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31 de março de 2012

Sobre a Invasão da Religião

Facebook é uma coisa muito legal. Por meio dele posso estar em contato com minha família, que está longe, e com muitos dos meus amigos, que também estão longe. Porém, ultimamente o Facebook se encheu de recadinhos, de mensagens de auto-ajuda, e também de mensagens "de crente". Tudo bem que as pessoas tenham liberdade de expressão. Mas isso me faz pensar, mais uma vez, na extrema religiosidade que se está vivendo na sociedade atual. Os cristãos, sobretudo, nos comportamos como se quiséssemos encher o mundo com as nossas ideias, mas não de uma forma respeitosa, não, mas do tipo que, se pudéssemos, tomaríamos o mundo pelo pescoço, o obrigaríamos a abrir a boca e nos engolir à força. Sobre essa atitude, duas coisas: Os cristãos sempre foram assim. Antes foram as Cruzadas, mas como agora a gente não pode forçar os outros a aceitar nossa religião, fazemos de tudo para mostrar que nós somos crentes, e que crente é tudo de bom. Ai vem esses mensagenzinhos de: "Deus me ama, Jesus te ama, Deus é minha força, Confio em Deus", etc, etc. E o Facebook fica um pé no saco. As mensagens de auto-ajuda também enchem o saco, mas as evangelistas me parecem, na maioria das vezes, arrogantes.
Mas eu não quero falar especificamente do Facebook e das mensagens de crente. Eu estava pensando no extremismo que está tomando conta do povo. Um extremismo cego, delirante, totalmente enjoativo, que faz com que você fique farto de ouvir qualquer coisa relacionada com Deus. Hoje em dia, para ser cristão, você precisa mostrar que o é, e não basta simplesmente ter uma relação com Deus, não, tem que pendurar na janela um aviso, andar pelas ruas com a Bíblia embaixo do braço, falar exclusivamente evangeliquês e meter Deus em tudo. -O café queimou, irmão!-diz um. -É da vontade dele, meu irmão!-diz outro. Tudo o que acontece, seja bom, ruim, seja simplesmente rotinário, tudo tem a ver com Deus. Até o fio de cabelo que caiu da cabeça, foi culpa de Deus (e bem podem usar aquela passagem que diz que Deus conta os cabelos da nossa cabeça...). É asfixiante. Eu, pelo menos, me sinto cansada, e me pergunto se tem que ser assim, se tudo tem que ser Deus pra lá, Deus pra cá. Coitado, não o deixamos em paz! E o que as pessoas falam que Deus disse, então! Deus mandou fazer isso, Deus me disse pra fazer aquilo, Deus quer profetizar na tua vida, meu irmão! E se você está passando por alguma situação ruim, é por duas coisas: ou pecou contra Deus, ou Deus está te testando, porque, você sabe, silêncio também é resposta!! Eu acho essa frase ridícula. Imagine você estar falando com alguém, ai do nada simplesmente fica calado. O outro não ia pensar: Ahh, é que silêncio também é resposta!. Ele ia era pensar que você é maior mal educado e ir embora. Eu, pelo menos, faria isso.
E a questão é que tanta expressão de religiosidade, tanto fanatismo, tanto "amor" por Deus, é chato e contraproducente. Tanto irmãozinho cantando hinos no ônibus vai deixar a impressão de que somos uns grossos, já que praticamente obrigamos os outros a nos ouvir (e é um saco, sei porque num ônibus que eu entrei tinha um irmão desses, e me cansou, e cansou o senhor do meu lado, que não parou de reclamar pela falta de respeito). Se quer louvar a Deus, use fones de ouvido ou cante na sua casa. As pessoas ficam entediadas, e em lugar de querer saber mais de Deus, ou mesmo se converter, saem correndo dos "crentes". Se eu, que sou cristã, fico aborrecida com tanto bombardeio de religião, imagina os que não o são!
Deus está perdendo a forma. Hoje em dia Deus é qualquer coisa, só basta as pessoas falarem. Deus é curandeiro, banco, bombeiro, segurança (tem uma mensagem por ai que fica falando daquele que "me vigia"), é amuleto contra inveja, proteção contra o capeta, escudo contra a maldade alheia... e por ai vamos, e a lista não acaba. E se você tem um problema, melhor não fale com ninguém, porque vão chover mensagens de "Deus te ajuda", "Seja feliz que Deus está contigo", "Confie em Deus", e assim por diante. Tudo bem, eu sei que Deus me ajuda, mas sabe quando você quer o conforto meramente humano? Quando quer compreensão, em lugar de frases de efeito? Nesses momentos essas frases são como socos no rosto. Poxa, você sofrendo, e te mandam ser feliz!! Dá vontade de mandar todo mundo tomar banho... pra ser boazinha. Tem alguns que ainda afirmam que o sofrimento é uma forma de se alegrar em Deus. Como assim, sou feliz porque estou triste?
Esse pequeno exemplo me leva a outra questão, que está no miolo da extrema religiosidade que vemos por ai entre os nossos "irmãos". Esse tipo de pessoas geralmente cumpre um papel de papagaio. Eles repetem tudo o que aprenderam na igreja. Falam as frases de efeito, acreditando nelas, mas muitas vezes sem parar para pensar no que estão falando. Ou cantando. Tanto lixo com o nome de gospel é cantado por ai, tantas músicas sem qualidade nenhuma, nem musical, nem de conteúdo. "Quero ir além do véu", cantam. Mas, desculpa, a gente não acredita que Jesus rasgou o tal véu? Então qual véu que você quer ultrapassar? E vão colocando mensagens na internet, e falando frases prontas para as pessoas, e não percebem o que estão fazendo. E se alguém chega com uma ideia diferente, ou simplesmente contesta o que eles escrevem, publicam no Facebook, ou o que dizem, misericórdia! É o acabou-se! Você é herege, inútil, desinformado. Porque, claro, o que você disse não bate com o que gravaram com fogo no cérebro do sujeito, e ele não assimila a nova informação, nem tenta, simplesmente a nega, e a rejeita como coisa do capeta. Que é parte importantíssima da vida do tal. Porque, assim como é Deus pra lá, Deus pra cá, também é capeta pra lá, capeta pra lá. Você está deprimido? Culpa do diabo. Doente? O diabo atentando contra você. Não quis ir à igreja esse dia? Está fazendo a felicidade do capeta. E qualquer coisa que você faça ou alegra ou faz aborrecer o capeta. Porque, se você jejua, é a barriga do diabo que ruge. Sei lá, deve ser por isso que ele fica chateado...
Eu olho para a sociedade antiga. Semana passada estava lendo um livro que amo, "Orgulho e Preconceito". A sociedade inglesa dessa época era totalmente cristã. Mas as pessoas viviam suas vidas normalmente. Eles viviam suas vidas pensando no que o vizinho fez, em arranjar um bom marido, enfim, vidas comuns e correntes. Não há, em nenhum dos livros que já li, e dessa época eu já li bastante, não somente o acima citado, diálogos como o seguinte:
-Minha querida Ana, você precisa orar a Deus. Eu sei que ele vai fazer o senhor Ritgh se apaixonar por você. Deixe de chorar, que Deus nos fez alegres. Vai ver que logo, logo, o rapaz vai pedir sua mão.
Hoje em dia Deus é o resolve tudo. Qualquer coisa, ele faz. Claro, ele não é Onipotente? Não encheu a Bíblia de "promessas"? Hoje em dia, se o tal Ritgh não se declarar em determinado tempo, ou Deus está "preparando algo melhor", ou a Ana está em pecado. Tudo, em tudo, e por tudo, sempre tem Deus no meio.
Me pergunto porque essa febre de Deus. Eu sei que Deus é Deus, nosso Senhor, e cada cristão deseja uma relação pessoal com ele. Mas, se é assim, porque o resto? Porque a proclamação sem trégua da nossa fé via internet, ou pessoalmente? Para que tanta ostentação de "olhem para mim, sou cristão"? Tipo um daqueles mensagens do Facebook: "Sim, sou crente". Eu pensei, e dai? O que eu tenho a ver com isso? Em que afeta a vida dos outros? Beira no ridículo. As pessoas se põem em ridículo, ridicularizam Deus, ridicularizam até a sua prezada e proclamada fé. E andam por ai como ovelhas. Eu acho que já falei antes, mas eu não gosto de ser chamada de ovelha. As ovelhas são burras, não pensam nem um pouco na própria supervivência. São um monte de maria-vai-com-as-outras. E a maioria dos cristãos, são ovelhas, não só "do rebanho de Deus", mas literalmente. Como disse acima, papagaios. Ovelhas, indo atrás do que o pastor disse, o que o televangelista disse, do que o cantor tal cantou. Eles não pensam no que ouvem, não refletem, não criticam. Leem a Bíblia sem ler, pois nela há tantas divergências que é impossível afirmar, de cara limpa, que não há contradições nela. Uma coisa simples de exemplo: As genealogias de Jesus. Numa, ele descende de Salomão, na outra, de Natã. E ai, como fica? Durante muito tempo eu fiquei na dúvida com esse texto, e ninguém podia me responder. Ai, fui no seminário e aprendi que essas genealogias não são literais, mas que foram escritas para servir a um propósito específico do seu autor. E ai, fiquei em paz. Porque os que sabem não passam a informação aos que não sabem?
Eu não vejo nada de saudável na atitude que as pessoas "crentes" em geral estão tomando. O excesso de religiosidade para mim é um pesadelo, algo que me faz sentir presa, me da vontade de sair correndo. As frases prontas me dão raiva, ver as pessoas repetir, todas, as mesmas coisas me irrita. Culpa dos pastores que, informados, sabendo das coisas, não repassam a informação aos fiéis, porque, como disse um, "a igreja não está pronta", ou, como disse outro "de todo o correto que há, as pessoas não precisam saber muito" (parafraseando, não me lembro exatamente da frase). Se eles não precisam, porque nós aprendemos? Se não é relevante, porque foi importante para nós aprender? É hipocrisia. Retenção de informação. Manter o povo na ignorância. E uma grande irresponsabilidade. Mas também é culpa das pessoas que, alienadas, não tentam se libertar da alienação, que não se preocupam em analisar o que ouvem, criticar, pensar por si mesmos. Preguiça espiritual (Sabe, o mundo espiritual é importante, a gente tem que estar atento, tudo tem a ver com o espiritual, blá, blá, blá)? Talvez seja culpa do capeta... ou vontade de Deus.


P.S. Os cristãos somos bem hipócritas quando queremos. Invadimos o Facebook, os outdoors, os espaços públicos, com a nossa "pregação". A gente pode, é liberdade de expressão. Quero ver quando começarem a sair mensagens espíritas, ou de Alá, no Facebook... vai ser o grito no céu, porque o capeta está invadindo os espaços públicos!! 


