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31 de março de 2012

Sobre a Invasão da Religião

Facebook é uma coisa muito legal. Por meio dele posso estar em contato com minha família, que está longe, e com muitos dos meus amigos, que também estão longe. Porém, ultimamente o Facebook se encheu de recadinhos, de mensagens de auto-ajuda, e também de mensagens "de crente". Tudo bem que as pessoas tenham liberdade de expressão. Mas isso me faz pensar, mais uma vez, na extrema religiosidade que se está vivendo na sociedade atual. Os cristãos, sobretudo, nos comportamos como se quiséssemos encher o mundo com as nossas ideias, mas não de uma forma respeitosa, não, mas do tipo que, se pudéssemos, tomaríamos o mundo pelo pescoço, o obrigaríamos a abrir a boca e nos engolir à força. Sobre essa atitude, duas coisas: Os cristãos sempre foram assim. Antes foram as Cruzadas, mas como agora a gente não pode forçar os outros a aceitar nossa religião, fazemos de tudo para mostrar que nós somos crentes, e que crente é tudo de bom. Ai vem esses mensagenzinhos de: "Deus me ama, Jesus te ama, Deus é minha força, Confio em Deus", etc, etc. E o Facebook fica um pé no saco. As mensagens de auto-ajuda também enchem o saco, mas as evangelistas me parecem, na maioria das vezes, arrogantes.
Mas eu não quero falar especificamente do Facebook e das mensagens de crente. Eu estava pensando no extremismo que está tomando conta do povo. Um extremismo cego, delirante, totalmente enjoativo, que faz com que você fique farto de ouvir qualquer coisa relacionada com Deus. Hoje em dia, para ser cristão, você precisa mostrar que o é, e não basta simplesmente ter uma relação com Deus, não, tem que pendurar na janela um aviso, andar pelas ruas com a Bíblia embaixo do braço, falar exclusivamente evangeliquês e meter Deus em tudo. -O café queimou, irmão!-diz um. -É da vontade dele, meu irmão!-diz outro. Tudo o que acontece, seja bom, ruim, seja simplesmente rotinário, tudo tem a ver com Deus. Até o fio de cabelo que caiu da cabeça, foi culpa de Deus (e bem podem usar aquela passagem que diz que Deus conta os cabelos da nossa cabeça...). É asfixiante. Eu, pelo menos, me sinto cansada, e me pergunto se tem que ser assim, se tudo tem que ser Deus pra lá, Deus pra cá. Coitado, não o deixamos em paz! E o que as pessoas falam que Deus disse, então! Deus mandou fazer isso, Deus me disse pra fazer aquilo, Deus quer profetizar na tua vida, meu irmão! E se você está passando por alguma situação ruim, é por duas coisas: ou pecou contra Deus, ou Deus está te testando, porque, você sabe, silêncio também é resposta!! Eu acho essa frase ridícula. Imagine você estar falando com alguém, ai do nada simplesmente fica calado. O outro não ia pensar: Ahh, é que silêncio também é resposta!. Ele ia era pensar que você é maior mal educado e ir embora. Eu, pelo menos, faria isso.
E a questão é que tanta expressão de religiosidade, tanto fanatismo, tanto "amor" por Deus, é chato e contraproducente. Tanto irmãozinho cantando hinos no ônibus vai deixar a impressão de que somos uns grossos, já que praticamente obrigamos os outros a nos ouvir (e é um saco, sei porque num ônibus que eu entrei tinha um irmão desses, e me cansou, e cansou o senhor do meu lado, que não parou de reclamar pela falta de respeito). Se quer louvar a Deus, use fones de ouvido ou cante na sua casa. As pessoas ficam entediadas, e em lugar de querer saber mais de Deus, ou mesmo se converter, saem correndo dos "crentes". Se eu, que sou cristã, fico aborrecida com tanto bombardeio de religião, imagina os que não o são!
Deus está perdendo a forma. Hoje em dia Deus é qualquer coisa, só basta as pessoas falarem. Deus é curandeiro, banco, bombeiro, segurança (tem uma mensagem por ai que fica falando daquele que "me vigia"), é amuleto contra inveja, proteção contra o capeta, escudo contra a maldade alheia... e por ai vamos, e a lista não acaba. E se você tem um problema, melhor não fale com ninguém, porque vão chover mensagens de "Deus te ajuda", "Seja feliz que Deus está contigo", "Confie em Deus", e assim por diante. Tudo bem, eu sei que Deus me ajuda, mas sabe quando você quer o conforto meramente humano? Quando quer compreensão, em lugar de frases de efeito? Nesses momentos essas frases são como socos no rosto. Poxa, você sofrendo, e te mandam ser feliz!! Dá vontade de mandar todo mundo tomar banho... pra ser boazinha. Tem alguns que ainda afirmam que o sofrimento é uma forma de se alegrar em Deus. Como assim, sou feliz porque estou triste?
Esse pequeno exemplo me leva a outra questão, que está no miolo da extrema religiosidade que vemos por ai entre os nossos "irmãos". Esse tipo de pessoas geralmente cumpre um papel de papagaio. Eles repetem tudo o que aprenderam na igreja. Falam as frases de efeito, acreditando nelas, mas muitas vezes sem parar para pensar no que estão falando. Ou cantando. Tanto lixo com o nome de gospel é cantado por ai, tantas músicas sem qualidade nenhuma, nem musical, nem de conteúdo. "Quero ir além do véu", cantam. Mas, desculpa, a gente não acredita que Jesus rasgou o tal véu? Então qual véu que você quer ultrapassar? E vão colocando mensagens na internet, e falando frases prontas para as pessoas, e não percebem o que estão fazendo. E se alguém chega com uma ideia diferente, ou simplesmente contesta o que eles escrevem, publicam no Facebook, ou o que dizem, misericórdia! É o acabou-se! Você é herege, inútil, desinformado. Porque, claro, o que você disse não bate com o que gravaram com fogo no cérebro do sujeito, e ele não assimila a nova informação, nem tenta, simplesmente a nega, e a rejeita como coisa do capeta. Que é parte importantíssima da vida do tal. Porque, assim como é Deus pra lá, Deus pra cá, também é capeta pra lá, capeta pra lá. Você está deprimido? Culpa do diabo. Doente? O diabo atentando contra você. Não quis ir à igreja esse dia? Está fazendo a felicidade do capeta. E qualquer coisa que você faça ou alegra ou faz aborrecer o capeta. Porque, se você jejua, é a barriga do diabo que ruge. Sei lá, deve ser por isso que ele fica chateado...
Eu olho para a sociedade antiga. Semana passada estava lendo um livro que amo, "Orgulho e Preconceito". A sociedade inglesa dessa época era totalmente cristã. Mas as pessoas viviam suas vidas normalmente. Eles viviam suas vidas pensando no que o vizinho fez, em arranjar um bom marido, enfim, vidas comuns e correntes. Não há, em nenhum dos livros que já li, e dessa época eu já li bastante, não somente o acima citado, diálogos como o seguinte:
-Minha querida Ana, você precisa orar a Deus. Eu sei que ele vai fazer o senhor Ritgh se apaixonar por você. Deixe de chorar, que Deus nos fez alegres. Vai ver que logo, logo, o rapaz vai pedir sua mão.
Hoje em dia Deus é o resolve tudo. Qualquer coisa, ele faz. Claro, ele não é Onipotente? Não encheu a Bíblia de "promessas"? Hoje em dia, se o tal Ritgh não se declarar em determinado tempo, ou Deus está "preparando algo melhor", ou a Ana está em pecado. Tudo, em tudo, e por tudo, sempre tem Deus no meio.
Me pergunto porque essa febre de Deus. Eu sei que Deus é Deus, nosso Senhor, e cada cristão deseja uma relação pessoal com ele. Mas, se é assim, porque o resto? Porque a proclamação sem trégua da nossa fé via internet, ou pessoalmente? Para que tanta ostentação de "olhem para mim, sou cristão"? Tipo um daqueles mensagens do Facebook: "Sim, sou crente". Eu pensei, e dai? O que eu tenho a ver com isso? Em que afeta a vida dos outros? Beira no ridículo. As pessoas se põem em ridículo, ridicularizam Deus, ridicularizam até a sua prezada e proclamada fé. E andam por ai como ovelhas. Eu acho que já falei antes, mas eu não gosto de ser chamada de ovelha. As ovelhas são burras, não pensam nem um pouco na própria supervivência. São um monte de maria-vai-com-as-outras. E a maioria dos cristãos, são ovelhas, não só "do rebanho de Deus", mas literalmente. Como disse acima, papagaios. Ovelhas, indo atrás do que o pastor disse, o que o televangelista disse, do que o cantor tal cantou. Eles não pensam no que ouvem, não refletem, não criticam. Leem a Bíblia sem ler, pois nela há tantas divergências que é impossível afirmar, de cara limpa, que não há contradições nela. Uma coisa simples de exemplo: As genealogias de Jesus. Numa, ele descende de Salomão, na outra, de Natã. E ai, como fica? Durante muito tempo eu fiquei na dúvida com esse texto, e ninguém podia me responder. Ai, fui no seminário e aprendi que essas genealogias não são literais, mas que foram escritas para servir a um propósito específico do seu autor. E ai, fiquei em paz. Porque os que sabem não passam a informação aos que não sabem?
Eu não vejo nada de saudável na atitude que as pessoas "crentes" em geral estão tomando. O excesso de religiosidade para mim é um pesadelo, algo que me faz sentir presa, me da vontade de sair correndo. As frases prontas me dão raiva, ver as pessoas repetir, todas, as mesmas coisas me irrita. Culpa dos pastores que, informados, sabendo das coisas, não repassam a informação aos fiéis, porque, como disse um, "a igreja não está pronta", ou, como disse outro "de todo o correto que há, as pessoas não precisam saber muito" (parafraseando, não me lembro exatamente da frase). Se eles não precisam, porque nós aprendemos? Se não é relevante, porque foi importante para nós aprender? É hipocrisia. Retenção de informação. Manter o povo na ignorância. E uma grande irresponsabilidade. Mas também é culpa das pessoas que, alienadas, não tentam se libertar da alienação, que não se preocupam em analisar o que ouvem, criticar, pensar por si mesmos. Preguiça espiritual (Sabe, o mundo espiritual é importante, a gente tem que estar atento, tudo tem a ver com o espiritual, blá, blá, blá)? Talvez seja culpa do capeta... ou vontade de Deus.


