunca aprenderam a administrar a própria liberdade). 
Eu penso que é algo normal dentro da sociedade. Como já disse, em todos os grupos que proclamam sua "diferença" acontece o mesmo. O problema é que eu não quero mais ser igual. Não sou igual àqueles que os evangélicos dizem ser do mundo. Mesmo porque eu acho que essa diferenciação entre "a gente, os cristãos" e "o mundo" é coisa do Agostinho, do Platão e de toda a teologia medieval, que já devia ter sido ultrapassada. Ainda por cima não gosto de Agostinho. Mas, voltando ao assunto, eu não quero mais seguir um padrão imposto de comportamento. Nem de uns nem de outros. Ou seja, não é que agora eu vá correndo fazer tudo o que a igreja diz que não posso fazer. Não é isso. Simplesmente peço o meu direito de ser livre. De poder ser eu. De deixar de fazer parte da massa, e de pensar com a minha cabeça, de refletir, até de criticar. O meu direito de não aceitar tudo que me falam como verdade absoluta, como algo que devo acatar em silêncio. O direito de poder decidir o que é que eu quero, o que é que eu gosto. Se eu gosto de dançar, não quero ter dedos apontando em minha direção. Se uso sainha, shortinho, e se bebo um ice ou um cuba livre, não quero fazer tudo isso escondida. Não tenho de que me envergonhar. Não estou fazendo nada de errado!! Eu quero ser livre daquela praga chamada "o que pensam os outros". Que se dane. Estou pouco me lixando para os outros!
Esse negócio de dar testemunhança da minha fé não rola mais comigo. Para mim ser cristã não é ser como dizem. Não é ir na igreja, orar e ler a Bíblia. É algo mais profundo. Às vezes me pergunto o que é mesmo. Só peço que Deus tenha paciência comigo. Eu estou como Jó, questionando esse Deus que a teologia tradicional lhe punha na frente. Porque o problema é esse: a igreja usa Deus no seu discurso, para poder fazer funcionar a sua produção em massa. E como é que uma pessoa em sã consciência pode falar contra Deus? Tem que estar mesmo em crise para poder fazer isso...
Para concluir, só espero, sinceramente, que as pessoas nas igrejas comecem a enxergar com seus olhos, e a pensar com suas cabeças. Deus é muito mais do que nos dizem, e muito do que se prega por ai é cultura, não Deus. Como se a minha salvação dependesse de um copo de caipirinha!! A vida é muito complexa, e o discurso das igrejas é muito simplista. E depois se queixam de que o povo tem o coração duro... o problema é que o discurso não satisfaz mais as perguntas da alma e da razão! E esse negócio de que Deus não se entende com a razão não é justificativa, porque para mim se Deus me deu um cérebro foi para usá-lo, em qualquer situação.
Espero muito que algum dia a produção em massa das igrejas termine, e as pessoas lutem pela sua individualidade. Afinal, diante de Deus não somos uma massa informe. A gente não prega que Deus se relaciona com cada um na sua individualidade? Então, se Deus faz isso conosco, porque a igreja espera que todo mundo seja igual? É mesmo um sem-sentido...

10 de novembro de 2010

De Ovelhas e Costumes

Sábado passado assisti ao vídeo de uma pregação sobre família e casamento. Algumas coisas do que ele falou eu gostei, outras não. Nem concordei com tudo o que ele falou. Mas o que me fez pensar foi um fato que achei muito engraçado. Por cada coisa que ele falava, dizia: "Digam amém!" E o pessoal da igreja, unânime, respondia: amém!. Tudo eram améns e aleluias. O que o pastor dizia era acatado na hora. 
Eu não sei se todo mundo falava amém quando era pedido para fazê-lo. Só sei que me fez pensar que na igreja as pessoas tomam mesmo atitude de ovelhas. Pouco importava se o que o pastor estava falando não tinha graça, era ofensivo ou generalizado. As pessoas riam, achavam legal e totalmente verdadeiro. Claro, e tudo era amém. "A mulher tem mentalidade de Barbie. Amém, irmãos!""Amém!!". E percebi que disfarçar a mensagem de palavra de Deus é algo muito, muito perigoso. Faz as pessoas deixar de pensar. Vão atrás do pastor como ovelhinhas, sem parar para pensar se é o não verdade, se é ou não relevante, se é ou não edificante para a vida de cada um. Estamos tão acostumados a entrar na igreja e achar que tudo é Deus, que esquecemos que quem prega a palavra é um ser humano, que, sim, acreditamos esteja sendo usado por Deus, mas que tem suas ideologias, costumes e até preconceitos, todo o qual se evidencia nas suas mensagens.
Não quero aqui falar contra os pastores e a pregação. Que tem pastores safados por ai, tem, assim como tem pastores maravilhosos que vivem suas vidas na certeza de que querem cumprir a vontade de Deus. Aqui não quero falar dos pastores. Quero falar das ovelhas.
Ovelha é um bicho burro, que deve ser guiado em tudo, alimentado, cuidado, que não sabe se virar sozinho. Desde que eu soube como eram as ovelhas me incomodou a comum comparação entre os fiéis e as ovelhas. Mas assistindo esse vídeo percebi como é perfeita a comparação. 
O nosso costume na igreja é ser ovelhas. Deixamos de pensar, de questionar, de analisar. A Bíblia é um livro ao alcance de todos, segundo Lutero, mas ainda achamos que a unica chave de interpretação certa é a do pastor. O que o pastor fala, portanto, deve ser verdade. E ai, mesmo que o pastor tenha falado algo muito questionável, todo mundo grita glórias, aleluias e améns. E a ovelha segue ai, querendo ser levada pelo cabresto, sem parar para pensar no que ouviu.
A igreja deveria ser comparada às ovelhas no sentido do cuidado de Jesus por nós. Era o sentido em que os reis do Antigo Testamento falavam. Tecnicamente eles eram os pastores que cuidavam das ovelhas-povo. Que afinal, não foram pastores e não cuidaram nada mesmo, explorando o povo cada um à sua maneira. E claro, às vezes em nome de Deus (por isso não gosto de Ezequias e sua reforma "justa"). Aliás, a igreja não deveria ser comparada às ovelhas. Elas são bichos estúpidos, enquanto o ser humano que faz parte da igreja tem um cérebro dentro do crânio. As pessoas da igreja deveriam parar para pensar, refletir, questionar. o pastor não é Deus. Sua palavra não é infalível. E não é coisa de sair agora questionando tudo. É simplesmente não ouvir automaticamente, é pensar no que está sendo dito. Assim até a mensagem se aproveita mais, pois prestamos atenção no que está sendo falado. Questionar, se perguntar se é assim mesmo. Na Bíblia há um exemplo disto, os tais bereanos. Eles questionaram Paulo e foram ver o que ele tinha dito na sua Bíblia. Que eles são elogiados porque gostaram do que Paulo falou, e o que teria acontecido se não tivessem concordado, é assunto para outra ocasião. O importante é que eles não aceitaram de primeira o que ele tinha falado. Eles pesquisaram sobre o assunto.
A gente fala de estudar a Bíblia, fala que cada um é sacerdote e tudo o mais. Mas, na prática, a gente repete nos estudos o que aprendeu na doutrinação inicial, a Bíblia é lida com o olhar que é indicado pelo líder. Não paramos para pensar, para refletir sobre o que estamos lendo. Não paramos para ver que em Gênesis não há como estar Jesus, nem para ver que o serpente do jardim não tem inveja de Eva (o texto não menciona tal coisa, que foi invenção de Irineu...), e muito menos se fala no texto que Eva estava merodeando sempre a árvore ou que estava só. A gente vê com olhos de ovelha, e o que o pastor falou é a unica interpretação válida. E assim, a gente se acostuma a não pensar, a gente se acostuma ao automático, e as igrejas se enchem de ovelhas que falam amém a qualquer coisa que seja dita desde um púlpito. E eu não concordo com isso! 

