17 de setembro de 2010

Casar é tudo de bom!

Daqui a pouco vou fazer três meses de casada. Estão sendo os melhores meses da minha vida. Casamento é uma palavra que assusta muitos, deixa prevenidos outros, e uma ilusão não satisfeita para outros. Eu não entendo como tantas pessoas fogem do casamento como se fosse uma praga, quando é algo tão bom. É claro, se tem que pensar com cuidado antes de se casar, escolher com a cabeça, fazer tudo organizadamente. Porém, posso afirmar que casar é tudo de bom. Não somente a cerimônia, que para nós mulheres é o dia em que somos princesas, mas o estar casado, em si, é algo muito bom. Estar junto com o marido, desfrutar a companhia um do outro, se apoiar nas dificuldades, compartilhar todos os momentos da vida. Em um bom casamento até as dívidas não tiram a alegria de ficar juntos. E falo isto porque as dívidas estão presentes na minha vida, dívida disso, daquilo, pagar o aluguel, luz, água, todas as coisas que sempre se têm que pagar. Quando ia casar me falaram que o dinheiro era um problema no casamento, mas pelo menos até agora não tem sido não. A gente simplesmente fala e tenta resolver as dívidas, os problemas que surgem e que precisam de dinheiro, mas ninguém se desespera nem rompe coisas... e a gente cede, cede muito, cedo eu para não sair comprando quanto livro eu queria ter comprado, ele cede para não comprar aquelas coisas de música que ele gosta ou mesmo as coisas que ele precisa...

Casamento é mais do que um mar de rosas, é mais do que um pesadelo, é mais que uma responsabilidade. É saber que se conta com alguém, que se tem alguém esperando por mim quando vou para casa, alguém para cuidar, alguém para quem gosto de cozinhar, alguém com quem falo, rio, brigo, brinco, durmo, trabalho e que sei que sempre vai estar ai... alguém que faz parte da minha vida, alguém sem quem não me imagino viva... e vejo tantas coisas que se falam ao respeito do casamento, e vejo aquele seriado da globo, e penso como essa mulher é ridícula, brigando com o marido pelas coisas mais bobas, pelas expressões que usa ao falar, por não lavar um prato ou por dormir "do lado errado da cama". E penso que o que na verdade mata os casamentos é a intolerância, o egoísmo, o não deixar verdadeiramente de ser um para virar dois. Quando a pessoa não cede, quando pensa ainda como solteira, ai não há muita esperança. Casamento é coisa de dois. É uma luta a dois, onde os problemas são enfrentados mão na mão, um dando o ombro para o outro em caso das lágrimas rolarem pelo rosto, é uma comunhão, que vai além da sexualidade, além da rotina, além da aliança no dedo. Não compreendo aqueles que casam pensando que podem se divorciar. Não compreendo aqueles que casam pensando que tudo vai continuar como antes, sendo eles o centro das próprias vidas. Não compreendo aqueles que traem a confiança do seu companheiro, do seu esposo/a. Não entendo como uma pessoa jura fidelidade eterna, jura que vai aceitar ao outro com os seus defeitos e virtudes, na sua integridade, e depois anda reclamando que o outro é isso ou aquilo. Por isso é que casar é coisa que se deve fazer com calma, sabendo no que se está entrando, conhecendo a pessoa com quem se vai passar o resto da vida. Não é só pela aparência, só pela "paixão". Há muito mais em jogo.

Devo dizer, de novo, que casar é muito bom. Casaria de novo uma e mil vezes, claro, sempre com o meu Leo, não quero ninguém mais, não me vejo com ninguém mais. Muitas coisas ainda ei de enfrentar nesta vida de casada, muitos problemas, lutas, dificuldades, filhos, doenças, dívidas. Mas eu vou estar com o meu amor, meu companheiro, meu amigo, e sei que vou andar adiante, sei que vamos superar todas as coisas, porque estamos juntos. Porque estamos como queremos estar, e não há nada que possa nos tirar o desejo de estar juntos.

Já bastante provação é ter que ficar longe do meu marido quase que a semana toda, estudando no Rio enquanto ele trabalha em Lorena. Já é muito ruim não poder ficar juntos, saber que ele vai chegar em casa e vamos conversar, vamos brincar, vamos rir, e que vai me contar como foi seu dia. Já é muito ruim não poder ver seu rosto todos os dias ao acordar, sentir seu corpo junto ao meu quando vamos dormir. É muito ruim. É um tempo que quero que passe voando. Estou contando os dias, os minutos para me formar, para ir embora para minha casa, para os braços do meu amor. Ai que saudade. Estar sozinho estando casado é a pior coisa do mundo. Estar sozinho, em si, não é nada bom. Já não consigo, já não sou mais só eu. Eu preciso do meu amor, eu preciso do meu esposo.

É tão legal essa lógica do casamento, de deixar de ser um e virar dois... ao estar longe se sinte vazia uma parte do peito, falta metade do coração... eu acho que isso falta em muitos casamentos, essa sensação de serem dois. Para muitos casar é uma forma de legalizar o sexo, ou então para resolver algumas indiscrições, ou para se livrar de uma casa onde a vida é um inferno. Mas casamento não é isso. Casamento é um compromisso, uma entrega ao outro. Sem isso, o casamento não resiste os ataques deste mundo de relações rotas, onde se prega a individualidade e o egoísmo. Casamento, bem pensado, bem decidido, com certeza no fundo do coração, é tudo de bom. Que bom que estou casada. Que bênção!

15 de setembro de 2010

Tengo un dolor en el corazón...

Desde semana pasada recibí muy malas noticias: mi perrito fue golpeado. Él está en Colombia, donde lo dejamos por no poder pagar el pasaje para llevarlo con nosotros. Mi abuelita se encargó de él con mucho cariño, y nosotros lo llevamos en el corazón, y sufrimos mucho por tenerlo que dejar. Pero sabiamos de él, que estaba bien, le contabamos los cumpleaños (el 10 de julio) y bueno, le hacia compañia a mi abuelita. Y ahora, cuando está viejito, ya enfermito, mi abuelita lo lleva a pasear y un tipo sin corazón simplemente me lo deja tirado en la calle de la paliza que le dió. El pobre lloraba, no se podia levantar, cuando lo supe me dió el primer dolor. Pero ahora la pena es completa, porque mi perrito no tiene remédio: el viernes se me muere mi Danfer.
No tengo palabras para expresar toda la tristeza que tengo. Y encima de todo estoy lejos, no le voy a dar un último abrazo, no voy a ver de nuevo esos ojitos expresivos. Mi perro fue muy importante para mi y para mi família, pasamos por tantas cosas juntos, vivimos tantos paseos, tanto tiempo... yo sé que ya estaba viejito, pero todavia podia vivir unos años si no fuera por la golpiza que recibió. Y mi pobre abuelita solita, enfrentando el sufrimiento del perrito, viendolo que no come, viendolo postrado del dolor, y ella solita también, sin nadie que la ayude a llevarlo al veterinário, sin nadie para consolarla. Mi abuelita es muy valiente. Pero a ella también le está dando duro el dolor de mi perrito. Y eso aumenta la tristeza del corazón, porque no estoy allá con ella, no puedo hacer nada desde aqui, sólo llorar y ponerme triste, y mandarle unas palabras de consuelo, que parecen tan frias e impersonales recibidas en un e-mail.

Yo sé que la vida es un ciclo, y que tarde y temprano todos se mueren. Pero morir de esa forma es indignante, morir por culpa de otro ser, que no puede ser llamado "humano", es algo que da rabia. Mucha rabia. La impiedad, la crueldad del ser humano es algo que cada día me desespera más. Cada día me asonbra más. La capacidad que tienen algunos de salir por ahí creyendo ser los únicos dignos de respeto, misericordia e amor, los únicos que sienten dolor cuando los golpean, pero que pueden salir golpeando sin piedad a quien sea, hombres, animales, seres indefensos. Cómo algunos tienen la capacidad de decir "pero si es solo un animal". Y es que los animales no sienten? El ser humano es absurdo a veces.

Y el dolor está ahí, en lo más hondo del corazón, esperando el cumplimiento de la sentencia a muerte. Espero que mi Dios no haga sufrir por mucho más tiempo a mi perrito. Espero que mi abuelita descanse de esa angústia. Espero algún día poder volver a mi tierra... pero ya no voy más a encontrar mi perrito esperando, no lo voy a llevar más de paseo, no lo voy a ver al lado mio cuando estoy en casa. Danfer es uno de esos perros que marcan la vida, de esos que parecía que hablaba con los ojos, con su mirada mansa, a veces triste, siempre fiel. Halaba la correa con el gusto de salir a pasear, corría sin cansarse cuando le lanzábamos el palo, o la pelota, lo que fuera nunca duraba bajo su mordida fuerte. Y las veces en que se subía a la cama, y las veces en que escondía el hueso en el sofá. Y cómo jugaba con mi gato. Ellos se querían tanto que dormían juntos. Y mi Pachito que se me fue también, ellos eran tan amigos. Una vez le gustó tanto el paseo que no quería devolverse, y se tiraba del carro para volver al lugar de donde nos estábamos yendo. Y tuvimos que hacerlo correr, para que se quedara quieto, para poder volver a casa.

Es un perro elegante. Todos se admiraban de su belleza, su porte. Es tan bonito... ahora está sufriendo, con llagas en su cuerpo, heridas en su boca y cuerpo, ahora está tan mal... ay qué dolor en el corazón, qué impotencia, no puedo hacer nada aqui! Y mi abuelita debe sentir lo mismo pero peor, viéndolo así sin poder hacer nada. Esperar la visita del veterinário.

Nunca me olvidaré de mi Danfer. Hace parte de mi vida, es el perrito de la casa, hace parte de la família. Se me está muriendo un ser querido. Y para completar, otro ser querido está sufriendo mucho por eso. Ay abuelita. Ay mi Danfer. Ay, ay, qué dolor en el corazón.

1 de setembro de 2010

O Tempo Passando...

Eis me aqui, depois de dois meses sem escrever nada, sem ter tempo ou vontade (ou simplesmente acesso a internet), passando para reviver meu esquecido blog.
Agora sou senhora casada (epaa), vida boa! Devo dizer que Poços de Caldas, onde foi minha lua de mel, me deixou encantada, não vejo o dia de voltar. Também devo dizer que o dia mesmo de casamento, depois de tão sofridos meses arrumando tudo, passa tão rápido que parece um sonho. Se não fosse pelas fotos me perguntaria se realmente aconteceu.