19 de dezembro de 2011

O Cândido de Voltaire, o Mundo e o Autor de Eclesiastes

Acabei de ler o livro "Cândido ou o Otimismo", de Voltaire. É um romance muito interessante, onde o filósofo narra as desventuras de Cândido, um rapaz que aprendeu desde criança que este é o melhor dos mundos possíveis, que tudo o que acontece sempre é bom, que tudo leva ao bem e todos estão maravilhosamente. Esta é a filosofia positivista de Leibniz, a qual Voltaire combate ao longo de todo o livro. Cândido passa por muitas desventuras, encontra seu antigo professor, o otimista Pangloss, perde sua amada, a encontra e a perde de novo, viaja para América, encontra o pais de Eldorado, único lugar da terra onde todos são efetivamente iguais e felizes, um paraíso perdido, no qual, contudo, Cândido e seu servo Cacambo não ficam por muito tempo, um querendo encontrar sua amada e o outro desejando voltar à sua terra, a Europa. Eles partem cheios de riquezas, que contudo perdem depois de muito caminho, Cândido é roubado por um holandês, por muitos franceses e por mercadores. Depois encontra um filósofo para o qual tudo no mundo é ruim, chamado Martinho. Ele é o oposto de Pangloss, que tinha sido enforcado mas que depois Cândido vai achar de escravo numa galera, remando. Depois de idas e vindas, Cândido reencontra sua amada, agora muito feia, e casa com ela por teimosia, perde o resto da sua fortuna e termina com uma granja em Constantinopla, vivendo com uma mulher amargurada, um servo que reclama da existência e um Pangloss que não admite que este não é o melhor dos mundos. Ele, Cândido, Martinho e Cacambo discutem esse assunto ao longo do livro, ora afirmando, ora confrontando essa afirmação ao que encontram no caminho: pessoas que sofrem, miseráveis, tristes, países em guerra, injustiças e opressão. No fim, Cândido, depois de conhecer um homem que simplesmente é feliz com o que tem, em lugar de procurar uma felicidade idealista, conclui que o que ele tem a fazer é "cultivar o seu jardim". Assim, ele chega a um equilíbrio entre o otimismo de Pangloss e o pessimismo de Martinho. O mundo não é nem o melhor dos mundos possível, nem a pior das porcarias. O mundo é algo a ser aproveitado. Tem suas coisas boas, e tem suas coisas ruins, e o melhor a fazer é desfrutar o que se tem, e ser produtivos, já que o homem não nasceu para o ócio. 
Este livro, mesmo sendo escrito há muito tempo, ainda é muito atual. Hoje em dia, mesmo que todos saibam que há tristezas no mundo, que há muitas injustiças, que há opressão, desigualdade, racismo, preconceito, escravidão, violência, as pessoas muitas vezes pretendem fingir que não há nada disso. O mundo consumista de hoje faz as pessoas cegas, preocupadas com seus próprios umbigos, interessadas unicamente em adquirir mais e mais coisas para seu próprio prazer, buscando a sua felicidade sem se importar com os outros. Cândido, na sua caminhada pelo mundo, se surpreende com todas as desgraças que acontecem aos homens, e, querendo encontrar alguém feliz com sua condição, não o encontra, nem mesmo quando esse alguém é rico, pois é tão rico que fica aborrecido com sua própria riqueza, e não acha mais prazer em nada. Hoje há muitas pessoas assim, que têm tudo e não têm nada, que, mesmo sendo ricos, não são felizes.
Não posso deixar de ligar o pensamento de Voltaire ao do autor do Eclesiastes. Tanto um como outro refutam um pensamento: Voltaire, aquele de que o mundo em que vivemos é o melhor possível, o autor de Eclesiastes, o pensamento, ou melhor, a teologia que diz que o justo se da bem e o mau se da mal. Eles não tem que fazer outra coisa que dar uma olhada ao seu redor: onde quer que eles vêem, há dor, tristeza, injustiça. E o pior é que poucas coisas mudaram desde os tempos bíblicos, e desde os tempos de Voltaire. Ainda há injustiça, maldade, opressão, desigualdade. O que acho mais interessante é que os dois autores chegam a uma conclusão semelhante: ante todas as tristezas do mundo, o que há de melhor a fazer é aproveitar o dia-a-dia. Cultivar o jardim, aproveitar o tempo, desfrutar das coisas do mundo: o pão, o vinho, a mulher ou o homem com quem se está. Não adianta querer inventar um mundo perfeito, pois o mundo não o é. 
No final do livro, Pangloss ainda teima que este é o melhor dos mundos e que todas as desgraças sofridas por Cândido foram boas. Ao que este responde: "Muito bem, mas é preciso cultivar nosso jardim". É uma frase que resume todo o pensamento de Voltaire, e que se coneta com o "bebe teu vinho, come teu pão e desfruta a vida com a mulher da tua juventude, pois esta é a tua parte na terra" (versículo parafraseado) de Eclesiastes. E que, ao meu ver, é o melhor que podemos fazer neste nosso mundo maluco. Não podemos nos enfiar numa cápsula de cristal e pretender ignorar as tristezas deste mundo. Mas também não podemos achar que não há nada neste mundo que valga a pena (como muitos cristãos fazem). Temos é que viver a nossa vida, dia após dia, com simplicidade, sem deixar-nos levar pelo consumismo do nosso tempo, fazendo bem o que podemos fazer.

18 de dezembro de 2011

Facebook e a Feira da Banalidade

E por fim o Facebook virou moda no Brasil. Depois de muito tempo ignorado, o Facebook conseguiu desbancar o Orkut. Agora todo mundo usa Facebook, e fala mal do Orkut. Algo que chama minha atenção em tudo isso é a Feira da Banalidade que o site de relacionamentos virou de um tempo pra cá. São piadas sem graça, frases sem noção, machistas ou apelativas de alguma forma, desenhos mal feitos, coisas que não dá pra entender como foram parar ai. E todo mundo curte, todo mundo compartilha. Parece que a impessoalidade da internet nos permite exibir um pouco da nossa banalidade, e usamos sites como o Facebook para compartilhar a parte de nós que é mais brincalhona, mais sem noção. 
Mesmo que haja pessoas postando coisas "sérias", a maioria das coisas que se vê no Face é pura "palhaçada". Sites como esse tiram nossa inibição, parece que podemos falar tudo que pensamos, zoar os outros sem piedade, compartilhar um pouco da nossa tolice. 
O problema é quando a tolice é real, quando pessoas sem noção compartilham seus pensamentos sem te-los pensado, e acontecem coisas como a brincadeira de mau gosto com o Lula, as frases chatas quando a Amy Winehouse morreu. Mesmo sendo o Facebook um site que muitos usam para relaxar, para passar o rato, devemos ser conscientes do que escrevemos nele, do que postamos. Afinal, mesmo que cada um escreva e poste na privacidade do seu lar, no seu quarto ou escritório, o que se coloca na internet vira algo público! 
Ahhh, ser humano... pretendemos ser tão sábios, tão sérios, quando no fundo todos temos algo de tolice!

24 de novembro de 2011

Menina, Mulher e a Perda do Auto-respeito

Às vezes acho que o mundo está virando de cabeça para baixo e ninguém percebe. E quem percebe se enfia na cabeça que a solução é se fechar ao mundo e viver numa redoma de cristal, que se chama fé, igreja ou o que seja. E enquanto isso, o mundo continua virando. Nestes dias vi no Facebook uma dessas postagens prontas, e achei interessante. Ela dizia: "As mulheres ficam esperando pelo seu príncipe encantado, mas não se preocupam em se comportar como princesas". A afirmação é absolutamente verdade. Hoje em dia as mulheres estão se comportando de formas absurdas. 
Me pergunto se foi para isso que as mulheres do passado recente lutaram, se foi para isso a libertação feminina. Agora tenho TV a cabo, e uma das coisas que gosto de assistir são vídeos musicais. Porém, ultimamente os vídeos tem me deixado estarrecida. Eu sei que desde sempre mulheres rebolando com poucas roupas foram usadas para vender. Mas agora está demais. Além das letras horríveis das músicas, que só cantam coisas como "me morda", "venha me pegar", "estou nem ai se saio com muitos caras", "vamos transar esta noite" e "vou te seduzir", as cantoras estão competindo sobre quem exibe mais o corpo. O que me deixou mais chocada foi ver meninas mal saídas da adolescência ou ainda apenas entrando nesta (como a filha do Will Smith) cantando que vão pegar o homem, que vão trair o homem, que são livres de quebrar o barraco e fazer o que bem entendem, quase sempre sexualmente falando. A liberdade duramente conquistada virou libertinagem.
O problema é que fazendo isso a mulher está se degradando. Está ainda concordando com a mentalidade machista de mulher-objeto, mulher que se vende como um produto na vitrine. Do tipo: se não estou gostosa, ninguém me pega. Que não haja mal-entendidos. A mulher que ama a si mesma se cuida, se arruma. Simplesmente por gostar de si mesma. E o auto-respeito, então? Parece que as mulheres procuram que os homens as respeitem e as tratem como devem ser tratadas, mas vivem demonstrando que não se respeitam nem um pouco, vendendo baratos os beijos, que dão a qualquer desconhecido em qualquer boate, isso para não falar do próprio corpo. 
Não estou pregando aqui o vestir-se de freiras, ou sei lá que puritanismo extremo. Simplesmente o simples bom gosto que as mulheres têm que ter quando se vestirem, e na forma de se comportarem. Elas têm que lembrar que valem muito, que não são objetos para passar pela vida de mão em mão, exibindo seus atributos para chamar a atenção, deixando que as tratem como lixo. Já bastante temos com a indústria da música, com a televisão, com a publicidade que ainda passam a imagem da mulher burra, loira e gostosona que só serve para mostrar o peito e a bunda para a felicidade masculina. Já temos bastante com a luta que as mulheres têm para conseguir um salário digno, para superar o machismo numa sociedade que ainda é extremamente machista. Já temos bastantes mulheres filés, frutas e outros comestíveis, que, pelo menos para mim, são vergonhosas. As mulheres devem se respeitar um pouco, caramba! Para não terminar nos braços de caras como o Enrique Iglesias, que canta "eu vou te amar esta noite (leia-se transar com você), você conhece minha fama, sabe como eu sou mas mesmo assim está afim de mim", num vídeo que mostra que o amor dele dura menos de uma noite, depois de uma rapidinha ele já partiu para outra. E as pessoas ouvem isso e acham a música o máximo...
E o pior é que como as coisas estão, a infância das meninas está acabando. Desde crianças são instruídas a comprar maquiagem (vejam-se algumas propagandas de maquiagem em canais infantis) para conquistar "o gatinho dos sonhos". Meninas que nem sabem lavar a calcinha, como diria minha mãe, que deveriam estar pensando em brincar e curtir a brevidade da infância, se preocupam com saltos, maquiagem, roupa ousada, chapinha no cabelo, unhas feitas, sem falar nas fofocas dos famosos e em quem delas já começou a namorar. Meninas que vêem garotinhas como elas rebolando nos clipes musicais e falando que vão fazer o cara "pirar" por elas. Misericórdia! 
Este mundo está cada vez mais maluco, e os valores estão sendo jogados no lixo à toa. E no meio disso tudo há meninas crescendo acreditando que no mundo só se pode viver se se é a mais bonita, a que mais fica com um e com outro. Afinal, agora somos livres de fazer o que queremos. Só que uma coisa é liberdade, e outra libertinagem. E a libertinagem não machuca ao próximo, machuca ao libertino. Cedo ou tarde. 
Graças a Deus as mulheres atuais temos mais liberdade com relação às nossas avós. Graças a Deus podemos pensar por nós mesmas e agir por nós mesmas, e sermos independentes. Vamos continuar a desperdiçar nossa liberdade agindo como vagabundas, gritando ao mundo que só servimos para rebolar, vender produtos e pegar homens? A mulher é muito mais do que isso!! 


