15 de maio de 2011

Literatura policial e a destruição do assassinado

Nestes últimos tempos não tenho escrito muito aqui. Tenho passado o tempo de desempregada lendo, e lendo bastante, graças à biblioteca daqui, que, mesmo não tendo muitos livros, tem bastantes volumes interessantes. Depois de quatro anos lendo textos acadêmicos dei um descanso e passei a ler romances. Romances policiais, de amor, suspense, comédia, enfim, estou lendo à vontade.
De todos os livros que eu gosto, eu desfruto bastante o gênero policial e de suspense. Na minha vida de leitora eu tenho lido livros policiais de diversos tipos. Os clássicos, tipo Agatha Christie e Sherlock Holmes, os modernos, que parecem um CSI, os sangrentos, os que combinam humor. E devo dizer que gosto mais dos livros tipo Agatha Christie. Nada contra os livros de suspense modernos, onde os policiais esperam as provas forenses, os patólogos fazem as próprias pesquisas, tipo Kay Scarpetta, e onde os detetives se apoiam bastante nas provas de DNA e afins. O negócio é que o leitor não participa do desenvolvimento da obra. Ele simplesmente lê, esperando para saber a identidade do assassino quando o autor decidir, depois de ter descrito as provas, os parentescos estabelecidos pelo DNA e o tipo de fibras que foram achadas na cena do crime. Já nos livros da Agatha Christie o leitor recebe uma série de pistas, que, colocadas no lugar pelo grande Poirot, por Miss Marple ou algum outro dos personagens da Christie, dão como resultado a identidade do assassino. E o leitor pode tentar descobrir, pretender saber ou adivinhar quem é esse assassino tendo como base essas pistas. Não que a gente descubra. Eu pessoalmente às vezes soube quem foi, mas não é algo que aconteça sempre. Mas é muito legal se sentir parte da obra, como sabendo que a Christie escreveu o livro como um desafio, cada página dizendo nas entrelinhas "tudo está aqui, agora junte os pedaços". Às vezes até Poirot fala isso para seu amigo Hastings. Por isso, devo dizer que livros policiais como os da Agatha Christie, são dos que sempre vão estar em auge. Pelo menos essa é minha opinião.
Os outros livros são interessantes. Tem alguns que são séries, como a já mencionada Kay Scarpetta, criação de Patricia Cornwell. Os primeiros livros são muito interessantes, desses que prendem o leitor do início ao fim, apesar de saber que no final ela sempre vai ser perseguida pelo criminoso e este vai ser preso ou morto. Mas depois os romances passam de livro policial a livro rosa, com as aventuras amorosas da patóloga e da sua sobrinha gay em primeiro lugar, e os crimes e situações, cada vez mais absurdos, em segundo. P.D. James escreve outra série, brilhante e às vezes melancólica (e quem não gosta de melancolia quando bem colocada na trama?) de livros detetivescos, com o inspetor chefe Adam Dalgliesh.
Eu tenho lido muitos livros policiais, alguns memoráveis, alguns meio devagar, desses que fazem minha irmã parar na segunda página por falta de ação, outros muito cômicos, outros tão sangrentos que chega a dar repulsão ou ainda alguns clássicos (além da Christie não se pode esquecer Conan Doyle). Os livros policiais são parte importante do meu repertório de leitura. Eles me entretêm, e também me fazem pensar um pouco. Mortes violentas não acontecem, infelizmente, somente nos livros ou na tv. O mundo está cheio de violência e de insegurança, de pessoas doidas, cruéis, cheias de ódio contra o próximo ou simplesmente gananciosas ou passionais, e há mortes. Além, claro, dos mortos decorrentes de guerras. E uma coisa que eu penso ao terminar de ler um romance policial é que essas vidas, das pessoas assassinadas, foram truncadas. Seus sonhos, suas metas, desejos, tudo foi roubado. Claro que são só personagens de um livro. Mas no mundo real há muitos que são mortos. E suas vidas, com isso, são roubadas das suas possibilidades. Uma pessoa com sonhos, expectativas, lutas, que em determinado momento perde a vida, perdendo com isso tudo o que poderia ser e fazer, tudo o que poderia realizar no mundo. E filhos são roubados dos pais, maridos das esposas e vice-versa, parentes, amigos. O assassinato é a destruição total do ser humano. E isso me deixa uma certa tristeza pesando no coração. E penso na minha Colômbia, onde tantos morrem a cada dia, por causa da guerra, por causa da injustiça, por causa da intolerância.
Para terminar, uma última reflexão: os livros policias são uma distração, um desafio a descobrir o culpado, uma descarga de adrenalina. Seria tão bom se assassinato fosse só isso. Mas na vida real não tem nada a ver com distração: significa dor, significa destruição. E não posso entender como alguém, que se proclama civilizado, pode sair às ruas a comemorar o assassinato de um ser humano. Mesmo quando o morto é um "terrorista", mesmo que ele mesmo tenha sido um assassino. É desumano vitorear a morte. É absurdo. E não leva a nada, só criando um ciclo vicioso de ofendidos e vingadores. Quando as Torres Gêmeas cairam, muitos árabes celebraram a morte de inocentes. Quando Bin Laden morreu, muitos americanos e outros celebraram sua morte. E o único que ficou foi mais dor, mais mortes, mais lágrimas, e agora o Paquistão sofreu um atentado, e o mundo continua seu ciclo de violência e de dor. E a hipocrisia nessa (e muitas outras questões) está aí, mas ninguém fala sobre isso. Porque Bin Laden matou muitos, mas os americanos mataram muitos outros, mesmo se proclamando os mocinhos da história. Porém, ninguém é inocente quando se fala de morte.