28 de outubro de 2010

De Vocações e Expectativas

Com o fim deste ano acadêmico, chego ao fim da minha vida como seminarista. Me formarei, serei bacharel em teologia, e minha vida tomará outros rumos. Ser seminarista foi uma experiência maravilhosa, que me fez mudar muito minha forma de pensar, minha forma de agir. Aqui também encontrei minha vocação, aquilo que me faz feliz, mesmo sendo difícil. Eu gosto de teologia. Eu gosto de estudar. E eu gosto de exegese. É difícil, e ainda tenho muito que aprender, mas eu gosto.
E ai vem a confusão. Quando vim aqui tinha certas expectativas, que agora estão muito longe da minha cabeça e do meu coração. Não que Deus tenha deixado de ser meu Deus. Não que "o chamado" não fosse real. Só que enxergando as coisas desde outros pontos de vista, tudo fica mais complicado, sobretudo porque quando se volta ao redil todos os outros têm a mesma visão que eu deixei há muito, e à qual não pretendo voltar.
Rebeldia? Heresia? Desobediência? Não sei. Sei que muitos esperam de mim algo
que não posso mais oferecer. Sei que minha vida tem uma função, que não vim ao seminário à toa. Mas o que eu quero não estava dentro dos planes originais, e não sei como conciliar o que eu quero com o que se quer de
mim.
Sei que minha vocação é uma: me enfiar nos textos e fazer uma boa exegese. Eu gosto disso, gosto do hebraico, gosto de enxergar no texto coisas novas que nunca vi porque lia com os olhos da dogmática e da tradição. E sei que a exegese enriquece a vida também. Não é simples teoria. A Bíblia é mais complexa do que se pensa. E mais rica do que se fala. E menos rígida do que se impõe na igreja. Por muito tempo fugi da profissão de professora, mas acho que me persegue. Acho que o que eu vou fazer mesmo é ensinar (além da exegese, claro). E para isso tenho que estudar.
Agora minha vida está tomando outros rumos, e ai deixo nas mãos de Deus. Que faça ele o que quiser. Mas que faça e me mostre o que eu hei de fazer, como hei de fazer, como construirei a minha vida.
Eu penso que as pessoas são feitas para desenvolver diferentes tarefas. Na Bíblia também diz, que no corpo existem muitos membros. Eu não me vejo como os outros querem ver-me, mas não por isso acho que esteja fugindo do meu "chamado". Se eu gosto de exegese é por algo. E se fazendo exegese, e ensinando, eu posso fazer a minha parte, não vejo como esteja me afastando da "vocação" e do "chamado". O problema agora é saber o que fazer. Durante quatro anos estudei, me esforcei, vivi muitas coisas belas e ruins, casei, cresci. Agora o mundo está frente a mim, e eu não sei ainda como encará-lo. Tenho uma dívida a pagar, uma responsabilidade a cumprir. E sonhos, metas, ideais, tantos sonhos... tenho uma expectativa própria, também. Porém, por enquanto, tenho de deixá-la de molho. Primeiro tenho que responder às expectativas dos outros, experimentar um caminho, experimentar outro, encontrar meu lugar na vida. E não vou deixar de aproveitar as oportunidades, já que Deus está no controle. Afinal eu vim por isso, porque disse que minha vida estava nas mãos de Deus... e se Deus quer me mostrar um caminho, bem-vindo seja! Meu Deus... os nervos não faltam... o desconhecido dá sempre um pouco de medo!

15 de outubro de 2010

Aborto... coisa feia!

Estes dias o tema do aborto está sendo muito discutido, tendo em conta as posições políticas de Dilma e Serra ao respeito. Mas aqui não quero falar de política, ou de religião. O aborto simplesmente é, para mim, algo que não deveria acontecer. Há casos especiais, como o estupro e a malformação genética, ou quando a mãe corre risco de vida. Esses casos são mais delicados. Mas abortar simplesmente porque é a saída mais fácil para "resolver o probleminha" é uma atitude altamente egoísta.

Para mim o aborto é assassinato, ponto. Desde a sexta semana de gravidez o feto já tem um coração que bate, e é um ser completamente independente da mãe, que só está unido a ela pelo cordão umbilical e a placenta. Ele é outro ser. Se a mulher pode ser dona do seu corpo, não pode tomar a decisão de matar um outro ser, mesmo que esteja dentro dela. Como pode se falar que não se chegou a um acordo sobre quando a criança no ventre passa a ser pessoa? Que desculpa esfarrapada, para "legitimar" a solução fácil (fácil entre aspas, já que o aborto pode trazer muitas complicações para a mãe, que pode estragar seu útero e ficar estéril)! Sabendo que mesmo do tamanho de um feijão o bebezinho já tem coração próprio! É absurdo!

O que eu acho ridículo sobre toda a situação é que em pleno século XXI, onde se têm acesso a camisinhas (nos postos de saúde são de graça), pílulas anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte e tantos outros métodos anticoncepcionais, as pessoas não se cuidem de uma gravidez não desejada. Isto é, se não quer ter filhos, ou não faz sexo, ou faz sexo com precaução. E não é coisa de que seja difícil o acesso aos anticoncepcionais: o meu custa somente R$ 15,00. Não é o olho da cara tampouco. E as mulheres e seus parceiros devem fazer as coisas com a cabeça. É tão simples!

Claro, sempre há "arrebatos de paixão". Bom, se você errou, assuma seu erro! O problema do aborto é que se trata de uma vida que está surgindo. Não é como tirar a cera do ouvido porque atrapalha ouvir. É algo vivo! É compreensível o momento do desespero. Mas para mim a vida está acima de tudo.

As ações trazem consequências, se se faz sexo sem proteção a probabilidade de ficar grávida é alta. É simples. Porque as mulheres não se cuidam? Porque os homens não se cuidam, se não querem ter compromissos depois, filhos por quem responder? Ahhh, mas é mais fácil se livrar do problema depois, pensar depois de ter feito as coisas.

Se argumenta que não se tem condições, que não é o momento de ter filhos, que o pai da criança não quer assumir. Porque carambas não se pensou nisso antes do ato sexual? E depois a criancinha no ventre paga as consequências dos atos paternos!

O aborto para mim não é solução. É crime. E não há escusa válida. Se minha mãe tivesse se amparado nessas escusas (em 1987, solteira, com 19 anos, num pais conservador e católico como é a Colômbia) teria tranquilamente se desfeito de mim. Mas não o fez. Enfrentou minha avó, enfrentou a paróquia da qual fazia parte, enfrentou o escárnio do meu avó paterno, o sumiço temporâneo do meu pai, as propostas de sumir da cidade e de fazer aborto, de ser levada a uma casa de mães solteiras, a dor, a solidão. Sofreu muito, mas assumiu as consequências dos seus atos. Graças à sua coragem e a sua proteção é que eu estou neste mundo. Muitas crianças não têm essa proteção materna. É mais fácil se desfazer do problema.

