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5 de fevereiro de 2012

O Que Aprendi Com Livros de Literatura

Minha avó me perguntou um dia o que eu aprendo quando leio. Sobretudo quando leio romances. Segundo ela deveria ler mais livros que me "ensinem alguma coisa", livros como os de autoajuda, que me falam como ser melhor. Eu não concordo com a minha avó. E fiquei muito tempo pensando na pergunta que ela me fez. Confesso que eu gosto de ler qualquer tipo de livro, menos biografias ou livros de autoajuda, esses nem a pau, mas o que mais leio são romances, livros de literatura. Já li muito nesta minha vida, livros policiais, de amor, de suspense, sagas familiares, dramas, histórias infantis, contos antigos e modernos, e muitos, muitos outros. E tenho aprendido com eles, sim senhor. Pode que no livro não haja instruções para viver a vida, mas justamente por isso que eu gosto de ler. E tenho aprendido muito sobre os costumes de outras terras, de outros tempos, como quando os ingleses costumavam achar visitas que durassem mais de meia hora falta de educação, ou quando a filha mais velha era chamada de "miss Tal", enquanto as outras eram chamadas pelo nome. Conheci as terras difíceis da Austrália, soube que no Japão o desjejum é arroz e peixe, viajei pelas montanhas da Suíça, aprendi a história da França durante o reinado de Felipe IV o Belo, enfim, o que tenho aprendido com os livros que li, se fico aqui descrevendo, nunca vou acabar. E tenho aprendido muito sobre a natureza humana. Histórias vão, histórias vem, mas o ser humano retratado nelas é basicamente o mesmo, ambíguo, com suas complicações, suas perguntas sobre sua existência, o bem e o mal dentro dele. Mesmo nos livros de amor, os mais previsíveis que já li (geralmente já sei o que vai acontecer, dependendo do livro fica até chato), dá para aprender bastante sobre o ser humano. Para mim os livros são janelas a outros mundos, com eles eu posso estar aqui e no Japão, posso estar sentada e estar voando, e sobretudo, são janelas à alma humana. Um livro como Madame Bovary, que mostra a complexidade de uma Emma em busca de algo que de um sentido mais profundo a seu ser, algo que a tire da monotonia de um casamento sem amor, algo que, no final, a destrói, não se compararia com mil manuais que falem do adultério ou da infelicidade de uma forma técnica.
Livros de geografia são importantes, mas é mais bonito ler a descrição das terras agrestes, do mares imensos e dos vales desérticos, descrições que transportam realmente ao lugar descrito, ao ponto que às vezes parece que, querendo, se pode deixar os personagens onde estão e sair dar uma volta por ai, é muito mais real do que aprender que na Austrália existe uma rocha gigante e há uma grande parte deserta, ou então saber que na Inglaterra há campinas. Da mesma forma, livros de antropologia nunca vão se comparar a livros que descrevem o ser humano desde dentro, a partir do que tal personagem sente, tal outra pensa e faz.
O que eu aprendi com os livros de literatura? O que me faz não parar de ler? O que me faz mergulhar de cabeça nas páginas dos livros mesmo em um lugar cheio de gente, de barulhos e de rotina? É o mundo. É mais do que possa expressar com palavras. É simplesmente a capacidade de ser livre, de sair por ai conhecendo gente, sofrendo com alguns, rindo com outros, desfrutando um belo sol brilhando no topo das montanhas mesmo estando num lugar banhado pela tormenta viajando em terras onde coisas impossíveis são reais, onde criaturas que não existem aqui falam, pensam, existem. Livros de autoajuda me parecem chatos, entediantes, receitas de bolo para a vida. Livros técnicos são importantes. Ler Nietzsche, Paul Tillich e Platão é importante, mas o que faz realmente meu ser crescer e ser livre, são os livros de literatura. Com eles conheço o mundo que ainda não tenho dinheiro para conhecer de verdade, com eles vou a épocas que nenhuma máquina do tempo vai trazer de volta. E conheço o ser humano no seu mais íntimo.
Os livros para mim são como velhos amigos, cada um contando-me sua história.