2 de abril de 2011

De respeito e o que aconteceu no Afeganistão

Hoje (aliás, ontem) vi no jornal a notícia sobre o Afeganistão, onde uma multidão de afegãos enfurecidos atacaram e mataram alguns guardas americanos em represália a um pastor que queimou o Corão, livro sagrado deles. E claro, os americanos choram seus mortos. Toda essa dor e confusão provocada por um ato de desrespeito e de ignorância...
O fundamentalismo americano é bem conhecido. Aliás, tem bastante desse fundamentalismo nas igrejas brasileiras. Esse fundamentalismo marca todas as coisas que não são "cristãs" como sendo "do mundo, ou do capeta". E ai, as pessoas devem ser adoutrinadas à verdade que se prega, porque todo o resto de opções são erradas. O cristianismo pode ser às vezes muito egocêntrico. Tudo bem. Para nós Jesus é o centro das nossas vidas, e a Bíblia é a Palavra de Deus. Mas não podemos impor as nossas opiniões aos outros. E muito menos desrespeitar os outros. 
Queimar o Corão foi simplesmente um ato absurdo, que demonstra uma mania de superioridade em relação aos outros, bastante ignorância e muita intolerância. O que é que o tal pastor pretendia demonstrar, afinal? O que ele ganhava queimando o livro? O único que a sua intolerância conseguiu foi a morte de vários seus compatriotas. Os muçulmanos tinham o direito de ficar ofendidos. E se sabe bem que eles são muito sensíveis quando se trata da sua religião. A situação no Afeganistão já é bastante tensa, depois do longo sofrimento que o povo afegão tem experimentado, seja em mãos dos comunistas, das diferentes facções guerrilheiras (Mujahidin), dos talibãs. Recentemente se ouviu falar de uns soldados americanos que matavam afegãos só por diversão. E ainda por cima vem este pastor e queima o livro sagrado deles. Esperava uma salva de palmas? Ou que todos se convertessem por milagre a Jesus? 
Essa forma totalmente errada de pregar o evangelho tem sido usada desde as cruzadas. Aliás, desde bem antes. Como se obrigar alguém a falar que é cristão fizesse dessa pessoa efetivamente cristã. O pior de tudo é a imagem que os outros têm de nós, cristãos. Para eles somos um povo arrogante, fechado, que condena e julga quem não é cristão. E ações como a desse pastor só confirmam essa visão errada. Quando vão entender que Jesus não veio obrigar ninguém a segui-lo? Quando vão entender que a intolerância e o desrespeito só levam a confusões e tragédias como a de ontem? Quando vão deixar de ser tão tapados e ignorantes? Assim o povo muçulmano só vai sentir mais aversão ao ouvir o nome de Jesus! E depois reclamam! Se tivesse sido o contrário, e os muçulmanos tivessem queimado a Bíblia, as igrejas iam ficar bastante revoltadas. Claro, não iam sair matando gente (espero, quando se fala do ser humano não se pode ter muita certeza...) mas iam no mínimo fazer protestos. Por que então não deixam os símbolos religiosos deles em paz?
O desamor e o ódio surgem da intolerância e o desrespeito. Cristo veio a mostrar ao mundo o amor, a compaixão, o serviço ao próximo. Pastores queimando Corães e mandando todo mundo ao inferno não fazem ninguém conhecer Jesus. No mínimo só fazem que as pessoas associem o nome de Cristo a algo detestável. É algo para pensar. Os muçulmanos tem direito de ser respeitados. A gente pode falar da nossa fé, pode mostrar com nosso estilo de vida e nossa atitude o amor de Jesus. Agredir os outros não é um caminho. E, como se viu, pode levar à morte de inocentes. Que absurdo!      

