18 de setembro de 2009

A letra escarlate e o costume

Nestes dias li e me apaixonei pelo livro "A Letra Escarlate", de Nathaniel Hawthorne. A medida que o lia imaginava todas as coisas que poderia escrever sobre ele. Lamentavelmente não tinha um computador por perto... mas este livro maravilhoso, reflexo do pensamento de uma inteira sociedade, colonizadora das então terras virgens dos Estados Unidos, tem muito para nos dizer.

Uma coisa que eu amei do livro é como ele mostra, tão claramente, o impacto que a sociedade tem sobre a vida das pessoas. Os protagonistas viviam numa sociedade rigidamente puritana, onde as crianças não podiam brincar e onde todos os aspectos da vida tinham a ver com a religião (pelo menos aparentemente). Um pastor era santo só pelo cargo que tinha. E um pecador era irremissivelmente condenado ao fogo do inferno, de acordo com a gravidade do seu pecado.

O autor faz um tecido maravilhoso de consciências humanas, costumes, ideias. O pastor e a mulher. Unidos pelo pecado. Afastados pelas aparências. E a consequência do seu pecado, manchada no caráter por este mesmo pecado.

Hester é um modelo de sofredora. Numa sociedade que tinha esquecido que Deus é misericordioso e perdoa o pecador, que tinha degradado Hester a mais ínfima das posições na escala social, rejeitada, humilhada e criticada por todos, evitada como se tivesse uma doença mortalmente contagiosa, ela luta por viver. Ela não foge, aceita sua condenação com paciência, consciente de que é merecida. (Aqui tem um aspecto da mentalidade daqueles dias.) Ela vive sua vida procurando apenas se manter e manter a sua filha, a quem não entende. Borda com paixão o seu martírio, a letra vermelha, como se fosse algo digno de orgulho e não de dor. Nem acusa ao pastor, covarde e mentiroso, pela sua ação. Ela é rebelde, no meio de tudo. Não se deixa levar pelas humilhações, não desiste. Continua sempre, fazendo cada vez mais belos trabalhos, vestindo a sua filha como se fosse uma princesa.

O pastor Dimmesdale. O hipócrita. Tanto nessa época como hoje, tantos vão por ai com uma máscara de santidade, mostrando ao mundo o bons e virtuosos que são. Mas o autor não o deixa impune. Ao contrário de hoje, a sociedade de outros tempos tinha consciência dos seus atos. Se ninguém sabia o adultério do pastor, Deus sabia. E ele sabia disso. Por isso sua alma foi cada vez mais atormentada, suas leituras da Bíblia não lhe revelaram o amor e a compaixão de Deus. Se sabia condenado para sempre. (Conforme ao pensamento puritano da época) E queria confessar. Muitas vezes quis confessar. Porém, as aparências ganhavam. O medo do que os outros falassem, o medo de afrontar as consequências do pecado fechava a sua boca, fazendo-o mais culpável, por deixar a mãe da sua filha afrontar a punição sozinha. Esta personagem vive ao longo do livro um conflito intenso, que o desgasta, o martiriza mais profundamente do que a letra fazia com Hester, acaba com a sua razão e com sua vida. Ele foi vítima do seu pecado, afinal. Seu pecado maior, que não foi o adultério. Foi a hipocrisia.

Pearl. "Filha do pecado", o autor lhe da um caráter ao mesmo tempo rebelde e independente, original. Ela, ao ser gerada fora dos padrões estabelecidos pela sociedade, nasce diferente aos outros. É única. Sua mãe não a entende os outros a rejeitam. Pequena e linda, desde cedo aprende a se defender dos outros, das opiniões dos outros, dos ataques dos outros. Se afasta assim do contato humano, não só dos que a rejeitam, mas também da sua mãe, que como já disse, não sabe como lidar com ela. Nathaniel Hawthorne faz de Pearl o reflexo do seu pensamento. Ele era puritano convicto, mas dentro de si não aceitava as convenções. Achava injusto o que eles fizeram com Hester. E assim, fez de Pearl uma criatura livre de convenções humanas, flutuante, livre como um pássaro, que é a descrição mais frequente que ele faz da menina. Porém, o autor se recusa a condenar completamente a sua sociedade. Assim, Pearl, o passarinho livre, só vira ser humano completo, só fica gentil e amorosa com sua mãe e os outros quando o pecado do pastor é revelado, quando ela descobre a sua culpa, ou melhor, a culpa dos seus pais, e entende porque ele andava sempre com a mão no coração, e porque sua mãe carrega a brilhante letra escarlate no seio. O pecado revelado da à menina uma consciência moral que ela não tinha.

O médico Chillingworth. O marido traído. O vingador. A outra face do pecado. Ele é vítima, mas ao empreender o seu plano de vingança contra o pastor, vira um pecador também. Ele é muitas vezes comparado com o demônio, feito inumano por guardar maldade em seu coração contra outro ser humano. Hawthorne escreve tão bem que se pode até imaginar seu coração apodrecendo no meio do peito, comido pelo rancor.

Este livro espelha não somente os costumes da sociedade puritana, suas crenças, seu folclore, mas também é uma janela para o caráter e pensamento do seu autor. Ele nos faz refletir muitas coisas, como o peso da sociedade sobre as pessoas, a grande parte que os costumes e ideologias de cada sociedade têm na vida privada do indivíduo, na sua própria consciência. Na atualidade um casal de adúlteros seria apenas mais um do montão, o caso se resolveria tranquilamente com o divórcio e os "pecadores" nem estariam ai para o que os outros pensassem. Mesmo na igreja, muitas coisas se fazem em baixo do tapete, desde que nenhum irmão saiba, tudo bem. A nossa conciência cada vez mais está ficando adormecida, relativa.

É interessante ver, no livro, como as personagens se debatem com a sua consciência, que foi sendo formada desde seu nascimento, conforme às crenças, conforme ao que se considerava bom e correto. Hester, que aceitou a culpa e o castigo, se pergunta se algum dia Deus irá perdoar ela. O pastor, cuja culpa está escondida às consciências de todos, se atormenta pela sua hipocrisia e porque sabe que, apesar de tudo, Deus sabe de seu pecado. E se acha mais condenado ainda que Hester, pois sua covardia não o deixou confessar o crime. O doutor, tão entregue está à sua vingança que não pensa em Deus, nem na piedade, nem na salvação. Só no final admite ser condenado, também, pela sua maldade.

Esta consciência de culpa é totalmente oposta ao nosso cristianismo moderno. O pessimismo antropológico de Lutero ficou no passado. Agora sabemos que temos perdão. O Deus da Bíblia não nos condena, ele tem misericórdia de nós. E ai temos outro ponto de reflexão. As diferentes interpretações da Bíblia. Como é possível que esse pastor, que pregava cada domingo um belo sermão, que lia a Bíblia com devoção, não tenha encontrado nas suas leituras a misericórdia e o perdão de Deus que nós lemos, que nós encontramos? Como a concepção de Deus pré-moldada que se tem na sociedade pode estabelecer os parâmetros para entender o que lemos? E ainda dizem que cada um interpreta ao próprio modo. Cada um interpreta seguindo o modelo que aprendeu desde sempre! Por mais que o pastor Dimmesdale lesse e relesse textos como João 3,16, ele nunca ia ver nele o amor de um Deus perdoador. Ia ver o amor de um Deus que ama a quem é socialmente íntegro, socialmente correto, responsável e puro.

"A letra escarlate" é um livro fantástico. A leitura é absorvente, se tem vontade de saber o que vai acontecer com tão atormentadas personagens, se sofre pela dor de Hester, da raiva pela covardia do pastor, se odeia o médico cruel. E no entanto, se conhece uma sociedade que foi precursora da atual sociedade americana (se eles vieram ver como esta USA agora!! iram morrer de novo em segundos... de um ataque). Se percebe até que ponto a sociedade pode magoar as pessoas, pode fazer das pessoas alguém digno ou alguém miserável. E se vê até que ponto estamos presos na nossa sociedade, amarrados aos nossos costumes, crenças e ideologias. E se levanta (pelo menos em mim) a rebeldia. Dá vontade de entrar na situação só para defender a pecadora, para levantar sua moral, para opinar. Mas o puritanismo já foi. Agora temos é que opinar na nossa sociedade, mudar as coisas erradas, sair da gaiola do costume.

16 de setembro de 2009

Um ano... passa voando!!