24 de novembro de 2011

Menina, Mulher e a Perda do Auto-respeito

Às vezes acho que o mundo está virando de cabeça para baixo e ninguém percebe. E quem percebe se enfia na cabeça que a solução é se fechar ao mundo e viver numa redoma de cristal, que se chama fé, igreja ou o que seja. E enquanto isso, o mundo continua virando. Nestes dias vi no Facebook uma dessas postagens prontas, e achei interessante. Ela dizia: "As mulheres ficam esperando pelo seu príncipe encantado, mas não se preocupam em se comportar como princesas". A afirmação é absolutamente verdade. Hoje em dia as mulheres estão se comportando de formas absurdas. 
Me pergunto se foi para isso que as mulheres do passado recente lutaram, se foi para isso a libertação feminina. Agora tenho TV a cabo, e uma das coisas que gosto de assistir são vídeos musicais. Porém, ultimamente os vídeos tem me deixado estarrecida. Eu sei que desde sempre mulheres rebolando com poucas roupas foram usadas para vender. Mas agora está demais. Além das letras horríveis das músicas, que só cantam coisas como "me morda", "venha me pegar", "estou nem ai se saio com muitos caras", "vamos transar esta noite" e "vou te seduzir", as cantoras estão competindo sobre quem exibe mais o corpo. O que me deixou mais chocada foi ver meninas mal saídas da adolescência ou ainda apenas entrando nesta (como a filha do Will Smith) cantando que vão pegar o homem, que vão trair o homem, que são livres de quebrar o barraco e fazer o que bem entendem, quase sempre sexualmente falando. A liberdade duramente conquistada virou libertinagem.
O problema é que fazendo isso a mulher está se degradando. Está ainda concordando com a mentalidade machista de mulher-objeto, mulher que se vende como um produto na vitrine. Do tipo: se não estou gostosa, ninguém me pega. Que não haja mal-entendidos. A mulher que ama a si mesma se cuida, se arruma. Simplesmente por gostar de si mesma. E o auto-respeito, então? Parece que as mulheres procuram que os homens as respeitem e as tratem como devem ser tratadas, mas vivem demonstrando que não se respeitam nem um pouco, vendendo baratos os beijos, que dão a qualquer desconhecido em qualquer boate, isso para não falar do próprio corpo. 
Não estou pregando aqui o vestir-se de freiras, ou sei lá que puritanismo extremo. Simplesmente o simples bom gosto que as mulheres têm que ter quando se vestirem, e na forma de se comportarem. Elas têm que lembrar que valem muito, que não são objetos para passar pela vida de mão em mão, exibindo seus atributos para chamar a atenção, deixando que as tratem como lixo. Já bastante temos com a indústria da música, com a televisão, com a publicidade que ainda passam a imagem da mulher burra, loira e gostosona que só serve para mostrar o peito e a bunda para a felicidade masculina. Já temos bastante com a luta que as mulheres têm para conseguir um salário digno, para superar o machismo numa sociedade que ainda é extremamente machista. Já temos bastantes mulheres filés, frutas e outros comestíveis, que, pelo menos para mim, são vergonhosas. As mulheres devem se respeitar um pouco, caramba! Para não terminar nos braços de caras como o Enrique Iglesias, que canta "eu vou te amar esta noite (leia-se transar com você), você conhece minha fama, sabe como eu sou mas mesmo assim está afim de mim", num vídeo que mostra que o amor dele dura menos de uma noite, depois de uma rapidinha ele já partiu para outra. E as pessoas ouvem isso e acham a música o máximo...
E o pior é que como as coisas estão, a infância das meninas está acabando. Desde crianças são instruídas a comprar maquiagem (vejam-se algumas propagandas de maquiagem em canais infantis) para conquistar "o gatinho dos sonhos". Meninas que nem sabem lavar a calcinha, como diria minha mãe, que deveriam estar pensando em brincar e curtir a brevidade da infância, se preocupam com saltos, maquiagem, roupa ousada, chapinha no cabelo, unhas feitas, sem falar nas fofocas dos famosos e em quem delas já começou a namorar. Meninas que vêem garotinhas como elas rebolando nos clipes musicais e falando que vão fazer o cara "pirar" por elas. Misericórdia! 
Este mundo está cada vez mais maluco, e os valores estão sendo jogados no lixo à toa. E no meio disso tudo há meninas crescendo acreditando que no mundo só se pode viver se se é a mais bonita, a que mais fica com um e com outro. Afinal, agora somos livres de fazer o que queremos. Só que uma coisa é liberdade, e outra libertinagem. E a libertinagem não machuca ao próximo, machuca ao libertino. Cedo ou tarde. 
Graças a Deus as mulheres atuais temos mais liberdade com relação às nossas avós. Graças a Deus podemos pensar por nós mesmas e agir por nós mesmas, e sermos independentes. Vamos continuar a desperdiçar nossa liberdade agindo como vagabundas, gritando ao mundo que só servimos para rebolar, vender produtos e pegar homens? A mulher é muito mais do que isso!! 