P.S. Os cristãos somos bem hipócritas quando queremos. Invadimos o Facebook, os outdoors, os espaços públicos, com a nossa "pregação". A gente pode, é liberdade de expressão. Quero ver quando começarem a sair mensagens espíritas, ou de Alá, no Facebook... vai ser o grito no céu, porque o capeta está invadindo os espaços públicos!! 


14 de dezembro de 2009

A Mulher Invisível, o mundo invisível

A mulher invisível é um filme brasileiro de comédia. É engraçado. E faz pensar. A trama do filme mostra um homem abandonado pela mulher que, depois de um tempo de luto, se encontra com uma mulher atraente, perfeita para ele, tão perfeita... e só ele a ve. Enquanto isso, a sua vizinha, uma mulher casada com um homem que a faz infeliz, sonha com o homem que vive no apartamento ao lado.
O que me chamou a atenção neste filme é que aqui não há só uma mulher invisível. Ou melhor, a cabe se perguntar qual mulher é a invisível. Porque neste filme há duas mulheres. E as duas são invisíveis. Uma é invisível para todo mundo. A outra é invisível para a pessoa que ela ama. A mulher invisível vista pelo protagonista representa tudo o que ele sempre quis. É uma projeção dele mesmo, um sonho, o desejo de não estar sozinho que faz com que este homem "fique louco" e invente uma coisa que não existe. Aqui se trata do homem que "ve só aquilo que quer ver". E muitos somos assim, muitas vezes, em determinadas situações. É mais fácil, afinal, levar a vida do modo que nos interessa, ver só as coisas agradáveis, ver o mundo do nosso jeito. Assim ele machuca menos. E podemos criar uma bolha na qual viver, isolados dos problemas dos outros, dos problemas do mundo. É o nosso mundo. É a nossa realidade. Mesmo que seja um sonho.