Agora estou na fase final do meu estudo, se Deus quiser e se consigo fazewr tudo direitinho, este ano me formo teologa! Bom, bacharel em teologia, mas pretendendo continuar o caminho rumo a uma formação teológica mais profunda. A monografia é o grande pesadelo de todos os formandos. A minha estava adiantada, mas entre casamento e cuidado do lar (agora sou dona de casa, ufff...) deixei o tempo rolar, passar voando... e aqui estou, correndo, escrevendo igual a uma maluca, lendo livros desde cedo de manhã até tarde à noite, tentando terminar um assunto que parece inesgotável: o profetismo em Israel. Quem diria que tem tantas opiniões diferentes sobre o mesmo assunto? Quem diria que existem tantos tipos de profeta, funções de profeta, designações de profeta? Foi mais fácil pesquisar sobre a profecia no resto do Oriente Antigo Próximo! E agora tenho um capítulo muito comprido, um não inciado e outro que me da dor de cabeça: teria que fazer análise sintática de um texto, sendo que para a gramática sou fechada...

E o tempo passando, os dias voando, a angústia subindo no meio do pescoço, apertando levemente o peito... e eu aqui escrevendo sobre as sensações, só para descansar um pouco a cabeça, para aliviar um pouco a neura, para deixar de pensar em profetas por um pouco. Profetas, depois desta não quero saber de profetas em um bom tempo!

Espero voltar a escrever mais seguido no meu blog, escrever sobre minhas crises de sempre, sobre esta igreja que me decepciona tanto, sobre o que acontece ao meu redor que nãoi consigo entender... cada dia mais tenho certeza de que o mundo está doido, as pessoas estão doidas. Ou talvez seja eu que não concordo com nada, e por isso mesmo sou uma completa maluca. Por enquanto só tenho isto para escrever, minha cabeça está cansada. E minhas mãos também.

18 de junho de 2010

Quem Sou Eu?

Desde ontem venho ouvindo essa pergunta. Primeiro na sala de aula, e não saiu mais da minha cabeça. Hoje meu outro professor a repetiu. Não é uma pergunta de resposta fácil, já que quem eu sou é para mim um mistério tão grande... mas vamos por partes.

As aulas deste semestre curiosamente têm estado muito relacionadas umas com as outras, os temas convergem e dialogam entre si, e todos levam às mesmas conclusões:

A salvação é coisa para ser vivida na Terra, isso de que ser salvo é ir ao céu é coisa do passado. Nesse sentido, as aulas de ética e teologia têm me servido muito, já que a ética é algo que muitos estão transgredindo, e mesmo dentro da igreja o valor da vida se perdeu, por aquilo de que o ser humano 'é totalmente ruim'. Se somos totalmente uma porcaria, a melhor perspectiva que temos é morrer e ir para o céu. A vida na terra é algo de passagem, por isso, se sofremos aqui, ou se nossos direitos são violados aqui, ou se somos oprimidos e manipulados por ideologias que favorecem aos poderosos, não há como reagir: o mundo é assim, é mau, e não temos perspectivas de mudança ou libertação. Porém, tenho aprendido que o homem não é mau totalmente, é um ser complexo cheio de ambiguidades. Eu poderia falar que sou isso, um ser complexo, mas nem isso responde à pergunta de quem sou eu, porque ela não me está perguntando como sou, mas quem sou.

Outra coisa que aprendi, e que deriva da primeira, é que o sistema atual do mundo é totalmente contrário à mensagem de Jesus, à mensagem da vida, à simples lógica que diz que a vida é importante. Não só a vida dos ricos, não só a vida dos seres humanos. A vida da Terra tem valor, cada pequenino ser humano, criança, mulher, homem, ave, insetos, árvores, tudo é valioso, tudo merece respeito e tudo precisa de atenção. Parece algo que todo mundo sabe, mas acho que de tanto ouvir falar a gente acaba esquecendo a essência do valor da vida. Todo mundo sabe que o planeta está sofrendo, que se não mudamos nossa atitude o aquecimento global acabará conosco. todos sabem, mas todos deixam pra lá. É mais importante o interesse monetário daquela indústria que arrasa com as florestas e contamina os rios, ou daquele grupo insurgente que tira as famílias de suas casas e as condena a uma existência de marginais para poder ter mais terras para cultivar drogas. E esquecemos, nós crentes em Jesus, que foi Deus quem fez o mundo, e nos baseamos na tradução errada do Gênesis para dizer que nós temos o controle sobre o mundo porque Deus mandou. Mas o original não diz para estar sobre a natureza, e sim junto com ela. Somos parte da natureza também, dependemos dela para viver, não somos donos absolutos de cada árvore, cada rio, cada pedaço onde os animais ainda tentam sobreviver. Somos apenas vizinhos destes animais, destes árvores, e, sim, podemos usufruir deles, mas com respeito e cuidado.

O que aprendi que me levou à reflexão da pergunta "Quem sou eu" é um novo caminho de espiritualidade, um desafio muito grande para uma seminarista que mal deixa tempo para ler a Bíblia, para dedicar um tempo em silêncio a Deus. Este caminho o encontrei no livro que tivemos que ler para a matéria de "Aconselhamento Cristão", o qual se chama: 'Crescer, os três movimentos da vida espiritual', de Henri M. Nouwen. Profundamente simples mas tremendamente complexo, ele mostra como ser melhores pessoas na relação consigo mesmos, com os outros e com Deus. Difícil para mim é pôr em prática o que o livro fala (não é receita de bolo ou auto-ajuda, é um simples falar da essência do ser humano, por isso é difícil, acho...), me dedicar a me achar de verdade. O professor, fazendo as reflexões do livro, planteou a pergunta que titula esta postagem. Se respondo - Sou Viviana, ele diz: Não perguntei seu nome. Quem é você? -Sou seminarista.-Não perguntei o que você faz... e assim por diante. Eu já tinha ouvido esta pergunta e essas respostas, muito tempo atrás, nas minhas aulas de filosofia no segundo grau. O professor Roberto Cano falou exatamente as mesmas coisas: Quem é você? Eu não estou perguntando nome, sexo, idade, estado civil ou profissão. Eu perguntei quem é você. Ao ouvir de novo esta pergunta nesse sentido, percebi como deixamos de lado tão facilmente as coisas essenciais da vida, como passamos os anos procurando melhoras profissionais, um bom emprego, e quão pouco nos preocupa-mos em conhecer a nós mesmos. Isto porque tanto nessa época como agora, a resposta é a mesma: não sei. Não sei quem eu sou.

É um pouco desolador não saber quem se é. Eu sei o que estou estudando e o que quero fazer quando me formar. Sei que daqui a uma semana vou estar vivendo meu último dia de solteira, e que vou ser esposa. Sei de onde venho, e que quero ainda ir para muitas partes. Mas quem eu sou? Qual é a minha essência? Para que estou no mundo, quem eu sou?

Espero encontrar-me daqui por diante. Vou precisar aprender a disciplina, encontrar um tempo para mim mesma, sem fugir de mim, sem pôr música ou ligar a tevê para não me sentir só. Preciso ouvir minha voz interior, o quê ela tem para me dizer. E também preciso um tempo em silêncio diante de Deus. Um tempo em que possa ler a Bíblia sem questionar Paulo, ou zoar Davi, ou dizer que Neemias era um racista. Pode que não concorde com eles, mas a questão vital não é concordar ou não, mas escutar o que essa Bíblia que fala a tantos tem a me dizer. Coisa de seminarista: antes eu ouvia, agora só estudo a Bíblia. Estudo no sentido acadêmico, de datas de composição e teologias originais. Eu amo isso. Eu gosto de descobrir a voz do autor dirigida ao seu público de tanto tempo atrás. Mas ainda sei e acredito que Deus usa esses textos para falar às pessoas. Só tenho que voltar a eles com outra perspectiva. Ai, Senhor. Parece tão fácil escrito...

Talvez daqui a uns anos eu leia de novo este texto, talvez tenha esquecido meus propósitos, voltando à correria muda do dia-a-dia. Espero que não, espero ter estabelecido um diálogo comigo mesma, e um diálogo com Deus. Espero ter aprendido um pouquinho de mim, e poder responder, pelo menos em parte, a pergunta: Quem sou eu.

17 de junho de 2010

Blog com Nova Cara...

Pois é, depois de muito tempo, mudei a configuração do meu blog. Agora ele está com uma nova vestimenta... devo confessar que, de princípio, não gostei! Mas como parece que apagaram todos os modelos anteriores, terei que me acostumar com a mudança... Ai, isso passa por curiosa!

11 de junho de 2010

Manual para el Mundial

Llega otra vez -¡¡por fin!!- la Copa Mundo. Muchas personas, sin embargo, no saben bien las normas, estrategias, historia y personajes del fútbol. Es por eso que Postre de Notas abrió una sección de preguntas y respuestas sobre balompié que pretende ayudar a gozar de la ocasión a quienes no son aficionados constantes a la poesía en movimiento con la redonda disculpa de un balón.

P- ¿Qué es exactamente el fútbol?
R- Poesía en movimiento con la redonda disculpa de un balón.

P- ¿Quién inventó el fútbol?
R- En la China se practicaba hace tres mil años un fútbol tosco y primitivo que aún lo juega en Bogotá cierto equipo de uniforme azul y blanco. Los inventores del fútbol-arte moderno fueron, en Colombia, el Club Independiente Santa Fe y, en España, el Barcelona FBC.

P- ¿Por qué alegan los ingleses que ellos crearon el fútbol?
R- Por las mismas razones incomprensibles que los llevan a manejar carro por la izquierda, tomar un agua amarillenta llamada té y comer una especie de bizcocho que se encuentra relleno de (¿están preparados?) ¡¡hígado!!

P- ¿Cómo explica que Colombia solo ha participado en unas pocas de las 18 Copas Mundo ya jugadas?
R- Por una parte, el alto precio de los billetes aéreos. Por otra, el viejo prejuicio que existe en el planeta entero contra nosotros.

P- ¿Quién decidió que el portero fuera el único jugador autorizado para tocar el balón con la mano?
R- Dios. Casi todo lo del fútbol ha sido decidido por Dios. Incluso el gol de Maradona con la mano en el Mundial del 2006.

P- ¿Cuántos árbitros vigilan un partido?
R- Cuatro. En total, son tres ojos, porque el juez central y los laterales suelen ser tuertos, y el cuarto árbitro siempre está ocupado intentando que funcione el tablero que indica los cambios.