P.S. Uma cantora muito boa que não anda ensinando a bunda, e é maravilhosa, é a Adele. Todas deviam seguir o exemplo dela...

8 de agosto de 2011

De Preconceitos, Estereótipos e Hipocrisia

Preconceito é algo que muitos sofrem, mesmo que não sejam homossexuais, negros ou membros de minorias. Na sociedade as pessoas são frequentemente estereotipadas, e aquele que sai do padrão é objeto de preconceito. Eu quero falar aqui de certo tipo de pessoas que sofrem de bastante preconceito, que são bastante estereotipadas, mesmo que não se fale do assunto nos jornais. É conhecido que os "crentes", os "evangélicos", são um grupo bastante estereotipado. Para o resto do mundo, crente é aquele que não bebe, não fuma, não dança, usa cabelo comprido, não se maquia (dependendo da denominação), só sabe falar de Jesus e é alguém que se deixa manipular. Eu não concordo com este estereótipo. Para mim cada cristão é livre de pensar e de agir, de vestir como quer, dançar se ele gostar, fumar se quer morrer cedo, enfim, não há um caixão onde enfiar todos os crentes.
Mas o que me interessa aqui é falar dos líderes, e sobretudo, as esposas destes líderes. Dentro da igreja se tem a ideia de que esposa de pastor é uma espécie de sombra do pastor, que fica atrás dele, trabalhando junto com ele em todas as atividades que existam. A mulher do pastor não pode vestir de certa forma, não pode fazer isto ou aquilo, e os filhos não podem ir a certos lugares, não podem ser isto ou aquilo, e devem fazer isto ou aquilo outro. Como se fossem uma família de alienígenas, que devem ser diferentes do resto da comunidade só porque são o líder e a sua família. Isto se aplica, em maior ou menor medida (depende da igreja), também às famílias dos ministros de música e de quem for líder da igreja. E assim, existe um estereótipo de mulher de pastor perfeita, de filhos de pastor perfeitos, de líderes perfeitos. E se esquece que as pessoas têm direito cada uma à sua individualidade, que as pessoas não se casam com uma pessoa pela sua profissão e sim pelo seu caráter, que cada indivíduo tem o direito de procurar a sua felicidade e pôr em prática suas habilidades, que ninguém pode regulamentar as vestes ou o modo de pensar de alguém só por ser casado ou ser filho do líder.
E quem quer sair do estereótipo sofre preconceito. É alvo de críticas, é rejeitado, pressionado a assumir o padrão predeterminado. Isso sob ameaça do líder "perder seu cargo" (Não que se fale isso na cara da pessoa, mas o que se subentende é que "isso atrapalha o ministério...")! Quem disse que mulher de pastor é a sombra do pastor? Quem disse que mulher de pastor, que filhos do pastor não têm vida própria? Acaso os filhos do pastor nasceram com auréola na cabeça só pela profissão do pai? São descendentes de anjos ou algo assim? E a mulher de pastor deixou de ter personalidade, opiniões próprias, desejos de realização pessoal, gostos, afinidades, só porque o marido é pastor? A cobrança que a igreja faz sobre a família dos líderes é irracional, é injusta, porque o que se exige dos outros, o que se exige deles não é realizado por aqueles que exigem. A família do pastor tem que estar enfiada na igreja, tem que fazer tudo, estar sempre lá, enquanto eu não posso, estou cansado, trabalho, tenho que sair... assim é bem fácil!