Hoje é um dia muito importante para mim. Hoje já faz um ano que estou compartilhando a minha vida com a pessoa que virou a mais importante do mundo para mim, a pessoa que mais compartilha comigo das minha vida, minhas dificuldades e alegrias, meu noivo.

Um ano é muito tempo, mas passa muito depressa. E mais quando se é feliz. Não que este ano tenha sido um mar de rosas, ou alias, tem sido um mar de rosas... sem esquecer que as rosas têm espinhos. Mas no meio de tudo é bom saber que se tem alguém para ajudar, alguém para animar, alguém que compreende quando todos os outros julgam, criticam ou simplesmente ignoram o que se passa na cabeça da gente. Alguém com o qual se fazem planos para o futuro, que se imagina ter ao lado no ultimo momento da vida, quando não importa mais o que vai ser da nossa vida.

Um ano compartilhado com alguém como meu Leo é uma experiência que quero repetir, quero passar ano após ano junto a ele, aprendendo juntos, caminhando juntos, errando juntos até. A vida passa voando, em menos de nada vou olhar atrás e ver que fiquei velha... e quero ver ao meu lado aquela pessoa especial, que envelheceu comigo, viveu comigo.

Um ano... tão pouco, mas ao mesmo tempo tanto... por alguma coisa se celebram os aniversários, seja de casamento, namoro, nascimento, alguns celebram até da morte... um ano, que passa sem nós mesmos percebermos, colocando rugas no rosto, fazendo nossas vidas mudarem ou continuarem iguais... (se bem que a vida passada ano após ano do mesmo jeito deve ser a coisa mais chata do mundo) que passa muito rápido, fazendo que pareçam poucos dias o lapso de tempo entre as datas importantes para nós(por exemplo, é muito comum ouvir por ai "parece ontem que ele nasceu", e expressões similares).

Mas um ano também pode parecer que passa muito devagar, quase não acaba, sobretudo nos momentos mais difíceis das nossas vidas, nos momentos da dor, e até mesmo quando estamos esperando por um acontecimento muito especial para nós, como casamento ou o nascimento dos filhos. Isto me leva a concluir que o tempo se mede pelas emoções, mais que pelo calendário.

Bom, para terminar, tenho que dizer que este ano que, para mim, passou voando, foi o início de muitas mudanças na minha vida, na minha forma de enxergar o mundo, na minha forma de ser. Este ano foi especial... especial como meu amor, maravilhoso como é experimentar coisas novas, sentir coisas que nunca se pensou que se poderiam sentir.

E sem meu amor, nada do que sou hoje, nada do que sonho hoje, penso hoje seria possível. Obrigada amor, por tudo. Feliz aniversário de Namoro! Hoje e para sempre, vou te amar, e vou ficar com você. Te amo.


Dedicado especialmente a Leonardo Cotta Podlyska, a pessoa a quem mais amo!

4 de setembro de 2009

E a vida sigue...

Ainda quando achamos que os nossos problemas não têm solução

Mesmo depois da dor, da decepção e do desânimo

Mesmo quando não sabemos o que será de nós no dia de amanhã

Sigue sem ter compaixão, impassível ao que sintamos ou pensemos. E a vida reclama ação. Não podemos simplesmente ficar olhando-a passar, pois ela nos agarra, nos obriga a caminhar com ela. Nossa vida sigue, dia após dia, e temos que vivé-la com ânimo (ainda quando não o temos), com coragem, com vontade.

A vida sigue, sigue até o nosso fim, e quando um dia olhemos atrás, vamos ver suas marcas no mundo... mas isto só acontecerá se a vivemos de verdade, se a aproveitamos, se a pegamos e a desfrutamos em cada momento, em cada minuto, se sofremos de verdade as nossas dores e gozamos de verdade as nossas alegrias. A vida que deixa marcas é aquela vivida intensamente, relevante num mundo apâtico, interessada em mudar as coisas ao seu redor.

Sim, a vida sigue... estamos vendo-a passar o estamos caminhando com ela?

1 de setembro de 2009

Vida Frágil

Semana passada aconteceu uma tragédia pessoal que me fez pensar no frágeis que somos. Nós sabemos que algum dia vamos morrer. Temos consciência disso, só que nunca esperamos a morte hoje, nem amanhã. Sempre a vemos como algo que virá lá longe. E quando ela vem e leva com ela alguém querido, alguém que pensávamos que viveria até chegar à velhice, alguém que tinha tudo para continuar com vida, vemos que não somos nada, que não somos donos dos nossos dias, que a morte está por perto, e que não vai avisar quando ela vir por nós.

E ai tantas confusões, tantas dúvidas e problemas, tanto caos que formamos dentro de nós mesmos, atormentando os nossos dias sem saber como parar, ficam de lado. E vemos que a vida é mais que problemas, mais que dúvidas, mais que lamentos. E que devemos aproveitar cada minuto dela, porque talvez em cinco minutos já não estejamos neste mundo.

E pensamos em Deus. Pelo menos eu pensei em Deus. No meio de tantas coisas que se falam de Deus, no meio de tantas versões de Deus (Deus caixa de banco, Deus-faz-milagres-quando-eu-quero, etc), no meio de tantas dúvidas e tantas palavras faladas por ai, vi que Deus é, sobretudo, esperança. É bom saber que ele nos cuida. É bom saber que ele nos ama apesar de sermos tão fracos e falhos e ruins. É bom saber que ele está conosco nos momentos mais tristes da nossa vida. E é bom saber que quando morrer, estaremos com ele. Talvez seja algo que nem todos acreditem, mas é o que me da forças, é o que eu acredito. Algo tão simples de pensar, que ainda não entendo porque as pessoas pegam essa esperança e a colocam numa caixa fechada, à qual se tem que chegar por meio de rituais, sacrifícios, coisas faça-não faça. Como se Deus ligasse para as convenções humanas. Como se ele se interessasse no tamanho da saia, do cabelo, da alcinha da blusa. Como se ele classificasse as pessoas pelo seu jeito de vestir e se expressar. Para mim o que Deus vê é o coração. Está escrito na Bíblia, essa Bíblia que é tão usada por ai, tão levada em baixo dos braços de tantos, mas que muitas vezes é usada só de adorno, ou para tirar dela coisas que ela não diz.

Talvez seja bom não pensarmos que vamos morrer. Se vivessemos pensando isso, nada fariamos, viveriamos com medo, medo de morrer. Mas também não podemos deixar de ter consciência da nossa fraqueza. Somos frágeis, devemos nos cuidar, e sobretudo aproveitar ao máximo o que a vida nos ofereça. Mesmo nas dificuldades mais difíceis, onde nos sentimos presos, como se não tivessemos saída, devemos lutar, esperar, sonhar. E saber que Deus está conosco. Isso dá um consolo à alma que é difícil sentir imaginando que estamos sozinhos no mundo. Que bom que Deus cuida da nossa vida frágil!

20 de agosto de 2009

Voltando...

Depois de um mês e meio sem escrever nada, afastada da internet e deste meu blog, voltei com tudo. Hum... com tudo... não sei, acho que ainda tem um leve desânimo por ai, mas fazer o que. Está sendo um ano bastante difícil emocionalmente. Porém tem muitas coisas que tenho acumuladas e por fazer, tenho obrigações que cumprir e o estudo... tenho que me concentrar no que vale a pena, nê?

Bom, depois do desabafo obrigatório (afinal o blog é bom para desabafar...), só quero dizer que o mar está morrendo. Estamos fazendo dele o nosso grande lixão. Até quando vamos tomar consciência? Os corais estão morrendo, abafados pelo lixo que é jogado no mar, desde eletrônicos até camas, cadeiras, celulares. As piadas dos Simpsons, que achamos tão engraçadas, só refletem a nossa realidade e a nossa irresponsabilidade...

Outra coisa, ainda tenho dúvidas sobre metade das coisas que ouço falar por ai... ainda estou muito desconfiada das pessoas, sobretudo aquelas que andam por ai com carinha de "santas"... ainda fico pensando na sinceridade de certos cantores, pregadores, mercenários que usam o nome de Deus como eles bem entendem... já até ouvi falar de um martelo que faz milagres!!
Talvez estou sendo excessivamente crítica (na verdade sou consciente que sou mesmo uma crítica extrema), mas... o que posso fazer? Cada dia vem com um novo absurdo!
Bom, o importante é agir, não ficar só na crítica... porém as vezes queria voltar a ser aquela ingênua que achava tudo tão liiiiiindoooo, tudo tão "espiritual"... o que é pior?