Finalizando, minha própria vida é contra o aborto. Minha mãe não me abortou, e agradeço muito isso, essa oportunidade que tive de vir ao mundo. E minha mãe me ensinou isso, me mostrou o valor da vida, e o valor que se deve ter para enfrentar todas as situações, para assumir todos os erros, para sofrer todas as consequências. O aborto é uma saída fácil para o egoísmo, para não assumir os atos, para se "livrar dos problemas". E assim, a sociedade avança em seu egoísmo, em sua frivolidade. Eu faço as coisas, enfio a cabeça onde não devo, mas não quero saber nada das consequências dos meus atos. Simples assim. E milhares de bebés inocentes pagam pelo egoísmo e a desumanização (ainda não entendo como alguém tem a "coragem" de aceitar tirar de dentro de si uma vida tão pequena, tão indefesa, que não tem nem a possibilidade de se defender) dos seus pais, da sua cultura, da sua sociedade.

17 de setembro de 2010

Casar é tudo de bom!

Daqui a pouco vou fazer três meses de casada. Estão sendo os melhores meses da minha vida. Casamento é uma palavra que assusta muitos, deixa prevenidos outros, e uma ilusão não satisfeita para outros. Eu não entendo como tantas pessoas fogem do casamento como se fosse uma praga, quando é algo tão bom. É claro, se tem que pensar com cuidado antes de se casar, escolher com a cabeça, fazer tudo organizadamente. Porém, posso afirmar que casar é tudo de bom. Não somente a cerimônia, que para nós mulheres é o dia em que somos princesas, mas o estar casado, em si, é algo muito bom. Estar junto com o marido, desfrutar a companhia um do outro, se apoiar nas dificuldades, compartilhar todos os momentos da vida. Em um bom casamento até as dívidas não tiram a alegria de ficar juntos. E falo isto porque as dívidas estão presentes na minha vida, dívida disso, daquilo, pagar o aluguel, luz, água, todas as coisas que sempre se têm que pagar. Quando ia casar me falaram que o dinheiro era um problema no casamento, mas pelo menos até agora não tem sido não. A gente simplesmente fala e tenta resolver as dívidas, os problemas que surgem e que precisam de dinheiro, mas ninguém se desespera nem rompe coisas... e a gente cede, cede muito, cedo eu para não sair comprando quanto livro eu queria ter comprado, ele cede para não comprar aquelas coisas de música que ele gosta ou mesmo as coisas que ele precisa...

Casamento é mais do que um mar de rosas, é mais do que um pesadelo, é mais que uma responsabilidade. É saber que se conta com alguém, que se tem alguém esperando por mim quando vou para casa, alguém para cuidar, alguém para quem gosto de cozinhar, alguém com quem falo, rio, brigo, brinco, durmo, trabalho e que sei que sempre vai estar ai... alguém que faz parte da minha vida, alguém sem quem não me imagino viva... e vejo tantas coisas que se falam ao respeito do casamento, e vejo aquele seriado da globo, e penso como essa mulher é ridícula, brigando com o marido pelas coisas mais bobas, pelas expressões que usa ao falar, por não lavar um prato ou por dormir "do lado errado da cama". E penso que o que na verdade mata os casamentos é a intolerância, o egoísmo, o não deixar verdadeiramente de ser um para virar dois. Quando a pessoa não cede, quando pensa ainda como solteira, ai não há muita esperança. Casamento é coisa de dois. É uma luta a dois, onde os problemas são enfrentados mão na mão, um dando o ombro para o outro em caso das lágrimas rolarem pelo rosto, é uma comunhão, que vai além da sexualidade, além da rotina, além da aliança no dedo. Não compreendo aqueles que casam pensando que podem se divorciar. Não compreendo aqueles que casam pensando que tudo vai continuar como antes, sendo eles o centro das próprias vidas. Não compreendo aqueles que traem a confiança do seu companheiro, do seu esposo/a. Não entendo como uma pessoa jura fidelidade eterna, jura que vai aceitar ao outro com os seus defeitos e virtudes, na sua integridade, e depois anda reclamando que o outro é isso ou aquilo. Por isso é que casar é coisa que se deve fazer com calma, sabendo no que se está entrando, conhecendo a pessoa com quem se vai passar o resto da vida. Não é só pela aparência, só pela "paixão". Há muito mais em jogo.

Devo dizer, de novo, que casar é muito bom. Casaria de novo uma e mil vezes, claro, sempre com o meu Leo, não quero ninguém mais, não me vejo com ninguém mais. Muitas coisas ainda ei de enfrentar nesta vida de casada, muitos problemas, lutas, dificuldades, filhos, doenças, dívidas. Mas eu vou estar com o meu amor, meu companheiro, meu amigo, e sei que vou andar adiante, sei que vamos superar todas as coisas, porque estamos juntos. Porque estamos como queremos estar, e não há nada que possa nos tirar o desejo de estar juntos.

Já bastante provação é ter que ficar longe do meu marido quase que a semana toda, estudando no Rio enquanto ele trabalha em Lorena. Já é muito ruim não poder ficar juntos, saber que ele vai chegar em casa e vamos conversar, vamos brincar, vamos rir, e que vai me contar como foi seu dia. Já é muito ruim não poder ver seu rosto todos os dias ao acordar, sentir seu corpo junto ao meu quando vamos dormir. É muito ruim. É um tempo que quero que passe voando. Estou contando os dias, os minutos para me formar, para ir embora para minha casa, para os braços do meu amor. Ai que saudade. Estar sozinho estando casado é a pior coisa do mundo. Estar sozinho, em si, não é nada bom. Já não consigo, já não sou mais só eu. Eu preciso do meu amor, eu preciso do meu esposo.

É tão legal essa lógica do casamento, de deixar de ser um e virar dois... ao estar longe se sinte vazia uma parte do peito, falta metade do coração... eu acho que isso falta em muitos casamentos, essa sensação de serem dois. Para muitos casar é uma forma de legalizar o sexo, ou então para resolver algumas indiscrições, ou para se livrar de uma casa onde a vida é um inferno. Mas casamento não é isso. Casamento é um compromisso, uma entrega ao outro. Sem isso, o casamento não resiste os ataques deste mundo de relações rotas, onde se prega a individualidade e o egoísmo. Casamento, bem pensado, bem decidido, com certeza no fundo do coração, é tudo de bom. Que bom que estou casada. Que bênção!

31 de março de 2010

Velha... Espírita???

Deixando de lado o que está acontecendo no seminário, a terrível situação na qual nos encontramos e da qual todos esperamos sair sem ter que fechar nosso querido centro de estudos, onde tantos temos aprendido a enxergar a vida desde outro ponto de vista, onde conhecemos tantos companheiros, amigos, professores, rituais, paisagens, tem coisas que passam e que, pela situação geral, estão passando despercebidas.