Por outro lado, está uma mulher de verdade. Todos sabem que ela existe, até o melhor amigo do protagonista se apaixona por ela. Mas quem ela ama, por quem ela se interessa, não percebe sua existência. Para ele, ela é literalmente invisível. No filme vemos que o seu marido a trata como uma coisa sem importância. Ela não tem direito a sonhar. Quando ele morre, ela fica livre. Mas tem medo. E quando se avizinha daquele por quem suspirou tanto tempo, ele confunde a sua realidade (já havendo passado pelo choque de reconhecer que a sua perfeita mulher não existe) com a realidade do mundo, na qual vive esta outra mulher. E pensa que ela é irreal. Afinal, ele estava tão concentrado no seu mundo que nunca reparou nela no elevador, na entrada do edifício, no seu próprio andar. E ela não fazia nada, também, para ser reconhecida. Se achava tão pouca coisa... isso acontece quando ouvimos ou somos tratados assim por muito tempo. Ou mesmo por pouco. Se a pessoa com quem moro me acha pouca coisa, com o tempo eu vou aceitar que deve ser verdade (sobretudo se se tem tendência à baixa auto-estima).

Bom, no final o protagonista reconhece a existência da mulher de verdade. Reconhece o seu valor. Sai do seu mundo (ou não, o filme mostra o homem indo atrás da mulher real junto com a mulher invisível) e mergulha no mundo real para procurar esta mulher que, mesmo sendo real, para ele foi invisível tanto tempo.

Muitas vezes, como já disse, nós passamos a vida enfiados no nosso mundinho. Pode ser o trabalho que nos absorve a vida, podem ser os nossos problemas. Podemos ser tão loucos para criar-nos pessoas invisíveis (em caso extremo, ou não? para pensar...) ou para inventar-nos problemas invisíveis. Mas geralmente nos basta com ver só aquilo que queremos. Porém, há um mundo lá fora, um mundo no qual vivemos. Um mundo que tem muito a oferecer, experiências novas, realidades novas. E também um mundo que precisa de nós. Se ficamos enfiados na nossa bolha de sabão, escapando da realidade, não vamos fazer nada de relevante. Não vamos cumprir nossa missão que, para mim, é ajudar a fazer deste um mundo melhor. Para o nosso próximo. Para os nossos vizinhos, os outros seres que habitam este grande mundo.

Como não poderia deixar de fazer alusão, é importante que nós, como "igreja", não esqueçamos que nosso lugar não é dentro de quatro paredes, cantando e ouvindo pregações todo domingo, terça, quarta, ou quinta. O nosso lugar é fora, nas ruas, nos lugares onde há miséria. A nossa bolha de sabão, nossa realidade irreal deve ser deixada de lado, devemos procurar a realidade, mesmo com todas as dores, com todas as mágoas, mas com todas as satisfações, com todas as alegrias que possa trazer. Jesus veio ao mundo a salvar este mundo, a sarar os feridos, amar os esquecidos. Sua igreja deve seguir seu exemplo. Devemos deixar de enxergar só aquilo que nos interessa (geralmente os pecados alheios) e passar a ver o que devemos ver. O que é real.

Quando o homem do filme percebeu seu erro, e toda a bagunça que fez, e a dor que causou à mulher real, optou primeiro pela saída fácil: voltar à mulher invisível. Algo que todos, em algúm momento da nossa vida, fazemos. É quase uma coisa instintiva, no ser humano, procurar a saída mais simples. Mas geralmente o melhor a se fazer é também o mais difícil.

Este filme, com todas as situações engraçadas, faz pensar. Mostra os dois lados da moeda, as duas invisivilidades do mundo. Por isso é um filme interessante.

24 de junho de 2009

Compartilhando o Mundo

Os conflitos internacionais, as guerras civis, as lutas, acabará isto algum dia?
Hoje assisti um filme sobre o conflito palestiniano-israelita. Crianças dos dois lados falam da sua postura frente ao conflito, dos seus medos, das suas vidas. Eles crescem, e seguem seu caminho, se engajando na luta como militares, ou simplesmente assistindo ao conflito, com medo, impotentes de fazer algo mais do que falar.
Estas lutas terríveis, não são em nada diferentes ao que acontece no meu pais, a Colômbia. São pessoas matando pessoas. Na Colômbia é ainda pior, porque são pessoas do mesmo povo, nascidos na mesma terra, se matando uns aos outros.
Em si as guerras são sempre o mesmo, procura pelo poder. E quem sofre são os inocentes. Pessoas que perdem suas famílias, e se inserem no círculo vicioso das vinganças, porque se ele matou meu pai eu tenho que matar sua mãe. E a dor nunca acaba. No conflito do Médio Oriente, a luta é pelo território. Na Colômbia, pelo poder (sobre o território, os guerrilheiros querem tomar o controle do pais...) Sangue. Dor. Morte.
O território vai seguir ai, por muito e muito tempo, mas as pessoas não. Elas morrem por algo que não é exclusivo delas. Estava ai antes delas nascerem, e continuará ai depois delas morrerem. O território que faz parte de um mundo todo. Como um dos garotos do filme falava, se é possível que nos Estados Unidos convivam pessoas de todas as nações, porque em Israel não? Por que é tão dificil ceder espaço ao outro? Por que tudo tem que ser somente nosso? Quando eu estava na Itália eu vi isso, pessoas de todas as nacionalidades morando na mesma cidadezinha, no mesmo prédio onde eu morava, fazendo compras no mesmo supermercado onde eu trabalhava. E conviviam aparentemente em paz, ainda que os italianos não gostem muito dos estrangeiros. E cada um faz a sua vida.
Quando pensamos que os países do mundo são resultado das colonizações, incluso os países europeus (se bem que eles não se lembram de quando eram tribos vagando pela Europa), nos damos conta que o local onde moramos não nos pertence. Antes estava vazio, ou pertencia a algum outro. Se o local não nos pertence, não podemos querer expulsar dele o outro. Ele também tem direito de estar ali.
Finalmente, só uma pergunta: Será que algum dia vamos a aprender a compartilhar o mundo? A vê-lo como a casa de toda a humanidade? Será que algum dia vamos a deixar de nos proclamar como os donos absolutos da terra, e de passo da verdade? Será que algum dia vamos perceber que o outro é exatamente igual a nós?
P.S. Será que algum dia os colombianos vamos nos cansar de ver morrer nossos irmãos? A gente como que já se acostumou a ver a terra vermelha de sangue...

