Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens

31 de janeiro de 2012

Sobre el Respeto al Gusto Ajeno y la Tortura Taurina

Hoy leí en el periódico que el alcalde de Bogotá decidió que no va a patrocinar las corridas de toros en la ciudad, ni participará del evento, ni siquiera por medio de un representante. Es una buena notícia. Algo por lo que alegrarse en medio de tantas notícias de corrupción y problemas en la ciudad. Al final del reportaje, dieron la palabra a algunos taurófilos, que defendieron las corridas de toros como un arte que hace parte de la cultura desde hace siglos, que representa "lo que somos", y también como el derecho que ellos tienen de divertirse a su gusto.
Una cosa que siempre me incomoda es la palabra "tradición". Cuando argumentan que determinada cosa debe continuar porque hace parte de la tradición, viene desde hace tiempo, siempre fue así, etc, me da una urticária interna, me arde el estómago. Esos argumentos son tan conformistas, ¡tan de mentes pequeñas! Y sobretodo, no se sustentan. Que algo sea tradicional no significa que sea lo mejor. No significa que sea ético, que sea bueno. O si no, ¿por qué no seguimos con los costumbres antiguos? Desde hace miles de años la mujer siempre se quedaba en casa, sometida al marido. Era la costumbre, la tradición. Así como era tradición echar pólvora el 24 y quemar el Año Viejo el 31. Y la costumbre de meter al segundo hijo a padre, eso también era tradición, así como usar ruana y sombrero en Bogotá. ¿Por qué el mundo cambia? ¡Volvamos a seguir al pie de la letra la tradición! Me parece ridículo insistir que el toreo debe continuar porque existe desde 1700 y algo. Si así fuera, todavía viviríamos en la Edad Media. 
El mundo gira, las cosas cambian, las mentes se conscientizan. Y después de muchos errores, la humanidad entendió que los seres vivos merecen respeto, y que la crueldad gratuita no es algo digno de ser loado, y mucho menos patrocinado. Vi en un comentário al reportaje que el señor lector argumentaba que Petro tomó esa decisión porque es comunista, y que de aqui a poco va a prohibir las peleas de gallos, la bebedera y hasta los carnavales. Eso es algo dicho sin pensar. Primero, porque Petro es alcalde de Bogotá, no tiene como prohibir carnavales que se hacen en otros lugares como Barranquilla. Y por otra parte, la ley seca es una cosa, prohibir el alcohol es algo que nadie va a hacer, porque en el pasado trataron y no pudieron. Por último, si prohíbe las peleas de gallos, aplaudo de pie. Ojalá acaben con cualquier tipo de peleas, de toros, de gallos, de perros. Los animales no existen para la diversión humana, no son payasos ni mucho menos.
Y hablando de diversión, los taurófilos argumentan que como parte de su libertad, ellos tienen derecho de divertirse con la "fiesta brava". Que quienes no disfrutan las corridas no tienen el derecho de imponerles su opinión y acabar con su alegría. Todavía no entiendo qué tiene de alegre ver un pobre animal encorralado por un torero y los banderillas, sangrando, echando espuma por la boca, luchando literalmente por su vida. ¡Cómo se les ocurre decir que es arte, que es un 'ballet'! Ellos se divierten porque no son el toro que está en el ruedo. La única cosa que las corridas expresan es la capacidad humana de ser cruel e insensible. Muestra el peor lado del ser humano, el lado que se divierte a costas del sufrimiento ajeno, que necesita de sangre y dolor para encontrar placer. Quien alega que tiene derecho a divertirse, olvida que los toros también tienen derecho a vivir, a no ser torturados.
Los antitaurinos no son comunistas, y si algunos son, no es un crimen. Y no desean imponer su opinión. Simplemente son conscientes, sensibles, gente que ve con los ojos y siente en el corazón el dolor del animal en el ruedo, que se indigna con la tortura. Todavía no entiendo que hay de divertido en el toreo. ¿Quieren divertise? ¡Entren en la arena y hagan el papel de toros a ver si es tan rico!
Una cosa es respetar los derechos de los otros, sus gustos, mientras eso no hiera los derechos de terceros. En el caso de las corridas, los toros, que no son objetos, tienen sus derechos y su integridad lesionados, por lo cual cualquier pedido de respeto hecho por parte de sus maltratadores no tiene validez. Al fin y al cabo, la libertad y los gustos de cada un van hasta donde comienzan los derechos y gustos de los otros. Si los toros pudieran hablar... dudo mucho que dirian que les encantan las corridas...

19 de janeiro de 2012

Dúvidas...

Faz tempo que muitas perguntas se abrigam dentro da minha cabeça. E a medida que o tempo passa, as dúvidas se agravam, e não encontro respostas para meus interrogantes, e quando encontro alguma, não satisfaz  plenamente o que eu estou questionando, como se as pessoas ao meu redor não compreendessem nem um pouco o que se passa dentro de mim. Ouço coisas como "ler demais, conhecer demais é perigoso, você está muito racional", ou então "por isso é que você está como está, até você não aceitar sua 'missão' no mundo, o 'chamado'". Isso não me ajuda em nada, só me faz pensar mais, me perguntar mais, pois, por exemplo, dizem que Deus nos deu o livre alvedrio, mas se somos realmente livres, então porque, se tomamos determinada decisão, somos punidos? É uma liberdade condicional? Ou não há liberdade alguma? É Deus tão carrasco como o pintam?
E assim, as coisas estão cada vez mais confusas, e as perguntas aumentam, e as fronteiras do que deveria pensar, de como deveria agir, se apagam, e fico lutando contra o que me é imposto, e ao mesmo tempo contra o que eu mesma me arrisco a pensar.
O ser cristão para mim está cada vez mais nebuloso. Afinal, ser cristão é o que? Seguir um monte de regras faça-não-faça? Dizem que é acreditar em Jesus Cristo como salvador pessoal, mas depois dão um manual de instruções a seguir se queremos agradar a Deus. E temos de pensar de certa forma, agir de certa outra, deixar de fazer algumas coisas que de repente viram pecado, e acreditar que tudo o que ouvirmos é divino. Dizem que para ser cristão devemos ir à igreja obrigatoriamente, ouvir só determinado tipo de música, se vestir de acordo a certos padrões. O que mais me incomoda é ter que pensar de certa forma. Se eu penso diferente, sou herege, ou ateia, ou blasfema, ou sei lá o que. E eu simplesmente não consigo mais pensar da forma que se quer que pense, não consigo agir como se quer que aja, não consigo mais nem definir ao certo o que é que eu penso e acredito. 
É tudo muito confuso. E o pior é que fica no fundo aquela sensação de culpa, tipo "e se Deus ficar chateado comigo". E fico me perguntando se Deus manda ao inferno todos aqueles que pensam diferente. É só que estou cansada de sempre ouvir as mesmas coisas, ver as pessoas repetindo como autômatos coisas que nem mesmo entendem, coisas que alguém lhes disse, e que para eles virou lei. Não concordo mais com muitas coisas que vejo e ouço, não acho mais ago primordial ir à igreja, não consigo mais ir junto com os outros e aceitar passivamente tudo. Não é mais "divino" para mim. E assim, muitas coisas estão suspensas, e me angustio ao ficar flutuando nas dúvidas, ao ficar em cima do muro em muitas questões para as quais não tenho uma resposta definida, porque se me decido por uma resposta estarei entrando em contradição dentro de mim. Afinal, não é fácil sair de algo que sempre se aprendeu como certo, como única verdade possível. Não é fácil sair por ai descobrindo outros caminhos, conhecendo novas formas de pensar e de ver o mundo.
Estas semanas estava lendo o "Anticristo" de Nietzsche. Com muitas das coisas que ele fala não concordo, e bom, no final ele era um aristocrata chorando porque a ralé estava querendo sair da sua miséria e os "nobres" estavam sendo postos como iguais à "gentalha". Mas outras tantas das coisas que ele diz fazem sentido, até hoje se veem os sacerdotes, sejam protestantes ou católicos, querendo mandar na vida das pessoas, ainda hoje se usa o pretexto de "evangelizar" para mandar os outros para o inferno, ainda hoje ser cristão é uma exclusividade, só nós merecemos o céu, e vivemos pensando no tal céu, e deixamos de desfrutar a vida terrena, pensando sempre no paraíso que vamos habitar após a morte. 
É algo tão onírico, tão indefinido. E as pessoas suspiram por esse dia. Poxa, como é possível alguém querer morrer logo só pra ir no céu?
A minha pergunta principal é se algum dia vou conseguir pelo menos algumas respostas para tanta pergunta que ronda na minha cabeça. Espero que sim, porque a vezes penso que vou enlouquecer nessa incerteza. Eu preciso saber qual é meu rumo na vida! Por que as coisas têm que ser tão complicadas?