Para finalizar, falo o mesmo que no início: voltei... bem ou mal, aqui estou, com um novo semestre para enfrentar, dudas, medos e confusões que ressolver, muitas pessoas das quais sentir saudades... bastante para estar ocupada por agora!

3 de julho de 2009

Um pouco de tudo

Muitas vezes quis escrever nestes dias, mas não achava o que. Talvez pelo cansaço do final de semestre, talvez pelos problemas que ocupam a maior parte dos meus pensamentos. Só agora tomei coragem de enfrentar a tela, o espaço vazio esperando ser preenchido de palavras. É muito difícil, as vezes, expressar o que se sente, expressar o que se pensa.
Mas é mais difícil ainda estar sozinha. Agora, com o final do semestre, todos estão viajando de volta ao lar. Eu, ainda tenho que ficar aqui estes dias. E é muito duro. A tristeza vela o coração mesmo sem querer, mesmo lutando com todas as forças para se manter alegre, normal. Os dias corridos, as tantas coisas para resolver ajudam a se distrair, mas chega o momento que o coração fica pesado, e as lágrimas se juntam querendo sair todas ao mesmo tempo. E não se pode fazer nada, só chorar, ou então aguentar a vontade de chorar.
Muitas vezes experimentei isto, muitas vezes irei experimentar. Sentimento conhecido, a tristeza. Algo que é universal, compartilhado por todos, sejam brancos, negros, amarelos ou o que seja. Mulheres e homens, crianças e adultos, todos algum dia experimentaram a tristeza. Ai é quando vemos que todos somos iguais. As diferenças que os homens se impõem uns aos outros, classificando as pessoas por cor, sexo ou riquezas, tudo é artificial. O ser humano básico continua ai, sentindo, chorando ou rindo, amando ou odiando. Passando fome, sede e cansaço da mesma forma. Por que então, ser humano, te iludes e aferras às diferenças artificiais? Porque não te aceitas homem um, como és na verdade?
Voltando à tristeza, é bom desabafar. É bom escrever. É bom ter como dizer o que está fechado no peito, afogando, oprimindo o coração. É tão ruim quando não se tem alguém por perto, alguém que possa entender, que não tente impor suas opiniões, só que esteja ali ouvindo. É tão ruim se sentir sós...
Muitas coisas têm acontecido nesta semana. A mais famosa, claro, é a morte de Michael Jackson. No meio de todos os "choros" dos fãs, no meio de toda a publicidade, de todo o sensacionalismo, se esconde um desrespeito absurdo para com o morto. Isto é, o cara acabou de morrer, e já estão vendendo imagens, sons, tudo que tenha a ver com ele. Se aproveitando da tristeza alheia para fazer dinheiro. Afinal, dinheiro é o que mais importa neste mundo materialista. A única coisa que tenho a dizer, com respeito ao cantor, é que acho que teve uma vida muito mas muito triste. Se via nos olhos dele. E agora, nem acabou de morrer e estão já divulgando todos os "aspectos secretos" da sua vida. Pobres estrelas. Pobres famosos. Vidas sem paz, mortes com menos paz ainda.
Nestas palavras todas, falando um pouco de tudo, encontrei o médio para me tranquilizar. Escrever me faz bem. Todas as coisas que estavam "cravadas no peito", agora estão, como dizer... cravadas no papel.

26 de junho de 2009

Contando o Tempo...

Daqui a um ano exato estarei me casando, se Deus quiser!!!

Desabafo...

Os problemas muitas vezes são um nó insolúvel. Os problemas muitas vezes nos amarram as mãos de tal forma que não lhes enxergamos a solução. Os problemas...

E quando se fala, se julga? Quando se diz o que se pensa, se está julgando o outro? Quando eu não sei o que dizer, e fico calada, pode ser que seja melhor... porém, a realidade intransigente passa sobre nós, e não se importa com as nossas mãos atadas, com nosso silêncio ou palavras, não se importa conosco... simplesmente passa sobre nós, nos atropela com toda a sua face espinhosa, deixando feridas sangrantes, uma dor fresca no fundo da alma...

Como fazer, como sair desse labirinto chamado problema que só nos amargura, e nos prende cada vez mais forte, como se soubesse que queremos sair dele?Como fazer para falar, quando se encontra um muro que repele as palavras, quando se acha uma dor maior, que se refugia na auto-defesa, que não ouve o que temos a dizer?

Eu não sou juiz de ninguém... só tenho consciência da dor, presente ainda quando tentamos ignorá-la. E as coisas se derrubando... e a dor cresce... e o que era já não é mais, nunca mais será...

Ainda acho que fugir, ir embora, não soluciona nada... mas como se faz?

24 de junho de 2009

Compartilhando o Mundo

Os conflitos internacionais, as guerras civis, as lutas, acabará isto algum dia?
Hoje assisti um filme sobre o conflito palestiniano-israelita. Crianças dos dois lados falam da sua postura frente ao conflito, dos seus medos, das suas vidas. Eles crescem, e seguem seu caminho, se engajando na luta como militares, ou simplesmente assistindo ao conflito, com medo, impotentes de fazer algo mais do que falar.
Estas lutas terríveis, não são em nada diferentes ao que acontece no meu pais, a Colômbia. São pessoas matando pessoas. Na Colômbia é ainda pior, porque são pessoas do mesmo povo, nascidos na mesma terra, se matando uns aos outros.
Em si as guerras são sempre o mesmo, procura pelo poder. E quem sofre são os inocentes. Pessoas que perdem suas famílias, e se inserem no círculo vicioso das vinganças, porque se ele matou meu pai eu tenho que matar sua mãe. E a dor nunca acaba. No conflito do Médio Oriente, a luta é pelo território. Na Colômbia, pelo poder (sobre o território, os guerrilheiros querem tomar o controle do pais...) Sangue. Dor. Morte.
O território vai seguir ai, por muito e muito tempo, mas as pessoas não. Elas morrem por algo que não é exclusivo delas. Estava ai antes delas nascerem, e continuará ai depois delas morrerem. O território que faz parte de um mundo todo. Como um dos garotos do filme falava, se é possível que nos Estados Unidos convivam pessoas de todas as nações, porque em Israel não? Por que é tão dificil ceder espaço ao outro? Por que tudo tem que ser somente nosso? Quando eu estava na Itália eu vi isso, pessoas de todas as nacionalidades morando na mesma cidadezinha, no mesmo prédio onde eu morava, fazendo compras no mesmo supermercado onde eu trabalhava. E conviviam aparentemente em paz, ainda que os italianos não gostem muito dos estrangeiros. E cada um faz a sua vida.
Quando pensamos que os países do mundo são resultado das colonizações, incluso os países europeus (se bem que eles não se lembram de quando eram tribos vagando pela Europa), nos damos conta que o local onde moramos não nos pertence. Antes estava vazio, ou pertencia a algum outro. Se o local não nos pertence, não podemos querer expulsar dele o outro. Ele também tem direito de estar ali.
Finalmente, só uma pergunta: Será que algum dia vamos a aprender a compartilhar o mundo? A vê-lo como a casa de toda a humanidade? Será que algum dia vamos a deixar de nos proclamar como os donos absolutos da terra, e de passo da verdade? Será que algum dia vamos perceber que o outro é exatamente igual a nós?
P.S. Será que algum dia os colombianos vamos nos cansar de ver morrer nossos irmãos? A gente como que já se acostumou a ver a terra vermelha de sangue...