P- ¿Es verdad que el árbitro no debe pitar penalti cuando la mano del jugador que toca el balón está completamente pegada al cuerpo?
R- No es verdad. El árbitro se ocupa de episodios futbolísticos, no de fenómenos de degeneración teratogénica.

P- ¿En qué consiste exactamente el saque de banda?
R- En las dictaduras militares es un saque que se realiza al compás de una banda de guerra. En países donde influyen las mafias es el que decreta el juez presionado por una banda de delincuentes.

P- ¿Por qué razón hay doce pasos del punto de penalti a la línea de gol?
R- Se trata de un homenaje a los doce apóstoles.

P- ¿Por qué hay nueve pasos entre el balón y la barrera en el cobro de un tiro libre?
R- Porque solo nueve de los doce apóstoles eran aficionados al balompié. Pedro estaba muy viejo; Juan prefería jugar "oa" y Judas andaba atareado vendiendo y comprando futbolistas.

P- ¿Qué es un tiro libre indirecto?
R- Es un tiro libre que no es libre porque no es directo.

P- ¿Qué puede ocurrir si el árbitro se traga el pito en pleno partido?
R- Caben dos situaciones: que no pueda seguir pitando y sea necesario llamar al árbitro suplente; o que siga pitando y sea necesario llamar al proctólogo.

P- ¿Por qué la portería lleva una malla alrededor?
R- Es un recuerdo de cuando el fútbol era un deporte submarino que practicaban los pescadores.
P- ¿Qué es un fuera de lugar?
R- Está en fuera de juego o de lugar todo jugador situado en la demarcación determinada por el azimut de la portería rival y la hipotenusa del triángulo escaleno comprendido entre la esquina más lejana del campo, el rival más próximo y el centro del terreno, siempre y cuando dos rivales ocupen el área que indica el logaritmo del plano imaginario del paralelipípedo de la portería. O bien cuando al árbitro le dé la p..inche gana de pitar orsay.

Por Daniel Samper Pizano

Nota da dona do blog: Daniel Samper es muy bueno, no podia dejar de destacar esta nota suya... original em www.eltiempo.com

2 de junho de 2010

Da Saudade Quando Vem Às Vezes

Estes dias minha mãe me disse que minha vó, que está chegando da Colômbia neste mês para o meu casamento, perguntou o que eu queria que ela trouxesse. No momento me deu branco, como sempre me acontece nessas ocasiões. Mas eu fiquei pensando, pensando em tudo aquilo que há tanto tempo não vejo, não cheiro, não como. Muitas coisas que só Colômbia tem, muitas coisas boas para comer, para se ver, para cheirar.

Eu escrevi à minha vó a lista do que quero que ela traga. Mas enquanto espero, fico aqui com a saudade, que acordou ao me lembrar da minha terra, da minha vida lá, de tudo o que aconteceu nesses 17 anos em que não fui estrangeira no mundo, e me lembrei da minha escola, que, comparada com o modelo que tenho aprendido do que é escola aqui, é muito boa, dos meus amigos, das festas à tarde depois da escola, dos cinemas que pegava com minha irmã enquanto meu pai e meu irmão estavam viajando visitando meu avô. Me lembrei dos momentos ruins em que quase ficamos doidos, meus irmãos e eu, e de tudo o que fazíamos quando éramos crianças, como ir àqueles acampamentos de férias nos quais não me dava bem com as meninas da turma, nos quais aprendi a fazer velas e desfrutei bastante a piscina, ou quando as novelas na Colômbia ainda eram algo que valia a pena ser visto, e todos ficávamos juntos para assistir "Betty la Fea" ou "Pecados Capitales"...aqueles tempos em que pensava que ser grande era uma coisa para acontecer em um futuro tão remoto!

E é que a saudade, quando vem, vem com tudo. Não só traz a lembrança das coisas que se queria poder ver, mas também dos momentos vividos, dos problemas passados, das lágrimas choradas e até dos gatos perdidos (que foram dois, os dois morreram por andar na rua quando não deviam, graças à minha mãe e sua frase "coitados, eles sempre fechados em casa...").

É bom se lembrar das coisas. É bom se lembrar de onde viemos, lembrar as ruas pelas que andamos, os momentos simples que vivemos e que, no momento de ser vividos, pareciam tão complicados. É bom se lembrar da adolescência, com as crises de identidade, quando não se encaixava em nenhum grupo estabelecido (até hoje creio que não mudou, sempre tem os nerds, aqueles "bonitos", aqueles "populares", depois vem o resto... que era onde eu estava), quando se pensou que perder uma matéria da escola era o fim do mundo. Ah tempos bons, quando os problemas que se enfrentavam eram tão simples! Quando ainda se pensava que os pais resolviam as dificuldades das nossas vidas e que eles eram os responsáveis pelas nossas necessidades. Bons tempos... quando o mundo parecia uma coisa tão alheia e as injustiças dos poderosos não estavam nos pensamentos centrais da vida... quando o importante era saber o que se fazer depois da escola.

E Colômbia. As férias em Melgar, as piscinas, o "raspado", a manga verde com mel e limão, o café Dolca, o "roscón" de doce de leite, queijo e goiabada... ir aos centros comerciais, o Metrópolis, o Cafam, simplesmente para conversar com as amigas e passar o dia... Bogotá, com seus Monserrate e Guadalupe, com o centro histórico, com a "Plaza de Bolívar", cheia de pombos. E os ônibus (que na Colômbia são chamados de buseta, sem nenhuma vulgaridade na palavra), as bicicletas, o "Transmilenio". E a vida em casa, fazer os deveres de casa, lavar as louças, levar o cachorro a passeio. E meus irmãos. E meus pais. E minha vó. E meu quarto, com meus livros, minha cama, minha coberta de sempre, meu poster de Garfield e meu abajur de flores. O cotidiano que, visto como passado, assume um ar saudoso que não se pode mais deixar de respirar. Colômbia é um pais muito bom. Com gente boa, gente ruim, gente feliz, gente triste. E muita dor no coração de cada um, dor pela pátria que ainda perde seus filhos, ainda se banha de sangue. Creio que essa dor é característica dos colombianos, e de todos aqueles outros povos que vivem num pais em guerra.

Sentir saudades é uma coisa boa. É uma coisa que faz valorar o que se viveu de bom, revisar o que se viveu de ruim, por se tem alguma lição, já sem sentir a dor que se experimentou na ocasião, lembrar dos amigos e dos parentes, lembrar essas coisinhas que no tumulto de pensamentos do dia-a-dia se guarda no caixão do esquecimento.

E quando a saudade chega, é bom lhe abrir a porta, e deixar que ela nos leve da mão por todas aquelas coisas que fazem parte da nossa passada existência. Faz bem lembrar da própria terra, da própria história.

27 de maio de 2010

O Delicado Problema da Soberania

Agora o problema de moda é o acordo que o Brasil firmou com o Irã. As grandes potências já deram o voto negativo. A ONU está levantando algumas sanções contra esse pais, argumentando que estão planejando fazer uma bomba nuclear, e que eles não têm sido claros.

O que eu não entendo é como os Estados Unidos são tão cara de pau. Como eles podem alegar que Irã não está seguindo o que a ONU disse, e que é Irã quem quer fazer uma bomba nuclear, quando eles são os primeiros a pular as decisões da ONU, e quando todos sabem que o mais seguro é eles terem não uma mas sei lá quantas armas nucleares. E outra coisa, como eles são cínicos, eles querem legislar sobre todos os países do mundo e nem se dão o trabalho de disfarçar! Hilary Clinton foi com uma sugestão à ONU para novas sanções contra Irã. E falm contra o Brasil por fazer o acordo. Eles esquecem que cada pais é livre de tomar suas próprias decisões, e se o Lula assinou, por algo foi. Além do que, como bem disse Lula, eles não podem impedir o direito de Irã de ter energia nuclear. Por quê eles podem, e o resto do mundo não? Por quê eles veêm bombas nucleares em todas as outras nações que desenvolvem esta energia, sendo que eles também têm?


Eu acho que é aquilo de que o ladrão julga pela sua condição... se ele rouba todos os outros roubam também, ou, no caso dos EUA, se eles tem bombas nucleares, todos os outros também têm, ou procuram ter. E tomam a posição de donos do planeta, achando que tem o direito de legislar a vontade em todos os países do mundo. Mas cada país é independente, e soberano, autônomo, livre de decisão. Mesmo que lhes doa, os EUA têm que aprender que não governam o mundo. Aquele futuro desenhado por Matt Groening em Futurama não existe, e, espero, não vai existir.

Se os EUA fossem exemplo de algo, eles não seriam os maiores poluidores do planeta... afinal, Hiroshima e Nagasaki foram responsabilidade deles!

26 de maio de 2010

Más una vez 26 de Mayo...

Y más un año pasó, más un cumpleaños fue celebrado... y mi hermana tiene 21 años!!! Y ahora se va a enfrentar a tantos desafíos, esperando la respuesta para su entrada en la universidad; después de tanto esperar Laura va a salir del colegio! Con años colegiales extra por cambiar de país, mi hermana sabe mucho sobre turismo, y ahora quiere incursionar en el derecho, un campo complicado, pero que lleva en la sangre... Yo sé que, sea lo que ella haga, lo hará muy bien...

Más un 26 de mayo, que este año está marcado todavía más en mi cabeza porque representa el tiempo que pasa: De aqui a un mes exacto, en este mismo horário, estaré celebrando mi ceremonia de matrimonio, confiando en Dios... cuantas cosas tengo todavía por resolver! Decoración aqui, flores allá, pagar los recuerdos, la decoración del ponqué, quién va a hacer este último, si va a haber o no comida, los pasabocas, las bebidas, el culto... ay Dios! Y faltan solo cuatro semanas, sin más ni menos!

Lo más importante es que mi hermanita está de cumpleaños, ya no es una hermanita, sino toda una mujer, valiosa y hermosa, extrañada y recordada cada día desde aqui tan lejos... Te amo mucho mi Laura!!! Recuerda lo importante que eres para mi, y lo mucho que te amo!

22 de maio de 2010

Da confiança em Deus quando se confiou nos seus filhos

Ultimamente estou muito decepcionada. Quando se procura ajuda, o que se acha são vagos "talvez" ou "vamos ver...". Estar numa situação de dependência e de necessidade é muito ruim. É algo pelo qual cedo ou tarde, alguma vez na vida todos passam. E não é legal. Não é legal se ver impotente, não achar a saída para os problemas, saber que a única opção é um milagre. E ai entra a decepção.