Desse preconceito ninguém fala, e quem o sofre só tem duas alternativas: ou se submete ou se rebela. Quantos filhos de pastor revoltados com a igreja não há por ai? Mas se se rebelam, sofrem mais ainda o preconceito, são duplamente mal falados, são alvo de mais julgamentos. E o pior é que geralmente ninguém se dispõe a se importar com a pessoa, a perguntar como está indo a vida dela. Para o resto do grupo, a família do pastor não é composta de pessoas, mas de papéis a ser desempenhados. 
E eu me pergunto, no meio de tudo isso, onde fica o amor cristão? Onde fica o "não julgueis para não ser julgados" e o "cuidado com a língua"? As igrejas em geral sofrem de uma doença crônica de hipocrisia e de fofocas, parece que as pessoas se acham santas por não roubar, não matar, ir à igreja todo domingo, e isso lhes dá a liberdade de falar mal dos outros, de aqueles que depois vão chamar de irmãos. E quando se trata da família dos líderes, ai é que as línguas se afiam! Ai é que as máscaras se fazem universais, e os dedos mais prontos para apontar "falhas" e "defeitos". Que vestiu ou deixou de vestir, fez ou deixou de fazer, que o filho do pastor não pode ir na tal festa, que a esposa de pastor não pode vestir shortinho. E biquíni então, vira veste do capeta! E o amor de Deus, tudo o que Jesus pregou, até as músicas que se cantam, onde fica tudo isso? Como se pode cantar que somos irmãos, que somos um em Jesus, que vamos unidos em comunhão, e depois falar mal dos irmãos? Falar mal dos líderes e de suas famílias? Cadê a prática do cristianismo?
As igrejas esquecem que os líderes são pessoas iguais a elas. Que sofrem igual, têm lágrimas também, se cansam, pensam, sonham, e que as suas famílias têm sonhos, que são feitas de indivíduos. Não são uma massa grudada ao líder. Cada membro da família é único e independente. Esse negócio de que líder deve ser mais santo é uma desculpa furada. Ser humano é ser humano, não há ninguém mais perfeito ou melhor que os outros.
O estereótipo de família de pastor (e de forma mais ampla, as famílias de todos os líderes) deve desaparecer. As igrejas precisam reconhecer a individualidade dos membros da família do seu líder. Afinal, os filhos do pastor não escolheram os pais, e a mulher dele não casou com a sua profissão. Se tiver vocação para ajudar na igreja bem. Se não tiver, deve se respeitar sua postura. A família dos líderes deve deixar de ser vista como os alienígenas perfeitos que se exige que sejam, e passar a ser vista como simples membros da igreja, iguais a todos os outros. Além disso, a igreja deve deixar de prestar atenção no que os irmãos fazem ou deixam de fazer. A hipocrisia está acabando com as igrejas. O pior é que a pessoa não tem tempo para dar um alô para o irmão, chama-lo para um jantar em casa, mas todas as fofocas ao respeito dele sabe de cor, e tem tempo ainda de falar mal dele com os outros. A fofoca é um problema grave, um pecado como qualquer outro. Ninguém tem o direito de falar mal dos outros, sejam líderes ou não. E se alguém tiver queixas sobre o líder, fale com ele. Não pode ficar falando pelas costas dele. Os preconceitos e os estereótipos na igreja devem cair! As famílias dos líderes devem ser liberados do peso do estereótipo, devem poder ser livres para viver sua individualidade como cristãos e como seres humanos!