18 de junho de 2009

"Marley e Eu" e o Dia dos Namorados

Aproveitando que este é o mês dos namorados, assim o dia específico já tenha passado, estava pensando acerca de um filme que vi justamente nesse dia, e que me pareceu um exemplo perfeito do que é verdadeiramente o "amor", o "namoro". Namorar, primeiro, não deveria ser algo prévio ao casamento. Os casais, na minha opinião, deveriam namorar sempre, ainda muito tempo depois de casar.
O filme "Marley e Eu" não trata, como se pode pensar no início, de um cachorro. Trata de uma família que vive boa parte da sua vida em companhia de um cachorro, doido e hiperativo, mas que fez parte dos momentos alegres e tristes das suas vidas. Porém, o filme não se centra tanto no cachorro como na vida da família, começando com o casal recém-casado, com sonhos, expectativas, ilusões e uma vida planejada. Eu gostei muito do filme por ser real, o casal não era perfeito, cada um tinha dúvidas, medos, frustrações. A esposa teve que deixar seu trabalho quando chegou o segundo filho, o esposo não gostava de ser colunista e invejava a vida aventureira do seu amigo repórter.
O filme, para mim, mostra a essência do amor. Não amor de romance, onde tudo é cor de rosa e a vida é perfeita. Amor no meio das dificuldades. Amor quando se está com raiva do outro, quando se está cansado, quando as coisas não parecem avançar. Amor real.
A melhor parte do filme, pra mim, é quando eles falam, a mulher cansada depois de ficar o dia inteiro com as crianças chorando e o cachorro latindo e fazendo bagunça, o homem cansado depois de um dia de trabalho. Eles tinham brigado. Ai, a esposa disse a seu marido que apesar de todas as dificuldades, ela não se arrepende das escolhas da sua vida, e que ama ele. E diz que sabe que, apesar de todos os problemas que se apresentem, eles os vão enfrentar, juntos, e vão passar por tudo. Para mim isto é que é amor.
O dia dos namorados virou, se não o foi desde sempre, algo comercial. O que se celebra não é o amor entre duas pessoas comprometidas uma com a outra. Se celebra o sexo, se incentiva o dar presentes esperando receber algo em troca. Amar ou namorar não é algo sério, mas banal. Os casais se fazem e desfazem com a rapidez com que derrete o gelo sob o sol quente. O conceito de amor tem se perdido, confundido com o ato sexual. Uma pessoa "ama" a outra quando tem relações sexuais com ela. Mas isto não é, para mim, amor. Isto e uma desvalorização do sentimento mais importante que o homem pode experimentar.
O que este filme mostrou para mim é que é possível, sim, ter um casamento onde o amor dure. Eu já vinha pensando o que é o amor, e como se faz para que um relacionamento consiga sobreviver aos problemas que se apresentam. Na atualidade os problemas não se solucionam, eles se evitam. Se uma coisa me traz problemas, eu a excluo da minha vida. Se essa coisa é um casamento, tanto faz. Melhor cair fora. É a forma mais fácil, afinal.
Porém, conclui que quando se ama conscientemente, sabendo quais são os defeitos e as virtudes da pessoa amada, aceitando-a como ela é, quando se tem consciência das dificuldades que se irão enfrentar na vida, e se tem a convicção de que se quer passar essas dificuldades junto a essa pessoa, quando se tem compromisso com o outro, e não simplesmente se usa o outro, então o amor dura. Compromisso não é simplesmente uma aliança no dedo ou um papel assinado. Compromisso está no coração, tendo respeito pelo outro, querendo o melhor para o outro, e querendo fazer o possível para que esse melhor possa acontecer. Compromisso é algo de dois, é algo que não aparece do nada, mas que se constrói junto com o outro.
Amor para mim é mais do que beijos e carícias, mais do que presentes e palavras.
Meu caminhar nas vias do amor até agora está começando. Muitas coisas faltam para acontecer, muitos problemas virão pela frente. Mas eu quero sempre seguir adiante, por entre todos os problemas, por entre todos os cansaços e todas as lutas. Sempre do lado da pessoa que escolhi como meu companheiro, meu amigo, meu amor. Essa pessoa que faz a minha vida especial, que me ajuda, me da forças, essa pessoa que é o presente mais lindo, a maior bênção da minha vida. E não vou desistir. Só isso tenho como certeza, não vou desistir.

Dedicado especialmente para Leo, meu amor, meu tudo. Ainda que tenhas dormido o filme inteiro, eu te amo... rsrsrsrs

9 de junho de 2009

Igualdade? Liberdade?

Agora não estou para textos longos. Só queria refletir um pouco sobre a nossa louca sociedade, que se diz livre, se diz democrática, se diz humana. Esta sociedade que se baseia no Direito Universal de que "todos os seres humanos são iguais, tendo os mesmos direitos e deveres..."
Mas será que essa igualdade toda, essa liberdade toda, existem de verdade? Será que a pessoa que caminha na rua, ao ver uma criança jogada em um canto, meio vestida e faminta, se sente de verdade igual a ela? Será que os seus filhos são, para ela, iguais em tudo àquela criança suja?
Duvido muito. O princípio de igualdade, tal como o temos hoje na nossa sociedade, é uma utopia, um disfarce para todas as injustiças descaradas que se cometem por ai. As pessoas não são avaliadas nem tratadas em base ao princípio da igualdade. Elas são julgadas, tratadas, avaliadas, com base na sua posição no mundo, as suas possessões, seu nome. Uma pessoa da rua só é considerada igual por aqueles que estão na sua mesma condição. A igualdade só existe em cada estrato da sociedade. Eu sou igual a quem é da minha mesma condição.
Porém, a sociedade proclama a igualdade universal do ser humano. E nós, seguimos assim, acreditando, fingindo que a sociedade vive o que proclama. A igreja (ela não pode faltar na reflexão, afinal ela se acha diferente da sociedade...) vive no mesmo sonho, a bela utopia da igualdade humana perante Deus. Contudo, a igreja faz distinção entre "justos" e "pecadores", entre santos e perdidos. E a sociedade não sente o agir da igreja.
Jesus veio com a proposta de amar ao próximo como a você mesmo. Outra utopia. Como meu professor falou, se eu amasse ao meu próximo como a mim mesma, não o deixaria passando fome em baixo da ponte. Mas como próximo é aquele que está no meu mesmo estrato social...
Quando deixaremos a hipocrisia? Quando encaremos a sociedade como o que é, totalmente injusta, totalmente desigual, quando não deixemos mais que os outros pensem por nós, e vejamos com nossos olhos a realidade do mundo, talvez haja uma esperança de passar a agir. Claro, é mais cômodo ficar sentado, reclamando do governo e das injustiças (quando elas são cometidas contra nós), olhando as pessoas sofrer sem sequer mexer o mindinho. É mais fácil se escudar em Deus como o ser que nos levará ao céu. É melhor pensar que Jesus veio ao mundo só por nós. Quem não é igual a mim nem sequer ocupa um lugar nos meus pensamentos...
E falando de liberdade, esta sociedade não é livre. As pessoas não são livres. Desde crianças, são treinadas para não opor resistência ao sistema opressor sob o qual aprendem a viver, cômodas e inativas. Desde sempre há o controle do pensamento. Os meios de comunicação, e isto não é novidade, são escolas de conformismo, ilusões vendidas ao povo nas novelas, nos comerciais que insistem em que comprar certa coisa, se inscrever em tal outra é o caminho da felicidade. E a igreja, em lugar de ser um ente libertador nesta sociedade louca, é mais um ente opressor, alienante, que impede às pessoas de pensar, as coloca sob o medo eterno do juízo de Deus, do juízo do "irmão, da exclusão (pelo menos nas igrejas batistas o membro pode ser excluído se cometer algum "pecado mortal", geralmente engravidar [enquanto isso muitos hipócritas, mentirosos e caluniadores assistem tranqüilamente os cultos...]).
Onde estão as igrejas filhas de Deus, proclamadoras da mensagem de igualdade e liberdade de Jesus Cristo? Estão ocultas em baixo de tantas doutrinas, de tantos ritos vazios, de tantas liturgias estáticas... Onde está o povo de Deus que quer mudar esta sociedade? Está reclamando as bençãos de Deus, o qual tem a OBRIGAÇÃO de fazer milagres e encher de dinheiro a todas as pessoas que peçam, e que assistam aos cultos de certas igrejas... Onde estamos, como cristãos, e sobretudo como seres humanos, neste mundo utópico de falsa igualdade, falsa liberdade, falsa humanidade?