Eu sei que Deus pode tudo. Eu sei que ele é a minha única esperança, o único que de verdade não vai me sair com respostas meia-boca. Eu sei, e vejo, que ele me sustenta dia-a-dia, e que mesmo com os problemas sem resolver posso afrontar um dia após o outro. Mas a decepção não vem de Deus. A decepção vem dos seus filhos.

Não sei se é falta de fé, ou se esperava mais das pessoas, só sei que sim, Deus ajuda, mas eu acho que ele deu capacidade às pessoas de ajudar os seus semelhantes. Uma comunidade que se diz cristã, que se reúne cada domingo para cultuar Deus, deve demonstrar com fatos o que vive cantando e pregando. De nada serve ficar falando aos outros da bondade de Deus se seus próprios filhos não são bondosos, se não estão nem ai para seus próprios "irmãos". A resposta que agora todos dão é "confia em Deus", "ele vai te ajudar".

Tudo bem. Deus me ajuda, sim. Mas Deus deixou aos seus filhos a tarefa de cuidar uns dos outros. O individualismo do mundo está de forma tal presente dentro da igreja que agora é Deus quem deve fazer o trabalho que ele mesmo deu aos seus filhos (isso porque a igreja vive pregando que é preciso se afastar do "mundo"...). Que Deus opere não duvido. O que me deixa sem palavras é a indiferença, e a cara de pau dos seus filhos. Imagina se Jesus tivesse dito ao cego: "meu filho, confia que Deus resolve". Ele mostrou, na prática, ao cego que Deus resolve. Ele não o deixou na mão. Ele é, ou deveria ser, o nosso exemplo de igreja, por isso é que dizemos que somos cristãos. Mas para a igreja é mais fácil dizer "Deus te ajuda", e dar as costas para quem precisa.

Mas agora a igreja se preocupa mais em comprar coisas pro "templo". Em aparecer, fazer campanhas, vender bençãos, excluir membros, julgar uns aos outros. O amor de Deus, o cuidado que Deus demonstrou por meio do seu Filho, a caridade de uns com outros, tudo isso se perdeu. Agora tanto faz se alguém sai da igreja. Ninguém faz perguntas. Pode até morrer que ninguém se importa. Ah, e se por acaso algúm dia a pessoa volta à igreja, simplesmente fingem interesse e perguntam onde esteve todo esse tempo.

Será que Deus quis isso? Será que basta um simples "vai que Deus te ajuda"? Já falava disso Tiago, quando censurava aqueles que diziam aos seus irmãos: vai, que Deus te ama, e não davam pão para matar a fome, nem água para matar a sede. Assim como se demonstra o amor de Deus?
As "obras" da igreja são importantes. Sim, a obra de tal templo, a contrução de tal outro, obras aqui e obras ali. Obras mortas, que deixam de lado as pessoas que precisam, que deixam de lado o ser humano que, técnicamente, é mais importante que qualquer edificação.

Sinceramente, só posso esperar em Deus. Sinceramente, confio mais em pessoas que não conheço, nas quais não tenho esperanças depositadas. Pelo menos elas não vão me decepcionar. Mas aqueles que um dia fingiram que me amavam, esses podem ficar longe. Eu me viro. Deus me ajuda, mesmo que tenha que mover a misericórdia o coração de algúm desconhecido (como já fez, na minha vida, inúmeras vezes), mesmo que tenha que descer do céu a ajuda divina. Seus filhos, que moram na terra, deixaram sobre os ombros dele a carga que ele tinha dado para eles. A igreja, instituição, essa sim, cada vez mais me deixa com o pé atrás. Claro, há grandes excepções. Há sempre pessoas de verdade, pessoas sinceras. Pessoas que se não gostam de algúem falam na cara, e não dão a impressão de ser amiguinhos. E que quando gostam de alguém, estão ai para o que for. Ainda bem que, quase sempre, eles são maioria nas igrejas. Quase sempre.

Que falsidade. Que atuação. Será que a igreja está virando uma grande peça de teatro, onde todos fingem se amar, quando na verdade cada um está preocupado com seu próprio umbigo? Muitos exemplos de iniquidade (no sentido de falta de misericórdia) tenho visto dentro da igreja, já nem deveria me surpreender. Eu sei que a igreja é o conjunto dos pecadores redimidos. Ainda somos pecadores. Sem Deus as nossas reuniões e os nossos ideais perdem o sentido. O problema são essas pessoas que são metidas a santas, que se acham perfeitas, puras e sem mácula. Da minha experiência, esses são os mais perigosos.

E assim, me resta esperar em Deus. Ainda bem tenho Deus, senão já estaria doida. Ainda bem ele me ama, ainda bem ele me entende, ainda bem ele me guia, na minha tolice, na minha crise, nas minhas perguntas, muitas ainda sem resposta. Ainda bem tenho ele para curar minhas mágoas, para me fazer entender que somos todos tão pequenos, tão limitados e imperfeitos, e que, mesmo com raiva, devo compreender aqueles que me decepcionaram. Não é fácil. Não é que vou confiar de novo. Só é aceptação: fazer o quê, eles são assim mesmo...


P.S. O pior são as desculpas fúteis e absolutamente sem noção que certas pessos dão para sua falta de caridade... com um golpe desses melhor o silêncio...

15 de maio de 2010

Do por quê "Avatar" não levou o Oscar

Finalmente, depois de tanto ouvir falar e ler comentários, assisti pessoalmente o filme Avatar. Gostei. Achei interessante. E entendi por quê, depois de tanto ser aclamado, não levou o Oscar. Pelo menos na minha interpretação.

O filme trata de um planeta chamado Pandora, cuja tranquilidade e a existência pacífica dos seus moradores é ameaçada (ó surpresa) pelos seres humanos, especificando, o exército americano e os investidores da bolsa de valores, que querem se apropriar de uma pedra muito valiosa na Terra, e que está no centro da morada do povo nativo do planeta, os Na'vi. Com eles se encontram alguns cientistas que não concordam com o que os outros fazem, e que, por meio de bonecos que são iguais aos nativos, chamados "avatares", entram no mundo deles e exploram a natureza desse planeta desconhecido. Um deles é um ex-fuzileiro, que teve que reemplazar seu irmão cientista, gêmeo, que foi morto num assalto. Ele vira o herói ao entrar en contato com a civilização nativa, começar a entender a sua cultura e a sua conexão com o mundo no qual vivem, e enfrentar o exército americano quando este se dispõe a destruir os Na'vi.

Este filme me pareceu a narração da história das colônias, quase um "o que teria acontecido se os indígenas tivessem expulso os colonos europeus". Mas não só me fez lembrar dos nativos americanos. Ou dos africanos escravizados. Me fez lembrar dos povos atuais. Os Na'vi bem podiam ser os palestineses. Ou os afganos. Ou ainda o povo do Iraque. Podem ser qualquer povo oprimido pela ambição dos poderosos, que não tem compaixão pela vida nem pela própria Terra. Esta ambição que já destruiu povoações inteiras, culturas das quais ninguém pensou pudessem ensinar algo. Eles eram só "selvagens", pagãos, nativos que não aceitaram, como os Na'vi, as "boas coisas" dos colonos, como ruas, educação, medicamentos, coisas que para eles são boas, mas que, ninguém parou para pensar, talvez não fossem interessantes ou mesmo necessárias para os outros. E assim, Avatar é um reflexo do que o ser humano fez, continua fazendo, e, como vamos, não vai deixar de fazer: destruir na sede de poder e riqueza.


Agora imaginem, o Oscar é entregue pelos estadounidenses. Avatar mostra na cara deles o quanto eles são ruins. Nunca, mas nunca eles iriam aceitar isso. Se James Cameron quis reivindicar os nativos americanos, não sei. Mas a história me lembrou eles mesmo, com os Na'vi de mohicano, com suas tranças e cabelos pretos, e sua conexão com a natureza.

E me lembrei da maldade humana. Sempre pretendendo que somos donos da verdade. Sempre pretendendo que os outros têm que se dobrar ante nós. Sempre achando que somos superiores. Será algo tecido no DNA humano, essa sobérbia toda? Será que não podemos nos livrar dessas absurdas pretensões, e finalmente nos enxergar como o que somos, pequenos seres num mundo enorme, pequenos mas perigosos, que, com tanta capacidade para fzer coisas boas, tendemos a usar nossa genialidade para inventar coisas que ferem, destróem, humilham os outros? Será que algum dia aprenderemos a ser realmente humildes?

Os Na'vi eram seres sábios. Me lembraram muito gatinhos, com esse nariz felino, olhos de leão, amarelos e penetrantes, dentes afiados. Seres que entendiam que dependiam da natureza. Sei lá em quem se basou Cameron, só sei que a mensagem é clara. Nosso planeta está moribundo. O ser humano ainda não entendeu que não possui a Terra, que não é dono dos recursos e das vidas animais e vegetais que aqui moram junto com ele. E o pior, ainda há quem pretende que tudo está bem. Ainda há poderosos, como os EUA e a China, que ignoram os problemas dessa nossa casa, e que se negam a aceitar que eles são os maiores danificadores desta, recusando-se a abaixar os níveis de poluição e a fazer algo para tentar salvar nosso moribundo lar. Ainda há indivíduos que destroem, que matam animais, que jogam lixo na rua, que desperdiçam água, alimentos. Ainda há seres néscios, tolos, que pretendem ser superiores. Temos o exemplo do passado. Como disse um dia minha irmã, se os indígenas não tivessem sido exterminados, Colômbia teria sido um lugar diferente. Mais verde. Se progresso é matar tudo o que respira, prefiro ser "selvagem", assim como os Na'vi. Pensemos nisso. Que Avatar passe de um filme cheio de efeitos especiais. Que a mensagem possa ser aplicada, que nos lembremos do nosso lar moribundo. No fim das contas, não haverá Marte ou Lua nenhuma à qual o homem possa fugir. Aqui estamos e aqui ficamos. A qualidade do lugar depende de nós.

8 de maio de 2010

Quando se diz que a razão mata a fé...

