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3 de junho de 2009

"Ainda Bem Eu Vou Morar no Céu..."

Essa frase faz parte de um cântico que ouvi alguém cantar. Não o conheço muito bem, mas a frase é significativa. Ela diz tudo o que os cristãos aspiram. Ir morar no céu.

Em si esse desejo é normal. Ir morar com Deus é uma esperança válida. O ruim é que a igreja se centra nisso, e se esquece que ela vive na terra. Tanto se esquece que passa a ver a terra, os outros seres humanos que não assistem à igreja, como "o mundo", uma espécie de demônio contra o qual eles devem lutar. Os que estão "no mundo" são pecadores e vão para o inferno. O mundo é mau. O único que importa é a esperança de ir morar no céu. Desta forma, os cristãos estão se esquecendo do próximo. Se eles são parte do mundo mau, então não é conveniente nos juntar a eles. Desta forma a igreja se está isolando, pensando que ela é superior aos que estão "no mundo".

Ainda bem que vou morar no céu. O mundo pode se lascar, meu vizinho pode morrer de fome que não estou nem ai. O importante afinal não é esta vida, mas a vida futura, no céu.

Para mim esta cosmovisão está errada. Com esta posição a igreja se fecha em si mesma, esquecendo da sua missão de ir ao mundo. Jesus não nos disse que nós eramos uma classe aparte de seres humanos. O nosso objetivo no mundo não é ir ao culto nos domingos e nos cumprimentar com os nossos irmãos por sermos tão santos, enquanto quem não vai na igreja é um pecador condenado. A igreja foi constituída para morar na terra. O céu não pode substituir a esperança de fazer diferença no mundo.

Agora bem, para os crentes fazer diferença no mundo geralmente é não fumar, não beber, não fazer isto e deixar de fazer aquilo. Mas para mim a diferença não se limita a fazer ou não coisas. A diferença está na atitude que os cristãos têm com as outras pessoas. Eu faço a diferença quando me importo com as pessoas ao meu redor, mesmo se elas não vão à igreja. Mesmo se elas não são cristãs. O amor de Cristo se demonstra por meio das ações. Mas se a igreja só se importa com ir morar no céu, não liga para o outro, e demonstrar o amor de Cristo a quem for deixa de ser importante. O importante é o sentimento egoísta de que "eu estou salvo, vou para o céu". E assim, a igreja egoísta vai fechada para o céu.

Será que isto mesmo é o que Deus espera de nós? Eu acho que não. Jesus veio ao mundo para demonstrar o amor de Deus aos homens, aqueles pecadores que não iam ao Templo, e que por isso eram considerados perdidos. O esquema parece familiar. Os mesmos padrões de "santidade" da época de Jesus são aplicados por aqueles que se dizem seus filhos. Aqueles para os quais o mundo, as pessoas e a vida terrena não importam, porque o importante é a vida futura, quando Jesus venha.

Jesus veio fazer diferença enquanto estava vivo, caminhando pelas ruas sujas da Galiléia, no meio das pessoas que precisavam de atenção e amor, aquelas que eram esquecidas pela sua sociedade, marcadas com o selo do "pecado", seja por doença, por gênero (mulheres eram nada), por posição social. Quem não cumpria os ritos era pecador. Agora quem não está dentro da igreja é pecador. Como se quem está dentro da igreja fosse perfeito! Quase quase estamos dizendo que é um mérito ir ao céu.

Porém, estamos esquecendo a vida na terra, estamos esquecendo de olhar para nosso mestre, seguir seus passos, ouvir suas palavras. O nosso trabalho é aqui. No tão temido e odiado "mundo". As pessoas ao nosso redor precisam de ver uma igreja em ação, aberta para eles, que não só procure "salvar almas", mas melhorar as condições de vida de quem precisa, enquanto está aqui na terra. O "mundo" precisa ver uma mudança, uma que venha de nós. Temos que mudar nossa visão. Nosso alvo não deve ser o céu, devem ser as pessoas, já que estas são o alvo de Jesus. Nós estamos querendo fugir da nossa responsabilidade. Claro, o mais cómodo é deixar as coisas como estão. Como elas não importam, como quem está no mundo está perdido mesmo... Como o importante é ir ao céu...