Primeiro, o estatuto. Tanto o estatuto em si, como a forma como está sendo introduzido entre nós, fazendo a gente engolir um monte de regrinhas puritanas da noite pro dia, querendo "moralizar" o pessoal (como se não beber e fumar fosse sinônimo de moralidade, pureza e integridade), estão sendo demais. Em lugar de criar um senso de unidade, em meio à crise que o seminário enfrenta, dá raiva. A solução não é bater nos alunos. A solução não é tratar as pessoas como crianças pequenas.

Se sabe que muitos dizem que o seminário tem má fama. Mas, como disse um professor, se aqui tem pessoas "que agem errado", não é pelo seminário. Não é um "efeito de perdição" exercido pelo seminário. Elas já vem assim de suas casas, suas igrejas. Quando se mete todo mundo num saco e se diz que todos são um bando de safados, que fazem um monte de coisas erradas, se generaliza. Nem todos são assim. Na verdade, em meus três anos de aluna, não vi ninguém fumando, se drogando nem fazendo todas as coisas que as pessoas que nunca vieram na vida dizem que se fazem aqui.

Em lugar de vir impondo coisas, porque não fizeram uma assembléia? Quando foi que os "representantes dos alunos" perguntaram aos alunos o que eles pensavam? Afinal, todos moramos aqui, seja por vontade ou por necessidade (este é o caso mais comum), e todos queremos que o seminário supere a crise, que melhore, que mais alunos venham.

Pode ser que tudo seja feito com a melhor das intenções. Mas vir empurrando um estatuto em cima das pessoas, fazendo-as assinar sob pena de "ser convidadas a deixar a casa", é demais. Não tem nada de moral. Vira ditadura. E para mim a solução não é a ditadura. Não é o fanatismo. Claro, há que estabelecer regras. Mas acho que é melhor fazer isso unidos. Estamos ou não no mesmo barco?

Uma última coisa. Uma coisa que ouvi. No momento, por respeito, e cansaço, o unico que fiz foi ficar olhando pra quem disse isso, quase como se o que ouvi não tivesse sido dito. Mas foi. E foi absurdo. Dizeram-me que no futuro (espero que haja, um futuro), não se usará mais a palavra "velha" para nomear a/o colega de quarto. Não porque é falta de respeito, não porque é uma palavra feia. Não. Uma tradição de mais de 100 anos deve mudar porque quem disse isto pensa que quando dissemos velha estamos invocando espíritos. Espíritos!! Acaso aqui tem alguém que pratica espiritismo? Tem mães de santo entre nós? Eu não compreendo como se pode enxergar uma tradição inocente e engraçada dessa forma. Ah, fala sério! Agora temos que procurar uma palavra "melhorzinha"? Com tudo o que há para ressolver, ainda há tempo para besteiras deste tipo! Repito: Fala sério!

12 de novembro de 2009

As Crônicas de Nárnia e teologia

As Crônicas de Nárnia são um livro (ou melhor, uns livros) maravilhoso(s). São livros que, mesmo escritos para a compreensão de uma criança, falam profundamente aos corações de todos. Sua mensagem é mais profunda do que um simples conto de fadas para crianças. Nestes livros C.S. Lewis conseguiu traduzir, numa linguagem simples e belísima, tudo o que para ele era importante. Sobretudo a sua experiência de Deus.

Em cada um dos livros C.S. Lewis mostra um aspecto de Jesus. O primeiro narra a criação de Nárnia. Também narra a compreensão que Deus tem de nossas dores. Os dois protagonistas são aventureiros através de vários mundos, e conhecem assim a feiticeira que mais tarde vai assolar Nárnia, e também Aslam, o Grande Leão, no dia em que ele cria Nárnia. A parte mais bela, para mim, é a da criação. O autor descreve tudo com tanta eficiência que parece que a gente está lá no meio do nada, vendo o sol, surgir e os bichos pipocando da terra. É muito belo. E a música que Aslam canta é um modo de expressar as coisas que não tem comparação. Dá vontade de que fosse verdade tudo.

Uma das coisas mais interessantes no livro é que ele não é doutrinário. Ele é uma história mesmo, onde Lewis da vida ao que ele mais ama: Deuses e deusas gregos, faunos, dríades, anões, centauros, unicórnios, e sobretudo, animais falantes e uma natureza belísima, os quais convivem todos em harmonia (todos sendo súbditos de Aslam). Quando algo vai mal em Nárnia a relação harmónica entre estes seres e seu entorno natural é rompido, quando as coisas são ruins árvores são cortadas, rios são deixados de ver como algo bom, a floresta é tida como cheia de fantasmas por homens que não amam o seu entorno. Isto é importante num mundo onde o homem esqueceu que não é o dono e senhor, e que há muitas criaturas que compartem o planeta conosco, dependem da água, da floresta, do ar para viver. Coisas que, pouco a pouco, lhes estão sendo roubadas. Isto quando não lhes são roubadas as próprias vidas.

O que é mais impactante é a claridade do texto, pelo menos para quem é cristão ou conhece um pouco de Deus (sempre me perguntei como os não cristãos lêm o livro, como eles o interpretam. Talvez só vejam o conto de fadas. Espero que não). Você pode ver claramente o que C.S. Lewis pensava de Deus, o que era Deus para ele. Como já disse, cada livro mostra um aspecto diferente de Jesus. O segundo livro, que foi convertido em filme recentemente, mostra o Jesus que deu a sua vida por nós. No livro, Aslam dá sua vida pelo menino traidor. Mas na morte obtém a vitória. O terceiro livro mostra a atuação de Aslam em todos os momentos da vida de um menino chamado Shasta, apesar de que ele se sinta só ou esteja passando por dificuldades, Aslam está sempre perto dele. O quarto livro, que também virou filme, mostra a potência do chamado de Aslam. A menina, Lúcia, deve seguir o Leão, sem importar o que os outros pensem. Ainda quando eles não são capazes de ver o entender o que ela vê e entende, e ainda que os outros zoem ou a tomem por louca. Isto tem várias mensagens para os cristãos desanimados do seu caminho, muitas vezes solitário, como seguidores de Cristo. O quinto livro tem o final mais lindo que se possa imaginar. Depois de uma viagem fantástica no mar, até chegar ao Fim do Mundo, passando pela correção do caráter malcriado de um menino chamado Eustáquio, o qual é curado (porque virou dragão) só quando Aslam faz um tratamento com ele (depois do menino ter tentado, inúmeras vezes, sozinho), os protagonistas chegam a um lugar onde vem um cordeiro. Para nós, cristãos, é evidente de quem se trata. Este cordeiro vira Aslam, e diz aos meninos que eles devem procurá-lo e conhecê-lo pelo próprio nome no seu próprio mundo. Este final é tão expressivo!

O sexto livro fala da importância de seguir as instruções de Aslam (Jesus). Numa parte com muito significado, que revela o que Lewis falava aos críticos, diz que as palavras (umas palavras antigas, entalhadas na escadaria de uma cidade em ruínas), mesmo que tenham sido escritas há muito tempo e em outro contexto, se referiam exatamente ao que os meninos tinham que fazer (eles estavam procurando um príncipe perdido, preso embaixo das ruinas. As palavras eram parte de um poema, e só tinham restado estas: DEBAIXO DE MIM). Isto fala muito a quem diz que a Bíblia não tem mais valor, que é só um livro velho...