31 de março de 2011

De Ideologias e a Visão que os E.U.A Têm do Resto do Mundo

Uma explosão. O terrorista árabe ou o traficante latino-americano surgem na tela correndo com um fuzil enorme, sendo perseguidos pelo herói, um americano disposto a salvar o mundo, ou o presidente dos Estados Unidos que pilota um avião pronto a jogar uma bomba no terrorista. No final, todos os terroristas são mortos, o herói surge entre as ruínas provocadas pelas bombas e abraça a moça que tentava resgatar. Ou fica brincando xadrez com o parceiro que o ajudou a massacrar os "maus". E assim mais um filme americano termina.
A visão de mundo dos americanos se encontra em seus filmes, em seus livros. Eles sempre salvam o mundo. Claro, para eles o mundo é o pais deles. O resto que se dane. O engraçado é que eles invadem os países dos outros, matam quem querem, destroem cidades inteiras, e ninguém faz nada. Como no filme do Hulk. Hulk tinha se refugiado no Rio, na favela da Rocinha, e trabalhava numa fabrica de guaraná (um guaraná verde radioativo). Quando o governo gringo descobre manda todo um exército para invadir a favela da Rocinha. Claro, eles fazem e desfazem. E o governo brasileiro nem aparece, porque, como sempre, se os gringos querem invadir um lugar entram e pronto. Essas cenas se repetem em outros filmes, e os estadounidenses entram em qualquer pais do globo quando e como querem. Eles nem se dão ao trabalho de descrever direito os outros paises: se é um pais latinoamericano, sempre tem burros nas ruas, pessoas sujas, carros caindo aos pedaços e casinhas de argila. Se é Europa, cidades velhas, ou lugares cheios de neve. No filme "Sr. e Sra. Smith", na cena na Colômbia, eles estão em um hotel caindo aos pedaços, e estão com roupas de verão em Bogotá, uma cidade bastante fria.  
Também nos livros deles podemos ver o que eles pensam sobre a gente. Recentemente li um livro horrível, chamado "Desvio". Ele se passa na Colômbia. Justo na minha cidade, Bogotá. Já nas primeiras páginas o autor descreve um lugar horrível: fotos de cadáveres no aeroporto (!!), pessoas sendo espancadas no meio da rua, guerrilheiros das Farc andando de farda por ai. Se percebe que o autor nem se tomou ao trabalho de ir de verdade na cidade, porque nem o aeroporto ele descreve direito. Em outros livros já vi a opinião que eles têm de quem não é do pais deles: alguém ignorante, sempre pobre, que não tem noções de civilização.
O pior de tudo isso não é que eles pensem isso (se bem que é ridículo eles se acharem o centro do mundo). O pior é que a gente vê os filmes deles, a gente lê os livros deles. Claro que não vou fazer campanha contra os filmes ou os livros. Mas é importante "consumir" estes produtos de uma forma crítica, e não passiva. É como com todas as informações, é preciso estar atento ao que se recebe, analisar e decidir o que presta e o que não. Tem muitos filmes interessantes. Tem outros, geralmente de ação, que só passam uma mensagem "somos os donos da Terra". Podem servir como entretenimento, para quem gosta de ver sangue correndo e explosões a cada três segundos. Mas é preciso ter em conta a mensagem que eles transmitem. É preciso perceber que tudo o que a gente assiste, lê, ouve, tudo passa uma mensagem. 
Os Estados Unidos são conhecidos pela sua mania de grandeza. Eles se entrometem nos assuntos dos outros paises, claro, quando há algúm interesse pessoal no meio. Eles dizem que lutam pela liberdade e pelos direitos de todos, mas massacram e oprimem bastante gente nos lugares onde intervêm, além de ter bastantes problemas sociais dentro das próprias fronteiras. Eles não são exemplo de nada. São um pais como qualquer outro. Só que eles passam a mensagem, pelo menos na mídia, de que eles são melhores. Eles falam de violações de direitos em vários paises, sendo que no próprio pais o racismo e a violação dos direitos de quem é negro ou imigrante são pão de cada dia. 
Mas aqui só quero falar mesmo do que a gente recebe, que são os filmes, os livros, as séries de TV, ahh, e as visitas do presidente. A gente consume várias ideologias, várias visões do mundo. A visão que eles têm dos outros. Uma visão do mundo que me indigna cada vez mais. Quando assisto um filme onde o Esquadrão classe A ou os agentes secretos, os assassinos pagos ou os Silvester Stallones invadem, explodem e matam a vontade quem entrar no seu caminho, sem importar se estão em outro pais, com outras leis e com uma soberania própria, tudo "para salvar o mundo", fico me perguntando se as pessoas alguma vez pararam para pensar sobre o que estão assistindo. Ou se estão simplesmente consumindo tudo passivamente. Sendo adoutrinados a sentir como povos inferiores, dependentes dos súper heróis gringos. 
Só quero que as pessoas reflitam, que não consumam tudo passivamente, que não achem que o que eles nos mostram é a verdade absoluta, que percebam que é por isso que os Estados Unidos fazem o que fazem, passando por cima das decisões da ONU, invadindo onde ninguém os chamou. Afinal, a gente está acostumado a isso, desde sempre fomos ensinados que se são eles podem fazer o que quiserem. Eles, que falam de armas nucleares no Oriente, quando o único pais do mundo a realmente usar uma bomba nuclear foram eles.
As ideologias são uma coisa sutil, que penetra no imaginário de todos sem que se perceba. Ou quem é que não pensa nos árabes como terroristas? Quem que não pensa na Colômbia como o pais das drogas? Quem primeiro falou de terrorismo árabe foram os gringos, quem vive mostrando droga "colombiana" são os filmes gringos. E meu sangue ferve cada vez que vejo isso.
O povo estadouni
dense pode ser uma maravilha. As pessoas em si não podem ser enfiadas numa sacola e dizer que todos são racistas ou com ar de superioridade. Mas o que o governo e os produtores de filmes, aqueles que estão na mídia e "dão a cara" pelo pais, passam, é a mensagem errada. Porque ninguém é perfeito. Nem eles são perfeitos, nem superiores, não são maravilhosos nem éticos nem corretos em tudo o que fazem. Eles não defendem o mundo, defendem só os próprios interesses. E o pais deles não é o mais civilizado e limpo do mundo. Os paises latinoamericanos não são cheios de índios, não há burros nas nossas escolas (como mostra um episódio de "Todo mundo odeia o Chris", e olha que essa série é engraçada...), os colombianos não nadam em rios de coca e os brasileiros não são todos favelados, os russos e os italianos não são todos mafiosos, e sobretudo, cada pais tem sua soberania, e os gringos não podem entrar num pais sem pedir permisso. Claro, excepto quando a ONU passa a mão na cabeça deles ou quando desobedecem na cara, mas ai já é em escala maior, como a guerra do Iraque. Operações tipo "Hulk" são absurdas. O Esquadrão classe A não pode andar por ai livremente. Espero que algúm dia os estadounidenses percebam que não são os reis do pedaço. Aliás, se é por potência mundial os Estados Unidos estão declinando bastante. Num futuro próximo outro pais será a tal potência. Ai quero ver o que eles vão colocar nos filmes deles.