18 de junho de 2009

"Marley e Eu" e o Dia dos Namorados

Aproveitando que este é o mês dos namorados, assim o dia específico já tenha passado, estava pensando acerca de um filme que vi justamente nesse dia, e que me pareceu um exemplo perfeito do que é verdadeiramente o "amor", o "namoro". Namorar, primeiro, não deveria ser algo prévio ao casamento. Os casais, na minha opinião, deveriam namorar sempre, ainda muito tempo depois de casar.
O filme "Marley e Eu" não trata, como se pode pensar no início, de um cachorro. Trata de uma família que vive boa parte da sua vida em companhia de um cachorro, doido e hiperativo, mas que fez parte dos momentos alegres e tristes das suas vidas. Porém, o filme não se centra tanto no cachorro como na vida da família, começando com o casal recém-casado, com sonhos, expectativas, ilusões e uma vida planejada. Eu gostei muito do filme por ser real, o casal não era perfeito, cada um tinha dúvidas, medos, frustrações. A esposa teve que deixar seu trabalho quando chegou o segundo filho, o esposo não gostava de ser colunista e invejava a vida aventureira do seu amigo repórter.
O filme, para mim, mostra a essência do amor. Não amor de romance, onde tudo é cor de rosa e a vida é perfeita. Amor no meio das dificuldades. Amor quando se está com raiva do outro, quando se está cansado, quando as coisas não parecem avançar. Amor real.
A melhor parte do filme, pra mim, é quando eles falam, a mulher cansada depois de ficar o dia inteiro com as crianças chorando e o cachorro latindo e fazendo bagunça, o homem cansado depois de um dia de trabalho. Eles tinham brigado. Ai, a esposa disse a seu marido que apesar de todas as dificuldades, ela não se arrepende das escolhas da sua vida, e que ama ele. E diz que sabe que, apesar de todos os problemas que se apresentem, eles os vão enfrentar, juntos, e vão passar por tudo. Para mim isto é que é amor.
O dia dos namorados virou, se não o foi desde sempre, algo comercial. O que se celebra não é o amor entre duas pessoas comprometidas uma com a outra. Se celebra o sexo, se incentiva o dar presentes esperando receber algo em troca. Amar ou namorar não é algo sério, mas banal. Os casais se fazem e desfazem com a rapidez com que derrete o gelo sob o sol quente. O conceito de amor tem se perdido, confundido com o ato sexual. Uma pessoa "ama" a outra quando tem relações sexuais com ela. Mas isto não é, para mim, amor. Isto e uma desvalorização do sentimento mais importante que o homem pode experimentar.
O que este filme mostrou para mim é que é possível, sim, ter um casamento onde o amor dure. Eu já vinha pensando o que é o amor, e como se faz para que um relacionamento consiga sobreviver aos problemas que se apresentam. Na atualidade os problemas não se solucionam, eles se evitam. Se uma coisa me traz problemas, eu a excluo da minha vida. Se essa coisa é um casamento, tanto faz. Melhor cair fora. É a forma mais fácil, afinal.
Porém, conclui que quando se ama conscientemente, sabendo quais são os defeitos e as virtudes da pessoa amada, aceitando-a como ela é, quando se tem consciência das dificuldades que se irão enfrentar na vida, e se tem a convicção de que se quer passar essas dificuldades junto a essa pessoa, quando se tem compromisso com o outro, e não simplesmente se usa o outro, então o amor dura. Compromisso não é simplesmente uma aliança no dedo ou um papel assinado. Compromisso está no coração, tendo respeito pelo outro, querendo o melhor para o outro, e querendo fazer o possível para que esse melhor possa acontecer. Compromisso é algo de dois, é algo que não aparece do nada, mas que se constrói junto com o outro.
Amor para mim é mais do que beijos e carícias, mais do que presentes e palavras.
Meu caminhar nas vias do amor até agora está começando. Muitas coisas faltam para acontecer, muitos problemas virão pela frente. Mas eu quero sempre seguir adiante, por entre todos os problemas, por entre todos os cansaços e todas as lutas. Sempre do lado da pessoa que escolhi como meu companheiro, meu amigo, meu amor. Essa pessoa que faz a minha vida especial, que me ajuda, me da forças, essa pessoa que é o presente mais lindo, a maior bênção da minha vida. E não vou desistir. Só isso tenho como certeza, não vou desistir.

Dedicado especialmente para Leo, meu amor, meu tudo. Ainda que tenhas dormido o filme inteiro, eu te amo... rsrsrsrs

9 de junho de 2009

Igualdade? Liberdade?

Agora não estou para textos longos. Só queria refletir um pouco sobre a nossa louca sociedade, que se diz livre, se diz democrática, se diz humana. Esta sociedade que se baseia no Direito Universal de que "todos os seres humanos são iguais, tendo os mesmos direitos e deveres..."
Mas será que essa igualdade toda, essa liberdade toda, existem de verdade? Será que a pessoa que caminha na rua, ao ver uma criança jogada em um canto, meio vestida e faminta, se sente de verdade igual a ela? Será que os seus filhos são, para ela, iguais em tudo àquela criança suja?
Duvido muito. O princípio de igualdade, tal como o temos hoje na nossa sociedade, é uma utopia, um disfarce para todas as injustiças descaradas que se cometem por ai. As pessoas não são avaliadas nem tratadas em base ao princípio da igualdade. Elas são julgadas, tratadas, avaliadas, com base na sua posição no mundo, as suas possessões, seu nome. Uma pessoa da rua só é considerada igual por aqueles que estão na sua mesma condição. A igualdade só existe em cada estrato da sociedade. Eu sou igual a quem é da minha mesma condição.
Porém, a sociedade proclama a igualdade universal do ser humano. E nós, seguimos assim, acreditando, fingindo que a sociedade vive o que proclama. A igreja (ela não pode faltar na reflexão, afinal ela se acha diferente da sociedade...) vive no mesmo sonho, a bela utopia da igualdade humana perante Deus. Contudo, a igreja faz distinção entre "justos" e "pecadores", entre santos e perdidos. E a sociedade não sente o agir da igreja.
Jesus veio com a proposta de amar ao próximo como a você mesmo. Outra utopia. Como meu professor falou, se eu amasse ao meu próximo como a mim mesma, não o deixaria passando fome em baixo da ponte. Mas como próximo é aquele que está no meu mesmo estrato social...
Quando deixaremos a hipocrisia? Quando encaremos a sociedade como o que é, totalmente injusta, totalmente desigual, quando não deixemos mais que os outros pensem por nós, e vejamos com nossos olhos a realidade do mundo, talvez haja uma esperança de passar a agir. Claro, é mais cômodo ficar sentado, reclamando do governo e das injustiças (quando elas são cometidas contra nós), olhando as pessoas sofrer sem sequer mexer o mindinho. É mais fácil se escudar em Deus como o ser que nos levará ao céu. É melhor pensar que Jesus veio ao mundo só por nós. Quem não é igual a mim nem sequer ocupa um lugar nos meus pensamentos...
E falando de liberdade, esta sociedade não é livre. As pessoas não são livres. Desde crianças, são treinadas para não opor resistência ao sistema opressor sob o qual aprendem a viver, cômodas e inativas. Desde sempre há o controle do pensamento. Os meios de comunicação, e isto não é novidade, são escolas de conformismo, ilusões vendidas ao povo nas novelas, nos comerciais que insistem em que comprar certa coisa, se inscrever em tal outra é o caminho da felicidade. E a igreja, em lugar de ser um ente libertador nesta sociedade louca, é mais um ente opressor, alienante, que impede às pessoas de pensar, as coloca sob o medo eterno do juízo de Deus, do juízo do "irmão, da exclusão (pelo menos nas igrejas batistas o membro pode ser excluído se cometer algum "pecado mortal", geralmente engravidar [enquanto isso muitos hipócritas, mentirosos e caluniadores assistem tranqüilamente os cultos...]).
Onde estão as igrejas filhas de Deus, proclamadoras da mensagem de igualdade e liberdade de Jesus Cristo? Estão ocultas em baixo de tantas doutrinas, de tantos ritos vazios, de tantas liturgias estáticas... Onde está o povo de Deus que quer mudar esta sociedade? Está reclamando as bençãos de Deus, o qual tem a OBRIGAÇÃO de fazer milagres e encher de dinheiro a todas as pessoas que peçam, e que assistam aos cultos de certas igrejas... Onde estamos, como cristãos, e sobretudo como seres humanos, neste mundo utópico de falsa igualdade, falsa liberdade, falsa humanidade?

3 de junho de 2009

"Ainda Bem Eu Vou Morar no Céu..."

Essa frase faz parte de um cântico que ouvi alguém cantar. Não o conheço muito bem, mas a frase é significativa. Ela diz tudo o que os cristãos aspiram. Ir morar no céu.

Em si esse desejo é normal. Ir morar com Deus é uma esperança válida. O ruim é que a igreja se centra nisso, e se esquece que ela vive na terra. Tanto se esquece que passa a ver a terra, os outros seres humanos que não assistem à igreja, como "o mundo", uma espécie de demônio contra o qual eles devem lutar. Os que estão "no mundo" são pecadores e vão para o inferno. O mundo é mau. O único que importa é a esperança de ir morar no céu. Desta forma, os cristãos estão se esquecendo do próximo. Se eles são parte do mundo mau, então não é conveniente nos juntar a eles. Desta forma a igreja se está isolando, pensando que ela é superior aos que estão "no mundo".