O sétimo livro é o mais triste. E ao mesmo tempo alegre. Ele narra o fim de Nárnia. Aqui todos os protagonistas dos livros anteriores se reúnem, todos menos uma, e assistem ao fim de Nárnia através de uma porta. Nárnia é destruida, as estrelas caem, o sol e a lua se fundem e são apagados para sempre pelo Pai Tempo, bichos enormes destroçam as florestas e acabam com tudo o que nelas existia. Tudo a uma ordem de Aslam. E o mais impressionante é a entrada de todos os seres de Nárnia pela porta. Uns amam a Aslam, e vão junto com os protagonistas. Outros o odeiam (tudo com o olhar), deixam de ser bichos falantes e somem na escuridão da sombra do Leão. Este último conto mostra a visão do mundo que tinha Lewis. Eu não concordo muito com ela, mas é magistral o modo como ele descreve tudo. Ele é platônico. Para ele o mundo de Nárnia que acabou era só sombra da Nárnia real, que é aonde se encaminham todos os seres que amam Aslam. Um lugar maravilhoso, igual à Nárnia antiga, mas muito mais "real", mais "vívido". Para quem quiser ler estes livros maravilhosos não vou estragar o final, só digo que tem uma surpresa inesperada no final, chocante mas maravilhosa, criadora de esperança.

Outra coisa interessante neste último livro é o encontro de Aslam com o calormano Emeth, que toda a vida procuro achar o seu deus, Tash, um bicho fedorento e horrível. Aslam diz a ele que o que ele procurou foi a ele mesmo, a Aslam, porque não se pode fazer o bem em nome de Tash. E diz ainda que muitos fazem o mal em nome de Aslam, mas é a Tash a quem servem. Coisa muito verdadeira em um mundo como o nosso, onde tantas vezes pessoas mataram e cometeram todo tipo de iniquidades em nome de Deus. Mas não era a Deus a quem serviam. E ainda, mostra um mundo onde as pessoas deixam de acreditar em Aslam. O macaco, que aparece no início do livro, se finge Aslam, e começa a destruir Nárnia, vendendo-a aos calormanos. Os animaizinhos da floresta, esquecidos das histórias de Aslam e de como ele é, pensam que ele de verdade é portavoz de Aslam e obedecem, sendo manipulados. Mais uma coisa que cai como luva para o nosso mundo, onde 0 evangelho deixou de ser verdade e passou a ser manipulação.

Assim, estes livros, de uma forma tão linda que dá vontade de chorar às vezes, mostra tudo o que era, na conceição de Lewis, o caráter de Jesus, com o nome de Aslam. E isto é o mais belo que estes livros tem, já que muitas vezes Jesus é tão afastado da gente, tão posto "lá no alto do céu", em um lugar tão inatingível, que as pessoas não o conhecem como o Deus que ama. E, nos seus livros, Lewis consegue isto. De uma forma simples ele consegue pôr Jesus pertinho, e nos faz sentir amados, mesmo quando erramos, nos faz sentir que de verdade Deus está conosco. E da vontade de estar em Nárnia, e poder abraçar, junto com os protagonistas, o Grande Leão.

É um livro que fala ao coração, enquanto fala à imaginação. Ensina, sem ser chato. Diverte, recreia, maravilha o leitor. É um livro onde a teologia se revela na sua forma mais simples, a teologia pessoal de um homem com seu Deus, posta no papel. Um livro, finalmente, onde se pode aprender muito sobre Deus, de uma forma que em muitos aspectos chega a ser mais eficiente e formosa do que os tradicionais métodos de "discipulado" ou "evangelização".

Este livro é um dos mais belos que já li na minha vida. Espero que para vocês seja, igualmente, um livro interessante.

21 de maio de 2009

Pontos de vista

Cada pessoa é diferente. Cada um ve o mundo desde seu próprio ângulo. Porque, então, tem quem pretende ensinar aos outros a enxergar a realidade desde o seu ponto de vista?
O que para uns está bem para outros é errado. O que para mim é gostoso para outros é nojento (eu sei bem disso, afinal em Brasil abacate com sal é algo que ninguém pensou em comer). O que eu penso pode ser diferente do que pensa meu vizinho. Nós temos liberdade.

Porém, muitos aspectos da nossa vida são influenciados pelo que outros pensam. Isto é normal, não podemos viver e crescer como pessoas isolados dos outros. O problema é quando os outros pretendem decidir sobre nós, quando pretendem impor o seu ponto de vista, a sua opinião, e não aceitam que sejamos ou pensemos diferente. Estas pessoas estão inseridas num sistema que aliena as pessoas, e as faz alienadoras das outras. Quando desde cedo uma pessoa aprende a pensar de acordo a padrões que outras pessoas lhe pre-estabelecem, é muito difícil que ela consiga um dia sair do esquema. E quando vem alguém que não pensa no mesmo padrão, ela vai tentar impor o seu padrão sobre a outra. É quase automático.

Na minha postagem anterior falei dos absolutos. Quando uma pessoa quer impor algo sobre outra, é porque a sua cabeça ela está certa, e seu ponto de vista é absoluto. Como falei, quando se começa a questionar as coisas se vê que muitas coisas que pretendem ser absolutas em verdade não o são.

Quem mais potentemente pretende impor a sua opinião e visão de mundo sobre os outros é, sem dúvida, a religião. Afinal, o que elas pretendem ensinar é revelação divina, e desta forma, palavra e verdade absoluta. O que eu penso foi Deus quem me revelou, por isso você tem que aceitá-lo. Quando vemos que muitas coisas que a religião nos ensina não tem mais sentido para nós, ficamos desorientados. E agora, qual é a verdade?

A igreja, como seguidora da "revelação de Deus", padroniza a vida dos seus membros. Eles têm que seguir determinado roteiro, têm que se comportar e até pensar de determinada forma estabelecida pela instituição. Na igreja católica isto foi sempre o padrão. O fiel segue o que o sacerdote fala. E na igreja "protestante", alguma coisa mudou?

Quando Lutero falou do "sacerdócio universal dos crentes", liberou o aceso dos fiéis ao texto sagrado. Porém, a instituição, o esquema pre-estabelecido ainda continuou. O pastor é uma figura que não está ali para cumprir com a função que tem - segundo o professor Osvaldo, a cura d'almas (e concordo com ele). O pastor está ali para "ensinar" as suas "ovelhas" o comportamento que devem ter como cristãos. O fiel deve seguir isto sem questionar. Só que questionar é necessário.

Muitos pastores acham que tem sei lá que autoridade superior só porque foram ordenados. Eu sei disto porque percebi a mudança em duas pessoas muito estimadas por mim que foram ordenadas pastores na minha igreja. Dai em diante, elas mudaram. Para mim o que o pastor fala é só um ponto de vista, como todos os outros. Não que esteja querendo anarquia na igreja, ou desvalorizando a figura pastoral. Só acho que eles estão se infalibilizando um pouco. Pastor é muito mais que alguém que dita as regras de vida de uma comunidade.

Bom, acho que sai um pouco do tema. O ponto aqui é a imposição de formas de pensar sobre as pessoas. Isto existiu desde sempre. A sociedade, talvez por natureza, pretende dominar o que as pessoas pensam. Hoje em dia se fala muito de liberdade de pensamento, mas ai está o controle, oculto nas tendências de moda e nas publicidades. Você deve pensar, vestir, ser como a sociedade pretende.