P.S. Ainda acho engraçado que os filmes deles mostrem a mania de perseguição que os gringos têm. Tudo acontece com eles. Os árabes não têm mais nada para se preocupar que em explodir as cidades deles, os extraterrestres não têm mais planetas para visitar que não a terra deles, todos os imigrantes querem ir para lá, todos, desde o mais simples ladrão até o terrorista mais poderoso querem matar o presidente deles. Fala sério! 

22 de março de 2011

Igreja de Produção em Massa II

As vezes a pressão que a gente sente na igreja é mais do que podemos suportar. Sei disso porque às vezes não sei o que fui fazer lá, não sinto aquela paz, aquele "estou aqui louvando a Deus", mas sinto uma carga, uma pressão, um "tenho que vir porque pega mal...". Pega mal. Para meu marido, claro. Acho que é o preço de casar com ministro. Ainda bem que ele não é pastor. As igrejas cobram demais do pastor e da sua família. A esposa de pastor deve ser uma mulher submissa que trabalha em todas as atividades da igreja. Que está ai sempre que se precisa. Ahhh fala sério, isso não é pra mim! De mim só se cobra que eu vá na igreja. Mas ainda isso é bastante.
Mas o que eu queria falar mesmo é da hipocrisia que resulta dessa pressão da igreja por fazer seus membros "santos". Santo não é qualquer um, ele tem que cumprir certas regras: tem que ser religioso, ir na igreja todo domingo, participar em todas as atividades, nunca beber nem fazer nada que não seja "de crente".  Isso corta muito as asas das pessoas. Pelo menos as minhas e de muitos que conheço. E ai, surge a hipocrisia. Alguns se resignam, cumprem ao pé da letra o que os outros membros da igreja cobram, e vivem felizes. Até eu já fui assim, e achava que tudo era vontade divina. Mas um dia acordei para a vida real, e não consigo mais ser assim. Não consigo me sentir pecadora por tudo. Não consigo eleger minhas roupas com base no que posso ou não usar na igreja. Só que a pressão ainda existe. E só resta andar, mesmo sem querer, mesmo odiando ter que fazer isso, pelo caminho da hipocrisia.
A hipocrisia que faz dividir o guarda-roupa em dois: roupa que se pode usar na igreja, roupa que não se pode usar. Mesmo que o vestido seja comprido até o chão, se ser tomara-que-caia pode ferir a respeitabilidade de certos velhinhos membros da igreja, então melhor não. E se a gente quiser ir tomar um gole com os amigos num barzinho, melhor sentar nos fundos, não seja que alguém da igreja passe e veja a gente. Absurdo! Como se a gente estivesse cometendo o maior crime! Porém, se sabe que certas coisas pegam mal. Então a gente tem que fingir, tem que se esconder, tem que fazer tudo quando os outros não vão ver. Tem que ser hipócrita.
Eu já cansei disso. Sinceramente não estou nem ai para o que os outros pensam de mim o do que eu faço. Mas tenho que pensar no meu marido, porque pode pegar mal para ele. E assim, tenho que continuar com a hipocrisia. Tenho que me segurar quando quero sair dançando, tenho que deixar de ser eu mesma.
Nesse sentido a igreja me asfixia. Em lugar de ser o grupo de irmãos com os quais me reúno para louvar Deus, virou um grupo de gente pronta a apontar o dedo na minha direção, para falar mal de mim. E não suporto mais isso.
Afinal, onde fica a liberdade? Se todos os olhos estão atentos para qualquer nosso "erro", onde fica a nossa liberdade individual?