P.S. Uma cantora muito boa que não anda ensinando a bunda, e é maravilhosa, é a Adele. Todas deviam seguir o exemplo dela...

31 de julho de 2011

Ocidente vs. Oriente...?

Eu sei que estou um pouco atrasada para falar sobre o massacre que aconteceu na Noruega, mas também sei que tenho que falar disso. Porque é um absurdo, e um absurdo de proporções gigantescas.
Depois de saber da notícia, e ficar espantada, como sempre, pela loucura e a maldade a que podem chegar alguns, fiquei indignada com uma notícia que vi no jornal alguns dias depois. No jornal falaram que na Europa, em alguns países e em partidos de extrema direita, políticos tinham falado em favor do norueguês assassino e das suas ideias. Um dos políticos italianos seguidores de Berlusconi chegou a dizer que as ideias do norueguês eram magnificas, enquanto outro dizia que por fim alguém se levantava para defender o Ocidente. Achei absurdo. E achei ainda mais absurdo que ninguém na Itália se indignou com estas afirmações, nem afastaram o político do cargo, como fizeram com um que na França disse coisas semelhantes.
Como é possível que as pessoas ainda tenham esse pensamento medieval? Como é possível que pessoas que se dizem "cristãs" defendam a posição desse assassino que se escudou em desculpas ridículas, racistas e anti-humanitárias para assassinar seus compatriotas? Como disse Osvaldo, esta vez foi um louro, um europeu puro sangue quem cometeu os atos terroristas que os "ocidentais" amam imputar aos morenos muçulmanos. Até quando vamos ver o mundo através da cor da pele, através dos credos pessoais, da geografia? Até quando a divisão artificial entre "Ocidente" e "Oriente"? Não somos todos cidadãos do mesmo mundo? As mudanças climáticas não afetam todo mundo? Não sentimos igual, pensamos, vivemos, sonhamos igual?
Essa declaração do norueguês miserável e assassino, aplaudida por alguns babacas europeus, nos coloca num perigo muito real: o de volver atrás, ao tempo da Idade Média, onde se matavam judeus por "terem matado Jesus" e onde se perseguia muçulmanos por serem dessa religião. Agora devemos adicionar os imigrantes, aqueles corajosos que deixam sua terra e tudo o que conhecem para enfrentar o desconhecido, em busca de uma vida melhor. Não é direito de todos procurar uma vida melhor? Os mesmos europeus, os mesmos italianos emigraram um dia a outros países, procurando um melhor futuro. Se Europa não reclamou, se Itália não reclamou contra o que seus políticos disseram, o que podemos esperar do futuro? Paz não, com certeza. E os atos sangrentos do norueguês, que foram rejeitados pelo mundo inteiro, se encontrarem eco em alguns poucos, políticos ou não, poderão ser repetidos?
Eu não entendo porque as pessoas são tão intolerantes. Porque, depois de tantos discursos de igualdade, liberdade e fraternidade, ainda não se aprendeu a viver como seres humanos, sem divisão de classes, de raças, de credos. Europa se orgulha de sua fraternidade, o lema dos franceses é justamente "liberdade, igualdade, fraternidade". Mas até onde chega tanta democracia? Até onde os "defensores da liberdade", como os europeus e os americanos amam chamar a si mesmos, vão para defender esses princípios? Se seguem, se seguimos encarando o mundo como Ocidente e Oriente, como se o globo estivesse dividido no meio com uma linha, se não encaramos os outros como sendo iguais a nós mesmos, ainda que sejam muçulmanos, ainda que sejam imigrantes, a dor ainda vai continuar, porque haverá sempre loucos como o norueguês, achando-se donos da verdade e da vida dos outros, sem escrúpulos para causar dor e derramar sangue. Contra Osama se realizou uma operação guerreira, até vê-lo morto. Com o louro e europeu norueguês, se escutaram vozes de consentimento, mesmo que poucas, com seus "ideais ótimos". Definitivamente o ser humano é uma maravilha...


P.S. Pensando bem, e tendo em conta que a Terra é redonda, podemos dizer que nós estamos ao Oriente deles...

2 de abril de 2011

De respeito e o que aconteceu no Afeganistão

Hoje (aliás, ontem) vi no jornal a notícia sobre o Afeganistão, onde uma multidão de afegãos enfurecidos atacaram e mataram alguns guardas americanos em represália a um pastor que queimou o Corão, livro sagrado deles. E claro, os americanos choram seus mortos. Toda essa dor e confusão provocada por um ato de desrespeito e de ignorância...
O fundamentalismo americano é bem conhecido. Aliás, tem bastante desse fundamentalismo nas igrejas brasileiras. Esse fundamentalismo marca todas as coisas que não são "cristãs" como sendo "do mundo, ou do capeta". E ai, as pessoas devem ser adoutrinadas à verdade que se prega, porque todo o resto de opções são erradas. O cristianismo pode ser às vezes muito egocêntrico. Tudo bem. Para nós Jesus é o centro das nossas vidas, e a Bíblia é a Palavra de Deus. Mas não podemos impor as nossas opiniões aos outros. E muito menos desrespeitar os outros. 
Queimar o Corão foi simplesmente um ato absurdo, que demonstra uma mania de superioridade em relação aos outros, bastante ignorância e muita intolerância. O que é que o tal pastor pretendia demonstrar, afinal? O que ele ganhava queimando o livro? O único que a sua intolerância conseguiu foi a morte de vários seus compatriotas. Os muçulmanos tinham o direito de ficar ofendidos. E se sabe bem que eles são muito sensíveis quando se trata da sua religião. A situação no Afeganistão já é bastante tensa, depois do longo sofrimento que o povo afegão tem experimentado, seja em mãos dos comunistas, das diferentes facções guerrilheiras (Mujahidin), dos talibãs. Recentemente se ouviu falar de uns soldados americanos que matavam afegãos só por diversão. E ainda por cima vem este pastor e queima o livro sagrado deles. Esperava uma salva de palmas? Ou que todos se convertessem por milagre a Jesus? 
Essa forma totalmente errada de pregar o evangelho tem sido usada desde as cruzadas. Aliás, desde bem antes. Como se obrigar alguém a falar que é cristão fizesse dessa pessoa efetivamente cristã. O pior de tudo é a imagem que os outros têm de nós, cristãos. Para eles somos um povo arrogante, fechado, que condena e julga quem não é cristão. E ações como a desse pastor só confirmam essa visão errada. Quando vão entender que Jesus não veio obrigar ninguém a segui-lo? Quando vão entender que a intolerância e o desrespeito só levam a confusões e tragédias como a de ontem? Quando vão deixar de ser tão tapados e ignorantes? Assim o povo muçulmano só vai sentir mais aversão ao ouvir o nome de Jesus! E depois reclamam! Se tivesse sido o contrário, e os muçulmanos tivessem queimado a Bíblia, as igrejas iam ficar bastante revoltadas. Claro, não iam sair matando gente (espero, quando se fala do ser humano não se pode ter muita certeza...) mas iam no mínimo fazer protestos. Por que então não deixam os símbolos religiosos deles em paz?
O desamor e o ódio surgem da intolerância e o desrespeito. Cristo veio a mostrar ao mundo o amor, a compaixão, o serviço ao próximo. Pastores queimando Corães e mandando todo mundo ao inferno não fazem ninguém conhecer Jesus. No mínimo só fazem que as pessoas associem o nome de Cristo a algo detestável. É algo para pensar. Os muçulmanos tem direito de ser respeitados. A gente pode falar da nossa fé, pode mostrar com nosso estilo de vida e nossa atitude o amor de Jesus. Agredir os outros não é um caminho. E, como se viu, pode levar à morte de inocentes. Que absurdo!      

28 de outubro de 2010

Habacuque 3,17-19

O profeta Habacuque é um dos chamados profetas menores. Ele escreveu sua profecia para o povo de Judá, reprovando as injustiças cometidas pelo povo e anunciando o castigo pela mão dos cal-deus, mas também trazendo palavras de esperança.
O texto do capítulo 3, 17-19 é muito belo. Ele de-monstra a confiança ab-soluta que o profeta tem em seu Deus. Ele descreve um panorama desolador. No original hebraico não há um “talvez” no texto, que no português fala: “Ainda que...”, estabelecendo uma possibilidade: “Talvez aconteça”. O profeta, no original, afirma que haverá devastação. Não haverá figueiras
florescentes, as vides não darão fruto, as
ovelhas serão exterminadas e não haverá gado nos currais. O campo será totalmente estéril, tudo será exterminado.
Frente a este panorama desolador, o quê o profeta diz? Ele afirma, no v. 18: “todavia eu me alegrarei no Senhor”. Ele exulta no seu Deus, proclama sua confiança no seu Senhor que lhe dá forças para afrontar esse panorama sombrio, e lhe permite andar sobre lugares altos. O profeta não dá sinais de desânimo. Pelo contrário, ele se refugia no seu Deus, expressando sua confiança de que, mesmo com tanta tristeza ao redor, o Senhor está com ele. Não só isso, mas ele
se alegra em Deus.
Quantas vezes nós enfrentamos dificuldades, que ao nosso ver podem parecer enormes, intransponíveis, e nos sentimos cansados, sem forças, desanimados?
Eu já me senti assim muitas vezes. Cada dia traz sua própria preocupação, e ao longo de nossas vidas enfrentamos problemas de diversos tipos. Porém, este texto nos chama a dizer o mesmo que o profeta: As coisas podem “estar pretas”, mas Deus é nossa alegria. O profeta nos demonstra que é possível de verdade confiar em Deus, que é possível deixar tudo nas mãos de Deus, já que, afinal, ele é nossa força, ele é que nos faz andar por onde não pensamos que seja possível.

15 de outubro de 2010

Aborto... coisa feia!