Pensar diferente é difícil. Querer sair do padrão, questionar o sistema, pensar duas vezes antes de aceitar um ponto de vista, é algo que muitas pessoas desistem de fazer. É mais fácil aceitar as coisas, já que aceitando as imposições a sociedade vai te aceitar. A igreja te aceita se seguir os seus padrões. Mas se alguma coisa que se faça vulnera estes padrões, todo mundo se levantará contra ti.

Eu só digo que decidi pensar diferente. Questionar as coisas faz com que a liberdade cresça verdadeiramente. É difícil, mas vale a pena. Ter a liberdade de opinar, de pensar o que vai mais de acordo com meus razonamentos, é muito melhor do que seguir as razões de outros. Mesmo dentro da igreja.

20 de maio de 2009

Absolutos questionáveis

Ao longo da nossa vida aprendemos a obedecer as regras impostas pelos outros. Quando crianças pensamos que a palavra dos nossos pais é absoluta, eles são infalíveis. Quando crescemos, vemos que eles estão sujeitos ao erro, e sua palavra e regras podem assim ser questionadas.

Com o passar do tempo, muitas coisas passam a ser questionáveis. Leis, regras de comportamento, palavras, atitudes, e aprendemos a procurar (numa procura que só vai acabar com a morte) a razão nas coisas deste mundo, queremos saber que coisa é verdadeiramente importante, que coisa é inalterável, e que coisa não.

Nesta dinâmica, nos deparamos muitas vezes com "absolutos", coisas que pretendem ser inquestionáveis, inalteráveis, imutáveis, e que são usadas por alguns para impor sobre os outros suas próprias razões. Os absolutos fundamentam a autoridade das pessoas que os estabelecem. Quando alguém começar a questionar estes absolutos, será feito todo o possível para calar estes questionamentos. Para que estes "absolutos" o sejam efetivamente, devem proporcionar ao nosso entendimento razões suficientes para que a nossa procura sobre o seu sentido seja satisfeita.

Reconhecidamente, as razões religiosas são as mais "absolutas". Ao mistificar as regras, ao colocar transcendência nelas, estas regras, que antes podiam ser simples argumentos questionáveis, passam a ser "absoluto" indiscutível. Contra elas não se pode levantar argumento contrário.

Um exemplo disto foi toda a Idade Média, onde a palavra dos Papas era tida como palavra de Deus (mistificada), de forma que fosse o que for que eles falassem tinha que ser obedecido sem questionamento algum. Mas os "absolutos" não o são eternamente. Um dia surgiu Lutero, e incluso antes dele outros grupos surgiram, e questionaram esta conceição, quebrando assim o poder absoluto da Igreja Católica sobre a vida das pessoas.

Porém, quando um absoluto cai outro se levanta. Lutero quebrou absolutos mas estabeleceu outros.

Qual é o ponto ao qual quero chegar, afinal?

Para mim, e este é o ponto, todos os absolutos são questionáveis. Isto é algo muito perigoso de dizer, visto que a igreja se fundamenta em absolutos. "Isso é pecado por..." e vem um monte de absolutos. "Você não pode fazer desse jeito, porque..." e vêm mais absolutos. Mas todos estes são, para mim, relativos. A crise é quando tudo é considerado relativo. Ai, qual é a razão deles? Qual é a verdade?

Quando a verdade se apregoa como absoluta, se excluem todas as outras. Porém, há no mundo mais do que um ponto de vista, e há assim mesmo mais de uma verdade absoluta.

E agora? Como disse antes, nossa procura pela razão das coisas será infinita. O importante é reconhecer os "absolutos" que nos são impostos. Se não reconhecer a questionabilidade destes não há mais nada a fazer.

Depois, é importante questionar. Assim como começamos a questionar nossos pais quando adolescentes, podemos começar a questionar todas as coisas que se nos impõem. Até aqui cheguei eu. Estou ainda procurando o passo a seguir.

Não sei se este texto ficou confuso, porém, se assim for corresponde ao estado da autora. Nestes momentos nada é claro no horizonte... só muitas mudanças acontecendo, paradigmas sendo quebrados, e a procura por um paradigma que para mim seja coerente. Misericordia!!

27 de abril de 2009

Questões

Ultimamente as coisas não têm andado como "deveriam" andar. Muitas coisas são cada dia mais confusas, muitos conceitos, razões, valores e idéias que eram fixas agora estão tremendo sobre um chão de dúvida que ameaça acabar com elas, tragar tudo sem deixar nada em pé. O que é, afinal, a vida, senão uma constante mudança de paradigma? Porém, esta mudança dói, e muito.

Algumas das minhas questões fundamentais, perguntas que pelo momento não têm resposta:


  • O que é "o mundo"? Essa coisa tão terrível da qual o "crente" vive fugindo, se escondendo dele nas igrejas, tentando se isolar de todas as coisas que possam trazer o mundo para dentro das suas vidas. Para mim classificar certos hábitos culturais, como beber ou fumar, como coisas mundanas, é algo meio bitolado...

  • O que é pior, ouvir música "do mundo" (de novo o monstro ao ataque) ou dizer mentiras ou ser hipócrita na cara de pau com o irmão que senta do seu lado na igreja? Muitos fofoqueros adoram ir à igreja...

  • Ser "de Deus" é aceitar todas as tolices que alguns pregadores falam? Chorar ouvindo músicas mediocres como "entra na minha casa, entra na minha vida..."?

  • Ser cristão é seguir a Cristo ou seguir o que dizem na sua igreja?

  • Ser "normal" é aceitar todas as regras idiotas que a sociedade impõe?

  • Por que casar é uma doidera (vai estragar a sua vida...), e namorar até os 40 (de preferência com muitas pessoas) é uma coisa aceitável? Não é uma inversão de valores?

  • Por que as pessoas estão tão preocupadas em estragar a vida dos outros? O ditado "a inveja mata" já está ficando curto para todas as atrocidades que as pessoas fazem contra as outras...

  • Por que as pessoas fingem e são tão egoistas que só vem "o seu sofrimento" sem perceber o dos outros?

  • Por que tudo o que a gente aprende como certo afinal resulta errado ou questionável? Por que aprendemos a ver a vida a duas cores quando está cheia de tons intermedios para confundir a visão?

  • Ser decente é usar roupas sem muito decote, saias longas e blusas compridas? Ser vulgar é usar palavrão? Muitas pessoas vulgares tenho visto que aparentam grandeza de cultura...

  • O que é igreja? Já, não venham me dizer que é a reunião dos crentes em Jesus porque isso já não acredito... muitos tem no meio que não estão nem ai nem pra Deus nem para os outros. Eles, porém, são membros de igreja...

  • Desde quando se deslocou o centro do cristianismo? As pessoas não mais pregam Jesus, senão como instrumento de cura que o "missionário tal" oferece... Se ouve falar em milagre, bênção, riqueza, felicidade e bem-estar, o diabo é mandado embora uma e mil vezes para ser chamado no culto seguinte, a fim de poder expulsá-lo de novo. Deus passou a ser marca de consumo, oferecido como se fosse um novo carro com todos os luxos... cadê o respeito?