19 de dezembro de 2011

O Cândido de Voltaire, o Mundo e o Autor de Eclesiastes

Acabei de ler o livro "Cândido ou o Otimismo", de Voltaire. É um romance muito interessante, onde o filósofo narra as desventuras de Cândido, um rapaz que aprendeu desde criança que este é o melhor dos mundos possíveis, que tudo o que acontece sempre é bom, que tudo leva ao bem e todos estão maravilhosamente. Esta é a filosofia positivista de Leibniz, a qual Voltaire combate ao longo de todo o livro. Cândido passa por muitas desventuras, encontra seu antigo professor, o otimista Pangloss, perde sua amada, a encontra e a perde de novo, viaja para América, encontra o pais de Eldorado, único lugar da terra onde todos são efetivamente iguais e felizes, um paraíso perdido, no qual, contudo, Cândido e seu servo Cacambo não ficam por muito tempo, um querendo encontrar sua amada e o outro desejando voltar à sua terra, a Europa. Eles partem cheios de riquezas, que contudo perdem depois de muito caminho, Cândido é roubado por um holandês, por muitos franceses e por mercadores. Depois encontra um filósofo para o qual tudo no mundo é ruim, chamado Martinho. Ele é o oposto de Pangloss, que tinha sido enforcado mas que depois Cândido vai achar de escravo numa galera, remando. Depois de idas e vindas, Cândido reencontra sua amada, agora muito feia, e casa com ela por teimosia, perde o resto da sua fortuna e termina com uma granja em Constantinopla, vivendo com uma mulher amargurada, um servo que reclama da existência e um Pangloss que não admite que este não é o melhor dos mundos. Ele, Cândido, Martinho e Cacambo discutem esse assunto ao longo do livro, ora afirmando, ora confrontando essa afirmação ao que encontram no caminho: pessoas que sofrem, miseráveis, tristes, países em guerra, injustiças e opressão. No fim, Cândido, depois de conhecer um homem que simplesmente é feliz com o que tem, em lugar de procurar uma felicidade idealista, conclui que o que ele tem a fazer é "cultivar o seu jardim". Assim, ele chega a um equilíbrio entre o otimismo de Pangloss e o pessimismo de Martinho. O mundo não é nem o melhor dos mundos possível, nem a pior das porcarias. O mundo é algo a ser aproveitado. Tem suas coisas boas, e tem suas coisas ruins, e o melhor a fazer é desfrutar o que se tem, e ser produtivos, já que o homem não nasceu para o ócio. 
Este livro, mesmo sendo escrito há muito tempo, ainda é muito atual. Hoje em dia, mesmo que todos saibam que há tristezas no mundo, que há muitas injustiças, que há opressão, desigualdade, racismo, preconceito, escravidão, violência, as pessoas muitas vezes pretendem fingir que não há nada disso. O mundo consumista de hoje faz as pessoas cegas, preocupadas com seus próprios umbigos, interessadas unicamente em adquirir mais e mais coisas para seu próprio prazer, buscando a sua felicidade sem se importar com os outros. Cândido, na sua caminhada pelo mundo, se surpreende com todas as desgraças que acontecem aos homens, e, querendo encontrar alguém feliz com sua condição, não o encontra, nem mesmo quando esse alguém é rico, pois é tão rico que fica aborrecido com sua própria riqueza, e não acha mais prazer em nada. Hoje há muitas pessoas assim, que têm tudo e não têm nada, que, mesmo sendo ricos, não são felizes.
Não posso deixar de ligar o pensamento de Voltaire ao do autor do Eclesiastes. Tanto um como outro refutam um pensamento: Voltaire, aquele de que o mundo em que vivemos é o melhor possível, o autor de Eclesiastes, o pensamento, ou melhor, a teologia que diz que o justo se da bem e o mau se da mal. Eles não tem que fazer outra coisa que dar uma olhada ao seu redor: onde quer que eles vêem, há dor, tristeza, injustiça. E o pior é que poucas coisas mudaram desde os tempos bíblicos, e desde os tempos de Voltaire. Ainda há injustiça, maldade, opressão, desigualdade. O que acho mais interessante é que os dois autores chegam a uma conclusão semelhante: ante todas as tristezas do mundo, o que há de melhor a fazer é aproveitar o dia-a-dia. Cultivar o jardim, aproveitar o tempo, desfrutar das coisas do mundo: o pão, o vinho, a mulher ou o homem com quem se está. Não adianta querer inventar um mundo perfeito, pois o mundo não o é. 
No final do livro, Pangloss ainda teima que este é o melhor dos mundos e que todas as desgraças sofridas por Cândido foram boas. Ao que este responde: "Muito bem, mas é preciso cultivar nosso jardim". É uma frase que resume todo o pensamento de Voltaire, e que se coneta com o "bebe teu vinho, come teu pão e desfruta a vida com a mulher da tua juventude, pois esta é a tua parte na terra" (versículo parafraseado) de Eclesiastes. E que, ao meu ver, é o melhor que podemos fazer neste nosso mundo maluco. Não podemos nos enfiar numa cápsula de cristal e pretender ignorar as tristezas deste mundo. Mas também não podemos achar que não há nada neste mundo que valga a pena (como muitos cristãos fazem). Temos é que viver a nossa vida, dia após dia, com simplicidade, sem deixar-nos levar pelo consumismo do nosso tempo, fazendo bem o que podemos fazer.

15 de outubro de 2010

Aborto... coisa feia!

Estes dias o tema do aborto está sendo muito discutido, tendo em conta as posições políticas de Dilma e Serra ao respeito. Mas aqui não quero falar de política, ou de religião. O aborto simplesmente é, para mim, algo que não deveria acontecer. Há casos especiais, como o estupro e a malformação genética, ou quando a mãe corre risco de vida. Esses casos são mais delicados. Mas abortar simplesmente porque é a saída mais fácil para "resolver o probleminha" é uma atitude altamente egoísta.

Para mim o aborto é assassinato, ponto. Desde a sexta semana de gravidez o feto já tem um coração que bate, e é um ser completamente independente da mãe, que só está unido a ela pelo cordão umbilical e a placenta. Ele é outro ser. Se a mulher pode ser dona do seu corpo, não pode tomar a decisão de matar um outro ser, mesmo que esteja dentro dela. Como pode se falar que não se chegou a um acordo sobre quando a criança no ventre passa a ser pessoa? Que desculpa esfarrapada, para "legitimar" a solução fácil (fácil entre aspas, já que o aborto pode trazer muitas complicações para a mãe, que pode estragar seu útero e ficar estéril)! Sabendo que mesmo do tamanho de um feijão o bebezinho já tem coração próprio! É absurdo!

O que eu acho ridículo sobre toda a situação é que em pleno século XXI, onde se têm acesso a camisinhas (nos postos de saúde são de graça), pílulas anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte e tantos outros métodos anticoncepcionais, as pessoas não se cuidem de uma gravidez não desejada. Isto é, se não quer ter filhos, ou não faz sexo, ou faz sexo com precaução. E não é coisa de que seja difícil o acesso aos anticoncepcionais: o meu custa somente R$ 15,00. Não é o olho da cara tampouco. E as mulheres e seus parceiros devem fazer as coisas com a cabeça. É tão simples!

Claro, sempre há "arrebatos de paixão". Bom, se você errou, assuma seu erro! O problema do aborto é que se trata de uma vida que está surgindo. Não é como tirar a cera do ouvido porque atrapalha ouvir. É algo vivo! É compreensível o momento do desespero. Mas para mim a vida está acima de tudo.

As ações trazem consequências, se se faz sexo sem proteção a probabilidade de ficar grávida é alta. É simples. Porque as mulheres não se cuidam? Porque os homens não se cuidam, se não querem ter compromissos depois, filhos por quem responder? Ahhh, mas é mais fácil se livrar do problema depois, pensar depois de ter feito as coisas.

Se argumenta que não se tem condições, que não é o momento de ter filhos, que o pai da criança não quer assumir. Porque carambas não se pensou nisso antes do ato sexual? E depois a criancinha no ventre paga as consequências dos atos paternos!

O aborto para mim não é solução. É crime. E não há escusa válida. Se minha mãe tivesse se amparado nessas escusas (em 1987, solteira, com 19 anos, num pais conservador e católico como é a Colômbia) teria tranquilamente se desfeito de mim. Mas não o fez. Enfrentou minha avó, enfrentou a paróquia da qual fazia parte, enfrentou o escárnio do meu avó paterno, o sumiço temporâneo do meu pai, as propostas de sumir da cidade e de fazer aborto, de ser levada a uma casa de mães solteiras, a dor, a solidão. Sofreu muito, mas assumiu as consequências dos seus atos. Graças à sua coragem e a sua proteção é que eu estou neste mundo. Muitas crianças não têm essa proteção materna. É mais fácil se desfazer do problema.

Finalizando, minha própria vida é contra o aborto. Minha mãe não me abortou, e agradeço muito isso, essa oportunidade que tive de vir ao mundo. E minha mãe me ensinou isso, me mostrou o valor da vida, e o valor que se deve ter para enfrentar todas as situações, para assumir todos os erros, para sofrer todas as consequências. O aborto é uma saída fácil para o egoísmo, para não assumir os atos, para se "livrar dos problemas". E assim, a sociedade avança em seu egoísmo, em sua frivolidade. Eu faço as coisas, enfio a cabeça onde não devo, mas não quero saber nada das consequências dos meus atos. Simples assim. E milhares de bebés inocentes pagam pelo egoísmo e a desumanização (ainda não entendo como alguém tem a "coragem" de aceitar tirar de dentro de si uma vida tão pequena, tão indefesa, que não tem nem a possibilidade de se defender) dos seus pais, da sua cultura, da sua sociedade.

17 de setembro de 2010

Casar é tudo de bom!