27 de maio de 2009

Entendes o que lês?

Hoje na aula de Exegese do Antigo Testamento, analisando um texto de Isaías, me dei conta de como somos ignorantes na leitura da Bíblia. Quando lemos não estamos verdadeiramente entendendo o sentido do texto. Como diz o professor, o que fazemos é pura "intentio lectoris", projetamos dentro do texto o que nós mesmos pensamos.
Porém, eu estava pensando na responsabilidade que os pastores, pregadores e intérpretes da Bíblia temos para com o texto sagrado. Muitos vão por ai pegando a Bíblia como chapéu para falar o que bem lhes parece. As pessoas ouvem "a palavra de Deus", sem saber na verdade o que está escrito, sem chegar ao fundo do conteúdo do texto. Não têm como saber que o que se lhes falou não está realmente na Bíblia.

Isto acontece (quase) sempre. Começando com as traduções da Bíblia, todas erradas e cheias da própria interpretação e ideologia do tradutor. Poucas ou quase nenhuma Bíblia é traduzida fielmente do seu original.

Os pastores deveriam ser consciêntes do que pregam. Porém, geralmente eles pregam as suas próprias ideologias, e usam a Bíblia como apoio para o que eles estão afirmando. As pregações nas igrejas cada vez estão menos centradas na palavra, e cada vez mais nos dogmas, nos ritos. Não se ensina às pessoas a procurar entender o sentido do texto, se lhes da uma interpretação pronta.

Não que esteja dizendo que todo mundo deve ser instruido na lingua hebraica e grega (se bem que isto seria belo). Mas pelo menos os pastores, os "ministros da palavra" devem ter este conhecimento básico. É fundamental que quem usa a Bíblia como instrumento de trabalho saiba o que ela diz realmente.

Os textos bíblicos são mais do que se pensa. Eles têm muitas lições ocultas, muitas coisas que são escondidas pelos dogmas que se jogam em cima delas. Quando são usados como até agora estão sendo usados, são desrespeitados. Me parece uma falta de respeito pegar um texto que não se entendeu e falar dele o que se quer. É até falta de ética (que é o que sobra em certos púlpitos hoje em dia...).

As pessoas da igreja estão sujeitas à interpretação que do texto bíblico faz o pregador. Geralmente nenhuma pessoa que está sentada ouvindo a "palavra de Deus" se questiona se o que o pregador está falando é correto ou não. Eles assumem que estão ouvindo a "palavra de Deus", pelo qual não pode haver erro. Mas erro pode haver, sim. Quem prega é um ser humano. O que é pregado, se o é da forma comum, geralmente não se baseia no texto, mas nas ideologias de quem usa o texto. Muitos pregadores descarados sobem no púlpito e falam o que lhes passa pela cabeça, sem ter em conta que estão sendo ouvidos por pessoas passivas, prontas a por em prática o que seja que lhes for dito.

A responsabilidade da pregação é muito séria. Se manipula o sagrado das pessoas, a vida das pessoas. Não é simplesmente um discurso, as pessoas não vêem isso como uma palestra. Para eles é a voz de Deus.

O pregador deve conhecer o texto que utiliza. Ele deve estar disposto a ir além das traduções mal feitas, deve estar sedento por conhecer o verdadeiro conteúdo do texto. Aqui cabe bem o apelo do humanismo: "De volta às fontes!" Cadê os pregadores que se interessam em conhecer as línguas originais do texto?

É certo que as interpretações continuam sendo humanas. Mas ao conhecer o sentido original do texto, se aprecia o tesouro do seu conteúdo em toda a sua beleza. Quando se descobrem os segredos dos textos bíblicos, toda um mundo se abre aos olhos, e a alma preme de vontade de conhecer mai. Pelo menos isso acontece comigo. E essa sede faz com que se ame mais o texto, com que se procure mais estudá-lo, mais conhecé-lo.

Esse efeito deve ser estendido aos ouvintes da pregação. Basta de esquemas prontos, de dogmas enferrujados que usam a Bíblia do seu jeito. Basta de dar ao povo o leite da tradição. Agora é preciso que as pessoas entendam, verdadeiramente, o que lêem.
P.S. Acabado de escrever este texto, pensei que ele reflete um belo ideal, que, muito provavelmente, ficará só nisso, no ideal...