28 de maio de 2009

Boneco Jesus

Jesus está de moda. O Evangelho, cristianismo, Deus, tudo isso está de moda. Ser crente virou algo muito popular.
Mas, que Jesus é esse que está sendo tão apregoado por ai?

Sinceramente, não sei. O Jesus que eu vejo ser pregado nas "igrejas" da televisão, nos programas "evangelísticos" como "Show da Fé" e tantos outros, não tem nada a ver com o humilde filho de carpinteiro que veio um dia mudar a história da humanidade.

Ontem estava, em um raro momento de descanso em estes dias de final de semestre, passando os canais da televisão. Não tinha muita coisa interessante, ai parei um pouco para ver o "programa cristão" do momento. Só que eu não vi nada de Cristo nesse programa, e nem vejo em nenhum outro desses programas que, pessoalmente, considero lixo. Vi só um monte de emocionalismo, muitas lágrimas (vai ver se eram verdadeiras), muitos erros bíblicos, e muita auto-exaltação por parte do "pregador". O nome de Jesus era usado como fetiche, como fórmula mágica para investir de poder a pessoa que estava falando.

Uma mulher deu um testemunho (ai que coisa linda!) dizendo que seus problemas financeiros tinham sido ressolvidos porque ela passou a fatura ou sei lá que papel PELAS COSTAS DO PREGADOR. Ou seja, quem fez o milagre nem foi Jesus.

Cada dia que passa vejo mais a banalização do nome de Jesus. Ele está deixando de ser o Senhor, o digno de respeito e reverência, para virar o boneco de pessoas que usam seu nome para ganhar dinheiro. Não sei se eles estão sendo sinceros no seu "ministério". Eu acho que alguns deles (senão todos) sabem o que estão fazendo. A manipulação do sagrado não ocorre de forma inconsciente. Eles sabem que o negócio é ganhar dinheiro. A espiritualidade das pessoas só é um meio para chegar a este fim.

O pior é que o que está sendo pregado não chega nem perto da mensagem escrita na Bíblia. Agora tudo o que se fala é milagres, bênçãos, curas. As pessoas estão sendo iludidas de que sua vida vai ser perfeita, com casa, carro e bolsa de estudos (segundo ditado popular colombiano...), se aceitarem "seguir a Jesus". E claro, comprar a água abençoada, a moeda da prosperidade, o sal da pureza e o óleo da unção. E pagar fielmente os dízimos, crer cegamente em tudo o que seu "bispo", "apóstolo" (ou semi-deus) dizer, deixar que se lhes imponham as mãos, subir ao monte dos 70 santos.

Em meio de tudo isso, o nome de Jesus é usado como marionete. A Bíblia é usada para sustentar o que os pregadores falam, sem importar se o texto está sendo lido fora do contexto, deturpadamente ou sem saber o verdadeiro sentido. Afinal, os "fiéis" não vão questionar o que está sendo dito. Ontem, em outro dos programas em questão (a programação estava de verdade ruim em todos os canais!), o pastor "Da um chute na cabeça do diabo" (e não to brincando não, esse é o nome que colocaram mesmo! disse que era o momento dos comerciais "no nome de Deus", "vamos ao momento comercial para a glória de Deus"!!!!! Como assim? É que a venta de celulares ou outros produtos é algo para glorificar a Deus? Eu acho que o "pastor" estava se referindo ao próprio bolso...

O pior de tudo isto é que as pessoas não percebem que estão sendo manipuladas. A coisa é sutil (nem tanto, mas as pessoas acham tudo tão lindoooo...) e elas vão com a esperança de que suas mágoas, sofrimento e dor sejam tiradas delas. A manipulação do sagrado é um assunto sério, se está brincando com o nome de Deus, com a vida das pessoas, com a esperança delas. Se cria um mundo onde Deus está ao serviço do pregador, o qual só com fazer uso do seu nome, pode realizar todo tipo de "milagres". Deus deixa de ser Deus. Jesus é só um nome que dá grana. E as pessoas choram, gritam aleluias, cantam e dançam, fazem filas longas para ser alcançadas com a "unção" do bispo, para que seus problemas sejam solucionados.

Este sistema é nojento. Revolta o estómago ver tantas pessoas nessas pseudo-igrejas, nesses lugares de lucro às custas dos ignorantes. Ignorantes no sentido que eles não sabem. Raramente conhecem a Bíblia. Para eles tudo o que ouvem provêm do céu, as palavras do "pastor", "apóstolo" ou o que seja são palavra de Deus, e comunicam a sua vontade. Só que no meio disso há muito interesse. A metade do que se prega tem um objetivo específico, que é criar ilusão nas pessoas, induzí-las a um determinado comportamento. A fé é vendida como requisito para aceder às bênçãos. Claro, fé no bispo, fé no óleo sagrado, fé no copo da bênção.