Daqui a pouco vou fazer três meses de casada. Estão sendo os melhores meses da minha vida. Casamento é uma palavra que assusta muitos, deixa prevenidos outros, e uma ilusão não satisfeita para outros. Eu não entendo como tantas pessoas fogem do casamento como se fosse uma praga, quando é algo tão bom. É claro, se tem que pensar com cuidado antes de se casar, escolher com a cabeça, fazer tudo organizadamente. Porém, posso afirmar que casar é tudo de bom. Não somente a cerimônia, que para nós mulheres é o dia em que somos princesas, mas o estar casado, em si, é algo muito bom. Estar junto com o marido, desfrutar a companhia um do outro, se apoiar nas dificuldades, compartilhar todos os momentos da vida. Em um bom casamento até as dívidas não tiram a alegria de ficar juntos. E falo isto porque as dívidas estão presentes na minha vida, dívida disso, daquilo, pagar o aluguel, luz, água, todas as coisas que sempre se têm que pagar. Quando ia casar me falaram que o dinheiro era um problema no casamento, mas pelo menos até agora não tem sido não. A gente simplesmente fala e tenta resolver as dívidas, os problemas que surgem e que precisam de dinheiro, mas ninguém se desespera nem rompe coisas... e a gente cede, cede muito, cedo eu para não sair comprando quanto livro eu queria ter comprado, ele cede para não comprar aquelas coisas de música que ele gosta ou mesmo as coisas que ele precisa...

Casamento é mais do que um mar de rosas, é mais do que um pesadelo, é mais que uma responsabilidade. É saber que se conta com alguém, que se tem alguém esperando por mim quando vou para casa, alguém para cuidar, alguém para quem gosto de cozinhar, alguém com quem falo, rio, brigo, brinco, durmo, trabalho e que sei que sempre vai estar ai... alguém que faz parte da minha vida, alguém sem quem não me imagino viva... e vejo tantas coisas que se falam ao respeito do casamento, e vejo aquele seriado da globo, e penso como essa mulher é ridícula, brigando com o marido pelas coisas mais bobas, pelas expressões que usa ao falar, por não lavar um prato ou por dormir "do lado errado da cama". E penso que o que na verdade mata os casamentos é a intolerância, o egoísmo, o não deixar verdadeiramente de ser um para virar dois. Quando a pessoa não cede, quando pensa ainda como solteira, ai não há muita esperança. Casamento é coisa de dois. É uma luta a dois, onde os problemas são enfrentados mão na mão, um dando o ombro para o outro em caso das lágrimas rolarem pelo rosto, é uma comunhão, que vai além da sexualidade, além da rotina, além da aliança no dedo. Não compreendo aqueles que casam pensando que podem se divorciar. Não compreendo aqueles que casam pensando que tudo vai continuar como antes, sendo eles o centro das próprias vidas. Não compreendo aqueles que traem a confiança do seu companheiro, do seu esposo/a. Não entendo como uma pessoa jura fidelidade eterna, jura que vai aceitar ao outro com os seus defeitos e virtudes, na sua integridade, e depois anda reclamando que o outro é isso ou aquilo. Por isso é que casar é coisa que se deve fazer com calma, sabendo no que se está entrando, conhecendo a pessoa com quem se vai passar o resto da vida. Não é só pela aparência, só pela "paixão". Há muito mais em jogo.

Devo dizer, de novo, que casar é muito bom. Casaria de novo uma e mil vezes, claro, sempre com o meu Leo, não quero ninguém mais, não me vejo com ninguém mais. Muitas coisas ainda ei de enfrentar nesta vida de casada, muitos problemas, lutas, dificuldades, filhos, doenças, dívidas. Mas eu vou estar com o meu amor, meu companheiro, meu amigo, e sei que vou andar adiante, sei que vamos superar todas as coisas, porque estamos juntos. Porque estamos como queremos estar, e não há nada que possa nos tirar o desejo de estar juntos.

Já bastante provação é ter que ficar longe do meu marido quase que a semana toda, estudando no Rio enquanto ele trabalha em Lorena. Já é muito ruim não poder ficar juntos, saber que ele vai chegar em casa e vamos conversar, vamos brincar, vamos rir, e que vai me contar como foi seu dia. Já é muito ruim não poder ver seu rosto todos os dias ao acordar, sentir seu corpo junto ao meu quando vamos dormir. É muito ruim. É um tempo que quero que passe voando. Estou contando os dias, os minutos para me formar, para ir embora para minha casa, para os braços do meu amor. Ai que saudade. Estar sozinho estando casado é a pior coisa do mundo. Estar sozinho, em si, não é nada bom. Já não consigo, já não sou mais só eu. Eu preciso do meu amor, eu preciso do meu esposo.

É tão legal essa lógica do casamento, de deixar de ser um e virar dois... ao estar longe se sinte vazia uma parte do peito, falta metade do coração... eu acho que isso falta em muitos casamentos, essa sensação de serem dois. Para muitos casar é uma forma de legalizar o sexo, ou então para resolver algumas indiscrições, ou para se livrar de uma casa onde a vida é um inferno. Mas casamento não é isso. Casamento é um compromisso, uma entrega ao outro. Sem isso, o casamento não resiste os ataques deste mundo de relações rotas, onde se prega a individualidade e o egoísmo. Casamento, bem pensado, bem decidido, com certeza no fundo do coração, é tudo de bom. Que bom que estou casada. Que bênção!

15 de setembro de 2010

Tengo un dolor en el corazón...

Desde semana pasada recibí muy malas noticias: mi perrito fue golpeado. Él está en Colombia, donde lo dejamos por no poder pagar el pasaje para llevarlo con nosotros. Mi abuelita se encargó de él con mucho cariño, y nosotros lo llevamos en el corazón, y sufrimos mucho por tenerlo que dejar. Pero sabiamos de él, que estaba bien, le contabamos los cumpleaños (el 10 de julio) y bueno, le hacia compañia a mi abuelita. Y ahora, cuando está viejito, ya enfermito, mi abuelita lo lleva a pasear y un tipo sin corazón simplemente me lo deja tirado en la calle de la paliza que le dió. El pobre lloraba, no se podia levantar, cuando lo supe me dió el primer dolor. Pero ahora la pena es completa, porque mi perrito no tiene remédio: el viernes se me muere mi Danfer.
No tengo palabras para expresar toda la tristeza que tengo. Y encima de todo estoy lejos, no le voy a dar un último abrazo, no voy a ver de nuevo esos ojitos expresivos. Mi perro fue muy importante para mi y para mi família, pasamos por tantas cosas juntos, vivimos tantos paseos, tanto tiempo... yo sé que ya estaba viejito, pero todavia podia vivir unos años si no fuera por la golpiza que recibió. Y mi pobre abuelita solita, enfrentando el sufrimiento del perrito, viendolo que no come, viendolo postrado del dolor, y ella solita también, sin nadie que la ayude a llevarlo al veterinário, sin nadie para consolarla. Mi abuelita es muy valiente. Pero a ella también le está dando duro el dolor de mi perrito. Y eso aumenta la tristeza del corazón, porque no estoy allá con ella, no puedo hacer nada desde aqui, sólo llorar y ponerme triste, y mandarle unas palabras de consuelo, que parecen tan frias e impersonales recibidas en un e-mail.

Yo sé que la vida es un ciclo, y que tarde y temprano todos se mueren. Pero morir de esa forma es indignante, morir por culpa de otro ser, que no puede ser llamado "humano", es algo que da rabia. Mucha rabia. La impiedad, la crueldad del ser humano es algo que cada día me desespera más. Cada día me asonbra más. La capacidad que tienen algunos de salir por ahí creyendo ser los únicos dignos de respeto, misericordia e amor, los únicos que sienten dolor cuando los golpean, pero que pueden salir golpeando sin piedad a quien sea, hombres, animales, seres indefensos. Cómo algunos tienen la capacidad de decir "pero si es solo un animal". Y es que los animales no sienten? El ser humano es absurdo a veces.

Y el dolor está ahí, en lo más hondo del corazón, esperando el cumplimiento de la sentencia a muerte. Espero que mi Dios no haga sufrir por mucho más tiempo a mi perrito. Espero que mi abuelita descanse de esa angústia. Espero algún día poder volver a mi tierra... pero ya no voy más a encontrar mi perrito esperando, no lo voy a llevar más de paseo, no lo voy a ver al lado mio cuando estoy en casa. Danfer es uno de esos perros que marcan la vida, de esos que parecía que hablaba con los ojos, con su mirada mansa, a veces triste, siempre fiel. Halaba la correa con el gusto de salir a pasear, corría sin cansarse cuando le lanzábamos el palo, o la pelota, lo que fuera nunca duraba bajo su mordida fuerte. Y las veces en que se subía a la cama, y las veces en que escondía el hueso en el sofá. Y cómo jugaba con mi gato. Ellos se querían tanto que dormían juntos. Y mi Pachito que se me fue también, ellos eran tan amigos. Una vez le gustó tanto el paseo que no quería devolverse, y se tiraba del carro para volver al lugar de donde nos estábamos yendo. Y tuvimos que hacerlo correr, para que se quedara quieto, para poder volver a casa.

