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19 de outubro de 2009

Mundo tóxico

O planeta está se derretendo. É um fato. No jornal falaram que é muito provável que para o verão do ano 2020 0 Polo Norte deixará de existir, pois terá se derretido completamente. E os muitos seres que têm esta região como seu lar, em consequencia, se extinguirão.
O que vamos fazer?

O planeta está, lastimavelmente, em nossas mãos. Os ursos polares não podem deixar de emitir gases tóxicos, não podem fazer campanhas de reciclagem. A responsabilidade é nossa.

Um pouco mais perto de nós temos o Amazonas. Faz parte do Brasil, os brasileiros se orgulham de ter este território, tão importante para o mundo. Porém, o que se está fazendo com ele? Estamos desmatando tudo. Pode ser que eu não esteja lá com uma serra elétrica cortando a árvore, mas também não estou fazendo nada para impedir que algum outro o faça. Temos muitas riquezas naturais, mas não as cuidamos. Em nome de um duvidoso progresso deixamos que todas as coisas maravilhosas da natureza sejam destruídas. E quando não tivermos mais o Amazonas? Quando todas as espécies de animais que nele moram se tenham extinguido, então, o que faremos?

Nós somos egoístas. Cuidamos de nossa casa, limpamos, arrumamos o nosso ambiente. Esquecemos que a nossa casa não é só o edifício feito de cimento e tijolos. Nossa casa é a terra. A rua onde moramos. O parque onde jogamos lixo "porque aqui se pode". É muito desagradável ver gente jogar lixo pela janela do carro ou do ônibus. Mas como "não é minha casa". E assim pensam também os nojentos que fazem aliviam suas bexigas nas pontes, nas árvores, nos túneis em baixo da linha do trem (isso eu sei, eu passo neles todo domingo, haja fedor!), em qualquer canto da cidade. Claro, depois vão embora e quem aguenta o fedor são os outros...

Os governos também são egoístas. Expõem suas próprias populações a riscos ambientais, se isto significa estar de mãos dadas com as grandes companhias cheias de dinheiro. Eu vi uma reportagem na MTV (e há quem fala que esse canal é do diabo...) falando de um bairro em Nova Iorque, que tem no meio uma usina nuclear. O rio que passa por esse bairro está cheio de petróleo, que foi vazando aos poucos durante muito tempo, vindo de uma companhia do lugar... que até hoje não recolheu o petróleo, o qual está contaminando o rio, está entrando por baixo das casas, está matando tudo o que existe nessa água que vai dar no mar. O governo não faz nada para obrigar a tal companhia a limpar as águas. O importante é ter dinheiro. Se minha memória fosse mais detalhada, poderia dizer o nome da companhia e do bairro, mas lastimosamente não escrevi na hora... e minha memória é muito ruim! Mas o nome da companhia é algo como Exxon, e vocês podem muito bem ver o programa, todas as quintas as 23,30. Se chama Toxic.

Passando a outra coisa, contaminação não é só aquela que faz derreter o Polo Norte. Também o barulho é contaminação. E barulho temos aos montes nas nossas cidades "desenvolvidas". Motoqueiros que passam buzinando, lojas com altofalantes enormes, carros que passam com o rádio no último volume. Geralmente ouvindo funk. Isto é, eu não posso obrigar aos outros a ouvir o que eu estou ouvindo no meu carro! É desrespeito pelos próprios ouvidos mas sobretudo pelos dos outros. Falta de educação... ela faz muita falta em nossa sociedade.

Contaminação é culpa de todos. Se o planeta está derretendo é culpa nossa. Nós não fazemos nada, e nem protestamos contra quem tem poder e não faz nada. Ai estão os Estados Unidos, o pais mais contaminador do planeta, felizes da vida se negando a fazer qualquer coisa para deixar de contaminar tanto. Claro, isso não produz dinheiro... mas as consequencias somos todos que as pagamos.

Vamos a acordar algum dia? Ou será que vamos esperar a que os nossos filhos nadem num mundo sujo, inundado pelo que antes era a casa dos ursos polares e outros seres? Vamos esperar que eles herdem um planeta sem remédio? Ainda há tempo...

P.S: Foi uma briga para escrever este texto, o blog não queria abrir...


6 de outubro de 2009

A Colômbia que ninguém conhece

Como colombiana que mora em outro pais (e tenho morado em dois até o momento) tenho ouvido falar muito do meu pais. Não no jornal, é claro. Não sobre como é belo, ou sobre o que está acontecendo atualmente nele. Alias, ninguém fala da minha Colômbia. Falam de clichés, zoam sobre o sofrimento dos colombianos, riem às nossas custas. Alguns nem sabem onde a Colômbia fica (já me perguntaram se fica perto do Marrocos). Outros nem sabem quem é o presidente, ou qual e a capital do pais. Geralmente falam da Colômbia como uma grande plantação de maconha, de coca e sei lá o que mais. Falam dos colombianos como se todos fossemos membros da guerrilha, ou gostássemos muito das FARC. Acham que vivemos drogados, ou traficando drogas. E ninguém sabe. Ninguém nunca foi pelo menos para dizer que sabe como são as coisas. Ninguém viveu nunca na pele a dor que os colombianos carregamos no coração.
Dor pela pátria. Dor pelos compatriotas que não podem morar tranquilos em suas terras, que têm que abandonar tudo porque a guerrilha ou os paramilitares os obrigaram. Dor pelas famílias massacradas, pelos filhos sem pais, pela violência que tinge de vermelho a nossa terra preta, tão fértil e bela.