Não entendo por quê as pessoas ainda fazem esta distinção. Muitos acham que se pensam um pouquinho diferente do que é ensinado na igreja estão ofendendo a Deus, renegando Jesus ou virando ateus. Muitos dizem que se aprofundam muito no conhecimento perdem a base da fé. Eu não entendo. Não entendo que se oponha a fé à razão, que se diga que ser "muito racionalista" nos faz perder Deus de vista. Para mim as duas coisas fazem parte do ser humano, e são as duas importantes. Deus nos fez místicos. E nos fez pensantes. Já desde o início ele nos deu a liberdade de escolha. Por quê então o conflito quando eu penso algo que os outros não pensam?
A liberdade está dentro do ser humano. Mesmo que por muitos meios os poderosos tenham tentado tirar esta liberdade, e em muitas ocasiões tenham conseguido submeter as consciências ao que eles queriam, a liberdade não tem sumido. Só fica sufocada. E a primeira liberdade que temos é a de pensamento. Que alguém diga que temos que nos submeter a determinadas doutrinas e ordens, porque sim, ou porque senão vamos ao inferno ou ofendemos Deus, é pecado. O pecado daquele que falou, que se acha Deus para determinar o que os outros devem fazer. Claro que deve haver, no mundo, uma ordem. O ser humano não pode viver no caos. Mas o homem não deve ser obrigado a atuar de determinada forma atendendo aos desejos de alguém mais. Ele deve fazer o que deve fazer, tendo consciência do que faz.

A razão não se opõe a Deus. Na verdade, foi Deus quem nos deu cérebro, ele nos deu a capacidade de questionar. Se Deus me fez assim, porque devo sufocar os meus questionamentos e me submeter ao que me dizem que deve ser o mundo? Desta forma, não vivo o mundo com meus sentidos, mas vivo-o por meio do que os outros me dizem que devo viver.

Pensar é arriscado. Quem questiona arrisca contrariar as pessoas. Ser achado maluco, ou herege. Quem tem dúvidas, sobretudo em questões religiosas, é tido como alguém que não tem fé. E ai é onde entra a definição errada do que é fé. Quando se pensa em fé se pensa em "crer sem ver", "saber que algo vai acontecer antes que aconteça", "esperar em Deus". Tudo bem. Quando temos fé sabemos que Deus opera mesmo em situações que não entendemos ou às quais não vemos solução. Mas a fé não mede o conhecer. Que eu questione alguns dogmas ou doutrinas da igreja, que duvide de algumas coisas que ouço por ai nas igrejas ou das pessoas, que eu não consiga entender mais outras coisas que teimam me ensinar e dizer que "é assim e basta" não significa que deixei de crer em Deus. Significa que estou usando minha liberdade de pensar. Eu sou livre de questionar dogmas, doutrinas, regras culturais, etc, não por simplesmente querer contrariar, mas porque tudo isso é construção humana, e como humano insuficiente para eu entender algumas coisas, insuficiente para apagar minhas perguntas, ou satisfazer minha consciência. É a possibilidade que tenho de procurar algo melhor. Um exemplo. Eu não concordo com a sociedade machista ocidental, sobretudo a brasileira. No Brasil ainda há muita desigualdade entre os gêneros. Isto não me faz feminista. Não gosto do termo feminista porque não acho que nós mulheres sejamos o melhor do melhor, e que os homens sejam uma droga. Simplesmente acho que a sociedade deveria pôr cada um em seu lugar, um ao lado do outro, um complementando ao outro. Não nascemos separados. Atendendo ao mito da criação, Deus nos fez juntos, varão e fêmea, para juntos construir um mundo, cuidar das outras espécies, trabalhar em parceria. Não submetendo a vontade do um ao outro, não tratando o outro como ser inferior. Eu questiono, e sempre questionarei, atitudes machistas, fora e dentro da igreja, como o tratamento da mulher como simples objeto sexual, como simples dona de casa, como simples entretenimento do homem. Na igreja, não admito que se defenda, ainda, que a mulher não pode ser pastora. Eu pessoalmente não quero ser tal, mas a mulher que queira bem pode. Por quê não? Que fundamento me dão para dizer que Deus não quer? E se alguém fala em Paulo pode esquecer, que Paulo não é alguém com quem eu concorde muito...

Eu questiono muitas coisas. Mas sei, com a minha razão, que não tenho a capacidade de saber tudo. Até onde eu possa, eu quero entender as coisas que passam ao meu redor. Mas tem muitas, muitíssimas coisas que eu não entendo. Não entendo a trindade. Não entendo por quê o homem faz tanto mal, quando tem dentro de si a capacidade de fazer tanto bem. Não entendo a relação entre as religiões. Estou na tensão de saber que devo respeitar todos os outros, mesmo que pensem e acreditem em coisas diferentes, e saber que não posso, e não quero, abrir mão das minhas convicções. É difícil. Para mim Jesus é tudo o que se precisa. Como fazer com os outros? Não entendo, também, por quê ainda há pessoas que brigam por coisas tão periféricas como o dia de celebração do culto, os ritos, a forma de culto. Não entendo muitas coisas. Minha razão não tem resposta para tudo. Eu preciso de Deus, e minha razão só me dá a consciência disso.

O problema entre a razão e a fé se deu no Iluminismo, que colocou a razão como deusa soberana solucionadora dos problemas do mundo. O homem no centro do mundo, sabendo tudo, fazendo tudo. E depois, o lado irracional deste homem se revelou, matando miles nas colonizações, nas guerras mundiais, nas conquistas. Ainda hoje muitos morrem por causa da irracionalidad do homem. O mundo está em peligro de extinção pela irracionalidade e a ambição do homem. E então as pessoas se voltaram contra a razão, e disseram que a fé é mais importante. Só que não é fé em Deus. É fé no que eles dizem que é Deus. E abrem um manual de teologia sistemática e descrevem Deus, o separam em categorias, por qualidades, atributos e sei lá mais o quê, e dizem que esse é o Deus que devemos seguir. Isto eu questiono. E vou sempre questionar.

É um paradoxo. Eu tenho uma idéia de Deus, que é resultado do que eu tenho vivido (e Deus tem feito grandes maravilhas em mim), que é diferente das outras. E não posso impôr o que eu penso aos outros. Mas também os outros não podem me impôr o que pensam. Paradoxo porque luto pelo que penso.

Este mundo precisa de pessoas que pensem. Pessoas que não aceitem as coisas sem pensá-las, que lutem pelo que pensam e tratem de resolver suas dúvidas. As dúvidas não são pecado. As dúvidas fazem parte do ser humano, um ser limitado cuja razão não encontra as respostas para tudo automâticamente. Duvidar nos faz procurar saber mais, entender mais. E se não entendo definitivamente alguma coisa, trato de encontrar um equilíbrio para viver com essa dúvida. Deus sabe tudo, algumas coisas eu saberei só quando for morar com ele...

Mas a razão não mata a fé. Até a vivifica. Porque eu não tenho fé por ter, eu sei, tomo consciência de que sou um ser limitado, e mais, tomo consciência da minha necessidade de Deus. Mesmo sem entender muitas coisas, posso me relacionar com Deus. Mesmo duvidando, não estou me afastando de Deus. Estou chegando mais perto, e perguntando a ele a resposta. Não que, se posso, não tenha que estudar para tentar chegar a uma resposta plausível.

Dizer que a razão mata a fé elimina uma parte do ser humano indispensável à sua liberdade. Faz com que o homem se reprima e vire um simples receptor de idéias, em lugar de ser um forjador de idéias. Dizer que a razão mata a fé mata, na verdade, a interação do homem com o mundo, o faz acreditar em coisas que foram verdade racional há muito tempo, mas que agora devem ser revisadas. Fecha o homem em um mundo que foi, o aliena do mundo que é. Ter fé não é acreditar cegamente em tudo que se ouve ou se crê saber. Ter fé é saber que mesmo sem entender muitas coisas deste mundo, Deus está conosco. É saber que precisamos dele, com todo o nosso ser, razão incluída.

27 de abril de 2010

Voltando...

E então, voltei. Depois de quase um mês sem escrever, voltei, com a cabeça cheia de pensamentos, cheia de problemas, situações, comentários para fazer a esta vida louca e irracional que vivemos. Irracional porque, mesmo que tentemos, muitas coisas que vivemos fogem da lógica. Fogem da razão. A injustiça do mundo. A discriminação. As simples atitudes que nós mesmos muitas vezes tomamos sem saber por quê, mas sabendo que alguma coisa não está certa...
Estas semanas têm sido muito corridas. Tenho dois eventos fundamentais neste meu ano: casamento e monografia. O primeiro está às portas. Já falta só mês e medio para o meu dia especial. E ainda tenho tantas coisas para resolver. Decoração, documentos, dinheiro. Sobretudo dinheiro. É uma coisa muito complicada casar. Mas sei que vai valer a pena.

O segundo evento é para setembro. Estou correndo atrás. Estou matando sono para poder fazer as coisas bem. Está valendo muito a pena. Consegui traduzir um texto em hebraico, eu! Com ajuda do meu professor, claro, e com um bom dicionário que ele me emprestou, consegui um texto relativamente coerente e, espero, fiel ao original. Esse negócio de traduzir hebraico é muito complicado, muitas vezes eu não entendia nadinha, mas pouco a pouco as coisas vão rolando, e para mim é um logro importante poder dizer que traduzi essa pequena porção das Escrituras. Ainda tenho muito chão para pisar, tanto na monografia quanto na prática da tradução. Mas já estou andando, e isso é importante. Espero muito conseguir uma monografia boa. Afinal eu gosto de escrever, e de fazer bem meus trabalhos escritos...

Na periferia desses eventos, tem muitos assuntos rondando. As coisas no seminário estão mal. Todo mundo está em suspenso. Os professores esperam, nós esperamos. O que vai acontecer com eles, conosco?

E o regime ditador que se estabeleceu no internato do seminário está cada vez mais invadente. Daqui a pouco nos vão dizer como devemos vestir, nos vão proibir de ouvir música que não for "de crente". Aquele negócio de não poder falar "velha" o estou ignorando, e assim estão fazendo, creio, todos os que levamos aqui bastante tempo para saber que é uma besteira tamanho família. O resto segue as instruções. Vamos ver até onde chegamos.

A formatura. Outro evento. Mais dinheiro. De onde vou conseguir não sei... minha turma quer se formar toda junta, com meus dois colegas que, por entrarem depois, não poderiam se formar conosco. Mas somos tão amigos todos, vamos tentar cumprir o impossível.

De resto tudo mais ou menos igual. Estudar, ler, fazer trabalhos, viajar, ver as coisas da casa, da lua de mel, da minha futura vida de casada. Os mosquitos e os borrachudos que nos comem literalmente quando esquecemos o repelente. O calor e o frio, a gripe forte que durou três semanas. Ainda não estou totalmente livre de tosse... Descobri que quase todas minhas amigas da Colômbia agora são mães. É estranho, todas tão novas, da minha idade! Eu não me sinto pronta para isso! Falar com a família quando posso, escrever quando dá vontade. Espero escrever mais seguido. É importante pôr as idéias no papel, nem que seja virtual. Senão elas vão sendo esquecidas... Em fim, voltei...