Es un perro elegante. Todos se admiraban de su belleza, su porte. Es tan bonito... ahora está sufriendo, con llagas en su cuerpo, heridas en su boca y cuerpo, ahora está tan mal... ay qué dolor en el corazón, qué impotencia, no puedo hacer nada aqui! Y mi abuelita debe sentir lo mismo pero peor, viéndolo así sin poder hacer nada. Esperar la visita del veterinário.

Nunca me olvidaré de mi Danfer. Hace parte de mi vida, es el perrito de la casa, hace parte de la família. Se me está muriendo un ser querido. Y para completar, otro ser querido está sufriendo mucho por eso. Ay abuelita. Ay mi Danfer. Ay, ay, qué dolor en el corazón.

18 de junho de 2010

Quem Sou Eu?

Desde ontem venho ouvindo essa pergunta. Primeiro na sala de aula, e não saiu mais da minha cabeça. Hoje meu outro professor a repetiu. Não é uma pergunta de resposta fácil, já que quem eu sou é para mim um mistério tão grande... mas vamos por partes.

As aulas deste semestre curiosamente têm estado muito relacionadas umas com as outras, os temas convergem e dialogam entre si, e todos levam às mesmas conclusões:

A salvação é coisa para ser vivida na Terra, isso de que ser salvo é ir ao céu é coisa do passado. Nesse sentido, as aulas de ética e teologia têm me servido muito, já que a ética é algo que muitos estão transgredindo, e mesmo dentro da igreja o valor da vida se perdeu, por aquilo de que o ser humano 'é totalmente ruim'. Se somos totalmente uma porcaria, a melhor perspectiva que temos é morrer e ir para o céu. A vida na terra é algo de passagem, por isso, se sofremos aqui, ou se nossos direitos são violados aqui, ou se somos oprimidos e manipulados por ideologias que favorecem aos poderosos, não há como reagir: o mundo é assim, é mau, e não temos perspectivas de mudança ou libertação. Porém, tenho aprendido que o homem não é mau totalmente, é um ser complexo cheio de ambiguidades. Eu poderia falar que sou isso, um ser complexo, mas nem isso responde à pergunta de quem sou eu, porque ela não me está perguntando como sou, mas quem sou.

Outra coisa que aprendi, e que deriva da primeira, é que o sistema atual do mundo é totalmente contrário à mensagem de Jesus, à mensagem da vida, à simples lógica que diz que a vida é importante. Não só a vida dos ricos, não só a vida dos seres humanos. A vida da Terra tem valor, cada pequenino ser humano, criança, mulher, homem, ave, insetos, árvores, tudo é valioso, tudo merece respeito e tudo precisa de atenção. Parece algo que todo mundo sabe, mas acho que de tanto ouvir falar a gente acaba esquecendo a essência do valor da vida. Todo mundo sabe que o planeta está sofrendo, que se não mudamos nossa atitude o aquecimento global acabará conosco. todos sabem, mas todos deixam pra lá. É mais importante o interesse monetário daquela indústria que arrasa com as florestas e contamina os rios, ou daquele grupo insurgente que tira as famílias de suas casas e as condena a uma existência de marginais para poder ter mais terras para cultivar drogas. E esquecemos, nós crentes em Jesus, que foi Deus quem fez o mundo, e nos baseamos na tradução errada do Gênesis para dizer que nós temos o controle sobre o mundo porque Deus mandou. Mas o original não diz para estar sobre a natureza, e sim junto com ela. Somos parte da natureza também, dependemos dela para viver, não somos donos absolutos de cada árvore, cada rio, cada pedaço onde os animais ainda tentam sobreviver. Somos apenas vizinhos destes animais, destes árvores, e, sim, podemos usufruir deles, mas com respeito e cuidado.

O que aprendi que me levou à reflexão da pergunta "Quem sou eu" é um novo caminho de espiritualidade, um desafio muito grande para uma seminarista que mal deixa tempo para ler a Bíblia, para dedicar um tempo em silêncio a Deus. Este caminho o encontrei no livro que tivemos que ler para a matéria de "Aconselhamento Cristão", o qual se chama: 'Crescer, os três movimentos da vida espiritual', de Henri M. Nouwen. Profundamente simples mas tremendamente complexo, ele mostra como ser melhores pessoas na relação consigo mesmos, com os outros e com Deus. Difícil para mim é pôr em prática o que o livro fala (não é receita de bolo ou auto-ajuda, é um simples falar da essência do ser humano, por isso é difícil, acho...), me dedicar a me achar de verdade. O professor, fazendo as reflexões do livro, planteou a pergunta que titula esta postagem. Se respondo - Sou Viviana, ele diz: Não perguntei seu nome. Quem é você? -Sou seminarista.-Não perguntei o que você faz... e assim por diante. Eu já tinha ouvido esta pergunta e essas respostas, muito tempo atrás, nas minhas aulas de filosofia no segundo grau. O professor Roberto Cano falou exatamente as mesmas coisas: Quem é você? Eu não estou perguntando nome, sexo, idade, estado civil ou profissão. Eu perguntei quem é você. Ao ouvir de novo esta pergunta nesse sentido, percebi como deixamos de lado tão facilmente as coisas essenciais da vida, como passamos os anos procurando melhoras profissionais, um bom emprego, e quão pouco nos preocupa-mos em conhecer a nós mesmos. Isto porque tanto nessa época como agora, a resposta é a mesma: não sei. Não sei quem eu sou.

É um pouco desolador não saber quem se é. Eu sei o que estou estudando e o que quero fazer quando me formar. Sei que daqui a uma semana vou estar vivendo meu último dia de solteira, e que vou ser esposa. Sei de onde venho, e que quero ainda ir para muitas partes. Mas quem eu sou? Qual é a minha essência? Para que estou no mundo, quem eu sou?

Espero encontrar-me daqui por diante. Vou precisar aprender a disciplina, encontrar um tempo para mim mesma, sem fugir de mim, sem pôr música ou ligar a tevê para não me sentir só. Preciso ouvir minha voz interior, o quê ela tem para me dizer. E também preciso um tempo em silêncio diante de Deus. Um tempo em que possa ler a Bíblia sem questionar Paulo, ou zoar Davi, ou dizer que Neemias era um racista. Pode que não concorde com eles, mas a questão vital não é concordar ou não, mas escutar o que essa Bíblia que fala a tantos tem a me dizer. Coisa de seminarista: antes eu ouvia, agora só estudo a Bíblia. Estudo no sentido acadêmico, de datas de composição e teologias originais. Eu amo isso. Eu gosto de descobrir a voz do autor dirigida ao seu público de tanto tempo atrás. Mas ainda sei e acredito que Deus usa esses textos para falar às pessoas. Só tenho que voltar a eles com outra perspectiva. Ai, Senhor. Parece tão fácil escrito...

Talvez daqui a uns anos eu leia de novo este texto, talvez tenha esquecido meus propósitos, voltando à correria muda do dia-a-dia. Espero que não, espero ter estabelecido um diálogo comigo mesma, e um diálogo com Deus. Espero ter aprendido um pouquinho de mim, e poder responder, pelo menos em parte, a pergunta: Quem sou eu.

27 de abril de 2010

Voltando...

E então, voltei. Depois de quase um mês sem escrever, voltei, com a cabeça cheia de pensamentos, cheia de problemas, situações, comentários para fazer a esta vida louca e irracional que vivemos. Irracional porque, mesmo que tentemos, muitas coisas que vivemos fogem da lógica. Fogem da razão. A injustiça do mundo. A discriminação. As simples atitudes que nós mesmos muitas vezes tomamos sem saber por quê, mas sabendo que alguma coisa não está certa...
Estas semanas têm sido muito corridas. Tenho dois eventos fundamentais neste meu ano: casamento e monografia. O primeiro está às portas. Já falta só mês e medio para o meu dia especial. E ainda tenho tantas coisas para resolver. Decoração, documentos, dinheiro. Sobretudo dinheiro. É uma coisa muito complicada casar. Mas sei que vai valer a pena.

O segundo evento é para setembro. Estou correndo atrás. Estou matando sono para poder fazer as coisas bem. Está valendo muito a pena. Consegui traduzir um texto em hebraico, eu! Com ajuda do meu professor, claro, e com um bom dicionário que ele me emprestou, consegui um texto relativamente coerente e, espero, fiel ao original. Esse negócio de traduzir hebraico é muito complicado, muitas vezes eu não entendia nadinha, mas pouco a pouco as coisas vão rolando, e para mim é um logro importante poder dizer que traduzi essa pequena porção das Escrituras. Ainda tenho muito chão para pisar, tanto na monografia quanto na prática da tradução. Mas já estou andando, e isso é importante. Espero muito conseguir uma monografia boa. Afinal eu gosto de escrever, e de fazer bem meus trabalhos escritos...

Na periferia desses eventos, tem muitos assuntos rondando. As coisas no seminário estão mal. Todo mundo está em suspenso. Os professores esperam, nós esperamos. O que vai acontecer com eles, conosco?

E o regime ditador que se estabeleceu no internato do seminário está cada vez mais invadente. Daqui a pouco nos vão dizer como devemos vestir, nos vão proibir de ouvir música que não for "de crente". Aquele negócio de não poder falar "velha" o estou ignorando, e assim estão fazendo, creio, todos os que levamos aqui bastante tempo para saber que é uma besteira tamanho família. O resto segue as instruções. Vamos ver até onde chegamos.