21 de maio de 2009

Pontos de vista

Cada pessoa é diferente. Cada um ve o mundo desde seu próprio ângulo. Porque, então, tem quem pretende ensinar aos outros a enxergar a realidade desde o seu ponto de vista?
O que para uns está bem para outros é errado. O que para mim é gostoso para outros é nojento (eu sei bem disso, afinal em Brasil abacate com sal é algo que ninguém pensou em comer). O que eu penso pode ser diferente do que pensa meu vizinho. Nós temos liberdade.

Porém, muitos aspectos da nossa vida são influenciados pelo que outros pensam. Isto é normal, não podemos viver e crescer como pessoas isolados dos outros. O problema é quando os outros pretendem decidir sobre nós, quando pretendem impor o seu ponto de vista, a sua opinião, e não aceitam que sejamos ou pensemos diferente. Estas pessoas estão inseridas num sistema que aliena as pessoas, e as faz alienadoras das outras. Quando desde cedo uma pessoa aprende a pensar de acordo a padrões que outras pessoas lhe pre-estabelecem, é muito difícil que ela consiga um dia sair do esquema. E quando vem alguém que não pensa no mesmo padrão, ela vai tentar impor o seu padrão sobre a outra. É quase automático.

Na minha postagem anterior falei dos absolutos. Quando uma pessoa quer impor algo sobre outra, é porque a sua cabeça ela está certa, e seu ponto de vista é absoluto. Como falei, quando se começa a questionar as coisas se vê que muitas coisas que pretendem ser absolutas em verdade não o são.

Quem mais potentemente pretende impor a sua opinião e visão de mundo sobre os outros é, sem dúvida, a religião. Afinal, o que elas pretendem ensinar é revelação divina, e desta forma, palavra e verdade absoluta. O que eu penso foi Deus quem me revelou, por isso você tem que aceitá-lo. Quando vemos que muitas coisas que a religião nos ensina não tem mais sentido para nós, ficamos desorientados. E agora, qual é a verdade?

A igreja, como seguidora da "revelação de Deus", padroniza a vida dos seus membros. Eles têm que seguir determinado roteiro, têm que se comportar e até pensar de determinada forma estabelecida pela instituição. Na igreja católica isto foi sempre o padrão. O fiel segue o que o sacerdote fala. E na igreja "protestante", alguma coisa mudou?

Quando Lutero falou do "sacerdócio universal dos crentes", liberou o aceso dos fiéis ao texto sagrado. Porém, a instituição, o esquema pre-estabelecido ainda continuou. O pastor é uma figura que não está ali para cumprir com a função que tem - segundo o professor Osvaldo, a cura d'almas (e concordo com ele). O pastor está ali para "ensinar" as suas "ovelhas" o comportamento que devem ter como cristãos. O fiel deve seguir isto sem questionar. Só que questionar é necessário.

Muitos pastores acham que tem sei lá que autoridade superior só porque foram ordenados. Eu sei disto porque percebi a mudança em duas pessoas muito estimadas por mim que foram ordenadas pastores na minha igreja. Dai em diante, elas mudaram. Para mim o que o pastor fala é só um ponto de vista, como todos os outros. Não que esteja querendo anarquia na igreja, ou desvalorizando a figura pastoral. Só acho que eles estão se infalibilizando um pouco. Pastor é muito mais que alguém que dita as regras de vida de uma comunidade.

Bom, acho que sai um pouco do tema. O ponto aqui é a imposição de formas de pensar sobre as pessoas. Isto existiu desde sempre. A sociedade, talvez por natureza, pretende dominar o que as pessoas pensam. Hoje em dia se fala muito de liberdade de pensamento, mas ai está o controle, oculto nas tendências de moda e nas publicidades. Você deve pensar, vestir, ser como a sociedade pretende.