13 de abril de 2010

Negramaro

Adesso non voglio scrivere. Anzi, vorrei, ma sono così stanca... e ancora ho da fare qui. Quello guadagno per rimanere lontana dalla mia casa, il mio piccolo spazio, per tanto tempo... ma non è stata mia colpa.
Ma va be', adesso voglio condividere alcune canzoni di questo gruppo meraviglioso. Mi piacciono da morire!

Mentre Tutto Scorre


Estate (Questa dei miei primi mesi in Italia... ahhh, tanti ricordi con questa canzone!) Anch'io voglio un estate che non finisca mai, ma vicino alla spiaggia!



Quel Posto Che Non C'è
Meravigliosa canzone!

31 de março de 2010

2012 e a sociedade de 2009/2010

Semana passada tive a oportunidade de assistir o tão famoso filme "2012". Não achei a grande coisa. Os efeitos especiais até que são legais, mas nem por todos os efeitos possíveis a história do filme se salva. É uma história fraca. E muito cínica. O único que gostei mesmo é que o filme é tão descarado que da para falar um monte de coisas sobre ele.
Descarado porque? A coisa mais óbvia é que só os países do primeiro mundo se salvam. Mas tem mais do que isso. Não são todos os europeus e norteamericanos que se salvam. Não. São só os ricos, os poderosos, os governantes (deve ser para garantir que no "novo mundo" a corrupção apareça o mais rápido possível...).

Este filme é descarado não tanto porque os ricos se salvam. Nisto ele é até realista. Quando alguma coisa acontece, se o rico se salvou, podem ter morrido outras tantas pessoas que ninguém está nem ai. Se assassinam um famoso, a polícia faz de tudo para achar o culpável. Se for um zé ninguém, muitas vezes nem se sabe que morreu alguém. Tantas pessoas morrem todos os dias, seus crimes arquivados em algum estante cheio de poeira... Mas voltando ao filme, ele é descarado porque quem se salva, sob o comando do "magnânimo" geólogo estadunidense, se acha o bom samaritano porque abriu as portas da "arca" para "o pobre pessoal que tinha ficado sem arca". Não foi ato de crueldade ter deixado morrer milhões, bilhões de pessoas do mundo todo. Foi ato de crueldade a negação do Anheuser de abrir as portas da arca para os ricos poderem se salvar.

Fala sério. Eu sei que filme de ação é uma coisa ilógica atrás de outra coisa ilógica, e que nesses filminhos a metade do grupo original de personagens morre, comido por tubarões ou assassinado por maníacos homicidas, derretido pelo vulcão ou levado pelo tornado... mas este filme passa sobre tudo isso. Técnicamente eles narram a história de um escritor que descobre que o mundo vai acabar e a conspiração e tudo mais. Ele se tinha separado da mulher, que aparentemente está feliz com o marido novo. Mas quando este último é engolido pelos mecanismos de apertura das portas da arca (no ato de caridade de deixar os pobres ricos entrarem as portas se abrem justo quando os pobres se infiltram na arca por baixo), ninguém chora. Ninguém diz: tadinho dele, eu gostava dele. Depois nem parece que ele existiu. E assim acontece com um monte de pessoas. A amante do russo morre, em um inverossímil afogamento (são três compartimentos, os protagonistas ficam no primeiro, ela passa com uma criança. A criança vai para um tercer compartimento, e a russa fica no meio. Depois, a água enche o compartimento dela, estranhamente sem invadir primeiro o dos protagonistas, que é por onde, técnicamente, a água entra).

Além dessas inverossimilitudes, tem a história dos governantes mártires. Como sempre, o presidente dos EUA salva a pátria e fica com seu povo. Isso não é novo. Em todos os filmes o presidente norteamericano é quase um deus da caridade, cheio de coragem e amor pelos pobres (da até para rir). Mas a piada maior é o premier italiano ficar com o seu povo também. Isso sim faz rir mesmo. Se fosse verdade o tal 2012, o primeiro a entrar no barquinho aquele, com tudo e suas empresas, iria ser o Berlusconi. Ah sim, seguro ele vai ficar e morrer. Ele não quer nem admitir que cometeu crimes e enfrentar a justiça italiana! (e tem dois processos contra ele...) Imagina decidir morrer. Nem em sonhos.

Em resumo, este filme, além de distrair o povo com seus efeitos especiais, além de contar-nos a velha história de como os norteamericanos são súper-heróis, além de aproveitar o alarme todo do tal calendário maia, mostra um panorama real da sociedade atual. Não precisa ser 2012. Como já disse, se os ricos se salvam, o resto do mundo pode se danar. Isto é exatamente o que acontece na sociedade. Não somente no sentido de crimes e morte. Mas no sentido de bem-estar, de justiça social. Os ricos, os poderosos, os governantes, quem seja que tenha um pouco de poder, sempre vão procurar primeiro defender os próprios interesses. Esse papo de representantes do povo é uma mentira que a gente prefire engolir para não aceitarmos que somos enganados. Os ricos só querem ser mais ricos. Quem sai adiante na vida muitas vezes, em lugar de lembrar de onde saiu, se coloca na posse de "sou superior". E claro, gente superior primeiro.

Como já disse, aquele ato falso de generosidade é descarado. "Vamos salvar os pobres ricos!" E o geólogo fica como o herói compassivo da história. Ah claro, ele queria salvar o amigo dele... ele queria salvar todo mundo... Na vida real, não há geólogo nenhum. Só o Anheuser, que não se importa nem com a vida da própria mãe.

Não é meu propósito apelar para aquela coisa de "oprimidos" e "opressores". Mesmo dentro do grupo dos oprimidos há opressores, dispostos a ferrar quem estiver um pouco embaixo deles. Só queria falar de um filme que não gostei... mas que mostra na cara (com alguns adoçantes mentirosos) como funcionam as coisas deste mundo. Ricos, pobres... não é o "destino" quem decide. É o interesse de quem tem poder para fazer algo por si mesmo.

Detalhe final: Eles falam que salvaram a humanidade... como se a humanidade se reduzisse a Europa e Norte America! Ninguém falou em Brasil, Colômbia, Haiti... Nenhum africano entrou nas tais arcas... o unico que mostram do Brasil é o Cristo derrubado e o povo morrendo de fome. Mostra do mundo tal qual é. Se o filme não tivesse tido o geólogo legalzinho, seria uma fiel cópia da realidade, porque, claro, o Anheuser ia poder fazer a vontade dele e mandar até os ricos morrer. Como já disse, se tem um pouco de poder, a pessoa vai fazer tudo... para ganhar algo ela mesma.

Velha... Espírita???

Deixando de lado o que está acontecendo no seminário, a terrível situação na qual nos encontramos e da qual todos esperamos sair sem ter que fechar nosso querido centro de estudos, onde tantos temos aprendido a enxergar a vida desde outro ponto de vista, onde conhecemos tantos companheiros, amigos, professores, rituais, paisagens, tem coisas que passam e que, pela situação geral, estão passando despercebidas.

Primeiro, o estatuto. Tanto o estatuto em si, como a forma como está sendo introduzido entre nós, fazendo a gente engolir um monte de regrinhas puritanas da noite pro dia, querendo "moralizar" o pessoal (como se não beber e fumar fosse sinônimo de moralidade, pureza e integridade), estão sendo demais. Em lugar de criar um senso de unidade, em meio à crise que o seminário enfrenta, dá raiva. A solução não é bater nos alunos. A solução não é tratar as pessoas como crianças pequenas.

Se sabe que muitos dizem que o seminário tem má fama. Mas, como disse um professor, se aqui tem pessoas "que agem errado", não é pelo seminário. Não é um "efeito de perdição" exercido pelo seminário. Elas já vem assim de suas casas, suas igrejas. Quando se mete todo mundo num saco e se diz que todos são um bando de safados, que fazem um monte de coisas erradas, se generaliza. Nem todos são assim. Na verdade, em meus três anos de aluna, não vi ninguém fumando, se drogando nem fazendo todas as coisas que as pessoas que nunca vieram na vida dizem que se fazem aqui.

Em lugar de vir impondo coisas, porque não fizeram uma assembléia? Quando foi que os "representantes dos alunos" perguntaram aos alunos o que eles pensavam? Afinal, todos moramos aqui, seja por vontade ou por necessidade (este é o caso mais comum), e todos queremos que o seminário supere a crise, que melhore, que mais alunos venham.

Pode ser que tudo seja feito com a melhor das intenções. Mas vir empurrando um estatuto em cima das pessoas, fazendo-as assinar sob pena de "ser convidadas a deixar a casa", é demais. Não tem nada de moral. Vira ditadura. E para mim a solução não é a ditadura. Não é o fanatismo. Claro, há que estabelecer regras. Mas acho que é melhor fazer isso unidos. Estamos ou não no mesmo barco?

Uma última coisa. Uma coisa que ouvi. No momento, por respeito, e cansaço, o unico que fiz foi ficar olhando pra quem disse isso, quase como se o que ouvi não tivesse sido dito. Mas foi. E foi absurdo. Dizeram-me que no futuro (espero que haja, um futuro), não se usará mais a palavra "velha" para nomear a/o colega de quarto. Não porque é falta de respeito, não porque é uma palavra feia. Não. Uma tradição de mais de 100 anos deve mudar porque quem disse isto pensa que quando dissemos velha estamos invocando espíritos. Espíritos!! Acaso aqui tem alguém que pratica espiritismo? Tem mães de santo entre nós? Eu não compreendo como se pode enxergar uma tradição inocente e engraçada dessa forma. Ah, fala sério! Agora temos que procurar uma palavra "melhorzinha"? Com tudo o que há para ressolver, ainda há tempo para besteiras deste tipo! Repito: Fala sério!