Estes dias o tema do aborto está sendo muito discutido, tendo em conta as posições políticas de Dilma e Serra ao respeito. Mas aqui não quero falar de política, ou de religião. O aborto simplesmente é, para mim, algo que não deveria acontecer. Há casos especiais, como o estupro e a malformação genética, ou quando a mãe corre risco de vida. Esses casos são mais delicados. Mas abortar simplesmente porque é a saída mais fácil para "resolver o probleminha" é uma atitude altamente egoísta.

Para mim o aborto é assassinato, ponto. Desde a sexta semana de gravidez o feto já tem um coração que bate, e é um ser completamente independente da mãe, que só está unido a ela pelo cordão umbilical e a placenta. Ele é outro ser. Se a mulher pode ser dona do seu corpo, não pode tomar a decisão de matar um outro ser, mesmo que esteja dentro dela. Como pode se falar que não se chegou a um acordo sobre quando a criança no ventre passa a ser pessoa? Que desculpa esfarrapada, para "legitimar" a solução fácil (fácil entre aspas, já que o aborto pode trazer muitas complicações para a mãe, que pode estragar seu útero e ficar estéril)! Sabendo que mesmo do tamanho de um feijão o bebezinho já tem coração próprio! É absurdo!

O que eu acho ridículo sobre toda a situação é que em pleno século XXI, onde se têm acesso a camisinhas (nos postos de saúde são de graça), pílulas anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte e tantos outros métodos anticoncepcionais, as pessoas não se cuidem de uma gravidez não desejada. Isto é, se não quer ter filhos, ou não faz sexo, ou faz sexo com precaução. E não é coisa de que seja difícil o acesso aos anticoncepcionais: o meu custa somente R$ 15,00. Não é o olho da cara tampouco. E as mulheres e seus parceiros devem fazer as coisas com a cabeça. É tão simples!

Claro, sempre há "arrebatos de paixão". Bom, se você errou, assuma seu erro! O problema do aborto é que se trata de uma vida que está surgindo. Não é como tirar a cera do ouvido porque atrapalha ouvir. É algo vivo! É compreensível o momento do desespero. Mas para mim a vida está acima de tudo.

As ações trazem consequências, se se faz sexo sem proteção a probabilidade de ficar grávida é alta. É simples. Porque as mulheres não se cuidam? Porque os homens não se cuidam, se não querem ter compromissos depois, filhos por quem responder? Ahhh, mas é mais fácil se livrar do problema depois, pensar depois de ter feito as coisas.

Se argumenta que não se tem condições, que não é o momento de ter filhos, que o pai da criança não quer assumir. Porque carambas não se pensou nisso antes do ato sexual? E depois a criancinha no ventre paga as consequências dos atos paternos!

O aborto para mim não é solução. É crime. E não há escusa válida. Se minha mãe tivesse se amparado nessas escusas (em 1987, solteira, com 19 anos, num pais conservador e católico como é a Colômbia) teria tranquilamente se desfeito de mim. Mas não o fez. Enfrentou minha avó, enfrentou a paróquia da qual fazia parte, enfrentou o escárnio do meu avó paterno, o sumiço temporâneo do meu pai, as propostas de sumir da cidade e de fazer aborto, de ser levada a uma casa de mães solteiras, a dor, a solidão. Sofreu muito, mas assumiu as consequências dos seus atos. Graças à sua coragem e a sua proteção é que eu estou neste mundo. Muitas crianças não têm essa proteção materna. É mais fácil se desfazer do problema.

Finalizando, minha própria vida é contra o aborto. Minha mãe não me abortou, e agradeço muito isso, essa oportunidade que tive de vir ao mundo. E minha mãe me ensinou isso, me mostrou o valor da vida, e o valor que se deve ter para enfrentar todas as situações, para assumir todos os erros, para sofrer todas as consequências. O aborto é uma saída fácil para o egoísmo, para não assumir os atos, para se "livrar dos problemas". E assim, a sociedade avança em seu egoísmo, em sua frivolidade. Eu faço as coisas, enfio a cabeça onde não devo, mas não quero saber nada das consequências dos meus atos. Simples assim. E milhares de bebés inocentes pagam pelo egoísmo e a desumanização (ainda não entendo como alguém tem a "coragem" de aceitar tirar de dentro de si uma vida tão pequena, tão indefesa, que não tem nem a possibilidade de se defender) dos seus pais, da sua cultura, da sua sociedade.

15 de maio de 2010

Do por quê "Avatar" não levou o Oscar

Finalmente, depois de tanto ouvir falar e ler comentários, assisti pessoalmente o filme Avatar. Gostei. Achei interessante. E entendi por quê, depois de tanto ser aclamado, não levou o Oscar. Pelo menos na minha interpretação.

O filme trata de um planeta chamado Pandora, cuja tranquilidade e a existência pacífica dos seus moradores é ameaçada (ó surpresa) pelos seres humanos, especificando, o exército americano e os investidores da bolsa de valores, que querem se apropriar de uma pedra muito valiosa na Terra, e que está no centro da morada do povo nativo do planeta, os Na'vi. Com eles se encontram alguns cientistas que não concordam com o que os outros fazem, e que, por meio de bonecos que são iguais aos nativos, chamados "avatares", entram no mundo deles e exploram a natureza desse planeta desconhecido. Um deles é um ex-fuzileiro, que teve que reemplazar seu irmão cientista, gêmeo, que foi morto num assalto. Ele vira o herói ao entrar en contato com a civilização nativa, começar a entender a sua cultura e a sua conexão com o mundo no qual vivem, e enfrentar o exército americano quando este se dispõe a destruir os Na'vi.

Este filme me pareceu a narração da história das colônias, quase um "o que teria acontecido se os indígenas tivessem expulso os colonos europeus". Mas não só me fez lembrar dos nativos americanos. Ou dos africanos escravizados. Me fez lembrar dos povos atuais. Os Na'vi bem podiam ser os palestineses. Ou os afganos. Ou ainda o povo do Iraque. Podem ser qualquer povo oprimido pela ambição dos poderosos, que não tem compaixão pela vida nem pela própria Terra. Esta ambição que já destruiu povoações inteiras, culturas das quais ninguém pensou pudessem ensinar algo. Eles eram só "selvagens", pagãos, nativos que não aceitaram, como os Na'vi, as "boas coisas" dos colonos, como ruas, educação, medicamentos, coisas que para eles são boas, mas que, ninguém parou para pensar, talvez não fossem interessantes ou mesmo necessárias para os outros. E assim, Avatar é um reflexo do que o ser humano fez, continua fazendo, e, como vamos, não vai deixar de fazer: destruir na sede de poder e riqueza.


Agora imaginem, o Oscar é entregue pelos estadounidenses. Avatar mostra na cara deles o quanto eles são ruins. Nunca, mas nunca eles iriam aceitar isso. Se James Cameron quis reivindicar os nativos americanos, não sei. Mas a história me lembrou eles mesmo, com os Na'vi de mohicano, com suas tranças e cabelos pretos, e sua conexão com a natureza.

E me lembrei da maldade humana. Sempre pretendendo que somos donos da verdade. Sempre pretendendo que os outros têm que se dobrar ante nós. Sempre achando que somos superiores. Será algo tecido no DNA humano, essa sobérbia toda? Será que não podemos nos livrar dessas absurdas pretensões, e finalmente nos enxergar como o que somos, pequenos seres num mundo enorme, pequenos mas perigosos, que, com tanta capacidade para fzer coisas boas, tendemos a usar nossa genialidade para inventar coisas que ferem, destróem, humilham os outros? Será que algum dia aprenderemos a ser realmente humildes?

Os Na'vi eram seres sábios. Me lembraram muito gatinhos, com esse nariz felino, olhos de leão, amarelos e penetrantes, dentes afiados. Seres que entendiam que dependiam da natureza. Sei lá em quem se basou Cameron, só sei que a mensagem é clara. Nosso planeta está moribundo. O ser humano ainda não entendeu que não possui a Terra, que não é dono dos recursos e das vidas animais e vegetais que aqui moram junto com ele. E o pior, ainda há quem pretende que tudo está bem. Ainda há poderosos, como os EUA e a China, que ignoram os problemas dessa nossa casa, e que se negam a aceitar que eles são os maiores danificadores desta, recusando-se a abaixar os níveis de poluição e a fazer algo para tentar salvar nosso moribundo lar. Ainda há indivíduos que destroem, que matam animais, que jogam lixo na rua, que desperdiçam água, alimentos. Ainda há seres néscios, tolos, que pretendem ser superiores. Temos o exemplo do passado. Como disse um dia minha irmã, se os indígenas não tivessem sido exterminados, Colômbia teria sido um lugar diferente. Mais verde. Se progresso é matar tudo o que respira, prefiro ser "selvagem", assim como os Na'vi. Pensemos nisso. Que Avatar passe de um filme cheio de efeitos especiais. Que a mensagem possa ser aplicada, que nos lembremos do nosso lar moribundo. No fim das contas, não haverá Marte ou Lua nenhuma à qual o homem possa fugir. Aqui estamos e aqui ficamos. A qualidade do lugar depende de nós.

27 de abril de 2010

Voltando...

E então, voltei. Depois de quase um mês sem escrever, voltei, com a cabeça cheia de pensamentos, cheia de problemas, situações, comentários para fazer a esta vida louca e irracional que vivemos. Irracional porque, mesmo que tentemos, muitas coisas que vivemos fogem da lógica. Fogem da razão. A injustiça do mundo. A discriminação. As simples atitudes que nós mesmos muitas vezes tomamos sem saber por quê, mas sabendo que alguma coisa não está certa...
Estas semanas têm sido muito corridas. Tenho dois eventos fundamentais neste meu ano: casamento e monografia. O primeiro está às portas. Já falta só mês e medio para o meu dia especial. E ainda tenho tantas coisas para resolver. Decoração, documentos, dinheiro. Sobretudo dinheiro. É uma coisa muito complicada casar. Mas sei que vai valer a pena.

O segundo evento é para setembro. Estou correndo atrás. Estou matando sono para poder fazer as coisas bem. Está valendo muito a pena. Consegui traduzir um texto em hebraico, eu! Com ajuda do meu professor, claro, e com um bom dicionário que ele me emprestou, consegui um texto relativamente coerente e, espero, fiel ao original. Esse negócio de traduzir hebraico é muito complicado, muitas vezes eu não entendia nadinha, mas pouco a pouco as coisas vão rolando, e para mim é um logro importante poder dizer que traduzi essa pequena porção das Escrituras. Ainda tenho muito chão para pisar, tanto na monografia quanto na prática da tradução. Mas já estou andando, e isso é importante. Espero muito conseguir uma monografia boa. Afinal eu gosto de escrever, e de fazer bem meus trabalhos escritos...

Na periferia desses eventos, tem muitos assuntos rondando. As coisas no seminário estão mal. Todo mundo está em suspenso. Os professores esperam, nós esperamos. O que vai acontecer com eles, conosco?