Ainda bem que vou morar no céu. O mundo pode se lascar, meu vizinho pode morrer de fome que não estou nem ai. O importante afinal não é esta vida, mas a vida futura, no céu.

Para mim esta cosmovisão está errada. Com esta posição a igreja se fecha em si mesma, esquecendo da sua missão de ir ao mundo. Jesus não nos disse que nós eramos uma classe aparte de seres humanos. O nosso objetivo no mundo não é ir ao culto nos domingos e nos cumprimentar com os nossos irmãos por sermos tão santos, enquanto quem não vai na igreja é um pecador condenado. A igreja foi constituída para morar na terra. O céu não pode substituir a esperança de fazer diferença no mundo.

Agora bem, para os crentes fazer diferença no mundo geralmente é não fumar, não beber, não fazer isto e deixar de fazer aquilo. Mas para mim a diferença não se limita a fazer ou não coisas. A diferença está na atitude que os cristãos têm com as outras pessoas. Eu faço a diferença quando me importo com as pessoas ao meu redor, mesmo se elas não vão à igreja. Mesmo se elas não são cristãs. O amor de Cristo se demonstra por meio das ações. Mas se a igreja só se importa com ir morar no céu, não liga para o outro, e demonstrar o amor de Cristo a quem for deixa de ser importante. O importante é o sentimento egoísta de que "eu estou salvo, vou para o céu". E assim, a igreja egoísta vai fechada para o céu.

Será que isto mesmo é o que Deus espera de nós? Eu acho que não. Jesus veio ao mundo para demonstrar o amor de Deus aos homens, aqueles pecadores que não iam ao Templo, e que por isso eram considerados perdidos. O esquema parece familiar. Os mesmos padrões de "santidade" da época de Jesus são aplicados por aqueles que se dizem seus filhos. Aqueles para os quais o mundo, as pessoas e a vida terrena não importam, porque o importante é a vida futura, quando Jesus venha.

Jesus veio fazer diferença enquanto estava vivo, caminhando pelas ruas sujas da Galiléia, no meio das pessoas que precisavam de atenção e amor, aquelas que eram esquecidas pela sua sociedade, marcadas com o selo do "pecado", seja por doença, por gênero (mulheres eram nada), por posição social. Quem não cumpria os ritos era pecador. Agora quem não está dentro da igreja é pecador. Como se quem está dentro da igreja fosse perfeito! Quase quase estamos dizendo que é um mérito ir ao céu.

Porém, estamos esquecendo a vida na terra, estamos esquecendo de olhar para nosso mestre, seguir seus passos, ouvir suas palavras. O nosso trabalho é aqui. No tão temido e odiado "mundo". As pessoas ao nosso redor precisam de ver uma igreja em ação, aberta para eles, que não só procure "salvar almas", mas melhorar as condições de vida de quem precisa, enquanto está aqui na terra. O "mundo" precisa ver uma mudança, uma que venha de nós. Temos que mudar nossa visão. Nosso alvo não deve ser o céu, devem ser as pessoas, já que estas são o alvo de Jesus. Nós estamos querendo fugir da nossa responsabilidade. Claro, o mais cómodo é deixar as coisas como estão. Como elas não importam, como quem está no mundo está perdido mesmo... Como o importante é ir ao céu...

28 de maio de 2009

Boneco Jesus

Jesus está de moda. O Evangelho, cristianismo, Deus, tudo isso está de moda. Ser crente virou algo muito popular.
Mas, que Jesus é esse que está sendo tão apregoado por ai?

Sinceramente, não sei. O Jesus que eu vejo ser pregado nas "igrejas" da televisão, nos programas "evangelísticos" como "Show da Fé" e tantos outros, não tem nada a ver com o humilde filho de carpinteiro que veio um dia mudar a história da humanidade.

Ontem estava, em um raro momento de descanso em estes dias de final de semestre, passando os canais da televisão. Não tinha muita coisa interessante, ai parei um pouco para ver o "programa cristão" do momento. Só que eu não vi nada de Cristo nesse programa, e nem vejo em nenhum outro desses programas que, pessoalmente, considero lixo. Vi só um monte de emocionalismo, muitas lágrimas (vai ver se eram verdadeiras), muitos erros bíblicos, e muita auto-exaltação por parte do "pregador". O nome de Jesus era usado como fetiche, como fórmula mágica para investir de poder a pessoa que estava falando.

Uma mulher deu um testemunho (ai que coisa linda!) dizendo que seus problemas financeiros tinham sido ressolvidos porque ela passou a fatura ou sei lá que papel PELAS COSTAS DO PREGADOR. Ou seja, quem fez o milagre nem foi Jesus.

Cada dia que passa vejo mais a banalização do nome de Jesus. Ele está deixando de ser o Senhor, o digno de respeito e reverência, para virar o boneco de pessoas que usam seu nome para ganhar dinheiro. Não sei se eles estão sendo sinceros no seu "ministério". Eu acho que alguns deles (senão todos) sabem o que estão fazendo. A manipulação do sagrado não ocorre de forma inconsciente. Eles sabem que o negócio é ganhar dinheiro. A espiritualidade das pessoas só é um meio para chegar a este fim.

O pior é que o que está sendo pregado não chega nem perto da mensagem escrita na Bíblia. Agora tudo o que se fala é milagres, bênçãos, curas. As pessoas estão sendo iludidas de que sua vida vai ser perfeita, com casa, carro e bolsa de estudos (segundo ditado popular colombiano...), se aceitarem "seguir a Jesus". E claro, comprar a água abençoada, a moeda da prosperidade, o sal da pureza e o óleo da unção. E pagar fielmente os dízimos, crer cegamente em tudo o que seu "bispo", "apóstolo" (ou semi-deus) dizer, deixar que se lhes imponham as mãos, subir ao monte dos 70 santos.

Em meio de tudo isso, o nome de Jesus é usado como marionete. A Bíblia é usada para sustentar o que os pregadores falam, sem importar se o texto está sendo lido fora do contexto, deturpadamente ou sem saber o verdadeiro sentido. Afinal, os "fiéis" não vão questionar o que está sendo dito. Ontem, em outro dos programas em questão (a programação estava de verdade ruim em todos os canais!), o pastor "Da um chute na cabeça do diabo" (e não to brincando não, esse é o nome que colocaram mesmo! disse que era o momento dos comerciais "no nome de Deus", "vamos ao momento comercial para a glória de Deus"!!!!! Como assim? É que a venta de celulares ou outros produtos é algo para glorificar a Deus? Eu acho que o "pastor" estava se referindo ao próprio bolso...

O pior de tudo isto é que as pessoas não percebem que estão sendo manipuladas. A coisa é sutil (nem tanto, mas as pessoas acham tudo tão lindoooo...) e elas vão com a esperança de que suas mágoas, sofrimento e dor sejam tiradas delas. A manipulação do sagrado é um assunto sério, se está brincando com o nome de Deus, com a vida das pessoas, com a esperança delas. Se cria um mundo onde Deus está ao serviço do pregador, o qual só com fazer uso do seu nome, pode realizar todo tipo de "milagres". Deus deixa de ser Deus. Jesus é só um nome que dá grana. E as pessoas choram, gritam aleluias, cantam e dançam, fazem filas longas para ser alcançadas com a "unção" do bispo, para que seus problemas sejam solucionados.

Este sistema é nojento. Revolta o estómago ver tantas pessoas nessas pseudo-igrejas, nesses lugares de lucro às custas dos ignorantes. Ignorantes no sentido que eles não sabem. Raramente conhecem a Bíblia. Para eles tudo o que ouvem provêm do céu, as palavras do "pastor", "apóstolo" ou o que seja são palavra de Deus, e comunicam a sua vontade. Só que no meio disso há muito interesse. A metade do que se prega tem um objetivo específico, que é criar ilusão nas pessoas, induzí-las a um determinado comportamento. A fé é vendida como requisito para aceder às bênçãos. Claro, fé no bispo, fé no óleo sagrado, fé no copo da bênção.

As pessoas têm que aprender a questionar. A vida perfeita que estes pseudo-pastores oferecem não existe. Quando os problemas voltar a aparecer, estas pessoas não vão ficar revoltadas com os falsos pregadores que as enganaram. Elas vão ficar revoltadas com Deus. E ai toda a espiritualidade, toda a fé vão deixar de existir. Este "cristianismo" doentio está fazendo com que Jesus, o Senhor, deixe de ser levado a sério.