A formatura. Outro evento. Mais dinheiro. De onde vou conseguir não sei... minha turma quer se formar toda junta, com meus dois colegas que, por entrarem depois, não poderiam se formar conosco. Mas somos tão amigos todos, vamos tentar cumprir o impossível.

De resto tudo mais ou menos igual. Estudar, ler, fazer trabalhos, viajar, ver as coisas da casa, da lua de mel, da minha futura vida de casada. Os mosquitos e os borrachudos que nos comem literalmente quando esquecemos o repelente. O calor e o frio, a gripe forte que durou três semanas. Ainda não estou totalmente livre de tosse... Descobri que quase todas minhas amigas da Colômbia agora são mães. É estranho, todas tão novas, da minha idade! Eu não me sinto pronta para isso! Falar com a família quando posso, escrever quando dá vontade. Espero escrever mais seguido. É importante pôr as idéias no papel, nem que seja virtual. Senão elas vão sendo esquecidas... Em fim, voltei...

2 de março de 2010

Proibido pensar?

Há muito tempo não escrevo. Há muito quero escrever, mas não sabia o que. E não sabia como escrever o que tinha na cabeça. São esses bloqueios que dão de vez em quando, quando se pensa em muitas coisas e não se consegue lidar com nenhuma. Como que se juntam todas, se misturam dentro da cabeça, e se negam a sair, claras e limpas, uma por uma.

Muitas coisas estão acontecendo, têm acontecido ao meu redor. Muitas mudanças e incertezas rondam minha vida estudantil. Muitas correrias e preocupações, esperanças e mais correrias, meu futuro próximo (muito, muito próximo, faltam só 3 meses!) casamento. Voltei das férias com muitas coisas rondando por ai...

Inconforme com a impossibilidade de ser eu. Não posso ser como sou nem na minha casa. Não posso me expressar (e trato sempre de ser o mais "delicada" possível ao falar do que penso, para "não escandalizar"), não posso ser sincera nem com aqueles que são mais vizinhos a mim. Não que eu me reduza às minhas opiniões teológicas. Só que a teologia é o que eu estudo. Faz parte de mim, do que eu quero ser, do que eu penso e vivo. Não posso me desligar da teologia quando entro na igreja. Não posso deixar meus pensamentos e opiniões na porta da igreja, só porque dentro dela se dizem coisas diferentes ao que penso. Não que os outros não possam pensar do jeito deles. Mas quando me dizem para me expressar, para ensinar-lhes o que tenho aprendido, é tão esquisito ver as caras de "terror", as expressões de "meu Deus a menina pirou", as frases diretas e a censura indireta (mas muito clara, dava para perceber), é tão incompreensível! Acaso não foram eles mesmos que me enviaram a estudar no seminário?

Dizer que "o seminário virou liberal" não é excusa para aqueles que não quiseram ouvir. E que não querem. Mas se não deixam que eu fale, pelo menos me deixem tranquila no meu canto. Mas não. Ainda por cima tenho que ir no psicólogo porque "o seminário me está deixando mal"! O que eu tenho aprendido me é cada vez mais querido. Muitas coisas tenho visto que confirmam o que aprendi, muitas coisas tenho ouvido para fechar os olhos e os ouvidos e voltar para o que era antes, para onde querem que volte. E mesmo que tenha que lutar, com os outros e sobretudo comigo mesma, para achar um equilíbrio, por fino que seja, nestes meus pensamentos confusos, prefiro esta maluquice confusa àquelas certezas pre-fabricadas que um dia me ensinaram como verdade absoluta.

Mas é difícil. É difícil perceber que virei um bicho raro. Difícil perceber que mesmo minha família me olha de ladinho nas pregações do pastor, para ver se "concordo ou não". Como se eu tivesse as respostas. É esse o problema das pessoas: não conseguem viver com as dúvidas. A dúvida é um buraco negro do qual se foge, sendo preferível morar na casinha feliz das coisas que se aprendeu desde sempre, que se repetem sem possibilidade de mudança. Melhor o conhecimento velho que a incerteza nova. E voltando à minha família, é meio complicado ouvir sua mãe dizer que quando Jesus vir você vai ficar, porque "estás morna, querida". Meio complicado mesmo pensar o que responder, pesar dentro de você mesmo as palavras, para não chocar os outros com a incerteza deste evento... eu não sei. Pode que ele venha. Se vir, seja bem-vindo. Se não, temos uma luta longa para tentar salvar este mundo moribundo que é nosso lar. Que se ele acabar não vai ser obra de Deus, mas nossa.

A igreja é um vício. Eu não posso deixá-la. Eu não posso deixar de gostar de cantar, orar, me reunir com meus irmãos para louvar a Deus (que é, para mim, o propósito original dos cultos), e não posso deixar de "ouvir a Palavra". Só que agora não é como antes. Não é tudo "lindo, maravilhoso, glória a Deus irmão!!!". Agora é uma luta. Luta para não reclamar das músicas sem sentido (pedir chuva, chuva, e para que carambas eles querem tanta água? Aquele negócio de que são metáforas não me satisfaz mais). Luta para não criticar a mulher que fica "ministrando" meia hora entre cada canção. Luta, sobretudo, para não encontrar coisas que não concordo nas pregações do pastor, ou de quem seja. Não que, repito, eu tenha as respostas. A minha não é verdade absoluta para os outros. Mas a deles não deve sê-lo para mim. E o problema é que eles querem que eu volte a engolir o que eles dizem como isso, como verdade absoluta. E também não é que todos os pastores sejam uns pregadores horríveis. Mas o que eles ensinam é o que vem sendo ensinado há tanto, mas tanto tempo, que já quase todo mundo sabe isso de cor. Todos os que tenham um bom tempo de igreja, pelo menos.

E não se quer mudar. Mesmo sabendo que algumas coisas não são assim (eles, muitos deles, passaram pela mesma cadeira de seminarista que eu ocupo atualmente), ou que se poderia dar ums perspectiva diferente dos velhos conhecimentos, eles repetem a mesma velha lição. A desculpa deles é o que mais me irrita. Não é porque é vontade de Deus (seria uma explicação cara de pau, mas nem tanto quanto a outra), mas porque "a igreja não está preparada, eles não estão prontos para saber isso". Mas, por acaso, os líderes não estão ai para ensinar? (e cuidar das 'ovelhas', mas isso é outra coisa) Levam tantos anos, ou mesmo poucos, criam igrejas do zero para que? Para seguir com a mesma coisa! Assim as igrejas nunca vão estar prontas. E isso me irrita. É como dizer que eles são inferiores, pobre povo que não entenderia. Ahh, e nós não, nós somos privilegiados. Temos o conhecimento, sabeos mais do que eles e não queremos lhes ensinar.

Por acaso o seminarista estava preparado quando começou a estudar? Que eu saiba, eu não estava. Mas aprendi. E, na medida do possível, fui assimilando as coisas, tentando encaixar as coisas de uma forma coerente para mim. Há muitas coisas que ainda não encaixam. E tudo está bagunçado. Mas pelo menos eu posso pensar, posso pegar os conceitos, ponderar o que me serve e o que posso deixar de lado. É complicado, porque não é conhecimento humano. Ou é, mas é mais do que isso. Porque mexe com a fé, com aquilo que é Deus, o grande mistério da nossa vida. Não é algo como matemática. Eu uso a matemática, mas ela não me define. A fé define. E é complicado mexer. Mas, para mim, é necessário. Para mim foi bom perceber outras realidades, ver outras caras na velha moeda. Pode ser que não todos possam fazer isso. Mas deveriam lhes dar a oportunidade de tentar.

E então fui silenciada aos poucos. Cada dia se fez mais difícil saber o que falar, o que deixar guardado dentro de mim. E se fez mais difícil saber quem era eu. Eu já não sou o que era quando estava naquela igreja, quando morava com minha família. Eu não era o que sou, não pensava, criticava nem questionava nem a metade do que faço hoje. Estou tentando encontrar um equilibrio, porque acho que a crítica extrema me fecha às possibilidades. Mas não estou conseguindo muito. A crítica vem quase que automática. E o que penso... só Deus para me entender. Tenho tantas perguntas, tantos pontos vazios e peças do quebra-cabeça que não encaixam no lugar, e que muitas vezes nem têm lugar nele... Isto é doloroso. É complicado. É desanimador. Muitas vezes me perguntei se estou errada. Se ofendi a Deus com isso. Se estou sendo, como disse minha mãe, uma incrédula. Mas não posso voltar ao que era. Seja porque, como disse meu professor, a inocência se perdeu. Seja porque os eventos da minha vida e os que acontecem ao meu redor me confirmam que muitas coisas que nos vendem como brancas são na verdade marrom, cinza podre, verde venenoso. Talvez seja uma mistura de tudo.

Só sei que há mais coisas no fundo do que se mostra a primeira vista. E sei que muitas coisas não entendo, muitas coisas eu não sei. Algumas dessas coisas que não sei não me parecem fundamentais para a vida. Como se a existência de Adão e Eva fosse definir quem eu sou! E cada vez que vejo as confusões, as brigas e as condenações que se fazem fundamentadas em negócios desse tipo, vou andando com um pé atrás. Se algum dia eu vou entender tudo? Duvido muito. Só espero entender o fundamental para viver sem enlouquecer. E mesmo que esteja condenada a ir contra a corrente, condenada a viver procurando uma resposta às dúvidas (que no presente me parecem eternas, para sempre sem resposta), prefiro isso. É melhor ser, como minha mamãe disse, racional, analisar as coisas (e ela disse isso em sentido negativo: deixa de ser assim), tratar de entender um pouquinho de todas as loucuras que se encontram neste mundo. Tentar, só. Que esteja certa, isso já é outra história. Só Deus sabe...