  • Por que as pessoas se aferram a coisas que não são fundamentais, como o "autor" de este o tal outro livro da Bíblia, brigando "porque foi Marcus mesmo que escreveu o evangelho" e deixando passar as besteiras mencionadas no ponto anterior? Não deveriamos brigar pelas coisas importantes? Muitas pessoas há que não aceitam divergências enquanto as suas tradições, mas aceitam os óleos da bênção e copos de água que certos pregadores oferecem por ai...

  • Que é verdade? A tua, a minha, a dele? Muitas opiniões, cada um afirma que ele está falando a verdade absoluta. E aí, como é que a gente faz?

  • Que é pecado? Ir dançar ou humilhar o próximo? Beber ou fofocar do vizinho? Quais são os nossos valores? Há um padrão de "santidade" um pouco fora da realidade... na verdade é uma série de regrinhas "faça-não faça que obterá resultados espléndidos!"

  • Que é mais importante, resgatar alguém que está sozinho na rua ou evitá-lo porque "pode me contaminar, ele é do mundo"?

Comecei pelo "mundo", terminei pelo "mundo". Para mim muitas coisas não estão no lugar certo, muitas das coisas que temos aprendido desde sempre não enxergam a realidade como ela é, mas como elas pretendem que seja. Não há um só parámetro de existência. A vida é mais complicada e por sua vez mais simples do que muitas vezes aprendemos e pensamos. E agora? Haja paciência, com tantas questões na minha cabeça, só pela misericórdia de Deus que não estou doida sem remédio... pelo menos não tanto!

17 de setembro de 2008

De Autores e Autoridade

Para falar de temas que causam polêmicas é necessário ter muito cuidado, para não ofender as pessoas que pensa diferente de mim. Mas é necessário falar, fazer as pessoas pensar, refletir.

Desde sempre nos foi ensinado que certas tradições são a regra, em muitos aspectos da nossa vida. As tradições bíblicas são as mais fortes, e mexer com estas tradições é, na maior parte dos casos, mexer com as convicções e a fé das pessoas. Para mim isto é errado. Se uma descoberta, um novo conhecimento surge, e se este conhecimento contraria as tradições por longo tempo defendidas, as pessoas entram em choque, se revoltam, condenam tudo sem escutar razões. Não digo que todo conhecimento ou nova descoberta seja verdade absoluta, assim como as tradições antigas não o são. O que eu quero dizer é que muitas vezes baseamos as nossas convicções em ditas tradições, ou em cada nova descoberta que surge. E nos esquecemos do que é realmente importante.

Para falar num caso simples, o Pentateuco. Todo mundo acredita que foi Moisés quem escreveu o Pentateuco, ele sozinho criou os cinco livros a partir de narrativas orais. Tudo mundo afirma isto, nas igrejas, nas ruas. Só que esta tradição foi há muito tempo ultrapassada. Hoje em dia, no ambiente acadêmico, se sabe que não foi (não é possível, simplesmente) Moisés quem escreveu o Pentateuco (como podia ele descrever a própria morte?). Este conjunto de livros é o resultado de um longo processo de compilação de tradições, relatos, narrações e leis, no período do post-exílio.

Mas então, se isto é reconhecido oficialmente há muito tempo, porque nas igrejas, porque as pessoas "leigas" ainda acreditam na autoria mosáica? Muitos dizem que as pessoas não estão preparadas para este conhecimento. Segundo eles, se as pessoas soubessem estes fatos, ao meu ver tão simples, elas perderiam a sua fé, veriam questionadas as suas crenças, e, no pior dos casos, renegariam a sua fé. Isto, lastimosamente devo dizer, muitas vezes é a verdade. Afirmar uma coisa tão simples como que Moisés não escreveu o Pentateuco ocasiona nas pessoas condenação, rejeição da afirmação.
Ou os Evangelhos. Quantas vezes ouvimos nos púlpitos que foram os apóstolos, cujos nomes levam os livros, aqueles que escreveram os quatro Evangelhos. Hoje se sabe que não é assim. Com excepção de Lucas, os Evangelhos foram escritos por comunidades cristãs do primeiro século, preocupadas em resolver questões internas e em relatar aos novos convertidos, que não eram da geração de Jesus, os fatos e ditos do seu Mestre e Senhor. E Paulo. As cartas paulinas em sua totalidade afirmam que foi Paulo quem as escreveu. Mas, atualmente, as pesquisas revelaram que, por exemplo, a carta aos Efésios não pode ter sido escrita por Paulo, já que data de uma época posterior à morte do apóstolo.
E agora? O que fazer? Renegaremos todos a nossa fé? Claro que não!!! O que as pessoas têm que entender, o que é necessário que as pessoas parem para pensar é: em que você está colocando a sua fé? Se eu deixo de acreditar que a Bíblia é a Palavra de Deus só porque Moisés não escreveu o Pentateuco, eu estou demonstrando que a minha fé não está posta em Deus, mas em Moisés. Eu creio que a Bíblia é Bíblia porque Paulo escreveu Efésios, e que é um livro sagrado porque o apóstolo Mateus escreveu o Evangelho com seu nome. E ai, onde deixo a Deus? Onde está o Autor principal, aquele que ao longo dos séculos cuidou da formação do cânon, da propagação da palavra, da Bíblia? Onde está a minha fé?

Eu acredito que as pessoas devem ser preparadas para o confronto. Devem dar importância ao que é realmente importante. Que seja ou não uma pessoa conhecida e famosa a autora de um texto bíblico não aumenta nem tira autoridade ao texto. Ele tem autoridade em si mesmo, como o texto que ao longo dos tempos tem sido combatido, escondido, destruido, mas que ao longo de tudo tem permanecido até os nossos dias. A Bíblia não tem autoridade pelas pessoas que a escreveram ou formaram, mas tem autoridade por ser a Palavra de Vida, a Palavra de Deus. Esse Deus que usou simples pessoas, com seus erros, suas culturas e costumes, para formar este grandioso livro.
Para terminar: "O fato de que o autor pessoal seja ou não conhecido por seu nome, ou que seja mais ou menos exatamente datável na história, é secundario e não modifica a natureza do texto, que teve um autor e quis comunicar alguma coisa." (Horácio Simian-Yofre. Metodologia do Antigo Testamento)

8 de setembro de 2008

Meu Deus é um Deus alegre!!

Eu li uma vez, num livro infantil, de uma garota que perguntava à mulher que cuidava dela: "Porque este Jesus sempre tem a cara tão triste?" Ela se referia aos diversos quadros que "retratavam" a Jesus Cristo, nos quais os artistas tinham retratado um rosto serio, geralmente com aspecto triste e deprimido. Eu mesma tenho visto muitas imagens de "Jesus" que o mostram como um homem serio e de olhar muito triste.

Eu ouvi uma vez uma mulher me dizer que Jesus não ria, nem sorria, que sorrir e rir não é coisa boa e por isso Jesus não o fazia. Ele era sério, sempre.

Eu percebi que neste mundo as pessoas cada vez mais ficam tristes, cada vez nas ruas é mais difícil ver pessoas rindo, ou pelo menos alegres, com um sorriso no rosto. Cada vez mais as pessoas passam pela vida com um rosto cheio de tristeza, de dor e solidão. Pois bem, quando vejo estas pessoas, e penso no que eu li, no que aquela mulher me falou, eu sinto que Jesus não poderia ser uma pessoa de olhar triste, de rosto sempre sério. Para mim Jesus foi um homem alegre, já que tinha a alegria de ter um relacionamento direto com Deus Seu pai, e também estava aqui na terra, nos dando o exemplo, com a sua vida, de como nós deveriamos ser. E não creio que nós devamos ser pessoas sérias.