16 de março de 2010

Domanda

Ci sono cose, tante cose che non capisco, che non riesco a vedere come giuste, anche se tutti dicono che è così che deve essere. Dicono che tu devi fare le cose che fanno gli altri. Tanto fuori come dentro della chiesa la cosa è uguale: se fai qualcosa di diverso sei strano, peccatore, oppure hai qualcosa che non va in te. Non che le regole siano delle cose terribili, non che non si deve seguire un modo di condotta che sia morale. Ma ci sono delle piccole cose che mi infastidiscono, non mi sembrano poi tanto cattive. Sarà perché nel mio paese d'origine cose come "il credente" che beve il vino o un cocktail non è niente di male. E dopo sono venuta e mi hanno detto dal nulla che è peccato.
Non dico che tutti quanti dovrebbero ubriacarsi, o che bere sia una meraviglia. Ma la proibizione non insegna auto controllo, soltanto limita il condotta per paura: se sbagli andrai in inferno, sarai in peccato, ecc. Immagino che fuori della chiesa le cose sono al contrario: se non bevi, se non vai a letto con chiunque trovi per strada, allora hai qualcosa che non va. Neanche in questo c'è auto controllo, neanche un pizzico di amore per se stesso. Fai le cose per pressione di gruppo.

E per me questo non va bene. Io devo fare le cose cosciente delle conseguenze. Devo sapere, o per lo meno cercare di sapere se una cosa è buona o cattiva, non perché gli altri mi dicono, ma perché mi farà del male. Non che le regole, come ho già detto, siano cattive. soltanto che bisognano di un spiegazione. Quello di "è cattivo perché si" non va più bene. Per lo meno per me.

E qui arriva la mia domanda. Dicono che se tu hai sbagliato, devi sopportare per sempre le conseguenze del tuo sbaglio. Io non so, non riesco ad accettare che sia così. E' una questione delicata, perché ci sono sbagli in cui i danni non sono subiti soltanto dai protagonisti dello sbaglio, ma anche di quelli che li circondano.

Uno di questi è il divorzio. Dicono che non ti puoi divorziare, in chiesa, se non perché qualcuno ha commesso adulterio. Io non sono d'accordo con questo. Chiaro, non sono neanche d'accordo con quelli che si divorziano perché lui l'ha guardata male o lei non ha fatto bene il cibo. Io credo che il matrimonio sia un compromesso, qualcosa che si fa con la testa e non soltanto con il cuore, un compromesso di dividere l'esistenza con una persona diversa di te, che ha difetti e qualità, che ha certi gusti e manie, e che non cambierà per diventare quello che c'è nell'immaginazione dell'altro. Che questo è uno degli sbagli più comuni di chi si sposa: pensa che potrà cambiare il suo compagno per farlo diventare un principe azzurro. Se si ama una persona, la si ama così com'è.

Ma ci sono situazioni che non so se si possono sopportare per sempre. Diciamo pure che due persone si sono sposati senza pensare. Per una gravidanza, per uscire dalla casa paterna, per tante ragioni... e poi si rendono conto che le cose non vanno bene. Noi siamo, alla fine, esseri umani, e gli esseri umani la maggior parte del tempo sbagliano, sia di proposito o involontariamente. Allora, non dico che non si deve lottare per raggiungere una soluzione. Non dico che alla prima discussione si deve rinunciare al matrimonio. No. Parlo della fine della strada, quando tutto già si è fatto, o quando le persone sono già così stanche di lottare che non ce la facciono più. In queste opportunità, cosa dobbiamo fare, condannare queste persone alla sofferenza eterna perché "il matrimonio non si può finire"?

Così è che nascono le doppie vite. Felicità fuori di casa, facendo finta che tutto sta benissimo. E poi, dentro di casa, l'inferno. Oppure maltratti, parole cattive che feriscono più che un calcio o un pugno in faccia. E se la coppia ha dei figli, e questi sono abbastanza grandi per capire un po' cosa succede, allora l'inferno è più completo. I bambini qualche volta pensano che sia colpa loro. Anche se non fanno così, loro soffrono. Loro vedono la sua casa diventare scenario di guerra ogni volta che qualcuno dei suoi entra nella casa, e l'altro è lì. L'aria diventa pesante. Tutto tace. E il dolore si può quasi toccare in ogni cuore.

Non è più salutare finire le cose in pace? Non è meglio esseri onesti con se stessi? E con i figli? E con gli altri? Prima di fare qualcosa di peggio, che faccia soffrire ancora di più l'altro?

Ma quello che mi porta a scrivere non sono le motivazioni del divorzio. Ognuno con la sua coscienza. Ognuno con il suo amore, il suo egoismo (i matrimoni tante volte finiscono per l'egoismo di uno o dei due...). Ma qui io voglio dire che per me è meglio il divorzio alla sofferenza. Meglio abitare in luoghi diversi, ad abitare una sola casa e fare di questa un tormento diario, fino ad arrivare a non voler tornarci più. Meglio finire con l'ipocrisia che tante volte le persone esigono, chiedono, mettono sulle spalle dei diretti interessati, che alla fine dei conti non hanno niente da rendere conto agli altri.

Non è male chiedere di tentare. Non è male cercare di aiutare, quando la coppia cerca quest'aiuto e da confidenza alle persone (non troppe, fin per carità), e sperare che il matrimonio non finisca. Ma quando una cosa deve finire, deve finire. E le persone esterne alla coppia, esterne alla famiglia, non capiranno mai cosa succede dentro di casa. per questo loro non devono aprir bocca quando le cose finiscono. Non devono venire con l'argomento moralista-religioso che dice che "Dio ha fatto il matrimonio per non finire mai". E' vero. Dio lo ha fatto. Ma l'ha lasciato nelle nostre mani. siamo noi che facciamo la scelta di sposare qualcuno (grazie a Dio, per lo meno in questa parte del mondo). Siamo noi che tante volte non pensiamo, non vogliamo ascoltare consigli. Siamo noi. E ognuno è protagonista della sua storia, ognuno sa cosa fa e cosa pensa e sente. E nessun altro ha il diritto di venire ad imporre niente. "Rimani sposata oppure ti chiediamo di lasciare questo posto". Che assurdità. Eppure occorre.

Ripeto: nessuno ha il diritto di ficcare il naso negli affari degli altri. Nessuno ha il diritto di dire che è peccato divorziare. Nessuno ha il diritto di escludere le persone perché scelgono fare cose che non vanno d'accordo con quello che quel nessuno pensa. Non sono d'accordo con quei moralisti che mettono tutti in scatole: questo è peccatore, questo è giusto (segue tutte le mie regole), questo è divorziato, questa è puttana (non intendo offendere usando questa parola). Non sono d'accordo con la passività davanti alla sofferenza. Mamma mia, se stai soffrendo, fa' pure qualcosa! Ah, ma come dicono che non si può... come dicono che devi soffrire fino alla morte... allora facciamo finta! Non si può. Io non potrei. E non vorrei imporre a qualcuno il peso eterno di dover sopportare una sofferenza eterna.

Cosa c'è di male nel andare contro la corrente? Perché si deve sempre accettare quello che dicono gli altri senza pensare se va bene, senza riflettere si è davvero il meglio per noi? Cosa c'è di male in lottare, e nel stancarsi di lottare? Perché le persone parlano nel generale sempre? Non tutti sono uguali. Anzi, ognuno è un mondo. Cada caso è diverso. Ci sono quelli che divorziano per sport. E ci sono quelli che non sopportano più la tristezza. Non si può giudicare i due ugualmente. (Soprattutto, non si può giudicare). Non si può dire che il divorzio in generale è un crimine. Quando c'è bisogno, c'è bisogno.

Ebbene, il mio post si chiama domanda, ma faccio qui tante domande... non capisco ancora come le persone possono essere così ingiuste con le altre, senza importarsi veramente con loro, soltanto facendo pressione per avere un'apparenza di benessere... ma solo apparenza. E dopo dicono che sono servi del Signore e robe del genere. Già non so a chi credere... Misericordia!

2 de março de 2010

Proibido pensar?

Há muito tempo não escrevo. Há muito quero escrever, mas não sabia o que. E não sabia como escrever o que tinha na cabeça. São esses bloqueios que dão de vez em quando, quando se pensa em muitas coisas e não se consegue lidar com nenhuma. Como que se juntam todas, se misturam dentro da cabeça, e se negam a sair, claras e limpas, uma por uma.

Muitas coisas estão acontecendo, têm acontecido ao meu redor. Muitas mudanças e incertezas rondam minha vida estudantil. Muitas correrias e preocupações, esperanças e mais correrias, meu futuro próximo (muito, muito próximo, faltam só 3 meses!) casamento. Voltei das férias com muitas coisas rondando por ai...

Inconforme com a impossibilidade de ser eu. Não posso ser como sou nem na minha casa. Não posso me expressar (e trato sempre de ser o mais "delicada" possível ao falar do que penso, para "não escandalizar"), não posso ser sincera nem com aqueles que são mais vizinhos a mim. Não que eu me reduza às minhas opiniões teológicas. Só que a teologia é o que eu estudo. Faz parte de mim, do que eu quero ser, do que eu penso e vivo. Não posso me desligar da teologia quando entro na igreja. Não posso deixar meus pensamentos e opiniões na porta da igreja, só porque dentro dela se dizem coisas diferentes ao que penso. Não que os outros não possam pensar do jeito deles. Mas quando me dizem para me expressar, para ensinar-lhes o que tenho aprendido, é tão esquisito ver as caras de "terror", as expressões de "meu Deus a menina pirou", as frases diretas e a censura indireta (mas muito clara, dava para perceber), é tão incompreensível! Acaso não foram eles mesmos que me enviaram a estudar no seminário?

Dizer que "o seminário virou liberal" não é excusa para aqueles que não quiseram ouvir. E que não querem. Mas se não deixam que eu fale, pelo menos me deixem tranquila no meu canto. Mas não. Ainda por cima tenho que ir no psicólogo porque "o seminário me está deixando mal"! O que eu tenho aprendido me é cada vez mais querido. Muitas coisas tenho visto que confirmam o que aprendi, muitas coisas tenho ouvido para fechar os olhos e os ouvidos e voltar para o que era antes, para onde querem que volte. E mesmo que tenha que lutar, com os outros e sobretudo comigo mesma, para achar um equilíbrio, por fino que seja, nestes meus pensamentos confusos, prefiro esta maluquice confusa àquelas certezas pre-fabricadas que um dia me ensinaram como verdade absoluta.

Mas é difícil. É difícil perceber que virei um bicho raro. Difícil perceber que mesmo minha família me olha de ladinho nas pregações do pastor, para ver se "concordo ou não". Como se eu tivesse as respostas. É esse o problema das pessoas: não conseguem viver com as dúvidas. A dúvida é um buraco negro do qual se foge, sendo preferível morar na casinha feliz das coisas que se aprendeu desde sempre, que se repetem sem possibilidade de mudança. Melhor o conhecimento velho que a incerteza nova. E voltando à minha família, é meio complicado ouvir sua mãe dizer que quando Jesus vir você vai ficar, porque "estás morna, querida". Meio complicado mesmo pensar o que responder, pesar dentro de você mesmo as palavras, para não chocar os outros com a incerteza deste evento... eu não sei. Pode que ele venha. Se vir, seja bem-vindo. Se não, temos uma luta longa para tentar salvar este mundo moribundo que é nosso lar. Que se ele acabar não vai ser obra de Deus, mas nossa.