E o regime ditador que se estabeleceu no internato do seminário está cada vez mais invadente. Daqui a pouco nos vão dizer como devemos vestir, nos vão proibir de ouvir música que não for "de crente". Aquele negócio de não poder falar "velha" o estou ignorando, e assim estão fazendo, creio, todos os que levamos aqui bastante tempo para saber que é uma besteira tamanho família. O resto segue as instruções. Vamos ver até onde chegamos.

A formatura. Outro evento. Mais dinheiro. De onde vou conseguir não sei... minha turma quer se formar toda junta, com meus dois colegas que, por entrarem depois, não poderiam se formar conosco. Mas somos tão amigos todos, vamos tentar cumprir o impossível.

De resto tudo mais ou menos igual. Estudar, ler, fazer trabalhos, viajar, ver as coisas da casa, da lua de mel, da minha futura vida de casada. Os mosquitos e os borrachudos que nos comem literalmente quando esquecemos o repelente. O calor e o frio, a gripe forte que durou três semanas. Ainda não estou totalmente livre de tosse... Descobri que quase todas minhas amigas da Colômbia agora são mães. É estranho, todas tão novas, da minha idade! Eu não me sinto pronta para isso! Falar com a família quando posso, escrever quando dá vontade. Espero escrever mais seguido. É importante pôr as idéias no papel, nem que seja virtual. Senão elas vão sendo esquecidas... Em fim, voltei...

2 de fevereiro de 2010

Come fare?

Adesso le mie vacanze sono quasi finite. Manca soltanto una settimana per andarmene via di nuovo. E non voglio. Ma allo stesso tempo voglio. Perché in quel altro paese sono libera di fare la mia vita. Nessuno mi dice cosa fare. E soprattutto, lì c'è il mio amore. Ma non voglio essere lontana dalla mia famiglia, non voglio lasciare il mio gatto, non voglio lasciare i miei amici. Che sono quasi gli unici che ho. Non che in Brasile non abbia amici. Ma non sono così vicini, è diverso... avere degli amici in chiesa è qualcosa che ho vissuto soltanto qui in Italia, solo nella chiesa di Mantova ho trovato qualcuno con cui parlare e non sentirmi diversa. Forse l'essere stranieri ci unisce? Adesso devo andare via. Devo continuare la mia lotta per conseguire la laurea, continuare la strada che ho scelto e che mi piace, ma che mi fa paura. Cosa farò dopo? Penso molto, moltissimo. Non so cosa Dio vuole di me. Io vorrei essere insegnante. Vorrei essere esegeta. Vorrei viaggiare col mio marito, abitare in tanti bei paesi, imparare lingue, avventurar mi in luoghi sconosciuti. Ma per questo devo fare ancora tanta strada. Devo prima costruire la mia vita insieme a lui, quello che ho scelto per me, il mio amore. Dopo vediamo. Ma è proprio questo "vediamo" che mi fa paura. La vita gira così tanto! Cosa sarà di me nel futuro? Potrò tornare qui, vedere questi posti belli, portare il mio Leo a conoscere un'altra faccia del mondo? Mi fa paura. Non voglio sentirmi fissa in un luogo, prigioniera senza la possibilità di uscire. Ho paura delle mie debolezze, ho paura di me stessa, ho paura che la vita mi faccia prendere un'altra strada, una che non voglio conoscere... non voglio rimanere sempre lì, sempre al lavoro, sempre nello stesso noioso posto... come fare? Sarà che chiedo molto della vita? Sarà che pensare e sognare di fare tutto è molta pretensione? Sarà che non conformarsi alla normalità è volere molto? E poi questa vita che la maggior parte delle volte ci porta difficoltà, pensieri, angoscie... mamma mia, aiuto! La vita ci trascina dentro al suo turbine di problemi e di felicità, e quando ci rendiamo conto siamo così lontani del ponto di partenza! E poi, ogni giorno una scelta da fare. Come fare la cosa giusta? Come far capire agli altri che non siamo più bimbi che si manipolano con i mignoli? Come dire agli altri che anche noi abbiamo dei piani, che quello che abbiamo già è destinato per qualcosa, che noi abbiamo la nostra propria opinione su certi argomenti "intoccabili"? Fare delle scelte è la cosa più difficile da fare quando affrontiamo la vita. Come si fa a capire cos'è meglio per noi? Come si fa a capire se stiamo andando per il verso giusto? Per adesso non so niente. Non so cosa sarà della mia vita. Non so cosa farò dopo finire l'università. Spero poter viaggiare. Questo è il più importante per me. Viaggiare. E con il mio Leo. Io voglio che anche lui veda che ci sono posti belli in altri paesi, che ci sono costumi diversi, lingue diverse, cibo diverso. Io voglio che lui viva un po' meno preso alla sua tradizione... sarà chiedere molto? Lui mi dice che anche lui vuole. Spero proprio di sì. Spero che la mia vita sia diversa di quella che ho visto vivere agli altri. Non chiedo tutto fiori. Soltanto lotte diverse. Problemi diversi a quelli che tutti hanno. Spero che la mia vita non diventi un carcere per me...

19 de janeiro de 2010

Delle invasioni e immigrazione...

Invasione straniera? Ma certo! Ci sono stati i longobardi, i visigoti, i franchi, gallesi, e tanti altri gruppi che sono venuti e hanno trasformato il volto di queste terre che oggi si chiamano Europa. Non è che vi siete dimenticati delle vostre origini? Non è forse che vi siete dimenticati di tutte le volte che siete stati in necessità, che ve ne siete andati in altri paesi per cercare una vita migliore?
E adesso, perché tutto questo razzismo? Perché il disprezzo, perché le occhiate di rimprovero a chi ha l'unico sbaglio di essere diverso, forse più nero, forse con un accento differente?
Che ci sono stranieri cattivi, si, ci sono. Ma di cattivi ce ne sono in tutti i paesi, nazionali e stranieri, che fanno del male e non se ne fregano del bene altrui. A Rosarno è successo questo. Gli africani che abitavano in quelle cattive condizioni, portati qui e lavorando non di certo per uno straniero, ma per italiani. Italiani che lasciano stare quella situazione. Finché le persone si stancano della miseria, finché non arriva un altro "bianco" a fare esplodere la disperazione repressa. Non dico che gli africani hanno fatto bene. Ma neanche quelli che gli hanno sparato addosso hanno pure fatto qualcosa di buono.
La cultura è qualcosa di mobile. In questo mondo moderno, chi non conosce un po' il mondo non ci sopravvive. E questo vale anche per l'Italia. Un paese tradizionale, certo. Non è che noi stranieri vogliamo cambiare il vostro modo di essere. Ma se voi non vi aprite al mondo, questo vi inghiottirà, presto o tardi. Perché un mondo, un paese che non cambia è un paese che non si rinnova.
Questo vale anche per le persone, questo è qualcosa che noi stranieri impariamo nella pelle, nel giorno dopo giorno, nel adattazione a regole diverse, costumi diversi, e che impariamo perché dobbiamo farlo, perché vogliamo rispettare quelli che ci accolgono bene, che si aspettano che parliamo bene la sua lingua, che rispettiamo quello che loro fanno. Ma anche noi abbiamo le nostre tradizioni, i nostri costumi e la nostra lingua. Sarà così tanto chiedere un po' di rispetto? Sarà chiedere troppo di non guardarci come se fossimo degli insetti, come se avessimo qualcosa in faccia, come se fossimo sbagliati soltanto per essere "diversi"? Che poi diversità ce n'è dappertutto. Immaginiate se tutti fossimo uguali! Ma che noia! Non è che vogliamo che voi lasciate di essere italiani, oppure che parliate la nostra lingua. Soltanto chiediamo il diritto a vivere, a esistere, e se in questo momento viviamo qui, e se facciamo quello che dobbiamo fare, che problema c'è?
Il problema dell'immigrazione, del razzismo, dell'intolleranza, è qualcosa che rode le fondamenta dell'essere umano, lasciandolo insensibile al dolore altrui, alle necessità altrui, a quello che ci fa tutti uguali. Se rimaniamo a vedere le altre persone come inferiori, oppure come esseri che non hanno dignità, anche non saremmo in grado di mostrare loro la nostra compassione quando ci sono momenti di difficoltà nelle loro vite. Le tragedie personali le vive tutto il mondo. Non è che poveri noi perché siamo stranieri. Ma neanche c'è il soltanto poveri voi italiani. C'è soltanto il dolore umano, il dolore delle singole persone. Se non ci apriamo agli altri per il colore della sua pelle, i suoi vestiti o il suo accento, di cosa servono festività come il giorno della memoria? Nel passato già tanti ebrei hanno sofferto per la discriminazione... e oggi? Pensate che non soffriamo a vederci mettere gli avvisi di "STRANIERO" ogni giorno, in ogni luogo? E' che vi dimenticate che siamo degli esseri umani proprio come voi?

14 de dezembro de 2009

A Mulher Invisível, o mundo invisível

A mulher invisível é um filme brasileiro de comédia. É engraçado. E faz pensar. A trama do filme mostra um homem abandonado pela mulher que, depois de um tempo de luto, se encontra com uma mulher atraente, perfeita para ele, tão perfeita... e só ele a ve. Enquanto isso, a sua vizinha, uma mulher casada com um homem que a faz infeliz, sonha com o homem que vive no apartamento ao lado.
O que me chamou a atenção neste filme é que aqui não há só uma mulher invisível. Ou melhor, a cabe se perguntar qual mulher é a invisível. Porque neste filme há duas mulheres. E as duas são invisíveis. Uma é invisível para todo mundo. A outra é invisível para a pessoa que ela ama. A mulher invisível vista pelo protagonista representa tudo o que ele sempre quis. É uma projeção dele mesmo, um sonho, o desejo de não estar sozinho que faz com que este homem "fique louco" e invente uma coisa que não existe. Aqui se trata do homem que "ve só aquilo que quer ver". E muitos somos assim, muitas vezes, em determinadas situações. É mais fácil, afinal, levar a vida do modo que nos interessa, ver só as coisas agradáveis, ver o mundo do nosso jeito. Assim ele machuca menos. E podemos criar uma bolha na qual viver, isolados dos problemas dos outros, dos problemas do mundo. É o nosso mundo. É a nossa realidade. Mesmo que seja um sonho.