Pensar diferente é difícil. Querer sair do padrão, questionar o sistema, pensar duas vezes antes de aceitar um ponto de vista, é algo que muitas pessoas desistem de fazer. É mais fácil aceitar as coisas, já que aceitando as imposições a sociedade vai te aceitar. A igreja te aceita se seguir os seus padrões. Mas se alguma coisa que se faça vulnera estes padrões, todo mundo se levantará contra ti.

Eu só digo que decidi pensar diferente. Questionar as coisas faz com que a liberdade cresça verdadeiramente. É difícil, mas vale a pena. Ter a liberdade de opinar, de pensar o que vai mais de acordo com meus razonamentos, é muito melhor do que seguir as razões de outros. Mesmo dentro da igreja.

13 de fevereiro de 2009

Filhos do Rei

Filipenses 2, 5-8.
Na atualidade tem muitas pessoas que se dizem filhos do Rei. Por serem filhos do Rei, eles pretendem ter direito de exigir dele o que eles querem. Assim, se esquecem da sua função neste mundo.
Jesus é o Filho do Rei. Ele é dono de tudo o que existe. O que Jesus fez?
Jesus se despojou da sua glória, e se fez como um de nós. Sendo filho do Rei, se fez humilde. Não nasceu num palácio, mas numa manjedoura. E então: Qual é a nossa atitude? Estamos sendo humildes como Jesus? Ele deve ser o nosso exemplo: João 13,5; 12-16.
Muitas vezes achamos que por ser cristãos somos especiais. Afinal, conhecemos a verdade. Mas, o que estamos fazendo para espalhar esta verdade? Muitas vezes preferimos nos fecharmos nas nossas igrejas, nas nossas casas. Já ouvi várias vezes mães dizendo aos seus filhos para não se juntarem com determinadas pessoas, pois elas “são do mundo”.
Assim era o povo de Israel. Eles se achavam O Povo, filhos escolhidos de Deus e portanto único povo no mundo merecedor das suas bênçãos.
Eles esqueceram o propósito de Deus, que, como ele disse a Abraão, era fazer deles uma bênção para todas as famílias da terra.
Eles se fecharam e não proclamaram o amor de deus aos outros povos. Eles eram os filhos de Deus, só eles. Existem muitas igrejas hoje em dia que são assim. Muitos crentes que são assim.
Mas por causa dos judeus se terem fechado, veio Jesus. Ele veio demonstrar a verdadeira atitude que deve ter o filho de Deus: Ele deve estar disposto a servir. Deve estar aberto aos outros. Deve ser humilde. (Ver Mt. 11,29).
Ser filhos do rei não significa, contrario ao que se ouve pregar por ai, que temos direito ilimitado às bênçãos de Deus.
Não significa que tudo sempre vai sairmos bem. Não significa que somos especiais ou diferentes dos outros.
Se somos diferentes aos que muitas vezes chamamos de “não crentes”, devemos ser-lo pelas nossas atitudes, pela nossa humildade, por estar sempre dispostos a falar de Jesus aos outros. Devemos VIVER como Jesus viveu.
O filho do rei deixou tudo e se fez um pobre carpinteiro. Os seus seguidores, feitos filhos do Rei somente pela sua graça (já que não temos mérito nenhum), temos que seguir o exemplo do nosso Senhor no nosso dia a dia, em lugar de simplesmente nos fechar e somente reclamar as bênçãos de Deus como se fossem nosso direito.
Devemos procurar viver um evangelho verdadeiro. Nós temos que passar a agir na sociedade, pregar o Jesus verdadeiro, aquele que deu a sua vida por nós, aquele humilde, amoroso, que se importa conosco e está perto de nós. Não é o Jesus que fica longe, no céu, muitas vezes pregado em algumas igrejas.
Também devemos estar conscientes de quem é o SENHOR, já que muitos tratam Deus como se fosse o seu servo, ou seu caixa automático.
Jesus se humilhou, morreu para nos dar a vida, como um dom imerecido. Ele, e só Ele, é quem merece toda a Glória (Fil. 2, 9-11). É ele o Senhor, nós somos os servos.