11 de julho de 2011

Sincretismo e a Liberdade em Deus

Sábado passado assisti a um filme (Santo Forte) que falava das diversas religiões que existem no Brasil. Pessoas de diversas religiões eram entrevistadas, contando suas experiências e seus costumes nas respectivas religiões. Uma das coisas que achei interessante é que a maioria das pessoas entrevistadas fazia parte da religião católica e mais alguma coisa. Uma era católica e umbandista. Outro era católico, batizou a filha no candomblé (com água benta conseguida em uma igreja católica; o padre gostou de saber que a filha dele já tinha sido batizada no catolicismo) e pediu à mãe dele para orar por ele na Universal quando estava doente. Uma outra se declarava ateia, mas acreditava nos espíritos da vizinha (que era umbandista) e até pedia favores para eles.
O que mais me chocou foram os relatos que as diferentes pessoas envolvidas na umbanda faziam. Uma moça, que deixou de praticar a sua religião mas que não se "converteu" a nenhuma outra, contava que quando ia ao seu terreiro e tinha feito algo de errado, o preto velho dava uma "paulada" nela: montava nela, como se fosse um cavalo, e batia nela. A moça sentia dor como de pauladas, e saia do terreiro com dor de cabeça e o corpo doendo, apesar de não apresentar feridas visíveis. Também na própria casa, se ela falava alguma coisa indevida, o seu preto velho a castigava, fazendo-a voar de um cômodo ao outro da casa. Outro relato foi o de uma senhora, já anciã, que contou como perdeu a irmã. Esta última bebia a oferenda de cerveja que tinham feito à pomba-gira chamada "Rainha do Inferno", pelo qual a pomba-gira um dia montou nela e disse para sua irmã que a ia levar. A senhora contava como rogou à pomba-gira para não levar sua irmã, que tinha um filho pequeno, mas a pomba-gira não ouviu. A anciã falou para sua irmã comprar a própria cerveja, mas ela não quis, e um dia, estando no banco para receber um dinheiro, morreu. A senhora ainda contou que estando frente ao caixão da sua irmã, a pomba-gira apareceu e riu, dizendo: "Levei ou não levei?". 
A moça do primeiro relato afirmou que estas entidades não são más em si mesmas, mas que são as pessoas que pedem para elas fazerem o mal aos outros. Porém, o interessante é que elas são compradas, não tem vínculos de fidelidade: Quem pagar mais recebe o favor da entidade. Ao ver e ouvir tudo isso, eu ficava pensando como é possível que as pessoas continuem servindo a deuses que os castigam, que fazem favores a quem dá mais. São literalmente escravos. A senhora anciã chegou até a falar que por uma parte é feliz, mas que por outra não é, e nunca vai ser. Não especificou o porque, mas se via a aflição e o temor no seu rosto. Eu só podia pensar na liberdade que temos em Jesus, no amor que ele nos da, na paz que temos com ele. E não entendi, aliás, não entendo, como as pessoas podem continuar envolvidas nisso.
Um outro relato me deu foi vergonha. Um homem, envolvido na umbanda também, falou dos evangélicos, afirmando que ele como umbandista não ousa mencionar o diabo, e que não entende como os evangélicos, sobretudo da Universal, passam o tempo todo chamando o diabo. Para ele isso é querer ter o capeta por perto. Outro disse que os pastores ficam fazendo palhaçada, e quando as pessoas estão doentes chegam querendo expulsar demônios e gritando, fazendo muito barulho. Ele não gostava desse espetáculo, e por isso preferia ficar com a sua religião, novamente católico misturado com religiões afro-brasileiras. E fiquei pensando nas oportunidades que a gente perde de mostrar a essas pessoas a verdadeira mensagem do Evangelho. Agora estou lembrando de uma passagem em Atos, quando Paulo encontrou uma menina que adivinhava o futuro. Ele simplesmente chegou e a libertou em nome de Jesus. No texto não fala de gritos, barulhos ou objetos milagrosos. Não imagino a Paulo com copos de água ou sabões abençoados.
A mensagem do Evangelho é tão simples e tão libertadora! O nosso Deus é poderoso, e nos ama! E há tantas pessoas que não o conhecem, que até usam o seu nome, já que o Brasil é um pais altamente sincretista, onde, como uma mulher no filme falou, "qualquer coisa está bom, tudo dá no mesmo", onde se fala de Jesus e de Exú, onde os santos tem dois nomes, onde as pessoas assistem a missa de manhã e vão cultuar seus deuses nos terreiros à noite, onde quem vai à Universal pode muito bem "orar alguém". Deus está virando um nome, algo para juntar a muitos outros nomes e tradições. E a mensagem de Jesus se perde muitas vezes na nossa própria ignorância, na vontade de alguns de aparecer, nos ritos inúteis de pastores que usam o nome de Deus para fazer shows que nos ridicularizam, que ridicularizam o nome de Deus. Quantas vezes vi pastores expulsando demônios com paletós na televisão, querendo curar pessoas com copos de água! Só não tinha visto como isso afasta as pessoas de Jesus. Uma pessoa como o senhor do filme, para quem os cristãos são palhaços, como vai querer prestar atenção na mensagem que temos a comunicar?
Há muitas pessoas que não conhecem de Deus. E nós temos uma missão. Muitos há escravos das suas entidades, à mercê das vontades destas. Há muito a fazer. E nós, como cristãos, sabendo que temos um Deus que nos ama e que nos liberta, temos que rever a forma como estamos vivendo o nosso cristianismo. Cristianismo no Brasil muitas vezes é sinônimo de intolerância, de preconceito, de barulho, de ridículo. E enquanto se perde o tempo pregando uma mensagem que nada tem a ver com Jesus Cristo, discutindo se devemos ou não cortar o cabelo, beber, dançar, usar shortinho, expulsando demônios depois de té-los invocado, abençoando sabonetes e mandando ao inferno todo mundo, há pessoas que estão presas a suas entidades, escravas, ou simplesmente sem esperança, sem saber o que fazer com a própria vida, sem rumo e sem amor. Quando estava vendo o filme veio na minha cabeça a passagem de 1 João 4,18: "No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor." Deus é amor. Nele não existe medo. Há muitos que vivem no medo. E nós, que conhecemos Deus e o seu amor, o que estamos fazendo para que as pessoas o conheçam também? 