8 de fevereiro de 2010

Pensierino...

Adesso che il tempo è passato, e che devo andare via, che le responsabilità e i problemi che avevo dimenticato si sono risvegliati e mi aspettano insieme...
Adesso che mi rendo conto di come volano via i giorni, e ci scappano di mano, e ci lasciano senza fiato di tanto trascinarci dietro loro...
Adesso che sento nel mezzo del cuore una amara tristezza...

Spero tanto che i giorni che arriveranno siano belli! Spero che l'amore mio mi rimanga accanto, capisca quello che mi manca, mi dia le forze che non riesco a trovare...

Spero che Dio sia con me... spero avere speranza, spero avere un qualcosa su cui appoiare la mia anima stanca, il mio cuore diviso, la mia disperazione...

Spero trovare la via da seguire, uscire del freddo buio, capire le cose che non riesco a capire...
Soltanto so, adesso, che la vita deve continuare... e che quello che mi aspetta non sono soltanto i problemi, ma che in mezzo a loro, brillando più che tutte le lacrime, sta la mia felicità... il mio futuro...

Ma adesso soltanto posso assistere alla mia propria vita dalla finestra...

2 de fevereiro de 2010

Come fare?

Adesso le mie vacanze sono quasi finite. Manca soltanto una settimana per andarmene via di nuovo. E non voglio. Ma allo stesso tempo voglio. Perché in quel altro paese sono libera di fare la mia vita. Nessuno mi dice cosa fare. E soprattutto, lì c'è il mio amore. Ma non voglio essere lontana dalla mia famiglia, non voglio lasciare il mio gatto, non voglio lasciare i miei amici. Che sono quasi gli unici che ho. Non che in Brasile non abbia amici. Ma non sono così vicini, è diverso... avere degli amici in chiesa è qualcosa che ho vissuto soltanto qui in Italia, solo nella chiesa di Mantova ho trovato qualcuno con cui parlare e non sentirmi diversa. Forse l'essere stranieri ci unisce? Adesso devo andare via. Devo continuare la mia lotta per conseguire la laurea, continuare la strada che ho scelto e che mi piace, ma che mi fa paura. Cosa farò dopo? Penso molto, moltissimo. Non so cosa Dio vuole di me. Io vorrei essere insegnante. Vorrei essere esegeta. Vorrei viaggiare col mio marito, abitare in tanti bei paesi, imparare lingue, avventurar mi in luoghi sconosciuti. Ma per questo devo fare ancora tanta strada. Devo prima costruire la mia vita insieme a lui, quello che ho scelto per me, il mio amore. Dopo vediamo. Ma è proprio questo "vediamo" che mi fa paura. La vita gira così tanto! Cosa sarà di me nel futuro? Potrò tornare qui, vedere questi posti belli, portare il mio Leo a conoscere un'altra faccia del mondo? Mi fa paura. Non voglio sentirmi fissa in un luogo, prigioniera senza la possibilità di uscire. Ho paura delle mie debolezze, ho paura di me stessa, ho paura che la vita mi faccia prendere un'altra strada, una che non voglio conoscere... non voglio rimanere sempre lì, sempre al lavoro, sempre nello stesso noioso posto... come fare? Sarà che chiedo molto della vita? Sarà che pensare e sognare di fare tutto è molta pretensione? Sarà che non conformarsi alla normalità è volere molto? E poi questa vita che la maggior parte delle volte ci porta difficoltà, pensieri, angoscie... mamma mia, aiuto! La vita ci trascina dentro al suo turbine di problemi e di felicità, e quando ci rendiamo conto siamo così lontani del ponto di partenza! E poi, ogni giorno una scelta da fare. Come fare la cosa giusta? Come far capire agli altri che non siamo più bimbi che si manipolano con i mignoli? Come dire agli altri che anche noi abbiamo dei piani, che quello che abbiamo già è destinato per qualcosa, che noi abbiamo la nostra propria opinione su certi argomenti "intoccabili"? Fare delle scelte è la cosa più difficile da fare quando affrontiamo la vita. Come si fa a capire cos'è meglio per noi? Come si fa a capire se stiamo andando per il verso giusto? Per adesso non so niente. Non so cosa sarà della mia vita. Non so cosa farò dopo finire l'università. Spero poter viaggiare. Questo è il più importante per me. Viaggiare. E con il mio Leo. Io voglio che anche lui veda che ci sono posti belli in altri paesi, che ci sono costumi diversi, lingue diverse, cibo diverso. Io voglio che lui viva un po' meno preso alla sua tradizione... sarà chiedere molto? Lui mi dice che anche lui vuole. Spero proprio di sì. Spero che la mia vita sia diversa di quella che ho visto vivere agli altri. Non chiedo tutto fiori. Soltanto lotte diverse. Problemi diversi a quelli che tutti hanno. Spero che la mia vita non diventi un carcere per me...

8 de janeiro de 2010

Anno Nuovo...


E un altro anno è andato via. Con esso se ne sono andati tanti giorni brutti, tante mattine senza voglia di svegliarsi, tante difficoltà, lacrime, silenzio...
Anche se ne sono andate le belle giornate, in cui siamo stati con i nostri cari, in cui forse abbiamo riposato un po' di tutte le melanconie, in cui abbiamo presso dei bei voti, in cui abbiamo fatto quello che volevamo fare da tanto.
E adesso comincia un nuovo anno. Con tutte le sua giornate in "bianco", su cui potremmo scrivere la nostra vita. Vedremmo venire il giorno del nostro compleanno, vedremmo passare le foglie del calendario con tanta fretta come l'anno scorso. E sogneremmo, sempre, che il giorno seguente, il mese seguente, sia meglio di quello presente.
Per me ho un sogno ad essere realizzato. Il giorno che, da sempre, per le donne è chiamato "il giorno più bello della tua vita": il giorno delle nozze. E quando quel giorno arriverà (e sarà presto) io sarò, veramente, la più felice del mondo. No che non abbia paura. Paura del futuro. Paura degli sbagli. Paura, insomma, di quello che la vita ci porterà. Ma so che il mio sposo, che sarà soltanto mio, ed io, saremmo insieme ad affrontare tutto. Affrontare i cambiamenti. Affrontare le difficoltà, i sogni che vogliamo realizzare tutti e due i pensieri e le notti senza sonno per il lavoro ed il pagare l'affitto.
Spero che quest'anno sia davvero bello. In mezzo alle voglie. In mezzo ai pensieri. In mezzo alle difficoltà, al troppo lavoro (per il matrimonio e per lo studio, la tesi, ecc), ai viaggi e rimanere lontani tutta la settimana. Spero che quest'anno sia nuovo, tutti i giorni. E che, in ogni giornata, riesca ad scrivere delle belle cose. E che, anche se ci sono delle lacrime, loro stesse diventino bei dipinti, che dopo potranno essere guardate all'indietro e saranno ritenute come importanti.
Perché sono importanti. Un nuovo anno che sia tutto fiori e sorrisi diventa, credo io, noioso. Le lacrime sono importanti. Non le vogliamo, ma sono importanti. E sono, alla fine, parte della nostra storia, quella che abbiamo scritto nelle pagine degli anni precedenti, quella che scriveremo, giorno dopo giorno, nelle bianche pagine del nostro anno nuovo.

19 de outubro de 2009

Mundo tóxico

O planeta está se derretendo. É um fato. No jornal falaram que é muito provável que para o verão do ano 2020 0 Polo Norte deixará de existir, pois terá se derretido completamente. E os muitos seres que têm esta região como seu lar, em consequencia, se extinguirão.
O que vamos fazer?

O planeta está, lastimavelmente, em nossas mãos. Os ursos polares não podem deixar de emitir gases tóxicos, não podem fazer campanhas de reciclagem. A responsabilidade é nossa.

Um pouco mais perto de nós temos o Amazonas. Faz parte do Brasil, os brasileiros se orgulham de ter este território, tão importante para o mundo. Porém, o que se está fazendo com ele? Estamos desmatando tudo. Pode ser que eu não esteja lá com uma serra elétrica cortando a árvore, mas também não estou fazendo nada para impedir que algum outro o faça. Temos muitas riquezas naturais, mas não as cuidamos. Em nome de um duvidoso progresso deixamos que todas as coisas maravilhosas da natureza sejam destruídas. E quando não tivermos mais o Amazonas? Quando todas as espécies de animais que nele moram se tenham extinguido, então, o que faremos?

Nós somos egoístas. Cuidamos de nossa casa, limpamos, arrumamos o nosso ambiente. Esquecemos que a nossa casa não é só o edifício feito de cimento e tijolos. Nossa casa é a terra. A rua onde moramos. O parque onde jogamos lixo "porque aqui se pode". É muito desagradável ver gente jogar lixo pela janela do carro ou do ônibus. Mas como "não é minha casa". E assim pensam também os nojentos que fazem aliviam suas bexigas nas pontes, nas árvores, nos túneis em baixo da linha do trem (isso eu sei, eu passo neles todo domingo, haja fedor!), em qualquer canto da cidade. Claro, depois vão embora e quem aguenta o fedor são os outros...