É muito fácil debochar quando não se conhece de perto a situação real. É fácil falar mal, e fácil rir e simplificar tudo a uma plantação de drogas. Mas quando se viveu uma grande parte da vida num pais que foi o berço, quando depois de muito tempo fora, com a saudade enorme que mora na alma, crescendo a cada dia, se ouve ainda falar besteira da própria nação, cresce a ira. Cresce a vontade de mandar todo mundo calar a boca. Quem dera eles fossem, conhecessem de verdade o pais que tanto denigram, olhassem de perto a beleza e a realidade da Colômbia.

Colômbia é um pais de lutadores. Além da desigualdade típica de um pais latino americano, se convive com a violência desde cedo. No jornal, na televisão. Mas não é só isso que existe em Colômbia. Em nós prevalece sempre a esperança. Esperança de que um dia a terra descanse. Que um dia o sangue deixe de ser espalhado. Que um dia a justiça chegue, as mágoas sarem, a vida prevaleça e a paz reine.

Colômbia e um pais belo. Bogotá é uma cidade que cada dia mais melhora, cresce, se desenvolve. A cidade mundial do Livro. O campo é fértil, as diferenças climáticas permitem o cultivo dos mais variados tipos de verduras, frutas, legumes. Viajando três horas desde Bogotá se passa do frio da cidade ao calor do interior, descendo a montanha. A paisagem muda, o gado é diferente, as vaquinhas brancas com preto dão lugar aos imponentes cebú. E o mar. E as ilhas: As ilhas do Rosario, a bela San Andrés. Com um mar perfeitamente azul, areia completamente branca. E peixes. Corais enormes, caranguejos. Providência e Santa Catalina com sua Ponte flutuante, colorida como a alma dos moradores do lugar. Como a alma dos colombianos.

Em Colômbia já vi terra preta, e já vi terra vermelha como o sangue. Já conheci a terra do café, Quindío, e visitei a planície. Já passei aventuras inacreditáveis, andei de cavalo, nadei no rio. Em Bogotá fui no Museu das Crianças (que até hoje não vi igual em nenhuma outra parte), conheci Maloka (outro museu único e divertido). Visitei a cidade velha (La Candelaria), com suas ruas estreitas e suas casas coloniais, cheias de histórias de fantasmas. Cheias de história pátria. Estudei de frente para o parque de atracções mecânicas. Fui nas livrarias. Quase passei tardes inteiras na biblioteca. Em Colômbia a cultura é importante. Dai saiu Fernando Botero, nela nasceu o grande Gabriel García Márquez. Foi em Colômbia onde se inventou a cumbia, onde nasceu o vallenato. E surgiu Rafael Escalona. E Alejandro Durán. Nela também nasceu Shakira (se bem que não gosto particularmente dela), e se formou Juanes.

A minha pátria tem problemas, como todos os outros. A violência mancha o que temos de belo, esconde o que temos de bom. E o mundo não vê o que realmente importa. Nestes anos todos morando fora do meu pais, só tenho ouvido falar dele no jornal em casos de violência, de tráfico de drogas. Mas ninguém fala das coisas boas que se fazem na Colômbia. Ninguém fala do Dia sem Carro, do Dia das Bicicletas. Ninguém fala do Natal iluminado de Bogotá, das bibliotecas que se construem, do Transmilênio. Ninguém sabe das águas termais que ficam perto da cidade, das cachoeiras, dos parques, represas e reservas naturais. Não se conhece a alegria dos colombianos, a sua vontade de sair adiante, de melhorar. O seu respeito por quem nos visita (diferentemente a... deixo para vocês refletir), a sua vontade de agradar. Sequer se fala dos que sofrem, dos camponeses que ficaram sem lar, dos sequestrados que há mais de dez anos estão longe de suas famílias, penando pela maldade de um grupo armado. Como se só Ingrid Betancourt tivesse sido sequestrada.

A Colômbia é mais que drogas. Muito mais do que violência, guerrilha e narcotráfico. Alias, a guerrilha e os narcotraficantes não representam a Colômbia. Eles não têm nada a ver com quem sofre. (Bem, alguns militam forçados, outros não têm muitas opções. Eles são vítimas, mas viram vitimários). Colômbia não é representada pelas quatro letras das FARC, nem pela droga que e consumida em tantos outros países. Os mesmos países que debocham de nós (haja ironia nesta vida). Somos mais do que um cliché. Somos mais do que uma piada.

E quem ri, não sabe. Quem faz piada ignora. E como se diz na Colômbia, a ignorância e atrevida. Que vergonha. É vergonhoso falar do que não se sabe, nesses casos geralmente só se falam abobrinhas. Que a Colômbia que ninguém conhece possa, algum dia, descansar em paz. E que quem aponta o dedo contra ela, contra nós, veja a si mesmo, e cale.