A igreja é um vício. Eu não posso deixá-la. Eu não posso deixar de gostar de cantar, orar, me reunir com meus irmãos para louvar a Deus (que é, para mim, o propósito original dos cultos), e não posso deixar de "ouvir a Palavra". Só que agora não é como antes. Não é tudo "lindo, maravilhoso, glória a Deus irmão!!!". Agora é uma luta. Luta para não reclamar das músicas sem sentido (pedir chuva, chuva, e para que carambas eles querem tanta água? Aquele negócio de que são metáforas não me satisfaz mais). Luta para não criticar a mulher que fica "ministrando" meia hora entre cada canção. Luta, sobretudo, para não encontrar coisas que não concordo nas pregações do pastor, ou de quem seja. Não que, repito, eu tenha as respostas. A minha não é verdade absoluta para os outros. Mas a deles não deve sê-lo para mim. E o problema é que eles querem que eu volte a engolir o que eles dizem como isso, como verdade absoluta. E também não é que todos os pastores sejam uns pregadores horríveis. Mas o que eles ensinam é o que vem sendo ensinado há tanto, mas tanto tempo, que já quase todo mundo sabe isso de cor. Todos os que tenham um bom tempo de igreja, pelo menos.

E não se quer mudar. Mesmo sabendo que algumas coisas não são assim (eles, muitos deles, passaram pela mesma cadeira de seminarista que eu ocupo atualmente), ou que se poderia dar ums perspectiva diferente dos velhos conhecimentos, eles repetem a mesma velha lição. A desculpa deles é o que mais me irrita. Não é porque é vontade de Deus (seria uma explicação cara de pau, mas nem tanto quanto a outra), mas porque "a igreja não está preparada, eles não estão prontos para saber isso". Mas, por acaso, os líderes não estão ai para ensinar? (e cuidar das 'ovelhas', mas isso é outra coisa) Levam tantos anos, ou mesmo poucos, criam igrejas do zero para que? Para seguir com a mesma coisa! Assim as igrejas nunca vão estar prontas. E isso me irrita. É como dizer que eles são inferiores, pobre povo que não entenderia. Ahh, e nós não, nós somos privilegiados. Temos o conhecimento, sabeos mais do que eles e não queremos lhes ensinar.

Por acaso o seminarista estava preparado quando começou a estudar? Que eu saiba, eu não estava. Mas aprendi. E, na medida do possível, fui assimilando as coisas, tentando encaixar as coisas de uma forma coerente para mim. Há muitas coisas que ainda não encaixam. E tudo está bagunçado. Mas pelo menos eu posso pensar, posso pegar os conceitos, ponderar o que me serve e o que posso deixar de lado. É complicado, porque não é conhecimento humano. Ou é, mas é mais do que isso. Porque mexe com a fé, com aquilo que é Deus, o grande mistério da nossa vida. Não é algo como matemática. Eu uso a matemática, mas ela não me define. A fé define. E é complicado mexer. Mas, para mim, é necessário. Para mim foi bom perceber outras realidades, ver outras caras na velha moeda. Pode ser que não todos possam fazer isso. Mas deveriam lhes dar a oportunidade de tentar.

E então fui silenciada aos poucos. Cada dia se fez mais difícil saber o que falar, o que deixar guardado dentro de mim. E se fez mais difícil saber quem era eu. Eu já não sou o que era quando estava naquela igreja, quando morava com minha família. Eu não era o que sou, não pensava, criticava nem questionava nem a metade do que faço hoje. Estou tentando encontrar um equilibrio, porque acho que a crítica extrema me fecha às possibilidades. Mas não estou conseguindo muito. A crítica vem quase que automática. E o que penso... só Deus para me entender. Tenho tantas perguntas, tantos pontos vazios e peças do quebra-cabeça que não encaixam no lugar, e que muitas vezes nem têm lugar nele... Isto é doloroso. É complicado. É desanimador. Muitas vezes me perguntei se estou errada. Se ofendi a Deus com isso. Se estou sendo, como disse minha mãe, uma incrédula. Mas não posso voltar ao que era. Seja porque, como disse meu professor, a inocência se perdeu. Seja porque os eventos da minha vida e os que acontecem ao meu redor me confirmam que muitas coisas que nos vendem como brancas são na verdade marrom, cinza podre, verde venenoso. Talvez seja uma mistura de tudo.

Só sei que há mais coisas no fundo do que se mostra a primeira vista. E sei que muitas coisas não entendo, muitas coisas eu não sei. Algumas dessas coisas que não sei não me parecem fundamentais para a vida. Como se a existência de Adão e Eva fosse definir quem eu sou! E cada vez que vejo as confusões, as brigas e as condenações que se fazem fundamentadas em negócios desse tipo, vou andando com um pé atrás. Se algum dia eu vou entender tudo? Duvido muito. Só espero entender o fundamental para viver sem enlouquecer. E mesmo que esteja condenada a ir contra a corrente, condenada a viver procurando uma resposta às dúvidas (que no presente me parecem eternas, para sempre sem resposta), prefiro isso. É melhor ser, como minha mamãe disse, racional, analisar as coisas (e ela disse isso em sentido negativo: deixa de ser assim), tratar de entender um pouquinho de todas as loucuras que se encontram neste mundo. Tentar, só. Que esteja certa, isso já é outra história. Só Deus sabe...

8 de fevereiro de 2010

Pensierino...

Adesso che il tempo è passato, e che devo andare via, che le responsabilità e i problemi che avevo dimenticato si sono risvegliati e mi aspettano insieme...
Adesso che mi rendo conto di come volano via i giorni, e ci scappano di mano, e ci lasciano senza fiato di tanto trascinarci dietro loro...
Adesso che sento nel mezzo del cuore una amara tristezza...

Spero tanto che i giorni che arriveranno siano belli! Spero che l'amore mio mi rimanga accanto, capisca quello che mi manca, mi dia le forze che non riesco a trovare...

Spero che Dio sia con me... spero avere speranza, spero avere un qualcosa su cui appoiare la mia anima stanca, il mio cuore diviso, la mia disperazione...

Spero trovare la via da seguire, uscire del freddo buio, capire le cose che non riesco a capire...
Soltanto so, adesso, che la vita deve continuare... e che quello che mi aspetta non sono soltanto i problemi, ma che in mezzo a loro, brillando più che tutte le lacrime, sta la mia felicità... il mio futuro...

Ma adesso soltanto posso assistere alla mia propria vita dalla finestra...

2 de fevereiro de 2010

Come fare?

Adesso le mie vacanze sono quasi finite. Manca soltanto una settimana per andarmene via di nuovo. E non voglio. Ma allo stesso tempo voglio. Perché in quel altro paese sono libera di fare la mia vita. Nessuno mi dice cosa fare. E soprattutto, lì c'è il mio amore. Ma non voglio essere lontana dalla mia famiglia, non voglio lasciare il mio gatto, non voglio lasciare i miei amici. Che sono quasi gli unici che ho. Non che in Brasile non abbia amici. Ma non sono così vicini, è diverso... avere degli amici in chiesa è qualcosa che ho vissuto soltanto qui in Italia, solo nella chiesa di Mantova ho trovato qualcuno con cui parlare e non sentirmi diversa. Forse l'essere stranieri ci unisce? Adesso devo andare via. Devo continuare la mia lotta per conseguire la laurea, continuare la strada che ho scelto e che mi piace, ma che mi fa paura. Cosa farò dopo? Penso molto, moltissimo. Non so cosa Dio vuole di me. Io vorrei essere insegnante. Vorrei essere esegeta. Vorrei viaggiare col mio marito, abitare in tanti bei paesi, imparare lingue, avventurar mi in luoghi sconosciuti. Ma per questo devo fare ancora tanta strada. Devo prima costruire la mia vita insieme a lui, quello che ho scelto per me, il mio amore. Dopo vediamo. Ma è proprio questo "vediamo" che mi fa paura. La vita gira così tanto! Cosa sarà di me nel futuro? Potrò tornare qui, vedere questi posti belli, portare il mio Leo a conoscere un'altra faccia del mondo? Mi fa paura. Non voglio sentirmi fissa in un luogo, prigioniera senza la possibilità di uscire. Ho paura delle mie debolezze, ho paura di me stessa, ho paura che la vita mi faccia prendere un'altra strada, una che non voglio conoscere... non voglio rimanere sempre lì, sempre al lavoro, sempre nello stesso noioso posto... come fare? Sarà che chiedo molto della vita? Sarà che pensare e sognare di fare tutto è molta pretensione? Sarà che non conformarsi alla normalità è volere molto? E poi questa vita che la maggior parte delle volte ci porta difficoltà, pensieri, angoscie... mamma mia, aiuto! La vita ci trascina dentro al suo turbine di problemi e di felicità, e quando ci rendiamo conto siamo così lontani del ponto di partenza! E poi, ogni giorno una scelta da fare. Come fare la cosa giusta? Come far capire agli altri che non siamo più bimbi che si manipolano con i mignoli? Come dire agli altri che anche noi abbiamo dei piani, che quello che abbiamo già è destinato per qualcosa, che noi abbiamo la nostra propria opinione su certi argomenti "intoccabili"? Fare delle scelte è la cosa più difficile da fare quando affrontiamo la vita. Come si fa a capire cos'è meglio per noi? Come si fa a capire se stiamo andando per il verso giusto? Per adesso non so niente. Non so cosa sarà della mia vita. Non so cosa farò dopo finire l'università. Spero poter viaggiare. Questo è il più importante per me. Viaggiare. E con il mio Leo. Io voglio che anche lui veda che ci sono posti belli in altri paesi, che ci sono costumi diversi, lingue diverse, cibo diverso. Io voglio che lui viva un po' meno preso alla sua tradizione... sarà chiedere molto? Lui mi dice che anche lui vuole. Spero proprio di sì. Spero che la mia vita sia diversa di quella che ho visto vivere agli altri. Non chiedo tutto fiori. Soltanto lotte diverse. Problemi diversi a quelli che tutti hanno. Spero che la mia vita non diventi un carcere per me...