Os governos também são egoístas. Expõem suas próprias populações a riscos ambientais, se isto significa estar de mãos dadas com as grandes companhias cheias de dinheiro. Eu vi uma reportagem na MTV (e há quem fala que esse canal é do diabo...) falando de um bairro em Nova Iorque, que tem no meio uma usina nuclear. O rio que passa por esse bairro está cheio de petróleo, que foi vazando aos poucos durante muito tempo, vindo de uma companhia do lugar... que até hoje não recolheu o petróleo, o qual está contaminando o rio, está entrando por baixo das casas, está matando tudo o que existe nessa água que vai dar no mar. O governo não faz nada para obrigar a tal companhia a limpar as águas. O importante é ter dinheiro. Se minha memória fosse mais detalhada, poderia dizer o nome da companhia e do bairro, mas lastimosamente não escrevi na hora... e minha memória é muito ruim! Mas o nome da companhia é algo como Exxon, e vocês podem muito bem ver o programa, todas as quintas as 23,30. Se chama Toxic.

Passando a outra coisa, contaminação não é só aquela que faz derreter o Polo Norte. Também o barulho é contaminação. E barulho temos aos montes nas nossas cidades "desenvolvidas". Motoqueiros que passam buzinando, lojas com altofalantes enormes, carros que passam com o rádio no último volume. Geralmente ouvindo funk. Isto é, eu não posso obrigar aos outros a ouvir o que eu estou ouvindo no meu carro! É desrespeito pelos próprios ouvidos mas sobretudo pelos dos outros. Falta de educação... ela faz muita falta em nossa sociedade.

Contaminação é culpa de todos. Se o planeta está derretendo é culpa nossa. Nós não fazemos nada, e nem protestamos contra quem tem poder e não faz nada. Ai estão os Estados Unidos, o pais mais contaminador do planeta, felizes da vida se negando a fazer qualquer coisa para deixar de contaminar tanto. Claro, isso não produz dinheiro... mas as consequencias somos todos que as pagamos.

Vamos a acordar algum dia? Ou será que vamos esperar a que os nossos filhos nadem num mundo sujo, inundado pelo que antes era a casa dos ursos polares e outros seres? Vamos esperar que eles herdem um planeta sem remédio? Ainda há tempo...

P.S: Foi uma briga para escrever este texto, o blog não queria abrir...


6 de outubro de 2009

Da arte de escrever

Escrever é algo muito engraçado. Às vezes se quer escrever e não se encontram as palavras justas para expressar o que se quer dizer. Outras vezes as palavras saem aos torrentes, aparecem na mente de um momento ao outro, como querendo pular para o papel (ou a tela, claro). E enquanto mais se escreve, mais vontade se tem de escrever.
Escrever é uma arte, é uma paixão. Poder expressar o que se sente, poder desenhar com palavras paisagens inteiras, descrever emoções, inventar vidas, situações, pessoas, mundos inteiros. Ou falar do próprio mundo, opinar, tentar mudar um pouco as coisas. As palavras são armas. Não se alguém já disse isso. E podem ser bem usadas, ou mal usadas.

As palavras sempre chamaram minha atenção. Não elas em si (para gramática nunca fui boa, confundo tudo...) mas o que elas transmitem, o que expressam. São meio que um enigma para mim. Me falam que eu escrevo bem, mas não sei realmente se o faço. Foi uma surpresa para mim a primeira vez que ouvi dizer isso. Não que seja falsa modéstia, alias, sempre quis ser escritora, mas ouvir as palavras concretas de elogio é algo diferente do sonho. Muitos podem querer escrever. Ou pintar quadros. Mas do querer ao fazer há muita distancia.

Eu escrevo. As vezes gosto do resultado. Outras vezes não. Desde cedo tentei escrever histórias, contos, sei lá, qualquer coisa. Achei os resultados muito chatos. Muitas vezes nem terminei. Mas o tecido dos textos, a arte de misturar as palavras de tal forma que se tornem um conjunto interessante, coerente e compreensível, isso é um mistério para mim.

Escrever. Todo mundo escreve: scraps no orkut, e-mails, trabalhos para a escola, apuntes no trabalho. Mas isto não tem nada a ver com arte. É a arte convertida em simples ferramenta. Escrever de verdade é algo que se faz com vontade, com amor. Os grandes escritores não escreveram enquanto tinham um tempinho livre, ou quando passavem comerciais entre as novelas. Eles se dedicaram. (Disciplina. Algo que eu ainda estou procurando. Não que não tenha, só tenho pouca). Mas os sonhos se construem, e a vida nos é dada para desvelar os mistérios que nos encontramos pela frente. Como a caixinha de música se abre para entoar uma melodia nunca ouvida, as palavras surgem do fundo da mente, do coração, para descrever coisas que se encontravam ocultas, que não existiam. Assim, não existia o mundo de Nárnia até que C.S. Lewis o criou (de um modo magistral, tenho que apontar). Cada um tem seu próprio mistério. O enigma do músico se encontra no seu instrumento que, antes de saber tocar, era inútil e sem sentido para ele. Aprendendo a tocar, dominando seus segredos, se abriu para ele um mundo novo de sons, melodias e músicas emocionantes. O mistério do médico é o corpo humano. E assim, cada um vai na vida, conhecendo, aprendendo a desvelar seus mistérios.

Eu estou começando minha caminhada. Mas quero desvelar o mistério. Enigma das palavras, que podem se fazer chatas como num livro que a gente não gosta, ou envolventes, como nos livros que chegam ao coração e não saem mais. Espero que desvelando meu mistério tenha algo para oferecer. Algo para ensinar. Mas também algo para me revelar a mim mesma, isso que eu sou e que até agora tão pouco conheço.

5 de outubro de 2009

Do valor da dignidade

Depender dos outros é muito chato. Isso é algo que já sabia mas experimentar em carne própria só confirma o pressuposto. Só que confirmação dói na carne. Não que seja desagradecida. Aliás, se agracedece o sustento, é uma bênção de Deus.
Porém, quando quem te sustenta acha que por você depender dele, ele tem direito ilimitado sobre a sua vida, as coisas mudam. Não direito no sentido de chefe-escravo. A questão é mais sutil. É direito de maltratar a dignidade. Em termos mais simples, humilhar a vontade.

Uma coisa é ter um caráter brincalhão. Outra coisa é zoar o próprio ser das pessoas. Uma coisa é que o carioca seja engraçado. Outra que não respeite os sentimentos alheios. E quando se depende de alguém que cada dia, em público e em privado, muitas ou poucas vezes, magoa a própria dignidade, a própria identidade, o ser dói. O orgulho ferido vai sendo guardado no coração, que, pouco a pouco, se enche de raiva, de rebeldia.

E um dia a taça se enche. E um dia o coração ferido acorda os sentidos, e se percebe que não vale a pena. Não vale a pena estar numa prisão de desrespeito, engaiolar a dignidade por simples dependência económica. Não vale a pena vender a dignidade por tão pouco.

E sim, não há dinheiro. Sim, é uma grande ajuda. Mas, é mais importante isso do que sentir-se bem consigo mesmo? Estar em paz e com um coração limpo de ressentimentos e mágoas me parece algo mais importante do que uma efêmera e muito incerta estabilidade monetária.

A vida é mais do que dinheiro. E as vezes o que aparenta ser uma bênção vira um pesadelo. Uma vida degradada e vazia, cheia de raiva e mágoa. E não vale a pena. A dignidade não tem preço.

4 de setembro de 2009

E a vida sigue...

Ainda quando achamos que os nossos problemas não têm solução

Mesmo depois da dor, da decepção e do desânimo

Mesmo quando não sabemos o que será de nós no dia de amanhã

Sigue sem ter compaixão, impassível ao que sintamos ou pensemos. E a vida reclama ação. Não podemos simplesmente ficar olhando-a passar, pois ela nos agarra, nos obriga a caminhar com ela. Nossa vida sigue, dia após dia, e temos que vivé-la com ânimo (ainda quando não o temos), com coragem, com vontade.

A vida sigue, sigue até o nosso fim, e quando um dia olhemos atrás, vamos ver suas marcas no mundo... mas isto só acontecerá se a vivemos de verdade, se a aproveitamos, se a pegamos e a desfrutamos em cada momento, em cada minuto, se sofremos de verdade as nossas dores e gozamos de verdade as nossas alegrias. A vida que deixa marcas é aquela vivida intensamente, relevante num mundo apâtico, interessada em mudar as coisas ao seu redor.

Sim, a vida sigue... estamos vendo-a passar o estamos caminhando com ela?

1 de setembro de 2009

Vida Frágil

Semana passada aconteceu uma tragédia pessoal que me fez pensar no frágeis que somos. Nós sabemos que algum dia vamos morrer. Temos consciência disso, só que nunca esperamos a morte hoje, nem amanhã. Sempre a vemos como algo que virá lá longe. E quando ela vem e leva com ela alguém querido, alguém que pensávamos que viveria até chegar à velhice, alguém que tinha tudo para continuar com vida, vemos que não somos nada, que não somos donos dos nossos dias, que a morte está por perto, e que não vai avisar quando ela vir por nós.