12 de março de 2011

Igreja de Produção em Massa

Hoje estava conversando com a minha amiga e pensei de repente na frase que é o título deste texto. Eu vinha pensando já há algum tempo sobre o assunto, sobre as diferenças, individualidades e sobre a igreja. Querida e velha igreja. A igreja de que eu falo não são as pessoas em si, cada uma, cada "crente". É a igreja instituição, aquela que é representada pelo prédio com a cruzinha, geralmente. Que é composta de pessoas, mas que ao se pensar nela se pensa como uma. Eu mudei muito desde que deixei a minha igreja na Itália e vim fazer teologia. Às vezes me pergunto até que ponto foi bom ter mudado. Mas acho, não, tenho certeza que não posso voltar atrás. Eu sou o que sou agora e não vou jogar fora quatro anos andados. E não quero ser o que eu era. Porque agora eu estou numa crise ferrenha, mas estou me encontrando. Antes eu
 era mais uma "ovelhinha". Mais uma. Pensando igual, agindo igual, se der mole até vestindo igual aos outros membros da igreja.
Analizando a sociedade, vejo que as pessoas gostam de ser diferentes. Só que terminam se encaixando em algum grupo "diferente", onde todos são iguais. Tem os rastafaris, tem os punk, tem aqueles que gostam de hip hop e muitos outros grupos. Cada um proclama a sua vontade de ser diferente dos padrões normais da sociedade. Só que, dentro da sua própria sociedade, que é seu grupo, todos são iguais. Vestem as mesmas roupas, usam as mesmas gírias, ouvem as mesmas músicas. É uma homogeneização de pessoas em um grupo separado. Mas, para mim, afinal dá tudo na mesma.
E na igreja é a mesma coisa. Vivem proclamando que devemos ser diferentes, que a gente tem que se afastar do "mundo", que o "mundo" não presta e todo é do capeta, e que nós, crentes, devemos ser referência. Mas, afinal, terminam todos sendo iguais. Vira uma produção em massa de "crentes" que, dependendo da denominação, podem ser mais ou menos evidentes. Assembleianas que não cortam o cabelo, não usam maquiagem e não depilam as pernas. Crente não bebe. Crente não dança. Crente não pode fazer isso ou aquilo. Crente de verdade vive na igreja. Crente não vai de tomara-que-caia na igreja, não usa shortinho, não usa saia curta. Os homens vão de cabelo curto. Se der mole vão até pedir para as mulheres usarem véu! E todo mundo fica igual.
E eu cansei disso. Eu sou diferente, e gosto da minha individualidade. Gosto de fazer as minhas coisas, de vestir como eu quero, como eu me sinto bem. Gosto de ouvir minhas músicas, cantar, dançar. Gosto de sair, de curtir, de rir. Gosto de fazer as coisas sem ter que pensar se "vai pegar mal", se vou escandalizar alguém. E não gosto de fazer nada obrigada. E às vezes acho a igreja muito opressiva. Como se ao entrar ai me enfiassem num saco de generalização, e eu deixasse de ser eu, para ser igual aos outros (saindo um pouco do tema, mas dentro do mesmo raciocínio, penso que isso leva muita gente a aloprar. Essas pessoas que eram os super cristãos, e que de um momento ao outro saem por ai não querendo saber de igreja, indo na gandaia e vestindo roupas estrafalárias. Elas se libertam da "opressão", mas vão ao outro extremo, achando que agora tudo está liberado... isso porque nunca aprenderam a administrar a própria liberdade). 
Eu penso que é algo normal dentro da sociedade. Como já disse, em todos os grupos que proclamam sua "diferença" acontece o mesmo. O problema é que eu não quero mais ser igual. Não sou igual àqueles que os evangélicos dizem ser do mundo. Mesmo porque eu acho que essa diferenciação entre "a gente, os cristãos" e "o mundo" é coisa do Agostinho, do Platão e de toda a teologia medieval, que já devia ter sido ultrapassada. Ainda por cima não gosto de Agostinho. Mas, voltando ao assunto, eu não quero mais seguir um padrão imposto de comportamento. Nem de uns nem de outros. Ou seja, não é que agora eu vá correndo fazer tudo o que a igreja diz que não posso fazer. Não é isso. Simplesmente peço o meu direito de ser livre. De poder ser eu. De deixar de fazer parte da massa, e de pensar com a minha cabeça, de refletir, até de criticar. O meu direito de não aceitar tudo que me falam como verdade absoluta, como algo que devo acatar em silêncio. O direito de poder decidir o que é que eu quero, o que é que eu gosto. Se eu gosto de dançar, não quero ter dedos apontando em minha direção. Se uso sainha, shortinho, e se bebo um ice ou um cuba livre, não quero fazer tudo isso escondida. Não tenho de que me envergonhar. Não estou fazendo nada de errado!! Eu quero ser livre daquela praga chamada "o que pensam os outros". Que se dane. Estou pouco me lixando para os outros!
Esse negócio de dar testemunhança da minha fé não rola mais comigo. Para mim ser cristã não é ser como dizem. Não é ir na igreja, orar e ler a Bíblia. É algo mais profundo. Às vezes me pergunto o que é mesmo. Só peço que Deus tenha paciência comigo. Eu estou como Jó, questionando esse Deus que a teologia tradicional lhe punha na frente. Porque o problema é esse: a igreja usa Deus no seu discurso, para poder fazer funcionar a sua produção em massa. E como é que uma pessoa em sã consciência pode falar contra Deus? Tem que estar mesmo em crise para poder fazer isso...
Para concluir, só espero, sinceramente, que as pessoas nas igrejas comecem a enxergar com seus olhos, e a pensar com suas cabeças. Deus é muito mais do que nos dizem, e muito do que se prega por ai é cultura, não Deus. Como se a minha salvação dependesse de um copo de caipirinha!! A vida é muito complexa, e o discurso das igrejas é muito simplista. E depois se queixam de que o povo tem o coração duro... o problema é que o discurso não satisfaz mais as perguntas da alma e da razão! E esse negócio de que Deus não se entende com a razão não é justificativa, porque para mim se Deus me deu um cérebro foi para usá-lo, em qualquer situação.
Espero muito que algum dia a produção em massa das igrejas termine, e as pessoas lutem pela sua individualidade. Afinal, diante de Deus não somos uma massa informe. A gente não prega que Deus se relaciona com cada um na sua individualidade? Então, se Deus faz isso conosco, porque a igreja espera que todo mundo seja igual? É mesmo um sem-sentido...