22 de março de 2011

Igreja de Produção em Massa II

As vezes a pressão que a gente sente na igreja é mais do que podemos suportar. Sei disso porque às vezes não sei o que fui fazer lá, não sinto aquela paz, aquele "estou aqui louvando a Deus", mas sinto uma carga, uma pressão, um "tenho que vir porque pega mal...". Pega mal. Para meu marido, claro. Acho que é o preço de casar com ministro. Ainda bem que ele não é pastor. As igrejas cobram demais do pastor e da sua família. A esposa de pastor deve ser uma mulher submissa que trabalha em todas as atividades da igreja. Que está ai sempre que se precisa. Ahhh fala sério, isso não é pra mim! De mim só se cobra que eu vá na igreja. Mas ainda isso é bastante.
Mas o que eu queria falar mesmo é da hipocrisia que resulta dessa pressão da igreja por fazer seus membros "santos". Santo não é qualquer um, ele tem que cumprir certas regras: tem que ser religioso, ir na igreja todo domingo, participar em todas as atividades, nunca beber nem fazer nada que não seja "de crente".  Isso corta muito as asas das pessoas. Pelo menos as minhas e de muitos que conheço. E ai, surge a hipocrisia. Alguns se resignam, cumprem ao pé da letra o que os outros membros da igreja cobram, e vivem felizes. Até eu já fui assim, e achava que tudo era vontade divina. Mas um dia acordei para a vida real, e não consigo mais ser assim. Não consigo me sentir pecadora por tudo. Não consigo eleger minhas roupas com base no que posso ou não usar na igreja. Só que a pressão ainda existe. E só resta andar, mesmo sem querer, mesmo odiando ter que fazer isso, pelo caminho da hipocrisia.
A hipocrisia que faz dividir o guarda-roupa em dois: roupa que se pode usar na igreja, roupa que não se pode usar. Mesmo que o vestido seja comprido até o chão, se ser tomara-que-caia pode ferir a respeitabilidade de certos velhinhos membros da igreja, então melhor não. E se a gente quiser ir tomar um gole com os amigos num barzinho, melhor sentar nos fundos, não seja que alguém da igreja passe e veja a gente. Absurdo! Como se a gente estivesse cometendo o maior crime! Porém, se sabe que certas coisas pegam mal. Então a gente tem que fingir, tem que se esconder, tem que fazer tudo quando os outros não vão ver. Tem que ser hipócrita.
Eu já cansei disso. Sinceramente não estou nem ai para o que os outros pensam de mim o do que eu faço. Mas tenho que pensar no meu marido, porque pode pegar mal para ele. E assim, tenho que continuar com a hipocrisia. Tenho que me segurar quando quero sair dançando, tenho que deixar de ser eu mesma.
Nesse sentido a igreja me asfixia. Em lugar de ser o grupo de irmãos com os quais me reúno para louvar Deus, virou um grupo de gente pronta a apontar o dedo na minha direção, para falar mal de mim. E não suporto mais isso.
Afinal, onde fica a liberdade? Se todos os olhos estão atentos para qualquer nosso "erro", onde fica a nossa liberdade individual?

27 de maio de 2010

O Delicado Problema da Soberania

Agora o problema de moda é o acordo que o Brasil firmou com o Irã. As grandes potências já deram o voto negativo. A ONU está levantando algumas sanções contra esse pais, argumentando que estão planejando fazer uma bomba nuclear, e que eles não têm sido claros.

O que eu não entendo é como os Estados Unidos são tão cara de pau. Como eles podem alegar que Irã não está seguindo o que a ONU disse, e que é Irã quem quer fazer uma bomba nuclear, quando eles são os primeiros a pular as decisões da ONU, e quando todos sabem que o mais seguro é eles terem não uma mas sei lá quantas armas nucleares. E outra coisa, como eles são cínicos, eles querem legislar sobre todos os países do mundo e nem se dão o trabalho de disfarçar! Hilary Clinton foi com uma sugestão à ONU para novas sanções contra Irã. E falm contra o Brasil por fazer o acordo. Eles esquecem que cada pais é livre de tomar suas próprias decisões, e se o Lula assinou, por algo foi. Além do que, como bem disse Lula, eles não podem impedir o direito de Irã de ter energia nuclear. Por quê eles podem, e o resto do mundo não? Por quê eles veêm bombas nucleares em todas as outras nações que desenvolvem esta energia, sendo que eles também têm?