As pessoas têm que aprender a questionar. A vida perfeita que estes pseudo-pastores oferecem não existe. Quando os problemas voltar a aparecer, estas pessoas não vão ficar revoltadas com os falsos pregadores que as enganaram. Elas vão ficar revoltadas com Deus. E ai toda a espiritualidade, toda a fé vão deixar de existir. Este "cristianismo" doentio está fazendo com que Jesus, o Senhor, deixe de ser levado a sério.

Até quando as pessoas vão seguir acreditando nas palavras vazias que os pregadores sem vergonha lhes falam? Até quando vão deixar que os cínicos se aproveitem de suas tristezas e preocupações para se enriquecer? Até quando vamos permitir que se pregue um "evangelho" deturpado, e até quando vamos deixar que Jesus seja só um boneco?

13 de fevereiro de 2009

Filhos do Rei

Filipenses 2, 5-8.
Na atualidade tem muitas pessoas que se dizem filhos do Rei. Por serem filhos do Rei, eles pretendem ter direito de exigir dele o que eles querem. Assim, se esquecem da sua função neste mundo.
Jesus é o Filho do Rei. Ele é dono de tudo o que existe. O que Jesus fez?
Jesus se despojou da sua glória, e se fez como um de nós. Sendo filho do Rei, se fez humilde. Não nasceu num palácio, mas numa manjedoura. E então: Qual é a nossa atitude? Estamos sendo humildes como Jesus? Ele deve ser o nosso exemplo: João 13,5; 12-16.
Muitas vezes achamos que por ser cristãos somos especiais. Afinal, conhecemos a verdade. Mas, o que estamos fazendo para espalhar esta verdade? Muitas vezes preferimos nos fecharmos nas nossas igrejas, nas nossas casas. Já ouvi várias vezes mães dizendo aos seus filhos para não se juntarem com determinadas pessoas, pois elas “são do mundo”.
Assim era o povo de Israel. Eles se achavam O Povo, filhos escolhidos de Deus e portanto único povo no mundo merecedor das suas bênçãos.
Eles esqueceram o propósito de Deus, que, como ele disse a Abraão, era fazer deles uma bênção para todas as famílias da terra.
Eles se fecharam e não proclamaram o amor de deus aos outros povos. Eles eram os filhos de Deus, só eles. Existem muitas igrejas hoje em dia que são assim. Muitos crentes que são assim.
Mas por causa dos judeus se terem fechado, veio Jesus. Ele veio demonstrar a verdadeira atitude que deve ter o filho de Deus: Ele deve estar disposto a servir. Deve estar aberto aos outros. Deve ser humilde. (Ver Mt. 11,29).
Ser filhos do rei não significa, contrario ao que se ouve pregar por ai, que temos direito ilimitado às bênçãos de Deus.
Não significa que tudo sempre vai sairmos bem. Não significa que somos especiais ou diferentes dos outros.
Se somos diferentes aos que muitas vezes chamamos de “não crentes”, devemos ser-lo pelas nossas atitudes, pela nossa humildade, por estar sempre dispostos a falar de Jesus aos outros. Devemos VIVER como Jesus viveu.
O filho do rei deixou tudo e se fez um pobre carpinteiro. Os seus seguidores, feitos filhos do Rei somente pela sua graça (já que não temos mérito nenhum), temos que seguir o exemplo do nosso Senhor no nosso dia a dia, em lugar de simplesmente nos fechar e somente reclamar as bênçãos de Deus como se fossem nosso direito.
Devemos procurar viver um evangelho verdadeiro. Nós temos que passar a agir na sociedade, pregar o Jesus verdadeiro, aquele que deu a sua vida por nós, aquele humilde, amoroso, que se importa conosco e está perto de nós. Não é o Jesus que fica longe, no céu, muitas vezes pregado em algumas igrejas.
Também devemos estar conscientes de quem é o SENHOR, já que muitos tratam Deus como se fosse o seu servo, ou seu caixa automático.
Jesus se humilhou, morreu para nos dar a vida, como um dom imerecido. Ele, e só Ele, é quem merece toda a Glória (Fil. 2, 9-11). É ele o Senhor, nós somos os servos.

8 de setembro de 2008

Meu Deus é um Deus alegre!!

Eu li uma vez, num livro infantil, de uma garota que perguntava à mulher que cuidava dela: "Porque este Jesus sempre tem a cara tão triste?" Ela se referia aos diversos quadros que "retratavam" a Jesus Cristo, nos quais os artistas tinham retratado um rosto serio, geralmente com aspecto triste e deprimido. Eu mesma tenho visto muitas imagens de "Jesus" que o mostram como um homem serio e de olhar muito triste.

Eu ouvi uma vez uma mulher me dizer que Jesus não ria, nem sorria, que sorrir e rir não é coisa boa e por isso Jesus não o fazia. Ele era sério, sempre.

Eu percebi que neste mundo as pessoas cada vez mais ficam tristes, cada vez nas ruas é mais difícil ver pessoas rindo, ou pelo menos alegres, com um sorriso no rosto. Cada vez mais as pessoas passam pela vida com um rosto cheio de tristeza, de dor e solidão. Pois bem, quando vejo estas pessoas, e penso no que eu li, no que aquela mulher me falou, eu sinto que Jesus não poderia ser uma pessoa de olhar triste, de rosto sempre sério. Para mim Jesus foi um homem alegre, já que tinha a alegria de ter um relacionamento direto com Deus Seu pai, e também estava aqui na terra, nos dando o exemplo, com a sua vida, de como nós deveriamos ser. E não creio que nós devamos ser pessoas sérias.

Como bem se sabe, o riso ajuda na curação das doenças. Estar alegres faz se sentir mais leve, e riri um pouco alonga a vida. O meu Deus, o Deus que criou o mundo, criou o homem para ser alegre, criou a boca para rir e sorrir. Senão nós não teriamos essa capacidade. Jesus foi um homem extraordinário. Ele deixou toda a sua glória e se fez um simples homem por nós (ver Filipenses 2), e enquanto estava entre nós fez muitas coisas maravilhosas. Mas o mais importante de tudo foi que nos deu o seu amor. Eu não posso me imaginar Jesus olhando para a mulher adúltera com um olhar cheio de amor em um rosto sério. Ele com certeza estava sorrindo para ela, dissendo-lhe com seu sorriso que a amava, que a perdoava e a aceitava.