Até quando as pessoas vão seguir acreditando nas palavras vazias que os pregadores sem vergonha lhes falam? Até quando vão deixar que os cínicos se aproveitem de suas tristezas e preocupações para se enriquecer? Até quando vamos permitir que se pregue um "evangelho" deturpado, e até quando vamos deixar que Jesus seja só um boneco?

27 de maio de 2009

Entendes o que lês?

Hoje na aula de Exegese do Antigo Testamento, analisando um texto de Isaías, me dei conta de como somos ignorantes na leitura da Bíblia. Quando lemos não estamos verdadeiramente entendendo o sentido do texto. Como diz o professor, o que fazemos é pura "intentio lectoris", projetamos dentro do texto o que nós mesmos pensamos.
Porém, eu estava pensando na responsabilidade que os pastores, pregadores e intérpretes da Bíblia temos para com o texto sagrado. Muitos vão por ai pegando a Bíblia como chapéu para falar o que bem lhes parece. As pessoas ouvem "a palavra de Deus", sem saber na verdade o que está escrito, sem chegar ao fundo do conteúdo do texto. Não têm como saber que o que se lhes falou não está realmente na Bíblia.

Isto acontece (quase) sempre. Começando com as traduções da Bíblia, todas erradas e cheias da própria interpretação e ideologia do tradutor. Poucas ou quase nenhuma Bíblia é traduzida fielmente do seu original.

Os pastores deveriam ser consciêntes do que pregam. Porém, geralmente eles pregam as suas próprias ideologias, e usam a Bíblia como apoio para o que eles estão afirmando. As pregações nas igrejas cada vez estão menos centradas na palavra, e cada vez mais nos dogmas, nos ritos. Não se ensina às pessoas a procurar entender o sentido do texto, se lhes da uma interpretação pronta.

Não que esteja dizendo que todo mundo deve ser instruido na lingua hebraica e grega (se bem que isto seria belo). Mas pelo menos os pastores, os "ministros da palavra" devem ter este conhecimento básico. É fundamental que quem usa a Bíblia como instrumento de trabalho saiba o que ela diz realmente.

Os textos bíblicos são mais do que se pensa. Eles têm muitas lições ocultas, muitas coisas que são escondidas pelos dogmas que se jogam em cima delas. Quando são usados como até agora estão sendo usados, são desrespeitados. Me parece uma falta de respeito pegar um texto que não se entendeu e falar dele o que se quer. É até falta de ética (que é o que sobra em certos púlpitos hoje em dia...).

As pessoas da igreja estão sujeitas à interpretação que do texto bíblico faz o pregador. Geralmente nenhuma pessoa que está sentada ouvindo a "palavra de Deus" se questiona se o que o pregador está falando é correto ou não. Eles assumem que estão ouvindo a "palavra de Deus", pelo qual não pode haver erro. Mas erro pode haver, sim. Quem prega é um ser humano. O que é pregado, se o é da forma comum, geralmente não se baseia no texto, mas nas ideologias de quem usa o texto. Muitos pregadores descarados sobem no púlpito e falam o que lhes passa pela cabeça, sem ter em conta que estão sendo ouvidos por pessoas passivas, prontas a por em prática o que seja que lhes for dito.

A responsabilidade da pregação é muito séria. Se manipula o sagrado das pessoas, a vida das pessoas. Não é simplesmente um discurso, as pessoas não vêem isso como uma palestra. Para eles é a voz de Deus.

O pregador deve conhecer o texto que utiliza. Ele deve estar disposto a ir além das traduções mal feitas, deve estar sedento por conhecer o verdadeiro conteúdo do texto. Aqui cabe bem o apelo do humanismo: "De volta às fontes!" Cadê os pregadores que se interessam em conhecer as línguas originais do texto?

É certo que as interpretações continuam sendo humanas. Mas ao conhecer o sentido original do texto, se aprecia o tesouro do seu conteúdo em toda a sua beleza. Quando se descobrem os segredos dos textos bíblicos, toda um mundo se abre aos olhos, e a alma preme de vontade de conhecer mai. Pelo menos isso acontece comigo. E essa sede faz com que se ame mais o texto, com que se procure mais estudá-lo, mais conhecé-lo.

Esse efeito deve ser estendido aos ouvintes da pregação. Basta de esquemas prontos, de dogmas enferrujados que usam a Bíblia do seu jeito. Basta de dar ao povo o leite da tradição. Agora é preciso que as pessoas entendam, verdadeiramente, o que lêem.
P.S. Acabado de escrever este texto, pensei que ele reflete um belo ideal, que, muito provavelmente, ficará só nisso, no ideal...

26 de maio de 2009

Dedicatória a una Flor en Su Día

Hoy hace veinte años nació, en la grande capital colombiana, una flor delicada.

Hace veinte años nació, y vino a hacer parte de una familia común.
La pequeña flor vino con un carácter grande, un carácter fuerte, destinado a grandes cosas, pero también a grandes pruebas.

Mi querida flor creció, muchas veces maltratada, muchas veces incompreendida, muchas veces lastimada, por palabras, por gestos, y las personas no se daban cuenta que, detrás de su aparente fortaleza, la pequeña flor lloraba.

Mi flor me hizo compañia, fuimos y somos, amigas y hermanas. Durante 17 años peleamos, jugamos y compartimos, imaginando el momento lejano, casi imposible, cuando iriamos a estar lejanas.

Ahora son dos años de distancia, dos años de cambios, de crecimiento y maduración en dos mundos tan distantes que el océano Atlántico entero los separa.

Mi flor ahora crece en otra tierra, en un mundo que le abre muchas perspectivas aventureras, y mi flor sueña con volar. En estos momentos, sus 20 años llegaron en medio de dificultad. La vida no es fácil, pero está siendo cruel con mi flor, mostrándole toda su maldad y dolor en esta etapa, tan reciente, de su vida.

Ánimo mi flor, mi querida hermana, ánimo querida. Estamos lejos, pero tú eres mi hermana. Tu dolor me duele, tu crisis aumenta la mia. Los problemas están conviviendo contigo, y me imagino lo difícil que es. Yo escapé por poco, pero aún lejos los siento y los sufro, por ustedes, por todo.

Mi flor está comenzando a vivir, su juventud marcada por el dolor. Las fuerzas que hay dentro de ti, eso tienes que buscar, el coraje de vivir, las ganas de aventurarse en este ancho mundo de Dios.

Dios, el único que para mi aún tiene sentido, en medio de todas las locuras que se dicen en su nombre.

Mi querida Laura, tú eres la flor de mi vida, mi hermana, mi mejor amiga, la que como nadie entendia mis problemas, la que desde siempre estuvo conmigo. Te amo mucho, espero que lo sepas.

Ahora tienes 20 años, época especial da vida, que marca sin retornos la entrada en la vida. Ya no eres niña, ya no eres más adolescente. Ahora tienes los 20 años decisivos.

Querida, tu vida está destinada a ser relevante. Tú no tienes carácter para poco, sino para mucho. Que tu vida sea siempre, en medio de todas las cosas, de todos los juicios, de todos los dolores, el reflejo de tu carácter. Te amo muchisimo querida. Este homenaje es poco, pero es desde lo más profundo. Para ti, mi querida, mi flor, mi Laura, este texto va dedicado.

21 de maio de 2009

Pontos de vista

Cada pessoa é diferente. Cada um ve o mundo desde seu próprio ângulo. Porque, então, tem quem pretende ensinar aos outros a enxergar a realidade desde o seu ponto de vista?
O que para uns está bem para outros é errado. O que para mim é gostoso para outros é nojento (eu sei bem disso, afinal em Brasil abacate com sal é algo que ninguém pensou em comer). O que eu penso pode ser diferente do que pensa meu vizinho. Nós temos liberdade.

Porém, muitos aspectos da nossa vida são influenciados pelo que outros pensam. Isto é normal, não podemos viver e crescer como pessoas isolados dos outros. O problema é quando os outros pretendem decidir sobre nós, quando pretendem impor o seu ponto de vista, a sua opinião, e não aceitam que sejamos ou pensemos diferente. Estas pessoas estão inseridas num sistema que aliena as pessoas, e as faz alienadoras das outras. Quando desde cedo uma pessoa aprende a pensar de acordo a padrões que outras pessoas lhe pre-estabelecem, é muito difícil que ela consiga um dia sair do esquema. E quando vem alguém que não pensa no mesmo padrão, ela vai tentar impor o seu padrão sobre a outra. É quase automático.