Por outro lado, está uma mulher de verdade. Todos sabem que ela existe, até o melhor amigo do protagonista se apaixona por ela. Mas quem ela ama, por quem ela se interessa, não percebe sua existência. Para ele, ela é literalmente invisível. No filme vemos que o seu marido a trata como uma coisa sem importância. Ela não tem direito a sonhar. Quando ele morre, ela fica livre. Mas tem medo. E quando se avizinha daquele por quem suspirou tanto tempo, ele confunde a sua realidade (já havendo passado pelo choque de reconhecer que a sua perfeita mulher não existe) com a realidade do mundo, na qual vive esta outra mulher. E pensa que ela é irreal. Afinal, ele estava tão concentrado no seu mundo que nunca reparou nela no elevador, na entrada do edifício, no seu próprio andar. E ela não fazia nada, também, para ser reconhecida. Se achava tão pouca coisa... isso acontece quando ouvimos ou somos tratados assim por muito tempo. Ou mesmo por pouco. Se a pessoa com quem moro me acha pouca coisa, com o tempo eu vou aceitar que deve ser verdade (sobretudo se se tem tendência à baixa auto-estima).

Bom, no final o protagonista reconhece a existência da mulher de verdade. Reconhece o seu valor. Sai do seu mundo (ou não, o filme mostra o homem indo atrás da mulher real junto com a mulher invisível) e mergulha no mundo real para procurar esta mulher que, mesmo sendo real, para ele foi invisível tanto tempo.

Muitas vezes, como já disse, nós passamos a vida enfiados no nosso mundinho. Pode ser o trabalho que nos absorve a vida, podem ser os nossos problemas. Podemos ser tão loucos para criar-nos pessoas invisíveis (em caso extremo, ou não? para pensar...) ou para inventar-nos problemas invisíveis. Mas geralmente nos basta com ver só aquilo que queremos. Porém, há um mundo lá fora, um mundo no qual vivemos. Um mundo que tem muito a oferecer, experiências novas, realidades novas. E também um mundo que precisa de nós. Se ficamos enfiados na nossa bolha de sabão, escapando da realidade, não vamos fazer nada de relevante. Não vamos cumprir nossa missão que, para mim, é ajudar a fazer deste um mundo melhor. Para o nosso próximo. Para os nossos vizinhos, os outros seres que habitam este grande mundo.

Como não poderia deixar de fazer alusão, é importante que nós, como "igreja", não esqueçamos que nosso lugar não é dentro de quatro paredes, cantando e ouvindo pregações todo domingo, terça, quarta, ou quinta. O nosso lugar é fora, nas ruas, nos lugares onde há miséria. A nossa bolha de sabão, nossa realidade irreal deve ser deixada de lado, devemos procurar a realidade, mesmo com todas as dores, com todas as mágoas, mas com todas as satisfações, com todas as alegrias que possa trazer. Jesus veio ao mundo a salvar este mundo, a sarar os feridos, amar os esquecidos. Sua igreja deve seguir seu exemplo. Devemos deixar de enxergar só aquilo que nos interessa (geralmente os pecados alheios) e passar a ver o que devemos ver. O que é real.

Quando o homem do filme percebeu seu erro, e toda a bagunça que fez, e a dor que causou à mulher real, optou primeiro pela saída fácil: voltar à mulher invisível. Algo que todos, em algúm momento da nossa vida, fazemos. É quase uma coisa instintiva, no ser humano, procurar a saída mais simples. Mas geralmente o melhor a se fazer é também o mais difícil.

Este filme, com todas as situações engraçadas, faz pensar. Mostra os dois lados da moeda, as duas invisivilidades do mundo. Por isso é um filme interessante.

12 de dezembro de 2009

Ahhhh Hipocrisia...

CALA A BOCA SEU BABACA!!! SÓ FAZ CRITICAR A CASA E SEUS PROFESSORES. AGORA VEM COM ESSE DISCURSO QUE AMA O SEMINARIO. O QUE VOCE TEM FEITO PRA AJUDAR O SUL? R: NADA!!! ENTAO AO INVÉS DE FOMENTAR DEBATES QUE NAO LEVAR AO A LUGAR NENHUM, PROCURE USAR TODO SEU "CONHECIMENTO'' PRA FAZER ALGUMA COISA. SE JUNTE AOS QUE ORAM E BUSCAM REALMENTE UM MEIO DE SALVAR UMA CASA QUE ESTA ATOLADA NUM MAR DE LAMA E DIVIDAS.

Este e-mail, recebido por um amigo de um remetente anônimo, é absurdo. Como é possível alguém que diz que "ora" (ai que coisa linda!) chamar um seu irmão em Cristo de BABACA? Como é possível que alguém que se diz ser vo do Senhor escreva um absurdo destes? Agora quem está inconforme com certas situações que estão acontecendo no seminário onde moramos e estudamos não pode falar! Não pode protestar! Já são poucos (quase ninguém) os que se atrevem a falar em voz alta suas opiniões, dúvidas e reclamações. E quem o faz recebe cartas ANÔNIMAS, ameaças e insultos! Que beleza, e isto por parte de quem se proclama defensor do seminário, crente fervoroso que "ora" e busca uma solução para o seminário... só que puxando o saco não se soluciona nada!

Ahhh hipocrisia, temos que estar dentro do molde, senão somos apontados como os ruins, os que não fazem nada por ajudar... claro, a gente tem que baixar a cabeça e morrer de medo e calar ante as injustiças às quais somos sometidos... e ainda tem gente que fala que estão fazendo tudo pelo bem de quem mora-estuda no seminário! É absurdo! É hipocrisia se dizer cristão e escrever uma coisa dessas. É hipocrisia pôr a máscara de santo, de crente, e ameaçar o próximo! É hipocrisia, é antiético, é totalmente ridículo que alguém queira calar a quem tem todo o direito de opinar, de expôr seus pensamentos!

Até onde chegarão estes "cristãos" que "oram" (da mesma forma que os fariseus oravam)? Até onde irá o seminário se ninguém se levanta para protestar? Ai de nós! Quando deixaremos o medo? Quando de verdade agiremos para procurar melhorar o nosso lugar de estudo e moradia, sem pensar nos interesses da instituição somente? E nós? Não temos voz? Não temos opinião?



6 de novembro de 2009

Mundo encantado

A sociedade em que vivemos é uma sociedade fetichista. Isso eu já sabia, só não sabia o nome. Fetichista. Essa palavra vem do português "feitiço". Assim, a sociedade nos enfeitiça. Como? Com um instrumento mágico: a mídia. Porque? Para viver fora da nossa realidade.
Eu não quero falar aqui de desligar computadores e jogar televisões pela janela. Também não estou querendo voltar à era da pedra. Só quero chamar a atenção da nossa consciência, tantas vezes adormecida.

O mundo em que vivemos é um mundo de sonhos. Em cada loja de eletrônicos podemos adquirir um novo jogo de play station, para virar reis ou príncipes procurando tesouros, matando monstros, criando civilizações. Até há jogos para ter uma vida normal, com cachorros e filhos. Só que no jogo podemos evadir as nossas realidades, os problemas se solucionam com um click. Na internet viajamos por sites do mundo todo, fazemos amigos sem sair de casa, jogamos, compramos. A internet é uma ferramenta útil para a comunicação e para aprender. O problema surge quando deixamos de lado a vida real para passar cada vez mais tempo frente à tela. Dia após dia estamos virando virtuais. Nossa vida está deixando de ser real. Os amigos que temos são perfis de sites da internet. Ou quadradinhos à esquerda da tela, quando falamos pelo msn. Na internet podemos ser quem quisermos, esquecendo nossas vidinhas chatas. Nos livramos da nossa realidade.

Mas além da internet, além dos jogos, a caixinha de encantos preferida de todos é a televisão. Pode ser grande ou pequena, de tela plana, de plasma. O importante é ter uma. Ontem aprendi que a imagem que vemos na televisão nunca é completa. A tela emite na realidade linhas, que se sucedem em 3.3 segundos. A imagem é completada no cérebro. O que isto tem a ver? Tem a ver que o esforço que o cérebro faz para completar as imagens uma após a outra é muito grande. Tanto que ele fica ocupado nisso, e a parte reflexiva dele fica "desligada". De modo que engolimos imagens e imagens sem ter tempo para refletir sobre elas. Como isto nos afeta?

Depois de 50 minutos assistindo TV o cérebro está funcionando no automático. Rolamos em uma "inconsciência" absorvente.

Além da parte "técnica" do negócio, temos o conteúdo da TV. Cores brilhantes. Musicas, histórias cativantes. Tudo muito bonito. E sobretudo, mágico. Na televisão tudo pode acontecer. Os sonhos são realidade. As escovas de dentes falam, os carros andam sós, ou viram robôs, é possível ganhar casas com "uma raspadinha". E nós ficamos envolvidos pelo encanto. O fetiche faz efeito. A TV é mestra em tirar-nos da própria realidade. Quando assistimos novelas vemos que tudo sai bem, que os máus vão à cadeia, que os pobres tem carros chiques e terminam ricos. E o encanto não acaba ai. Desenvolvemos rituais. A TV é, para alguns, uma espécie de religião. Não tem como deixar de ver a novela, porque é terrível. Não posso ir nem ao banheiro, está passando o programa que eu mais gosto...

No meio de tudo, esquecemos de nossos problemas. Até no jornal que mostra os horrores da vida diária, tudo parece ficção. As tragédias viram espetáculo, e deixam de nos importar. Tanto, é uma entre tantas... o que importa é o show.

Uma das coisas que de verdade odeio na TV, e acho que não deveria existir, é a denominada "programação evangélica". É falsa. De evangélica não tem nada. O que se vê é mais um feitiço. Milhares de pessoas comprando "óleos da unção", rosas mágicas, sabonetes que tiram pecados, que vão aos "templos" para que as toalhas com que tomam banho sejam "abençoadas, claro, pagando um pequeno preço antes... e não percebem que estão sendo manipuladas. O que era sagrado virou palavras vazias na boca de muitos, Deus é mais uma das mercadorias oferecidas em ditos programas, feitos por pessoas que, na sua maioria, o único que pretendem é encher o bolso às custas da ignorância dos outros. E estes outros, presos nos seus problemas, cheios de dificuldades, vêm nestes programas enganosos a única solução a tanto sofrimento. Só que:

1. A mensagem é errada. O sofrimento faz parte da vida humana, uma vida sem sofrimento não existe.

2. Os "pregadores" falam em bênçãos e prosperidade, como se Deus nos estivesse devendo alguma coisa. Para alcançar estas "bênçãos" devemos ter "fé" (e pagar o dízimo ou ser patrocinador, é claro). Só que esta fé não é nem sequer posta em Deus, mas nos objetos mágicos que os enganadores oferecem, desde martelos sagrados até canetas da prosperidade, passando por águas, pedras, alianças, e tudo o mais absurdo que se possa imaginar. Mais absurdo e desconcertante é ver que as pessoas acreditam em tudo isso.

3. As tais bênçãos e milagres são paliativos, e causam um mal maior do que o bem. Porque a pessoa acha que vai la, ou assiste o tal programa na esperança de ter seus problemas resolvidos para sempre. Só que novos problemas vão surgir. A vida não é tão simples assim e os óleos milagrosos não resolvem todas as complicações do dia-a-dia. E ai, ou a pessoa vai comprar outra peça mágica para enfrentar o novo problema, ou então vai deixar de acreditar. E como os enganadores estão oferecendo toda essa magia em nome de Deus, elas não deixam de acreditar nos safados que as enganaram, mas em Deus.