6 de fevereiro de 2009

O que o Senhor Requer

Miquéias 6,6-8
Na época do profeta Miquéias o povo de Deus tinha se afastado totalmente dele. (ver Mq. 7,2-7) A maldade e as injustiças eram cada vez maiores. O sistema religioso israelense também tinha se corrompido, e as pessoas se lembravam de Deus (YHWH) só uma vez por ano, quando iam oferecer sacrifícios no Templo de Jerusalém. É contra esta situação que o profeta reclama, já que as pessoas achavam que as oferendas e os sacrifícios eram suficientes para agradar a Deus, sem importar as maldades que cometiam no resto do ano. Para eles não era necessário o compromisso com Deus.

Depois da época do exílio o povo judeu tornou-se o oposto do que tinha sido na época de Miquéias. Eles começaram a
dar uma excessiva importância ao cumprimento da lei. As pessoas que não cumpriam ao pé da letra todos os mandamentos de Moisés, e outros que foram se agregando às leis, eram considerados pecadores e desprezados. Porém, isto não foi bom (ver Lucas 18,9-14): Se antes achavam que os sacrifícios eram suficientes para agradar a Deus, agora achavam que o cumprimento literal das leis (sem pensar no objetivo das leis) era suficiente para agradá-lo. Eles nem sequer pensavam em cumprir as leis por amor a Deus, mas para exaltação deles mesmos.
O povo não aprendeu a lição.

Muitas vezes nós somos como esse povo. Muitas vezes perdemos o foco da nossa vida cristã, o nosso amor a Deus, para limitar-nos ao cumprimento de ritos e leis. Deus não quer só sacrifícios, ele não liga para as demonstrações externas. O que é que verdadeiramente Deus requer de nós? O profeta Miquéias nos da a resposta: (ver Mq. 6,8) Também Oséias tinha dito algo assim (ver Os. 6,6). Para Deus o mais importante é um coração humilde. Se nós não somos humildes diante dele, por mais que possamos ser “justos” diante dos homens, diante dele não seremos aprovados, assim como o fariseu não o foi.

Nós devemos nos lembrar qual é a verdadeira razão para sermos cristãos: não é porque nascemos na igreja ou somos membros de uma há muito tempo, não é porque é legal ir aos cultos ou porque somos tão bonzinhos, mas é porque Deus um dia se compadeceu de nós, pecadores, e nos salvou. Lembrarmos do amor de Deus é suficiente para sempre ter uma atitude de humildade ante o nosso Deus e entre os nossos irmãos.

Ele nos chama ser justos. Será que o fariseu foi justo, menosprezando ao publicano no seu coração? Será que somos justos só por jejuar ou dar o dízimo? Se observarmos o contexto social de Miquéias (ver. Mq. 7,2-7) podemos ver que a verdadeira justiça é ter compaixão com os outros. É exercitar o amor aos nossos irmãos, aos nossos vizinhos, e àquelas pessoas que não conhecem de Deus e que estão morrendo sem ele. Muitas vezes fazemos uma separação entre as pessoas “do mundo” e nós, como se eles foss
em algo perdido, limitando-nos a criticá-los. Esquecemos que Jesus veio a salvar pessoas como eles, que são IGUAIS A NÓS, e que ele nos deu como tarefa falar a eles do amor de Deus. Estamos como os fariseus, que achavam quem não cumpria as leis pecador, mas não faziam nada por essa pessoa.

O evangelista nos diz que foi o publicano quem saiu justificado por Deus depois da sua oração, em lugar do fariseu. O que o publicano fez? Ele foi HUMILDE. Ele não veio diante de Deus com uma atitude de auto-suficiência, mas com humildade no coração.

O povo de Deus não mudou o seu coração, apesar de ter ouvido as palavras de profetas como Miquéias e Oséias. O seu coração permaneceu duro até nos tempos de Jesus, até mesmo ouvindo o que ele pregava e vendo o que ele fazia.
Nós, como cristãos, devemos lembrar sempre do que Deus realmente quer de nós, pois é essa a nossa meta como crentes. Deus se importa mais com as pessoas e menos com os ritos.
Que a nossa vida não seja uma experiência vazia, QUE NOSSO CORAÇÃO NÃO SEJA DURO, QUE NÃO ESQUEÇAMOS NUNCA QUEM SOMOS DIANTE DE DEUS E PORQUE ESTAMOS AQUI. Deus requer de nós humildade, Deus requer de nós amor, para com ele e para com os outros. Ele nos chamou a ser servos. O mundo precisa de Deus. O que estamos fazendo para que ele seja conhecido?