Um sorriso faz toda a diferença. Um sorriso dado a uma pessoa preocupada pode animá-la. Um sorriso pode fazer uma pessoa séria e preocupada sorrir. Um sorriso recebido de alguém que achavamos que não gostava de nós pode mudar tudo dentro de nós.

Neste mundo triste e deprimido, é importante que as pessoas saibam que tem alguém que as ama, alguém que olha para elas não com um rosto sério e um olhar triste, mas alguém que as olha com amor, que está com os braços abertos esperando-as, com um sorriso de amor no rosto. Jesus não pode ter sido uma pessoa triste, pois ele é a fonte da nossa alegria.

Que os cristãos nos lembremos sempre disto, e que passemos a refletir a alegria e o amor de Cristo a todos, não só na igreja, mas lá nas ruas, no trabalho, na escola, nos lugares onde realmente se encontram aquelas pessoas que ainda não acharam a alegria de Deus, aqueles que vivem num mundo cheio de tristeza, solidão e individualidade.

9 de junho de 2008

Falando de Amor



Há pouco tempo só se ouvia falar de amor. Por ocasião do Dia dos Namorados, todo o que se ouvia era a palavra "amor". Mas realmente, na atualidade, sabemos o que é o amor?

Na nossa sociedade o significado da palavra amor se tem perdido. Para a maioria das pessoas amar é sinônimo de ter relações sexuais. Mas o amor é muito mais do que isso. É dar tudo por alguém, dar sem esperar receber, é se preocupar com o bem-estar daquela pessoa especial, pensar primeiro nela que em si mesmos, aceitá-la como é sem criticar ou julgar.
Amar não é simplesmente algo físico, é algo que se sente desde o fundo do coração, que faz com que as idéias fiquem bagunçadas só de ouvir a voz da pessoa amada, que faz com que se saiba que ele está aí sem sequer olhar, é dar importância a pequenos detalhes, a pequenos gestos e situações, a momentos que para os outros não têm importância.
Amar é se dar por completo ao outro, não no sentido físico, mas no sentido do ser por completo. O amor pode até doer no fundo da alma, mas essa dor significa que algo importante aconteceu na nossa vida, e isto nos faz diferentes. Não em vão se escreveram milhões de canções, poemas e romances, falando das diferentes sensações e emoções que o amor dá. Amar é algo fundamental para o ser humano, que vai além do físico, que vai além da racionalidade (pois quem disse que o amor é algo racional? Já quis muitas vezes que fosse...) e que enche a alma de coisas novas, de novas razões de viver e de novas expectativas com respeito ao futuro.
O maior exemplo de amor que eu conheço é o de Jesus, que nos amou assim como somos, com todas as nossas imperfeições e defeitos. Ele nos amou, e morreu por nós, e dar a vida pela pessoa amada é para mim a maior demonstração de verdadeiro amor. Espero que o significado de amor não continue perdido entre a publicidade que diz "no dia dos namorados papãe e mamãe não", entre os exemplos errados das novelas, entre a falta de verdadeiro afeto que existe neste nosso mundo moderno.

17 de março de 2008

Da Hipocrisia e o Uso de Máscaras

Muitas vezes ouvi dizer que é necessário tirar as máscaras, aprender a viver sem elas. O problema é que eu ouvi falar isso, mas o que tenho visto na prática é tudo o contrário: você sem máscaras não consigue viver. Estas máscaras protegem a pessoa dos outros, do que eles podem falar de você. Agora bem, se eu quiser aplicar o principio tantas vezes proclamado, estarei cometendo um erro? Parece que sim.
Uma pessoa não pode viver fora da sociedade. O problema muitas vezes é que a sociedade na qual a pessoa está inserida não é uma boa referência de vida. Ao meu redor eu vejo muitas coisas que eu achava que não deveriam acontecer, coisas que os outros fazem, dizem, que contrariam totalmente o que essas mesmas pessoas dizem que é bom ou que é mau.
As máscaras se usam para fazer as pessoas ver algo que não é real. Tenho ouvido nestes tempos, que é necessário ter uma conduta irreprochável diante das outras pessoas, pois elas sempre estão olhando para as nossas actividades.Uma imagem, uma "boa imagem" que as pessoas têm que ter de nós, ainda que na verdade sejamos outro, façamos coisas que a "imagem" de nós jamais faria. Não que não podamos fazer o que quisermos, o importante é que os outros não saibam. Ou, como se diz: "Faça o que quiser, mas onde ninguém ver". Porque o que importa, no fim das contas, é manter a "imagem".
O que me pergunto é: "O que é que os outros têm a ver na minha vida?" Será que eu estou devendo algo a alguém, que tenho que me esconder para fazer alguma coisa? Não estou falando me esconder para fazer algo errado, já que o que os outros acham que você está fazendo muitas vezes não está nem perto da realidade. E ai vem outra questão: Se eu não estou fazendo algo errado (igual eu sei que Deus vê tudo, e que é a Ele que dou conta do que faço), porque as pessoas têm que falar? Falar de que? Dos meus amigos? Da minha ida e da minha vinda? Eu não estou devendo nada a ninguém, eu não me interesso no que fulano fez e o que fulana falou, porque os outros estão tão interessados na minha vida?
O que eu tenho ouvido é que a gente tem que usar máscaras para que os outros não falem da gente. Porque? Acaso sendo eu mesma vou dar o que falar? Tenho que construir uma fachada que esconda quem sou eu, o que eu penso e o que eu faço? Se eu sou sincera estou errando?
O problema é que as pessoas, além de falar dos outros, geralmente falam mal. A malícia está no fundo do coração de quem fala de outro, e se pode falar mal, fala, assim o que esteja dizendo não seja verdade. Desta maneira, a sociedade não deixa muitas alternativas: ou você é você, e se expõe às críticas maliciosas de quem está ao seu redor que se intromete no que não lhe importa, ou você usa máscara, fazendo uma fachada "impecável" (segundo os parâmetros dos outros) e passa a ser juiz de quem não actua igual a você. Mas eu acho que, ainda usando máscaras, o pessoal fala. Alguma coisa, mas tem que falar, e você vai estar sendo falso com você mesmo, falso com os outros, sorrindo desde a sua máscara e pensando no fundo: "Este tal fez isto..." "Eu sei que esta falou mal de mim...". Para mim isso não é vida.
Deus chama à honestidade. Se eu vivo com Ele e nele, eu vou ter a consciência tranquila. O que faço não é problema dos outros, mas problema meu, e se eu erro eu tenho que responder a Deus de meus erros. A mais ninguém. As máscaras não têm lugar, excepto se você se comporta de forma questionável, sabe disso, mas não quer que os outros saibam. E ai você se esquece de que Deus está olhando além da máscara. Ele sabe de tudo, assim os outro não o saibam. Por tanto, sabendo disso, o uso de máscaras não é admisível para mim, porque se eu erro, assim seja em secreto, quem tem verdadeira importancia para mim sabe do meu erro. A opinião dos outros não importa, mas a dele sim, e ela não pode ser iludida com uma máscara bonita.
O que eu faço é problema meu. Punto. O que faço só importa a Deus. Punto. Os outros podem procurar alguma coisa realmente importante para fazer, que não falar do que não é assunto deles!!!!!!