Na minha postagem anterior falei dos absolutos. Quando uma pessoa quer impor algo sobre outra, é porque a sua cabeça ela está certa, e seu ponto de vista é absoluto. Como falei, quando se começa a questionar as coisas se vê que muitas coisas que pretendem ser absolutas em verdade não o são.

Quem mais potentemente pretende impor a sua opinião e visão de mundo sobre os outros é, sem dúvida, a religião. Afinal, o que elas pretendem ensinar é revelação divina, e desta forma, palavra e verdade absoluta. O que eu penso foi Deus quem me revelou, por isso você tem que aceitá-lo. Quando vemos que muitas coisas que a religião nos ensina não tem mais sentido para nós, ficamos desorientados. E agora, qual é a verdade?

A igreja, como seguidora da "revelação de Deus", padroniza a vida dos seus membros. Eles têm que seguir determinado roteiro, têm que se comportar e até pensar de determinada forma estabelecida pela instituição. Na igreja católica isto foi sempre o padrão. O fiel segue o que o sacerdote fala. E na igreja "protestante", alguma coisa mudou?

Quando Lutero falou do "sacerdócio universal dos crentes", liberou o aceso dos fiéis ao texto sagrado. Porém, a instituição, o esquema pre-estabelecido ainda continuou. O pastor é uma figura que não está ali para cumprir com a função que tem - segundo o professor Osvaldo, a cura d'almas (e concordo com ele). O pastor está ali para "ensinar" as suas "ovelhas" o comportamento que devem ter como cristãos. O fiel deve seguir isto sem questionar. Só que questionar é necessário.

Muitos pastores acham que tem sei lá que autoridade superior só porque foram ordenados. Eu sei disto porque percebi a mudança em duas pessoas muito estimadas por mim que foram ordenadas pastores na minha igreja. Dai em diante, elas mudaram. Para mim o que o pastor fala é só um ponto de vista, como todos os outros. Não que esteja querendo anarquia na igreja, ou desvalorizando a figura pastoral. Só acho que eles estão se infalibilizando um pouco. Pastor é muito mais que alguém que dita as regras de vida de uma comunidade.

Bom, acho que sai um pouco do tema. O ponto aqui é a imposição de formas de pensar sobre as pessoas. Isto existiu desde sempre. A sociedade, talvez por natureza, pretende dominar o que as pessoas pensam. Hoje em dia se fala muito de liberdade de pensamento, mas ai está o controle, oculto nas tendências de moda e nas publicidades. Você deve pensar, vestir, ser como a sociedade pretende.

Pensar diferente é difícil. Querer sair do padrão, questionar o sistema, pensar duas vezes antes de aceitar um ponto de vista, é algo que muitas pessoas desistem de fazer. É mais fácil aceitar as coisas, já que aceitando as imposições a sociedade vai te aceitar. A igreja te aceita se seguir os seus padrões. Mas se alguma coisa que se faça vulnera estes padrões, todo mundo se levantará contra ti.

Eu só digo que decidi pensar diferente. Questionar as coisas faz com que a liberdade cresça verdadeiramente. É difícil, mas vale a pena. Ter a liberdade de opinar, de pensar o que vai mais de acordo com meus razonamentos, é muito melhor do que seguir as razões de outros. Mesmo dentro da igreja.

20 de maio de 2009

Absolutos questionáveis

Ao longo da nossa vida aprendemos a obedecer as regras impostas pelos outros. Quando crianças pensamos que a palavra dos nossos pais é absoluta, eles são infalíveis. Quando crescemos, vemos que eles estão sujeitos ao erro, e sua palavra e regras podem assim ser questionadas.

Com o passar do tempo, muitas coisas passam a ser questionáveis. Leis, regras de comportamento, palavras, atitudes, e aprendemos a procurar (numa procura que só vai acabar com a morte) a razão nas coisas deste mundo, queremos saber que coisa é verdadeiramente importante, que coisa é inalterável, e que coisa não.

Nesta dinâmica, nos deparamos muitas vezes com "absolutos", coisas que pretendem ser inquestionáveis, inalteráveis, imutáveis, e que são usadas por alguns para impor sobre os outros suas próprias razões. Os absolutos fundamentam a autoridade das pessoas que os estabelecem. Quando alguém começar a questionar estes absolutos, será feito todo o possível para calar estes questionamentos. Para que estes "absolutos" o sejam efetivamente, devem proporcionar ao nosso entendimento razões suficientes para que a nossa procura sobre o seu sentido seja satisfeita.

Reconhecidamente, as razões religiosas são as mais "absolutas". Ao mistificar as regras, ao colocar transcendência nelas, estas regras, que antes podiam ser simples argumentos questionáveis, passam a ser "absoluto" indiscutível. Contra elas não se pode levantar argumento contrário.

Um exemplo disto foi toda a Idade Média, onde a palavra dos Papas era tida como palavra de Deus (mistificada), de forma que fosse o que for que eles falassem tinha que ser obedecido sem questionamento algum. Mas os "absolutos" não o são eternamente. Um dia surgiu Lutero, e incluso antes dele outros grupos surgiram, e questionaram esta conceição, quebrando assim o poder absoluto da Igreja Católica sobre a vida das pessoas.

Porém, quando um absoluto cai outro se levanta. Lutero quebrou absolutos mas estabeleceu outros.

Qual é o ponto ao qual quero chegar, afinal?

Para mim, e este é o ponto, todos os absolutos são questionáveis. Isto é algo muito perigoso de dizer, visto que a igreja se fundamenta em absolutos. "Isso é pecado por..." e vem um monte de absolutos. "Você não pode fazer desse jeito, porque..." e vêm mais absolutos. Mas todos estes são, para mim, relativos. A crise é quando tudo é considerado relativo. Ai, qual é a razão deles? Qual é a verdade?

Quando a verdade se apregoa como absoluta, se excluem todas as outras. Porém, há no mundo mais do que um ponto de vista, e há assim mesmo mais de uma verdade absoluta.

E agora? Como disse antes, nossa procura pela razão das coisas será infinita. O importante é reconhecer os "absolutos" que nos são impostos. Se não reconhecer a questionabilidade destes não há mais nada a fazer.

Depois, é importante questionar. Assim como começamos a questionar nossos pais quando adolescentes, podemos começar a questionar todas as coisas que se nos impõem. Até aqui cheguei eu. Estou ainda procurando o passo a seguir.

Não sei se este texto ficou confuso, porém, se assim for corresponde ao estado da autora. Nestes momentos nada é claro no horizonte... só muitas mudanças acontecendo, paradigmas sendo quebrados, e a procura por um paradigma que para mim seja coerente. Misericordia!!

12 de maio de 2009

Retiro Forçado

Temporáriamente estarei fora do mundo virtual, já que fiquei sem acesso à net. Espero poder continuar postando muito pronto... 

27 de abril de 2009

Questões

Ultimamente as coisas não têm andado como "deveriam" andar. Muitas coisas são cada dia mais confusas, muitos conceitos, razões, valores e idéias que eram fixas agora estão tremendo sobre um chão de dúvida que ameaça acabar com elas, tragar tudo sem deixar nada em pé. O que é, afinal, a vida, senão uma constante mudança de paradigma? Porém, esta mudança dói, e muito.

Algumas das minhas questões fundamentais, perguntas que pelo momento não têm resposta:


  • O que é "o mundo"? Essa coisa tão terrível da qual o "crente" vive fugindo, se escondendo dele nas igrejas, tentando se isolar de todas as coisas que possam trazer o mundo para dentro das suas vidas. Para mim classificar certos hábitos culturais, como beber ou fumar, como coisas mundanas, é algo meio bitolado...

  • O que é pior, ouvir música "do mundo" (de novo o monstro ao ataque) ou dizer mentiras ou ser hipócrita na cara de pau com o irmão que senta do seu lado na igreja? Muitos fofoqueros adoram ir à igreja...

  • Ser "de Deus" é aceitar todas as tolices que alguns pregadores falam? Chorar ouvindo músicas mediocres como "entra na minha casa, entra na minha vida..."?

  • Ser cristão é seguir a Cristo ou seguir o que dizem na sua igreja?

  • Ser "normal" é aceitar todas as regras idiotas que a sociedade impõe?