Como bem se sabe, o riso ajuda na curação das doenças. Estar alegres faz se sentir mais leve, e riri um pouco alonga a vida. O meu Deus, o Deus que criou o mundo, criou o homem para ser alegre, criou a boca para rir e sorrir. Senão nós não teriamos essa capacidade. Jesus foi um homem extraordinário. Ele deixou toda a sua glória e se fez um simples homem por nós (ver Filipenses 2), e enquanto estava entre nós fez muitas coisas maravilhosas. Mas o mais importante de tudo foi que nos deu o seu amor. Eu não posso me imaginar Jesus olhando para a mulher adúltera com um olhar cheio de amor em um rosto sério. Ele com certeza estava sorrindo para ela, dissendo-lhe com seu sorriso que a amava, que a perdoava e a aceitava.

Um sorriso faz toda a diferença. Um sorriso dado a uma pessoa preocupada pode animá-la. Um sorriso pode fazer uma pessoa séria e preocupada sorrir. Um sorriso recebido de alguém que achavamos que não gostava de nós pode mudar tudo dentro de nós.

Neste mundo triste e deprimido, é importante que as pessoas saibam que tem alguém que as ama, alguém que olha para elas não com um rosto sério e um olhar triste, mas alguém que as olha com amor, que está com os braços abertos esperando-as, com um sorriso de amor no rosto. Jesus não pode ter sido uma pessoa triste, pois ele é a fonte da nossa alegria.

Que os cristãos nos lembremos sempre disto, e que passemos a refletir a alegria e o amor de Cristo a todos, não só na igreja, mas lá nas ruas, no trabalho, na escola, nos lugares onde realmente se encontram aquelas pessoas que ainda não acharam a alegria de Deus, aqueles que vivem num mundo cheio de tristeza, solidão e individualidade.

9 de junho de 2008

Falando de Amor



Há pouco tempo só se ouvia falar de amor. Por ocasião do Dia dos Namorados, todo o que se ouvia era a palavra "amor". Mas realmente, na atualidade, sabemos o que é o amor?

Na nossa sociedade o significado da palavra amor se tem perdido. Para a maioria das pessoas amar é sinônimo de ter relações sexuais. Mas o amor é muito mais do que isso. É dar tudo por alguém, dar sem esperar receber, é se preocupar com o bem-estar daquela pessoa especial, pensar primeiro nela que em si mesmos, aceitá-la como é sem criticar ou julgar.
Amar não é simplesmente algo físico, é algo que se sente desde o fundo do coração, que faz com que as idéias fiquem bagunçadas só de ouvir a voz da pessoa amada, que faz com que se saiba que ele está aí sem sequer olhar, é dar importância a pequenos detalhes, a pequenos gestos e situações, a momentos que para os outros não têm importância.
Amar é se dar por completo ao outro, não no sentido físico, mas no sentido do ser por completo. O amor pode até doer no fundo da alma, mas essa dor significa que algo importante aconteceu na nossa vida, e isto nos faz diferentes. Não em vão se escreveram milhões de canções, poemas e romances, falando das diferentes sensações e emoções que o amor dá. Amar é algo fundamental para o ser humano, que vai além do físico, que vai além da racionalidade (pois quem disse que o amor é algo racional? Já quis muitas vezes que fosse...) e que enche a alma de coisas novas, de novas razões de viver e de novas expectativas com respeito ao futuro.
O maior exemplo de amor que eu conheço é o de Jesus, que nos amou assim como somos, com todas as nossas imperfeições e defeitos. Ele nos amou, e morreu por nós, e dar a vida pela pessoa amada é para mim a maior demonstração de verdadeiro amor. Espero que o significado de amor não continue perdido entre a publicidade que diz "no dia dos namorados papãe e mamãe não", entre os exemplos errados das novelas, entre a falta de verdadeiro afeto que existe neste nosso mundo moderno.

30 de abril de 2008

Reflexão do Mês

O caminho atravessado com lágrimas geralmente é o caminho que leva à felicidade.
Se as lágrimas são suas companheiras, não se preocupe!!! Elas não vão deixar você sozinho....ainda que todos os outros o façam!
O mais importante de tudo é saber que Deus está no meio das lágrimas...
by Vika

10 de abril de 2008

De mudanças...

Geralmente a vida é uma rotina. Estamos tão acostumados a fazer sempre as mesmas coisas, a seguir os mesmos esquemas, que quando algo acontece, o quando nos enfrentamos com a perspectiva de uma mudança, entramos em choque. Choque de desejos, eu quero mudar mas não quero, choque de opiniões, pois sempre haverá pessoas a favor da mudança e pessoas em contra, choque de sentimentos, eu me sinto feliz de mudar mas me sinto triste de deixar o que já conheço e faço.
As mudanças são muito importantes na vida. Muitas vezes, mesmo por estar tão acostumados com a rotina, nos esquecemos que além dela existem outras coisas, há muitas coisas para fazer, muitas oportunidades de aprender, de conhecer outras coisas, ou mesmo de conhecer a nós mesmos, que às vezes são atrapalhadas pela nossa rotina. Quando estamos tão totalmente presos do costume, é bom parar e pensar, se não está chegando o tempo de mudar. Isto pode assustar-nos, pois muitas vezes a mudança nos enfrenta com o desconhecido, ou com a perda da segurança que temos estando na nossa rotina. Mas, quando nos decidimos a mudar, se abrem ante nós muitas novas opções, e ao mergulhar no desconhecido, aprendemos não somente coisas novas do mundo, mas também, e principalmente, de nós mesmos.
Para mim chegou o tempo da mudança, pra vocês quando chegará?

2 de abril de 2008

Dos Absurdos da Vida

É absurdo...

Que depois de passar meia hora sem clientes, quando está chegando a hora de fechar, três minutos antes chegue aquele cara que quer "só uma coisinha de um minutinho".

Que as pessoas julguem os outros só pela aparência.

Que eu tenha que viver pensando no que os outros estarão falando de mim.

Que num pais com tantos recursos naturais como o Brasil ou a Colômbia as pessoas passem fome e sede.

Que as pessoas só fiquem preocupadas com quem vai ser o cara que vai ganhar o Big Brother.

Que as pessoas só se lembrem de Deus quando estão metidas em encrenca.

Que seja mais barato viajar para o exterior do Brasil que dentro do Brasil.

Que de Colômbia no exterior só se saibam as coisas ruins, com todas as maravilhas que a Colômbia têm para se destacar no mundo.

Que governos como o dos Estados Unidos fomentem guerras e destruições, como a guerra de Vietname, a do Timor Leste e a do Iraque, a custa dos seus próprios cidadãos (para não falar dos habitantes desses países que sofreram e ainda sofrem a violência e desolação da guerra).

Que depois de tantas coisas que passaram neste mundo, ainda exista o racismo.

Que depois de olhar para um amanhecer, para a beleza das montanhas ou para a imensidade do mar, alguém ainda tenha a coragem de dizer que Deus não existe.