17 de janeiro de 2011

Um dia

Hoje não estou afim de falar muito. Quero devanear um pouco... tenho muitas coisas que eu queria escrever, sobre o ano que passou, sobre o meu seminário, sobre o que alguns falam sobre as mulheres na igreja. Mas hoje não estou com vontade de protestar. Hoje eu quero sonhar um pouco, desenhar com palavras o que se passa na minha imaginação.
Estes dias têm sido isso que se chama "um dia após o outro". Sempre a mesma rotina, acorda-arruma casa-pendura as roupas-faz comida-lava a louça. Sinceramente, as donas de casa merecem um troféu do tamanho do mundo. É um trabalho pra lá de chato. Acho que se deve ter um dom especial para gostar de ficar em casa e cuidar dela. Em fim. Depois do breve desabafo, vou para outro assunto.
Esperar. Nada mais estressante que esperar. Acho que na verdade a gente vive a vida inteira esperando. A gente espera crescer. Espera se formar. Espera que chegue aquela pessoa especial que vai fazer o coração parar no estómago. Se espera um novo emprego, se espera que as coisas melhorem, se espera o salário a fim de mês. E tudo é uma espera. Mas há uma espera que é mais irritante que as outras, aquela que deixa você suspendido no tempo e no espaço, sem ter como se mexer, como se estivesse numa caixa de madeira escura e molhada, flutuando no meio de um oceano de nada.
É quando o que se espera não tem data determinada de chegar. Quando não sabemos se vai acontecer ou não. Quando o que esperamos depende dos outros. E a gente ai, em suspenso, sem saber o que fazer, sem enxergar para onde se pode avançar. Esperar assim é cansativo, chega a ser desanimador.
Outra coisa que cresce cada dia mais dentro de mim é a saudade da minha terra. Nunca pensei que chegasse a ser tão grande, de sentir às vezes que o coração vai estourar no peito. Nada como a patria. Mesmo conhecendo lugares incríveis, com gente maravilhosa, nada pode se comparar à minha Colombia linda, minha cidade Bogotá, que saudades!! Dá até vontade de chorar... Espero poder voltar logo, nem que seja por um pouco de tempo!
Hoje tive umdia estranho. Daqueles que a gente se levanta de um jeito, esperando um dia legal, e nada dá certo, ou pelo menos o nosso ánimo estátão pelo chão que sentimos que tudo está indo horrivelmente. Espero que amanhã seja um dia melhor. Ou espero me sentir melhor, não gosto quando tenho mudanças de ánimo assim do nada...  
Bom, para terminar este meu texto-desabafo, não tenho muito a dizer... só posso pensar que às vezes a gente fica choramingando pelas nossas pequenas tragédias pessoais, e ao ver uma catástrofe de verdade compreendemos o tamanho do nosso egoismo... e percebemos que o planeta não gira ao nosso redor... porém depois de um tempo voltamos a choramingar, e esquecemos o resto do mundo... afinal as tragédias da nossa vida tomam a frente sobre tragédias alheias... eis o ser humano!