4. Em fim, os "pregadores" fazem uso de teologias (se se pode chamar a isso de teologia) simples e mal feitas, e quando se encontram sem palavras para solucionar de verdade um problema, colocam a culpa no ouvinte/assistente. Isto eu vi com meus olhos e ouvi com meus ouvidos. E fiquei em choque. Num desses programas da tarde, repetido em dois ou três canais por essas horas, eu vi um pedaço do programa, no qual os fiéis escrevem ao"missionário" para que ele os ajude a resolver os problemas. Bom, a mulher escreveu que o seu filho a maltratava, que estava sofrendo muito. O que fazer? Resposta do "missionário": Você não é uma autêntica cristã, não conhece o Deus que diz conhecer, porque se o conhecesse não sofreria. Você tem que se arrepender(!) e procurar Deus e "tomar posse da bênção" (aqui ele começou a recitar versículos bíblicos sem nexo um com o outro, todos fora do contexto).

É absurdo. Eles são tão descarados que nem importa ajudar os outros. A mulher sofrendo, desesperada, recebe uma resposta que a deixa mais sem moral ainda, afundando-a mais no poço. Se não tem resposta fácil, então não tem como ajudar. A culpa é dos outros.

Este sistema macabro de manipulação encanta milhares de seres, já enfeitiçados no dia-a-dia com todas as outras coisas que se passam na TV e que acontecem ao seu redor. A sociedade em que vivemos é experta em maquilar os problemas, em ocultar a realidade. Vivemos num mundo onde cada vez mais pessoas estão sendo convertidas em fantoches, alheias ao que lhes sucede, incapazes de reagir contra as situações adversas. E agora, para uma maior alienação, embebidos de magia barata, de remédios falsos, caros, vazios. Porque o "anel da prosperidade" tem seu preço. E não é pouco. São roubadas as vidas, as esperanças das pessoas. E pior ainda, lhes é roubada a oportunidade de conhecer o Deus real, que as ama e sustenta no meio da mais cruel dor.

E nós, cristãos, o que estamos fazendo? Nós que conhecemos mais da Palavra, que vivemos, muitas vezes, num contexto de ritualismo sem sentido, devemos deixar o feitiço! Devemos abrir os olhos, e ver as pessoas que estão sendo presas por este sistema falso e opressor! Não devemos deixar que a alienação tome conta também de nós, fazendo-nos seres apáticos, sem forças nem vontade de nos opor ao sistema dominante. Se as pessoas estão sendo enganadas pelos truques mágicos que aparecem a todo momento na Tv (como passar o palitó em cima de uma fila de "endemoninhados" e outras besteiras do tipo) é também pelo nosso letargo. Se nós sabemos, devemos ensinar. O único caminho para que as pessoas deixem de ser ignorantes é que elas aprendam! E se nós não lhes ensinamos, quem o fará? Os magos-pastores da TV? A sociedade fetichista?

6 de outubro de 2009

A Colômbia que ninguém conhece

Como colombiana que mora em outro pais (e tenho morado em dois até o momento) tenho ouvido falar muito do meu pais. Não no jornal, é claro. Não sobre como é belo, ou sobre o que está acontecendo atualmente nele. Alias, ninguém fala da minha Colômbia. Falam de clichés, zoam sobre o sofrimento dos colombianos, riem às nossas custas. Alguns nem sabem onde a Colômbia fica (já me perguntaram se fica perto do Marrocos). Outros nem sabem quem é o presidente, ou qual e a capital do pais. Geralmente falam da Colômbia como uma grande plantação de maconha, de coca e sei lá o que mais. Falam dos colombianos como se todos fossemos membros da guerrilha, ou gostássemos muito das FARC. Acham que vivemos drogados, ou traficando drogas. E ninguém sabe. Ninguém nunca foi pelo menos para dizer que sabe como são as coisas. Ninguém viveu nunca na pele a dor que os colombianos carregamos no coração.
Dor pela pátria. Dor pelos compatriotas que não podem morar tranquilos em suas terras, que têm que abandonar tudo porque a guerrilha ou os paramilitares os obrigaram. Dor pelas famílias massacradas, pelos filhos sem pais, pela violência que tinge de vermelho a nossa terra preta, tão fértil e bela.

É muito fácil debochar quando não se conhece de perto a situação real. É fácil falar mal, e fácil rir e simplificar tudo a uma plantação de drogas. Mas quando se viveu uma grande parte da vida num pais que foi o berço, quando depois de muito tempo fora, com a saudade enorme que mora na alma, crescendo a cada dia, se ouve ainda falar besteira da própria nação, cresce a ira. Cresce a vontade de mandar todo mundo calar a boca. Quem dera eles fossem, conhecessem de verdade o pais que tanto denigram, olhassem de perto a beleza e a realidade da Colômbia.

Colômbia é um pais de lutadores. Além da desigualdade típica de um pais latino americano, se convive com a violência desde cedo. No jornal, na televisão. Mas não é só isso que existe em Colômbia. Em nós prevalece sempre a esperança. Esperança de que um dia a terra descanse. Que um dia o sangue deixe de ser espalhado. Que um dia a justiça chegue, as mágoas sarem, a vida prevaleça e a paz reine.

Colômbia e um pais belo. Bogotá é uma cidade que cada dia mais melhora, cresce, se desenvolve. A cidade mundial do Livro. O campo é fértil, as diferenças climáticas permitem o cultivo dos mais variados tipos de verduras, frutas, legumes. Viajando três horas desde Bogotá se passa do frio da cidade ao calor do interior, descendo a montanha. A paisagem muda, o gado é diferente, as vaquinhas brancas com preto dão lugar aos imponentes cebú. E o mar. E as ilhas: As ilhas do Rosario, a bela San Andrés. Com um mar perfeitamente azul, areia completamente branca. E peixes. Corais enormes, caranguejos. Providência e Santa Catalina com sua Ponte flutuante, colorida como a alma dos moradores do lugar. Como a alma dos colombianos.

Em Colômbia já vi terra preta, e já vi terra vermelha como o sangue. Já conheci a terra do café, Quindío, e visitei a planície. Já passei aventuras inacreditáveis, andei de cavalo, nadei no rio. Em Bogotá fui no Museu das Crianças (que até hoje não vi igual em nenhuma outra parte), conheci Maloka (outro museu único e divertido). Visitei a cidade velha (La Candelaria), com suas ruas estreitas e suas casas coloniais, cheias de histórias de fantasmas. Cheias de história pátria. Estudei de frente para o parque de atracções mecânicas. Fui nas livrarias. Quase passei tardes inteiras na biblioteca. Em Colômbia a cultura é importante. Dai saiu Fernando Botero, nela nasceu o grande Gabriel García Márquez. Foi em Colômbia onde se inventou a cumbia, onde nasceu o vallenato. E surgiu Rafael Escalona. E Alejandro Durán. Nela também nasceu Shakira (se bem que não gosto particularmente dela), e se formou Juanes.

A minha pátria tem problemas, como todos os outros. A violência mancha o que temos de belo, esconde o que temos de bom. E o mundo não vê o que realmente importa. Nestes anos todos morando fora do meu pais, só tenho ouvido falar dele no jornal em casos de violência, de tráfico de drogas. Mas ninguém fala das coisas boas que se fazem na Colômbia. Ninguém fala do Dia sem Carro, do Dia das Bicicletas. Ninguém fala do Natal iluminado de Bogotá, das bibliotecas que se construem, do Transmilênio. Ninguém sabe das águas termais que ficam perto da cidade, das cachoeiras, dos parques, represas e reservas naturais. Não se conhece a alegria dos colombianos, a sua vontade de sair adiante, de melhorar. O seu respeito por quem nos visita (diferentemente a... deixo para vocês refletir), a sua vontade de agradar. Sequer se fala dos que sofrem, dos camponeses que ficaram sem lar, dos sequestrados que há mais de dez anos estão longe de suas famílias, penando pela maldade de um grupo armado. Como se só Ingrid Betancourt tivesse sido sequestrada.

A Colômbia é mais que drogas. Muito mais do que violência, guerrilha e narcotráfico. Alias, a guerrilha e os narcotraficantes não representam a Colômbia. Eles não têm nada a ver com quem sofre. (Bem, alguns militam forçados, outros não têm muitas opções. Eles são vítimas, mas viram vitimários). Colômbia não é representada pelas quatro letras das FARC, nem pela droga que e consumida em tantos outros países. Os mesmos países que debocham de nós (haja ironia nesta vida). Somos mais do que um cliché. Somos mais do que uma piada.

E quem ri, não sabe. Quem faz piada ignora. E como se diz na Colômbia, a ignorância e atrevida. Que vergonha. É vergonhoso falar do que não se sabe, nesses casos geralmente só se falam abobrinhas. Que a Colômbia que ninguém conhece possa, algum dia, descansar em paz. E que quem aponta o dedo contra ela, contra nós, veja a si mesmo, e cale.

9 de junho de 2009

Igualdade? Liberdade?