E ai tantas confusões, tantas dúvidas e problemas, tanto caos que formamos dentro de nós mesmos, atormentando os nossos dias sem saber como parar, ficam de lado. E vemos que a vida é mais que problemas, mais que dúvidas, mais que lamentos. E que devemos aproveitar cada minuto dela, porque talvez em cinco minutos já não estejamos neste mundo.

E pensamos em Deus. Pelo menos eu pensei em Deus. No meio de tantas coisas que se falam de Deus, no meio de tantas versões de Deus (Deus caixa de banco, Deus-faz-milagres-quando-eu-quero, etc), no meio de tantas dúvidas e tantas palavras faladas por ai, vi que Deus é, sobretudo, esperança. É bom saber que ele nos cuida. É bom saber que ele nos ama apesar de sermos tão fracos e falhos e ruins. É bom saber que ele está conosco nos momentos mais tristes da nossa vida. E é bom saber que quando morrer, estaremos com ele. Talvez seja algo que nem todos acreditem, mas é o que me da forças, é o que eu acredito. Algo tão simples de pensar, que ainda não entendo porque as pessoas pegam essa esperança e a colocam numa caixa fechada, à qual se tem que chegar por meio de rituais, sacrifícios, coisas faça-não faça. Como se Deus ligasse para as convenções humanas. Como se ele se interessasse no tamanho da saia, do cabelo, da alcinha da blusa. Como se ele classificasse as pessoas pelo seu jeito de vestir e se expressar. Para mim o que Deus vê é o coração. Está escrito na Bíblia, essa Bíblia que é tão usada por ai, tão levada em baixo dos braços de tantos, mas que muitas vezes é usada só de adorno, ou para tirar dela coisas que ela não diz.

Talvez seja bom não pensarmos que vamos morrer. Se vivessemos pensando isso, nada fariamos, viveriamos com medo, medo de morrer. Mas também não podemos deixar de ter consciência da nossa fraqueza. Somos frágeis, devemos nos cuidar, e sobretudo aproveitar ao máximo o que a vida nos ofereça. Mesmo nas dificuldades mais difíceis, onde nos sentimos presos, como se não tivessemos saída, devemos lutar, esperar, sonhar. E saber que Deus está conosco. Isso dá um consolo à alma que é difícil sentir imaginando que estamos sozinhos no mundo. Que bom que Deus cuida da nossa vida frágil!

3 de julho de 2009

Um pouco de tudo

Muitas vezes quis escrever nestes dias, mas não achava o que. Talvez pelo cansaço do final de semestre, talvez pelos problemas que ocupam a maior parte dos meus pensamentos. Só agora tomei coragem de enfrentar a tela, o espaço vazio esperando ser preenchido de palavras. É muito difícil, as vezes, expressar o que se sente, expressar o que se pensa.
Mas é mais difícil ainda estar sozinha. Agora, com o final do semestre, todos estão viajando de volta ao lar. Eu, ainda tenho que ficar aqui estes dias. E é muito duro. A tristeza vela o coração mesmo sem querer, mesmo lutando com todas as forças para se manter alegre, normal. Os dias corridos, as tantas coisas para resolver ajudam a se distrair, mas chega o momento que o coração fica pesado, e as lágrimas se juntam querendo sair todas ao mesmo tempo. E não se pode fazer nada, só chorar, ou então aguentar a vontade de chorar.
Muitas vezes experimentei isto, muitas vezes irei experimentar. Sentimento conhecido, a tristeza. Algo que é universal, compartilhado por todos, sejam brancos, negros, amarelos ou o que seja. Mulheres e homens, crianças e adultos, todos algum dia experimentaram a tristeza. Ai é quando vemos que todos somos iguais. As diferenças que os homens se impõem uns aos outros, classificando as pessoas por cor, sexo ou riquezas, tudo é artificial. O ser humano básico continua ai, sentindo, chorando ou rindo, amando ou odiando. Passando fome, sede e cansaço da mesma forma. Por que então, ser humano, te iludes e aferras às diferenças artificiais? Porque não te aceitas homem um, como és na verdade?
Voltando à tristeza, é bom desabafar. É bom escrever. É bom ter como dizer o que está fechado no peito, afogando, oprimindo o coração. É tão ruim quando não se tem alguém por perto, alguém que possa entender, que não tente impor suas opiniões, só que esteja ali ouvindo. É tão ruim se sentir sós...
Muitas coisas têm acontecido nesta semana. A mais famosa, claro, é a morte de Michael Jackson. No meio de todos os "choros" dos fãs, no meio de toda a publicidade, de todo o sensacionalismo, se esconde um desrespeito absurdo para com o morto. Isto é, o cara acabou de morrer, e já estão vendendo imagens, sons, tudo que tenha a ver com ele. Se aproveitando da tristeza alheia para fazer dinheiro. Afinal, dinheiro é o que mais importa neste mundo materialista. A única coisa que tenho a dizer, com respeito ao cantor, é que acho que teve uma vida muito mas muito triste. Se via nos olhos dele. E agora, nem acabou de morrer e estão já divulgando todos os "aspectos secretos" da sua vida. Pobres estrelas. Pobres famosos. Vidas sem paz, mortes com menos paz ainda.
Nestas palavras todas, falando um pouco de tudo, encontrei o médio para me tranquilizar. Escrever me faz bem. Todas as coisas que estavam "cravadas no peito", agora estão, como dizer... cravadas no papel.

26 de junho de 2009

Desabafo...

Os problemas muitas vezes são um nó insolúvel. Os problemas muitas vezes nos amarram as mãos de tal forma que não lhes enxergamos a solução. Os problemas...

E quando se fala, se julga? Quando se diz o que se pensa, se está julgando o outro? Quando eu não sei o que dizer, e fico calada, pode ser que seja melhor... porém, a realidade intransigente passa sobre nós, e não se importa com as nossas mãos atadas, com nosso silêncio ou palavras, não se importa conosco... simplesmente passa sobre nós, nos atropela com toda a sua face espinhosa, deixando feridas sangrantes, uma dor fresca no fundo da alma...

Como fazer, como sair desse labirinto chamado problema que só nos amargura, e nos prende cada vez mais forte, como se soubesse que queremos sair dele?Como fazer para falar, quando se encontra um muro que repele as palavras, quando se acha uma dor maior, que se refugia na auto-defesa, que não ouve o que temos a dizer?

Eu não sou juiz de ninguém... só tenho consciência da dor, presente ainda quando tentamos ignorá-la. E as coisas se derrubando... e a dor cresce... e o que era já não é mais, nunca mais será...

Ainda acho que fugir, ir embora, não soluciona nada... mas como se faz?

26 de maio de 2009

Dedicatória a una Flor en Su Día

Hoy hace veinte años nació, en la grande capital colombiana, una flor delicada.

Hace veinte años nació, y vino a hacer parte de una familia común.
La pequeña flor vino con un carácter grande, un carácter fuerte, destinado a grandes cosas, pero también a grandes pruebas.

Mi querida flor creció, muchas veces maltratada, muchas veces incompreendida, muchas veces lastimada, por palabras, por gestos, y las personas no se daban cuenta que, detrás de su aparente fortaleza, la pequeña flor lloraba.

Mi flor me hizo compañia, fuimos y somos, amigas y hermanas. Durante 17 años peleamos, jugamos y compartimos, imaginando el momento lejano, casi imposible, cuando iriamos a estar lejanas.

Ahora son dos años de distancia, dos años de cambios, de crecimiento y maduración en dos mundos tan distantes que el océano Atlántico entero los separa.

Mi flor ahora crece en otra tierra, en un mundo que le abre muchas perspectivas aventureras, y mi flor sueña con volar. En estos momentos, sus 20 años llegaron en medio de dificultad. La vida no es fácil, pero está siendo cruel con mi flor, mostrándole toda su maldad y dolor en esta etapa, tan reciente, de su vida.

Ánimo mi flor, mi querida hermana, ánimo querida. Estamos lejos, pero tú eres mi hermana. Tu dolor me duele, tu crisis aumenta la mia. Los problemas están conviviendo contigo, y me imagino lo difícil que es. Yo escapé por poco, pero aún lejos los siento y los sufro, por ustedes, por todo.

Mi flor está comenzando a vivir, su juventud marcada por el dolor. Las fuerzas que hay dentro de ti, eso tienes que buscar, el coraje de vivir, las ganas de aventurarse en este ancho mundo de Dios.

Dios, el único que para mi aún tiene sentido, en medio de todas las locuras que se dicen en su nombre.

Mi querida Laura, tú eres la flor de mi vida, mi hermana, mi mejor amiga, la que como nadie entendia mis problemas, la que desde siempre estuvo conmigo. Te amo mucho, espero que lo sepas.

Ahora tienes 20 años, época especial da vida, que marca sin retornos la entrada en la vida. Ya no eres niña, ya no eres más adolescente. Ahora tienes los 20 años decisivos.

Querida, tu vida está destinada a ser relevante. Tú no tienes carácter para poco, sino para mucho. Que tu vida sea siempre, en medio de todas las cosas, de todos los juicios, de todos los dolores, el reflejo de tu carácter. Te amo muchisimo querida. Este homenaje es poco, pero es desde lo más profundo. Para ti, mi querida, mi flor, mi Laura, este texto va dedicado.