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6 de outubro de 2009

Da arte de escrever

Escrever é algo muito engraçado. Às vezes se quer escrever e não se encontram as palavras justas para expressar o que se quer dizer. Outras vezes as palavras saem aos torrentes, aparecem na mente de um momento ao outro, como querendo pular para o papel (ou a tela, claro). E enquanto mais se escreve, mais vontade se tem de escrever.
Escrever é uma arte, é uma paixão. Poder expressar o que se sente, poder desenhar com palavras paisagens inteiras, descrever emoções, inventar vidas, situações, pessoas, mundos inteiros. Ou falar do próprio mundo, opinar, tentar mudar um pouco as coisas. As palavras são armas. Não se alguém já disse isso. E podem ser bem usadas, ou mal usadas.

As palavras sempre chamaram minha atenção. Não elas em si (para gramática nunca fui boa, confundo tudo...) mas o que elas transmitem, o que expressam. São meio que um enigma para mim. Me falam que eu escrevo bem, mas não sei realmente se o faço. Foi uma surpresa para mim a primeira vez que ouvi dizer isso. Não que seja falsa modéstia, alias, sempre quis ser escritora, mas ouvir as palavras concretas de elogio é algo diferente do sonho. Muitos podem querer escrever. Ou pintar quadros. Mas do querer ao fazer há muita distancia.

Eu escrevo. As vezes gosto do resultado. Outras vezes não. Desde cedo tentei escrever histórias, contos, sei lá, qualquer coisa. Achei os resultados muito chatos. Muitas vezes nem terminei. Mas o tecido dos textos, a arte de misturar as palavras de tal forma que se tornem um conjunto interessante, coerente e compreensível, isso é um mistério para mim.

Escrever. Todo mundo escreve: scraps no orkut, e-mails, trabalhos para a escola, apuntes no trabalho. Mas isto não tem nada a ver com arte. É a arte convertida em simples ferramenta. Escrever de verdade é algo que se faz com vontade, com amor. Os grandes escritores não escreveram enquanto tinham um tempinho livre, ou quando passavem comerciais entre as novelas. Eles se dedicaram. (Disciplina. Algo que eu ainda estou procurando. Não que não tenha, só tenho pouca). Mas os sonhos se construem, e a vida nos é dada para desvelar os mistérios que nos encontramos pela frente. Como a caixinha de música se abre para entoar uma melodia nunca ouvida, as palavras surgem do fundo da mente, do coração, para descrever coisas que se encontravam ocultas, que não existiam. Assim, não existia o mundo de Nárnia até que C.S. Lewis o criou (de um modo magistral, tenho que apontar). Cada um tem seu próprio mistério. O enigma do músico se encontra no seu instrumento que, antes de saber tocar, era inútil e sem sentido para ele. Aprendendo a tocar, dominando seus segredos, se abriu para ele um mundo novo de sons, melodias e músicas emocionantes. O mistério do médico é o corpo humano. E assim, cada um vai na vida, conhecendo, aprendendo a desvelar seus mistérios.

Eu estou começando minha caminhada. Mas quero desvelar o mistério. Enigma das palavras, que podem se fazer chatas como num livro que a gente não gosta, ou envolventes, como nos livros que chegam ao coração e não saem mais. Espero que desvelando meu mistério tenha algo para oferecer. Algo para ensinar. Mas também algo para me revelar a mim mesma, isso que eu sou e que até agora tão pouco conheço.

3 de julho de 2009

Um pouco de tudo

Muitas vezes quis escrever nestes dias, mas não achava o que. Talvez pelo cansaço do final de semestre, talvez pelos problemas que ocupam a maior parte dos meus pensamentos. Só agora tomei coragem de enfrentar a tela, o espaço vazio esperando ser preenchido de palavras. É muito difícil, as vezes, expressar o que se sente, expressar o que se pensa.
Mas é mais difícil ainda estar sozinha. Agora, com o final do semestre, todos estão viajando de volta ao lar. Eu, ainda tenho que ficar aqui estes dias. E é muito duro. A tristeza vela o coração mesmo sem querer, mesmo lutando com todas as forças para se manter alegre, normal. Os dias corridos, as tantas coisas para resolver ajudam a se distrair, mas chega o momento que o coração fica pesado, e as lágrimas se juntam querendo sair todas ao mesmo tempo. E não se pode fazer nada, só chorar, ou então aguentar a vontade de chorar.
Muitas vezes experimentei isto, muitas vezes irei experimentar. Sentimento conhecido, a tristeza. Algo que é universal, compartilhado por todos, sejam brancos, negros, amarelos ou o que seja. Mulheres e homens, crianças e adultos, todos algum dia experimentaram a tristeza. Ai é quando vemos que todos somos iguais. As diferenças que os homens se impõem uns aos outros, classificando as pessoas por cor, sexo ou riquezas, tudo é artificial. O ser humano básico continua ai, sentindo, chorando ou rindo, amando ou odiando. Passando fome, sede e cansaço da mesma forma. Por que então, ser humano, te iludes e aferras às diferenças artificiais? Porque não te aceitas homem um, como és na verdade?
Voltando à tristeza, é bom desabafar. É bom escrever. É bom ter como dizer o que está fechado no peito, afogando, oprimindo o coração. É tão ruim quando não se tem alguém por perto, alguém que possa entender, que não tente impor suas opiniões, só que esteja ali ouvindo. É tão ruim se sentir sós...
Muitas coisas têm acontecido nesta semana. A mais famosa, claro, é a morte de Michael Jackson. No meio de todos os "choros" dos fãs, no meio de toda a publicidade, de todo o sensacionalismo, se esconde um desrespeito absurdo para com o morto. Isto é, o cara acabou de morrer, e já estão vendendo imagens, sons, tudo que tenha a ver com ele. Se aproveitando da tristeza alheia para fazer dinheiro. Afinal, dinheiro é o que mais importa neste mundo materialista. A única coisa que tenho a dizer, com respeito ao cantor, é que acho que teve uma vida muito mas muito triste. Se via nos olhos dele. E agora, nem acabou de morrer e estão já divulgando todos os "aspectos secretos" da sua vida. Pobres estrelas. Pobres famosos. Vidas sem paz, mortes com menos paz ainda.
Nestas palavras todas, falando um pouco de tudo, encontrei o médio para me tranquilizar. Escrever me faz bem. Todas as coisas que estavam "cravadas no peito", agora estão, como dizer... cravadas no papel.