5 de março de 2008

Fofoca


Ohhh!! Fofoca, sem ti eu não vivo.
Tu és pra mim o ar, sem o qual não respiro.

Fofoca minha, se eu algum dia deixar de estar contigo,
eu acho que meus olhos se fechariam, de uma vez e para sempre!
Eu prefiro deixar de comer, se alguma fofoca eu puder colher.
Os meus ouvidos sempre lavo com especial cuidado,
para poder assim, fofoca fresca eu conseguir.

Ohhh!! Fofoca, sem ti eu não vivo.
Tu és pra mim o ar, sem o qual não respiro.

Se eu vejo passar por ai alguém que não me agrada
com certeza ele tá indo pra fazer coisas erradas,
talvez vai trair a namorada, quem sabe!!
com certeza é algo ruim, se não, não tinha essa cara.
E aquela garota ai, sempre cambiando de amigo, isso ai está muito raro,
deve ter negócio escondido.

Ahhh, fofoca, tanto me tens ensinado, sem ti o que eu faria? Estudar? Nem pensar!
Eu vivo para ti, tu és minha alegria.
A razão pela qual vivo é pra fofocar de meu amigo,
meu vizinho, camarada, quem passar no meu caminho.
O mais importante de tudo, e não deixar viver os outros,
eles têm que aprender a importância que tu tens!

Ohhh!! Fofoca, sem ti eu não vivo.
Tu és pra mim o ar, sem o qual não respiro.


*Dedicado aos fofoqueros do Seminário...

3 de março de 2008

Ser solteira ainda é um crime?


A sociedade atual se diz livre. Segundo o que se pregona na mídia e nos jornais, ao que é afirmado pela maioria, atualmente você pode ser o que você quiser, fazer o que você quiser. Não que eu esteja de acordo com isso, mas o que se da a entender é que a gente não tem mais que fazer uma determinada coisa, o que se esperava na antiguidade que você fizesse.

Na antigüidade, e aqui vou me referir especialmente à época da minha escritora favorita, Jane Austen, se esperava somente uma coisa das mulheres: que elas casassem. O importante era não ser solteira depois dos trinta. As pobres mulheres que não conseguiam cumprir esta obrigação social eram desprezadas, o seu valor era nada. Eram umas fracassadas na vida.
Agora bem, na atualidade, com tudo o que se fala de feminismo (eu não estou totalmente de acordo com o feminismo, deixo claro...), libertação da mulher, etc, supõe-se que isto não acontece mais. Mas é só isso, uma suposição. Não que as pessoas queram que as mulheres casem, com o mundo como está, onde é comum ir morar junto e tudo isso. Mas se você é solteira, ainda jovem, mas sem namorar ou ficar com alguém, você tem algo que não va.

Não sei sinceramente porque as pessoas se importam tanto com a vida alheia, ou quanto influi na felicidade de alguém ver uma pessoa namorando ou ficando. Talvez só influi na medida que eles têm tema de fofoca com os amigos ao falar de um novo namoro ou de quantos ficaram com aquela garota no final de semana. Outra utilidade eu não vejo, outra importancia de um namoro para alguém que não faz parte do casal não existe, pelo menos para mim. Mas o fato é, que as pessoas se importam muito com você, se você faz isto ou aquilo, se você namora, está casada/o ou vai divorciar.

O que é que as pessoas esperam de uma jovem solteira? Que fique ou namore. Se você não faz nenhuma dessas coisas é uma fracassada na vida, meia pessoa. Exatamente como na época de Jane Austen. Não importa que você tenha estudado ou esteja estudando, não importa o que você tenha feito, se você não ter namorado, não é ninguém. Não que importe com quem você esteja namorando, ou ficando, pode ser o cara mais ignorante ou pouco interessante do mundo, o importante é que você está "dando uns pegos com ele"!! O que é que pretendem?? Que a garota fique com o primeiro babaca que passa pela sua frente só para ser parte do grupo? Que a mulher namore qualquer saído de sei-lá-onde só para que os demais deixem de encher o saco??

A pressão social às vezes è muito forte, sobretudo se você tem a "desgraça" de morar num lugar pequeno onde todo mundo se conhece. Se alguém ver você falando ou caminhando com um homem, significa (para esse alguém) que entre vocês dois rola algo. Se você sair com um homem, significa que è para se "pegar" (pessoalmente detesto a palavra...). Cada homem que você conhece é uma possibilidade de "desencalhar", e cada vez que você está com raiva ou nervosa por alguma coisa é porque tem necessidade de "se dar uns pegos" com alguém.

Sinceramente, eu não estou contra o namoro. Ficar, cada qual sabe o que é certo ou errado. Mas isso é uma questão pessoal, algo que não deve ser imposto pelos outros. Eu não quero desperdiçar o meu tempo com alguém que não vale a pena, ou com o qual não entendo querer passar o resto da vida junto. Para mim, namorar não é só beijar na boca (que é, segundo a minha opinião, o que pensa a maioria, ou pelo menos os que eu conheço), e ficar não tem sentido, enquanto depois você não sabe se vai acontecer algo com aquela pessoa ou não (isso se você ficar com quem você gosta, tem cada um...); é uma opinião pessoal.

O importante é que, independentemente de você namorar ou não, as pessoas têm que respeitar e valorar você pelo que você é. Não pelo seu estado civil. Nesta época de "liberdade", devemos ser realmente livres. Livres de ser solteiras/os sem que olhem pra nós como criminais. Livres de elegir aquela pessoa que não vai ser só o namorado do turno, mas uma pessoa importante na sua vida. Livres, enfim, de namorar quem se quer. E quando se quer.