10 de novembro de 2010

De Ovelhas e Costumes

Sábado passado assisti ao vídeo de uma pregação sobre família e casamento. Algumas coisas do que ele falou eu gostei, outras não. Nem concordei com tudo o que ele falou. Mas o que me fez pensar foi um fato que achei muito engraçado. Por cada coisa que ele falava, dizia: "Digam amém!" E o pessoal da igreja, unânime, respondia: amém!. Tudo eram améns e aleluias. O que o pastor dizia era acatado na hora. 
Eu não sei se todo mundo falava amém quando era pedido para fazê-lo. Só sei que me fez pensar que na igreja as pessoas tomam mesmo atitude de ovelhas. Pouco importava se o que o pastor estava falando não tinha graça, era ofensivo ou generalizado. As pessoas riam, achavam legal e totalmente verdadeiro. Claro, e tudo era amém. "A mulher tem mentalidade de Barbie. Amém, irmãos!""Amém!!". E percebi que disfarçar a mensagem de palavra de Deus é algo muito, muito perigoso. Faz as pessoas deixar de pensar. Vão atrás do pastor como ovelhinhas, sem parar para pensar se é o não verdade, se é ou não relevante, se é ou não edificante para a vida de cada um. Estamos tão acostumados a entrar na igreja e achar que tudo é Deus, que esquecemos que quem prega a palavra é um ser humano, que, sim, acreditamos esteja sendo usado por Deus, mas que tem suas ideologias, costumes e até preconceitos, todo o qual se evidencia nas suas mensagens.
Não quero aqui falar contra os pastores e a pregação. Que tem pastores safados por ai, tem, assim como tem pastores maravilhosos que vivem suas vidas na certeza de que querem cumprir a vontade de Deus. Aqui não quero falar dos pastores. Quero falar das ovelhas.
Ovelha é um bicho burro, que deve ser guiado em tudo, alimentado, cuidado, que não sabe se virar sozinho. Desde que eu soube como eram as ovelhas me incomodou a comum comparação entre os fiéis e as ovelhas. Mas assistindo esse vídeo percebi como é perfeita a comparação. 
O nosso costume na igreja é ser ovelhas. Deixamos de pensar, de questionar, de analisar. A Bíblia é um livro ao alcance de todos, segundo Lutero, mas ainda achamos que a unica chave de interpretação certa é a do pastor. O que o pastor fala, portanto, deve ser verdade. E ai, mesmo que o pastor tenha falado algo muito questionável, todo mundo grita glórias, aleluias e améns. E a ovelha segue ai, querendo ser levada pelo cabresto, sem parar para pensar no que ouviu.
A igreja deveria ser comparada às ovelhas no sentido do cuidado de Jesus por nós. Era o sentido em que os reis do Antigo Testamento falavam. Tecnicamente eles eram os pastores que cuidavam das ovelhas-povo. Que afinal, não foram pastores e não cuidaram nada mesmo, explorando o povo cada um à sua maneira. E claro, às vezes em nome de Deus (por isso não gosto de Ezequias e sua reforma "justa"). Aliás, a igreja não deveria ser comparada às ovelhas. Elas são bichos estúpidos, enquanto o ser humano que faz parte da igreja tem um cérebro dentro do crânio. As pessoas da igreja deveriam parar para pensar, refletir, questionar. o pastor não é Deus. Sua palavra não é infalível. E não é coisa de sair agora questionando tudo. É simplesmente não ouvir automaticamente, é pensar no que está sendo dito. Assim até a mensagem se aproveita mais, pois prestamos atenção no que está sendo falado. Questionar, se perguntar se é assim mesmo. Na Bíblia há um exemplo disto, os tais bereanos. Eles questionaram Paulo e foram ver o que ele tinha dito na sua Bíblia. Que eles são elogiados porque gostaram do que Paulo falou, e o que teria acontecido se não tivessem concordado, é assunto para outra ocasião. O importante é que eles não aceitaram de primeira o que ele tinha falado. Eles pesquisaram sobre o assunto.
A gente fala de estudar a Bíblia, fala que cada um é sacerdote e tudo o mais. Mas, na prática, a gente repete nos estudos o que aprendeu na doutrinação inicial, a Bíblia é lida com o olhar que é indicado pelo líder. Não paramos para pensar, para refletir sobre o que estamos lendo. Não paramos para ver que em Gênesis não há como estar Jesus, nem para ver que o serpente do jardim não tem inveja de Eva (o texto não menciona tal coisa, que foi invenção de Irineu...), e muito menos se fala no texto que Eva estava merodeando sempre a árvore ou que estava só. A gente vê com olhos de ovelha, e o que o pastor falou é a unica interpretação válida. E assim, a gente se acostuma a não pensar, a gente se acostuma ao automático, e as igrejas se enchem de ovelhas que falam amém a qualquer coisa que seja dita desde um púlpito. E eu não concordo com isso! 