Eu acho que é aquilo de que o ladrão julga pela sua condição... se ele rouba todos os outros roubam também, ou, no caso dos EUA, se eles tem bombas nucleares, todos os outros também têm, ou procuram ter. E tomam a posição de donos do planeta, achando que tem o direito de legislar a vontade em todos os países do mundo. Mas cada país é independente, e soberano, autônomo, livre de decisão. Mesmo que lhes doa, os EUA têm que aprender que não governam o mundo. Aquele futuro desenhado por Matt Groening em Futurama não existe, e, espero, não vai existir.

Se os EUA fossem exemplo de algo, eles não seriam os maiores poluidores do planeta... afinal, Hiroshima e Nagasaki foram responsabilidade deles!

8 de maio de 2010

Quando se diz que a razão mata a fé...

Não entendo por quê as pessoas ainda fazem esta distinção. Muitos acham que se pensam um pouquinho diferente do que é ensinado na igreja estão ofendendo a Deus, renegando Jesus ou virando ateus. Muitos dizem que se aprofundam muito no conhecimento perdem a base da fé. Eu não entendo. Não entendo que se oponha a fé à razão, que se diga que ser "muito racionalista" nos faz perder Deus de vista. Para mim as duas coisas fazem parte do ser humano, e são as duas importantes. Deus nos fez místicos. E nos fez pensantes. Já desde o início ele nos deu a liberdade de escolha. Por quê então o conflito quando eu penso algo que os outros não pensam?
A liberdade está dentro do ser humano. Mesmo que por muitos meios os poderosos tenham tentado tirar esta liberdade, e em muitas ocasiões tenham conseguido submeter as consciências ao que eles queriam, a liberdade não tem sumido. Só fica sufocada. E a primeira liberdade que temos é a de pensamento. Que alguém diga que temos que nos submeter a determinadas doutrinas e ordens, porque sim, ou porque senão vamos ao inferno ou ofendemos Deus, é pecado. O pecado daquele que falou, que se acha Deus para determinar o que os outros devem fazer. Claro que deve haver, no mundo, uma ordem. O ser humano não pode viver no caos. Mas o homem não deve ser obrigado a atuar de determinada forma atendendo aos desejos de alguém mais. Ele deve fazer o que deve fazer, tendo consciência do que faz.

A razão não se opõe a Deus. Na verdade, foi Deus quem nos deu cérebro, ele nos deu a capacidade de questionar. Se Deus me fez assim, porque devo sufocar os meus questionamentos e me submeter ao que me dizem que deve ser o mundo? Desta forma, não vivo o mundo com meus sentidos, mas vivo-o por meio do que os outros me dizem que devo viver.

Pensar é arriscado. Quem questiona arrisca contrariar as pessoas. Ser achado maluco, ou herege. Quem tem dúvidas, sobretudo em questões religiosas, é tido como alguém que não tem fé. E ai é onde entra a definição errada do que é fé. Quando se pensa em fé se pensa em "crer sem ver", "saber que algo vai acontecer antes que aconteça", "esperar em Deus". Tudo bem. Quando temos fé sabemos que Deus opera mesmo em situações que não entendemos ou às quais não vemos solução. Mas a fé não mede o conhecer. Que eu questione alguns dogmas ou doutrinas da igreja, que duvide de algumas coisas que ouço por ai nas igrejas ou das pessoas, que eu não consiga entender mais outras coisas que teimam me ensinar e dizer que "é assim e basta" não significa que deixei de crer em Deus. Significa que estou usando minha liberdade de pensar. Eu sou livre de questionar dogmas, doutrinas, regras culturais, etc, não por simplesmente querer contrariar, mas porque tudo isso é construção humana, e como humano insuficiente para eu entender algumas coisas, insuficiente para apagar minhas perguntas, ou satisfazer minha consciência. É a possibilidade que tenho de procurar algo melhor. Um exemplo. Eu não concordo com a sociedade machista ocidental, sobretudo a brasileira. No Brasil ainda há muita desigualdade entre os gêneros. Isto não me faz feminista. Não gosto do termo feminista porque não acho que nós mulheres sejamos o melhor do melhor, e que os homens sejam uma droga. Simplesmente acho que a sociedade deveria pôr cada um em seu lugar, um ao lado do outro, um complementando ao outro. Não nascemos separados. Atendendo ao mito da criação, Deus nos fez juntos, varão e fêmea, para juntos construir um mundo, cuidar das outras espécies, trabalhar em parceria. Não submetendo a vontade do um ao outro, não tratando o outro como ser inferior. Eu questiono, e sempre questionarei, atitudes machistas, fora e dentro da igreja, como o tratamento da mulher como simples objeto sexual, como simples dona de casa, como simples entretenimento do homem. Na igreja, não admito que se defenda, ainda, que a mulher não pode ser pastora. Eu pessoalmente não quero ser tal, mas a mulher que queira bem pode. Por quê não? Que fundamento me dão para dizer que Deus não quer? E se alguém fala em Paulo pode esquecer, que Paulo não é alguém com quem eu concorde muito...