Viviana Carolina Mendez Rocha

17 de setembro de 2008

De Autores e Autoridade

Para falar de temas que causam polêmicas é necessário ter muito cuidado, para não ofender as pessoas que pensa diferente de mim. Mas é necessário falar, fazer as pessoas pensar, refletir.

Desde sempre nos foi ensinado que certas tradições são a regra, em muitos aspectos da nossa vida. As tradições bíblicas são as mais fortes, e mexer com estas tradições é, na maior parte dos casos, mexer com as convicções e a fé das pessoas. Para mim isto é errado. Se uma descoberta, um novo conhecimento surge, e se este conhecimento contraria as tradições por longo tempo defendidas, as pessoas entram em choque, se revoltam, condenam tudo sem escutar razões. Não digo que todo conhecimento ou nova descoberta seja verdade absoluta, assim como as tradições antigas não o são. O que eu quero dizer é que muitas vezes baseamos as nossas convicções em ditas tradições, ou em cada nova descoberta que surge. E nos esquecemos do que é realmente importante.

Para falar num caso simples, o Pentateuco. Todo mundo acredita que foi Moisés quem escreveu o Pentateuco, ele sozinho criou os cinco livros a partir de narrativas orais. Tudo mundo afirma isto, nas igrejas, nas ruas. Só que esta tradição foi há muito tempo ultrapassada. Hoje em dia, no ambiente acadêmico, se sabe que não foi (não é possível, simplesmente) Moisés quem escreveu o Pentateuco (como podia ele descrever a própria morte?). Este conjunto de livros é o resultado de um longo processo de compilação de tradições, relatos, narrações e leis, no período do post-exílio.

Mas então, se isto é reconhecido oficialmente há muito tempo, porque nas igrejas, porque as pessoas "leigas" ainda acreditam na autoria mosáica? Muitos dizem que as pessoas não estão preparadas para este conhecimento. Segundo eles, se as pessoas soubessem estes fatos, ao meu ver tão simples, elas perderiam a sua fé, veriam questionadas as suas crenças, e, no pior dos casos, renegariam a sua fé. Isto, lastimosamente devo dizer, muitas vezes é a verdade. Afirmar uma coisa tão simples como que Moisés não escreveu o Pentateuco ocasiona nas pessoas condenação, rejeição da afirmação.
Ou os Evangelhos. Quantas vezes ouvimos nos púlpitos que foram os apóstolos, cujos nomes levam os livros, aqueles que escreveram os quatro Evangelhos. Hoje se sabe que não é assim. Com excepção de Lucas, os Evangelhos foram escritos por comunidades cristãs do primeiro século, preocupadas em resolver questões internas e em relatar aos novos convertidos, que não eram da geração de Jesus, os fatos e ditos do seu Mestre e Senhor. E Paulo. As cartas paulinas em sua totalidade afirmam que foi Paulo quem as escreveu. Mas, atualmente, as pesquisas revelaram que, por exemplo, a carta aos Efésios não pode ter sido escrita por Paulo, já que data de uma época posterior à morte do apóstolo.
E agora? O que fazer? Renegaremos todos a nossa fé? Claro que não!!! O que as pessoas têm que entender, o que é necessário que as pessoas parem para pensar é: em que você está colocando a sua fé? Se eu deixo de acreditar que a Bíblia é a Palavra de Deus só porque Moisés não escreveu o Pentateuco, eu estou demonstrando que a minha fé não está posta em Deus, mas em Moisés. Eu creio que a Bíblia é Bíblia porque Paulo escreveu Efésios, e que é um livro sagrado porque o apóstolo Mateus escreveu o Evangelho com seu nome. E ai, onde deixo a Deus? Onde está o Autor principal, aquele que ao longo dos séculos cuidou da formação do cânon, da propagação da palavra, da Bíblia? Onde está a minha fé?