Agora não estou para textos longos. Só queria refletir um pouco sobre a nossa louca sociedade, que se diz livre, se diz democrática, se diz humana. Esta sociedade que se baseia no Direito Universal de que "todos os seres humanos são iguais, tendo os mesmos direitos e deveres..."
Mas será que essa igualdade toda, essa liberdade toda, existem de verdade? Será que a pessoa que caminha na rua, ao ver uma criança jogada em um canto, meio vestida e faminta, se sente de verdade igual a ela? Será que os seus filhos são, para ela, iguais em tudo àquela criança suja?
Duvido muito. O princípio de igualdade, tal como o temos hoje na nossa sociedade, é uma utopia, um disfarce para todas as injustiças descaradas que se cometem por ai. As pessoas não são avaliadas nem tratadas em base ao princípio da igualdade. Elas são julgadas, tratadas, avaliadas, com base na sua posição no mundo, as suas possessões, seu nome. Uma pessoa da rua só é considerada igual por aqueles que estão na sua mesma condição. A igualdade só existe em cada estrato da sociedade. Eu sou igual a quem é da minha mesma condição.
Porém, a sociedade proclama a igualdade universal do ser humano. E nós, seguimos assim, acreditando, fingindo que a sociedade vive o que proclama. A igreja (ela não pode faltar na reflexão, afinal ela se acha diferente da sociedade...) vive no mesmo sonho, a bela utopia da igualdade humana perante Deus. Contudo, a igreja faz distinção entre "justos" e "pecadores", entre santos e perdidos. E a sociedade não sente o agir da igreja.
Jesus veio com a proposta de amar ao próximo como a você mesmo. Outra utopia. Como meu professor falou, se eu amasse ao meu próximo como a mim mesma, não o deixaria passando fome em baixo da ponte. Mas como próximo é aquele que está no meu mesmo estrato social...
Quando deixaremos a hipocrisia? Quando encaremos a sociedade como o que é, totalmente injusta, totalmente desigual, quando não deixemos mais que os outros pensem por nós, e vejamos com nossos olhos a realidade do mundo, talvez haja uma esperança de passar a agir. Claro, é mais cômodo ficar sentado, reclamando do governo e das injustiças (quando elas são cometidas contra nós), olhando as pessoas sofrer sem sequer mexer o mindinho. É mais fácil se escudar em Deus como o ser que nos levará ao céu. É melhor pensar que Jesus veio ao mundo só por nós. Quem não é igual a mim nem sequer ocupa um lugar nos meus pensamentos...
E falando de liberdade, esta sociedade não é livre. As pessoas não são livres. Desde crianças, são treinadas para não opor resistência ao sistema opressor sob o qual aprendem a viver, cômodas e inativas. Desde sempre há o controle do pensamento. Os meios de comunicação, e isto não é novidade, são escolas de conformismo, ilusões vendidas ao povo nas novelas, nos comerciais que insistem em que comprar certa coisa, se inscrever em tal outra é o caminho da felicidade. E a igreja, em lugar de ser um ente libertador nesta sociedade louca, é mais um ente opressor, alienante, que impede às pessoas de pensar, as coloca sob o medo eterno do juízo de Deus, do juízo do "irmão, da exclusão (pelo menos nas igrejas batistas o membro pode ser excluído se cometer algum "pecado mortal", geralmente engravidar [enquanto isso muitos hipócritas, mentirosos e caluniadores assistem tranqüilamente os cultos...]).
Onde estão as igrejas filhas de Deus, proclamadoras da mensagem de igualdade e liberdade de Jesus Cristo? Estão ocultas em baixo de tantas doutrinas, de tantos ritos vazios, de tantas liturgias estáticas... Onde está o povo de Deus que quer mudar esta sociedade? Está reclamando as bençãos de Deus, o qual tem a OBRIGAÇÃO de fazer milagres e encher de dinheiro a todas as pessoas que peçam, e que assistam aos cultos de certas igrejas... Onde estamos, como cristãos, e sobretudo como seres humanos, neste mundo utópico de falsa igualdade, falsa liberdade, falsa humanidade?

28 de maio de 2009

Boneco Jesus

Jesus está de moda. O Evangelho, cristianismo, Deus, tudo isso está de moda. Ser crente virou algo muito popular.
Mas, que Jesus é esse que está sendo tão apregoado por ai?

Sinceramente, não sei. O Jesus que eu vejo ser pregado nas "igrejas" da televisão, nos programas "evangelísticos" como "Show da Fé" e tantos outros, não tem nada a ver com o humilde filho de carpinteiro que veio um dia mudar a história da humanidade.

Ontem estava, em um raro momento de descanso em estes dias de final de semestre, passando os canais da televisão. Não tinha muita coisa interessante, ai parei um pouco para ver o "programa cristão" do momento. Só que eu não vi nada de Cristo nesse programa, e nem vejo em nenhum outro desses programas que, pessoalmente, considero lixo. Vi só um monte de emocionalismo, muitas lágrimas (vai ver se eram verdadeiras), muitos erros bíblicos, e muita auto-exaltação por parte do "pregador". O nome de Jesus era usado como fetiche, como fórmula mágica para investir de poder a pessoa que estava falando.

Uma mulher deu um testemunho (ai que coisa linda!) dizendo que seus problemas financeiros tinham sido ressolvidos porque ela passou a fatura ou sei lá que papel PELAS COSTAS DO PREGADOR. Ou seja, quem fez o milagre nem foi Jesus.

Cada dia que passa vejo mais a banalização do nome de Jesus. Ele está deixando de ser o Senhor, o digno de respeito e reverência, para virar o boneco de pessoas que usam seu nome para ganhar dinheiro. Não sei se eles estão sendo sinceros no seu "ministério". Eu acho que alguns deles (senão todos) sabem o que estão fazendo. A manipulação do sagrado não ocorre de forma inconsciente. Eles sabem que o negócio é ganhar dinheiro. A espiritualidade das pessoas só é um meio para chegar a este fim.

O pior é que o que está sendo pregado não chega nem perto da mensagem escrita na Bíblia. Agora tudo o que se fala é milagres, bênçãos, curas. As pessoas estão sendo iludidas de que sua vida vai ser perfeita, com casa, carro e bolsa de estudos (segundo ditado popular colombiano...), se aceitarem "seguir a Jesus". E claro, comprar a água abençoada, a moeda da prosperidade, o sal da pureza e o óleo da unção. E pagar fielmente os dízimos, crer cegamente em tudo o que seu "bispo", "apóstolo" (ou semi-deus) dizer, deixar que se lhes imponham as mãos, subir ao monte dos 70 santos.

Em meio de tudo isso, o nome de Jesus é usado como marionete. A Bíblia é usada para sustentar o que os pregadores falam, sem importar se o texto está sendo lido fora do contexto, deturpadamente ou sem saber o verdadeiro sentido. Afinal, os "fiéis" não vão questionar o que está sendo dito. Ontem, em outro dos programas em questão (a programação estava de verdade ruim em todos os canais!), o pastor "Da um chute na cabeça do diabo" (e não to brincando não, esse é o nome que colocaram mesmo! disse que era o momento dos comerciais "no nome de Deus", "vamos ao momento comercial para a glória de Deus"!!!!! Como assim? É que a venta de celulares ou outros produtos é algo para glorificar a Deus? Eu acho que o "pastor" estava se referindo ao próprio bolso...

O pior de tudo isto é que as pessoas não percebem que estão sendo manipuladas. A coisa é sutil (nem tanto, mas as pessoas acham tudo tão lindoooo...) e elas vão com a esperança de que suas mágoas, sofrimento e dor sejam tiradas delas. A manipulação do sagrado é um assunto sério, se está brincando com o nome de Deus, com a vida das pessoas, com a esperança delas. Se cria um mundo onde Deus está ao serviço do pregador, o qual só com fazer uso do seu nome, pode realizar todo tipo de "milagres". Deus deixa de ser Deus. Jesus é só um nome que dá grana. E as pessoas choram, gritam aleluias, cantam e dançam, fazem filas longas para ser alcançadas com a "unção" do bispo, para que seus problemas sejam solucionados.

Este sistema é nojento. Revolta o estómago ver tantas pessoas nessas pseudo-igrejas, nesses lugares de lucro às custas dos ignorantes. Ignorantes no sentido que eles não sabem. Raramente conhecem a Bíblia. Para eles tudo o que ouvem provêm do céu, as palavras do "pastor", "apóstolo" ou o que seja são palavra de Deus, e comunicam a sua vontade. Só que no meio disso há muito interesse. A metade do que se prega tem um objetivo específico, que é criar ilusão nas pessoas, induzí-las a um determinado comportamento. A fé é vendida como requisito para aceder às bênçãos. Claro, fé no bispo, fé no óleo sagrado, fé no copo da bênção.

As pessoas têm que aprender a questionar. A vida perfeita que estes pseudo-pastores oferecem não existe. Quando os problemas voltar a aparecer, estas pessoas não vão ficar revoltadas com os falsos pregadores que as enganaram. Elas vão ficar revoltadas com Deus. E ai toda a espiritualidade, toda a fé vão deixar de existir. Este "cristianismo" doentio está fazendo com que Jesus, o Senhor, deixe de ser levado a sério.

Até quando as pessoas vão seguir acreditando nas palavras vazias que os pregadores sem vergonha lhes falam? Até quando vão deixar que os cínicos se aproveitem de suas tristezas e preocupações para se enriquecer? Até quando vamos permitir que se pregue um "evangelho" deturpado, e até quando vamos deixar que Jesus seja só um boneco?

13 de fevereiro de 2009

Durmindo a Vida

Muitas pessoas vivem a sua vida como se estivessem durmindo. Elas acordam, seguem sua rotina de sempre, voltam a dormir. As suas vidas passam sem que elas mesmas percebam, e se um dia acordam do seu sono, é só para olhar para trás e ver que a vida passou e elas não a desfrutaram.

As vezes nos deixamos levar pela agitação do mundo, a sociedade que nos impele a desempenhar o nosso papel, as obrigações que se acumulam na nossa frente. O sono que nos invade.

E no entretanto a vida passa, muito mais rápido do que sonhamos.

Tantas vezes é o futuro que nos adormece, pois ficamos perseguindo-o, ficamos sonhando no dia em que as coisas vão ser desse jeito ou daquel outro. Quando o mundo seja melhor. Quando a situação econômica melhore. Quando a sociedade seja muito mais respetuosa, tolerante e amável. E enquanto esperamos ficamos durmindo, não participando ativamente deste mundo de modo a fazer com que nossas esperanças do futuro aconteçam.
Quando iremos acordar? Será que alguém algum dia vai nos acordar e mostrar que estamos neste mundo para viver, e não para dormir? Temos muitas coisas ainda por fazer, muitas situações por mudar, o mundo está cada vez pior pela nossa inatividade. Devemos sair do nosso sono.

O futuro não deve ser só uma esperança inalcançável, ele deve se tornar a nossa meta. As coisas não se fazem sozinhas. A vida não se limita à nossa rotina, não são só as nossas obrigações que devem preencher cada minuto de nossa vida. Temos que parar de correr, correr durmindo, sem perceber as coisas que estão ao nosso redor, o sair e o pôr-do-sol, a natureza fantástica, todas as coisas maravilhosas que foram inventadas porque se precisava delas, e às quais estamos tão acostumados que esquecemos que teve uma época na qual elas eram só um sonho, uma esperança do futuro. Assim como esses inventores, que se levantaram e fizeram o futuro acontecer, assim devemos ser nós.

O mais importante de todo é que estamos vivos para desfrutar a nossa vida (Eclesiastes 5, 18). Devemos aproveitar cada momento aqui na Terra, cada dia com seu próprio mal, mas também com seu próprio bem. Um meu professor disse que Jesus veio, Jesus morreu tentando mudar as coisas aqui no mundo. Ele queria uma mudança na sua sociedade, e por isso os líderes políticos e religiosos ficaram irritados. Ele não se limitou a oferecer felicidade futura, ele morreu tentando mostrar às pessoas como buscar felicidade presente. Ele não durmiu a sua vida. Ele a aproveitou fazendo o que foi encarregado de fazer.

E nós, se estamos durmindo ainda, devemos acordar logo, antes de que seja tarde, antes de que abramos nossos olhos e vejamos que já estamos cansados, sem forças, sem mais vida pela frente. O mundo está ai, para quando decidamos agir. Só que não vai estar ai para sempre. Devemos nos apressar, devemos viver!