  • Por que casar é uma doidera (vai estragar a sua vida...), e namorar até os 40 (de preferência com muitas pessoas) é uma coisa aceitável? Não é uma inversão de valores?

  • Por que as pessoas estão tão preocupadas em estragar a vida dos outros? O ditado "a inveja mata" já está ficando curto para todas as atrocidades que as pessoas fazem contra as outras...

  • Por que as pessoas fingem e são tão egoistas que só vem "o seu sofrimento" sem perceber o dos outros?

  • Por que tudo o que a gente aprende como certo afinal resulta errado ou questionável? Por que aprendemos a ver a vida a duas cores quando está cheia de tons intermedios para confundir a visão?

  • Ser decente é usar roupas sem muito decote, saias longas e blusas compridas? Ser vulgar é usar palavrão? Muitas pessoas vulgares tenho visto que aparentam grandeza de cultura...

  • O que é igreja? Já, não venham me dizer que é a reunião dos crentes em Jesus porque isso já não acredito... muitos tem no meio que não estão nem ai nem pra Deus nem para os outros. Eles, porém, são membros de igreja...

  • Desde quando se deslocou o centro do cristianismo? As pessoas não mais pregam Jesus, senão como instrumento de cura que o "missionário tal" oferece... Se ouve falar em milagre, bênção, riqueza, felicidade e bem-estar, o diabo é mandado embora uma e mil vezes para ser chamado no culto seguinte, a fim de poder expulsá-lo de novo. Deus passou a ser marca de consumo, oferecido como se fosse um novo carro com todos os luxos... cadê o respeito?

  • Por que as pessoas se aferram a coisas que não são fundamentais, como o "autor" de este o tal outro livro da Bíblia, brigando "porque foi Marcus mesmo que escreveu o evangelho" e deixando passar as besteiras mencionadas no ponto anterior? Não deveriamos brigar pelas coisas importantes? Muitas pessoas há que não aceitam divergências enquanto as suas tradições, mas aceitam os óleos da bênção e copos de água que certos pregadores oferecem por ai...

  • Que é verdade? A tua, a minha, a dele? Muitas opiniões, cada um afirma que ele está falando a verdade absoluta. E aí, como é que a gente faz?

  • Que é pecado? Ir dançar ou humilhar o próximo? Beber ou fofocar do vizinho? Quais são os nossos valores? Há um padrão de "santidade" um pouco fora da realidade... na verdade é uma série de regrinhas "faça-não faça que obterá resultados espléndidos!"

  • Que é mais importante, resgatar alguém que está sozinho na rua ou evitá-lo porque "pode me contaminar, ele é do mundo"?

Comecei pelo "mundo", terminei pelo "mundo". Para mim muitas coisas não estão no lugar certo, muitas das coisas que temos aprendido desde sempre não enxergam a realidade como ela é, mas como elas pretendem que seja. Não há um só parámetro de existência. A vida é mais complicada e por sua vez mais simples do que muitas vezes aprendemos e pensamos. E agora? Haja paciência, com tantas questões na minha cabeça, só pela misericórdia de Deus que não estou doida sem remédio... pelo menos não tanto!

31 de março de 2009

Saindo do Quadrado

A nossa é uma sociedade individualista. Somos ensinados que devemos procurar primeiro o nosso bem-estar, sem importar o bem estar dos outros. O egoísmo está cada vez mais presente nos corações das pessoas, fazendo com que elas se isolem das outras (isto afeta tanto as relações interpessoais, os casais não entendem mais o conceito de se dar ao outro, cada um quer prevalecer e ser o centro do relacionamento, como o próprio interior do ser humano, com a solidão).
A palavra egoísmo significa: “
amor próprio excessivo, que leva o indivíduo a olhar unicamente para os seus interesses em detrimento dos alheios”. Cada um olha por si, e os outros podem ir pro brejo.
O que tem a ver isto com a igreja? O que tem a ver conosco? Nós estamos inseridos na sociedade, e muitas vezes nos comportamos de forma parecida às pessoas ao nosso redor. Muitas igrejas se fecham aos outros, se tornam entidades que trabalham para si mesmas: as pessoas de fora igual são perdidos e não merecem que compartilhemos do nosso tempo santo com elas. Muitas vezes se estabelecem distinções
entre a “igreja” e o “mundo”, no qual vivem as pessoas não “crentes” que podem contaminar o crente se ele se misturar a elas. Assim se cria uma isola. A igreja fica reclusa no seu quadrado, vendo só por ela mesma.
Mateus 9, 35-36. Durante seu ministério Jesus demonstrou sempre amor e compaixão pelas pessoas. Aqueles que eram considerados pecadores aos olhos dos religiosos da época, porque não podiam cumprir todas as leis, porque eram incapacitados fisicamente ou porque não iam ao templo, eram atingidos por Jesus. Para Jesus não existiam divisões sociais ou religiosas capazes de fazer com que só uma parte do povo merecesse ouvir a sua palavra. Ele via as multidões como ovelhas sem pastor, cansadas, sem esperança. Uma ovelha é um bicho muito burro, sem pastor ela está condenada à morte. As pessoas sem Jesus estavam, e estão condenadas à morte eterna.
Porém, a igreja de Cristo, que devia ser imitadora de Cristo, está reproduzindo o modo de ver as pessoas dos fariseus da época de Jesus, e o modo de viver imposto pela nossa sociedade individualista. Estamos muitas vezes comportando- nos como o levita e o sacerdote da parábola do bom samaritano, evitando o contato com o ferido. Muitos falam: “Somos nós, crentes” Como se por sermos crentes, por vir à igreja merecêssemos um prêmio ou a bênção incondicional de Deus. E o povo? As pessoas que se perdem porque estão sem um pastor que as guie? Muitas vezes nos esquecemos de que um dia fomos como eles, perdidos e sem esperança.
Para sermos como Jesus, devemos sair do nosso quadrado. A nossa missão não é ficar na igreja, bonitinhos, todo domingo assistindo ao culto e fazendo o que um “crente”deve fazer. Nós devemos enxergar como Jesus enxergava. Ao caminhar pela rua, Jesus não via pessoas feias, como muitas vezes nós vemos, não via pessoas sujas ou que devia evitar. Ele via pessoas que precisavam dele, cansadas, de olhar triste, doentes do corpo e do coração. Pessoas sem esperança.
A igreja deve sair da sua comodidade. Ela deve passar a se preocupar menos com o irmão que me olhou mal, com as brigas sem importância, e passar a se preocupar mais com as pessoas. Precisamos enxergar as necessidades da gente ao nosso redor.
A modernidade, como se falou, trouxe a solidão. Já não existe mais compaixão. Na Inglaterra, país onde se desenvolveu muito o protestantismo, as pessoas podem ver uma velhinha cair na rua, e passar do lado. Ninguém ajuda a ninguém, cada um deve ficar no seu quadrado para não “invadir a privacidade do outro”. A nossa realidade não é tão extrema. O brasileiro é hospitalar e acolhedor. Porém, estamos tão acostumados a ver o sofrimento, que quem sofre não nos importa mais.
As pessoas clamam por esperança. Elas precisam uma razão para viver. Nós sabemos que a única esperança e vida verdadeiras estão só em Jesus. O que estamos fazendo para espalhar esta notícia? Não se trata simplesmente de falar, devemos também atuar. (Ler Mat. 25, 42-43) Se nós pregamos o evangelho a alguém com fome, e o deixamos com fome, ele não poderá sentir o amor de Jesus em nós. O nosso Senhor não somente falava, ele fazia.
Mt. 9, 37-38. Para finalizar, devemos começar por orar ao Senhor que nos capacite a ir a este povo que precisa de nós. Ele via que a seara era grande. Precisamos não um missionário só, mas toda a igreja enxergando o povo que morre sem Jesus, que vive uma vida triste, que afronta os problemas sem saber que ao seu lado pode ter ao melhor de todos, a Jesus. Cada um de nós deve se preocupar com as outras ovelhas, aquelas que ainda não conhecem ao pastor mais amoroso que possam ter nas suas vidas. Nós somos ovelhas resgatadas, e devemos nos ocupar com nossas irmãs que estão perdidas. Não há divisão possível entre “igreja” e “mundo”. Nós não somos melhores do que eles. Em certo modo somos as vezes piores, pois conhecemos ao salvador e não nos importamos por fazer com que eles o conheçam também. Somos egoístas.
Jesus tinha compaixão das pessoas, e nós?