Eu acredito que as pessoas devem ser preparadas para o confronto. Devem dar importância ao que é realmente importante. Que seja ou não uma pessoa conhecida e famosa a autora de um texto bíblico não aumenta nem tira autoridade ao texto. Ele tem autoridade em si mesmo, como o texto que ao longo dos tempos tem sido combatido, escondido, destruido, mas que ao longo de tudo tem permanecido até os nossos dias. A Bíblia não tem autoridade pelas pessoas que a escreveram ou formaram, mas tem autoridade por ser a Palavra de Vida, a Palavra de Deus. Esse Deus que usou simples pessoas, com seus erros, suas culturas e costumes, para formar este grandioso livro.
Para terminar: "O fato de que o autor pessoal seja ou não conhecido por seu nome, ou que seja mais ou menos exatamente datável na história, é secundario e não modifica a natureza do texto, que teve um autor e quis comunicar alguma coisa." (Horácio Simian-Yofre. Metodologia do Antigo Testamento)

8 de setembro de 2008

Meu Deus é um Deus alegre!!

Eu li uma vez, num livro infantil, de uma garota que perguntava à mulher que cuidava dela: "Porque este Jesus sempre tem a cara tão triste?" Ela se referia aos diversos quadros que "retratavam" a Jesus Cristo, nos quais os artistas tinham retratado um rosto serio, geralmente com aspecto triste e deprimido. Eu mesma tenho visto muitas imagens de "Jesus" que o mostram como um homem serio e de olhar muito triste.

Eu ouvi uma vez uma mulher me dizer que Jesus não ria, nem sorria, que sorrir e rir não é coisa boa e por isso Jesus não o fazia. Ele era sério, sempre.

Eu percebi que neste mundo as pessoas cada vez mais ficam tristes, cada vez nas ruas é mais difícil ver pessoas rindo, ou pelo menos alegres, com um sorriso no rosto. Cada vez mais as pessoas passam pela vida com um rosto cheio de tristeza, de dor e solidão. Pois bem, quando vejo estas pessoas, e penso no que eu li, no que aquela mulher me falou, eu sinto que Jesus não poderia ser uma pessoa de olhar triste, de rosto sempre sério. Para mim Jesus foi um homem alegre, já que tinha a alegria de ter um relacionamento direto com Deus Seu pai, e também estava aqui na terra, nos dando o exemplo, com a sua vida, de como nós deveriamos ser. E não creio que nós devamos ser pessoas sérias.

Como bem se sabe, o riso ajuda na curação das doenças. Estar alegres faz se sentir mais leve, e riri um pouco alonga a vida. O meu Deus, o Deus que criou o mundo, criou o homem para ser alegre, criou a boca para rir e sorrir. Senão nós não teriamos essa capacidade. Jesus foi um homem extraordinário. Ele deixou toda a sua glória e se fez um simples homem por nós (ver Filipenses 2), e enquanto estava entre nós fez muitas coisas maravilhosas. Mas o mais importante de tudo foi que nos deu o seu amor. Eu não posso me imaginar Jesus olhando para a mulher adúltera com um olhar cheio de amor em um rosto sério. Ele com certeza estava sorrindo para ela, dissendo-lhe com seu sorriso que a amava, que a perdoava e a aceitava.

Um sorriso faz toda a diferença. Um sorriso dado a uma pessoa preocupada pode animá-la. Um sorriso pode fazer uma pessoa séria e preocupada sorrir. Um sorriso recebido de alguém que achavamos que não gostava de nós pode mudar tudo dentro de nós.

Neste mundo triste e deprimido, é importante que as pessoas saibam que tem alguém que as ama, alguém que olha para elas não com um rosto sério e um olhar triste, mas alguém que as olha com amor, que está com os braços abertos esperando-as, com um sorriso de amor no rosto. Jesus não pode ter sido uma pessoa triste, pois ele é a fonte da nossa alegria.

Que os cristãos nos lembremos sempre disto, e que passemos a refletir a alegria e o amor de Cristo a todos, não só na igreja, mas lá nas ruas, no trabalho, na escola, nos lugares onde realmente se encontram aquelas pessoas que ainda não acharam a alegria de Deus, aqueles que vivem num mundo cheio de tristeza, solidão e individualidade.