Eu questiono muitas coisas. Mas sei, com a minha razão, que não tenho a capacidade de saber tudo. Até onde eu possa, eu quero entender as coisas que passam ao meu redor. Mas tem muitas, muitíssimas coisas que eu não entendo. Não entendo a trindade. Não entendo por quê o homem faz tanto mal, quando tem dentro de si a capacidade de fazer tanto bem. Não entendo a relação entre as religiões. Estou na tensão de saber que devo respeitar todos os outros, mesmo que pensem e acreditem em coisas diferentes, e saber que não posso, e não quero, abrir mão das minhas convicções. É difícil. Para mim Jesus é tudo o que se precisa. Como fazer com os outros? Não entendo, também, por quê ainda há pessoas que brigam por coisas tão periféricas como o dia de celebração do culto, os ritos, a forma de culto. Não entendo muitas coisas. Minha razão não tem resposta para tudo. Eu preciso de Deus, e minha razão só me dá a consciência disso.

O problema entre a razão e a fé se deu no Iluminismo, que colocou a razão como deusa soberana solucionadora dos problemas do mundo. O homem no centro do mundo, sabendo tudo, fazendo tudo. E depois, o lado irracional deste homem se revelou, matando miles nas colonizações, nas guerras mundiais, nas conquistas. Ainda hoje muitos morrem por causa da irracionalidad do homem. O mundo está em peligro de extinção pela irracionalidade e a ambição do homem. E então as pessoas se voltaram contra a razão, e disseram que a fé é mais importante. Só que não é fé em Deus. É fé no que eles dizem que é Deus. E abrem um manual de teologia sistemática e descrevem Deus, o separam em categorias, por qualidades, atributos e sei lá mais o quê, e dizem que esse é o Deus que devemos seguir. Isto eu questiono. E vou sempre questionar.

É um paradoxo. Eu tenho uma idéia de Deus, que é resultado do que eu tenho vivido (e Deus tem feito grandes maravilhas em mim), que é diferente das outras. E não posso impôr o que eu penso aos outros. Mas também os outros não podem me impôr o que pensam. Paradoxo porque luto pelo que penso.

Este mundo precisa de pessoas que pensem. Pessoas que não aceitem as coisas sem pensá-las, que lutem pelo que pensam e tratem de resolver suas dúvidas. As dúvidas não são pecado. As dúvidas fazem parte do ser humano, um ser limitado cuja razão não encontra as respostas para tudo automâticamente. Duvidar nos faz procurar saber mais, entender mais. E se não entendo definitivamente alguma coisa, trato de encontrar um equilíbrio para viver com essa dúvida. Deus sabe tudo, algumas coisas eu saberei só quando for morar com ele...

Mas a razão não mata a fé. Até a vivifica. Porque eu não tenho fé por ter, eu sei, tomo consciência de que sou um ser limitado, e mais, tomo consciência da minha necessidade de Deus. Mesmo sem entender muitas coisas, posso me relacionar com Deus. Mesmo duvidando, não estou me afastando de Deus. Estou chegando mais perto, e perguntando a ele a resposta. Não que, se posso, não tenha que estudar para tentar chegar a uma resposta plausível.

Dizer que a razão mata a fé elimina uma parte do ser humano indispensável à sua liberdade. Faz com que o homem se reprima e vire um simples receptor de idéias, em lugar de ser um forjador de idéias. Dizer que a razão mata a fé mata, na verdade, a interação do homem com o mundo, o faz acreditar em coisas que foram verdade racional há muito tempo, mas que agora devem ser revisadas. Fecha o homem em um mundo que foi, o aliena do mundo que é. Ter fé não é acreditar cegamente em tudo que se ouve ou se crê saber. Ter fé é saber que mesmo sem entender muitas coisas deste mundo, Deus está conosco. É saber que precisamos dele, com todo o nosso ser, razão incluída.