4 de novembro de 2010

28 de outubro de 2010

Conhecimento

Um dia o homem acordou, e se encontrou em um mundo vasto, desconhecido, fascinante. E o homem se perguntou o que fazia neste mundo, olhou para o céu e se perguntou o que haveria lá, olhou para a natureza e ficou encantado com a sua beleza, e se sentiu tão pequeno quando enfrentou a majestade enorme do mar... e ainda não soube o que fazia neste mundo.
Assim, o homem começou a recorrer caminhos, a descobrir lugares, a procurar respostas. Ele começou a caminhar nas sendas do conhecimento, e descobriu o que, na sua opinião, era verdade. Depois pesquisou mais a fundo, e viu que o que achou verdade não era tal. E continuou, continuou... e o homem nunca mais deixou de avançar na sua busca, na sua sede de conhecimento. Dizem que o conhecimento foi fruto do pecado de Adão... mas o conhecimento faz parte da alma, faz parte da nossa própria natureza. O homem quer saber. Mesmo que seu conhecimento seja baseado em hipóteses. Mesmo que o que ele descubra mais adiante seja superado. O importante é saber, aprender, descobrir cada vez mais o mundo que o rodeia. 
Dizem por ai que querer saber muito é pecado. Que a razão é vã. Pode até ser, a razão muitas vezes se enalteceu muito mais do que devia (afinal, a razão humana é limitada...). Ainda assim, a razão é central na vida do homem. O homem é um ser racional. Demonizar a razão é tão absurdo como dizer que o homem está marcado pelo pecado, que, como dizia Agostinho, somos todos uma massa de condenados. Deus nos fez seres racionais, e nos fez seres livres. O homem tem muitas capacidades, e é seu dever usá-las. É seu dever tomar nas suas mãos a própria liberdade e viver, sabendo dos perigos que a liberdade traz consigo mesma, mas se arriscando mesmo assim a usá-la. Conhecimento de si mesmo também faz parte do ser humano, que se pergunta o por que está neste mundo. O homem quer conhecer o mundo, mas tem também que se conhecer ele mesmo, saber seus limites, saber suas capacidades, suas fragilidades.
Quando o homem deixar de olhar para o seu mundo, e deixar de se questionar, sobre o mundo e sobre ele mesmo, ai o conhecimento vai acabar. E ai não vai importar se ele tem liberdade, já que não saberá como usá-la. Não importará mais ser humanos.

Habacuque 3,17-19

O profeta Habacuque é um dos chamados profetas menores. Ele escreveu sua profecia para o povo de Judá, reprovando as injustiças cometidas pelo povo e anunciando o castigo pela mão dos cal-deus, mas também trazendo palavras de esperança.
O texto do capítulo 3, 17-19 é muito belo. Ele de-monstra a confiança ab-soluta que o profeta tem em seu Deus. Ele descreve um panorama desolador. No original hebraico não há um “talvez” no texto, que no português fala: “Ainda que...”, estabelecendo uma possibilidade: “Talvez aconteça”. O profeta, no original, afirma que haverá devastação. Não haverá figueiras
florescentes, as vides não darão fruto, as
ovelhas serão exterminadas e não haverá gado nos currais. O campo será totalmente estéril, tudo será exterminado.
Frente a este panorama desolador, o quê o profeta diz? Ele afirma, no v. 18: “todavia eu me alegrarei no Senhor”. Ele exulta no seu Deus, proclama sua confiança no seu Senhor que lhe dá forças para afrontar esse panorama sombrio, e lhe permite andar sobre lugares altos. O profeta não dá sinais de desânimo. Pelo contrário, ele se refugia no seu Deus, expressando sua confiança de que, mesmo com tanta tristeza ao redor, o Senhor está com ele. Não só isso, mas ele
se alegra em Deus.
Quantas vezes nós enfrentamos dificuldades, que ao nosso ver podem parecer enormes, intransponíveis, e nos sentimos cansados, sem forças, desanimados?
Eu já me senti assim muitas vezes. Cada dia traz sua própria preocupação, e ao longo de nossas vidas enfrentamos problemas de diversos tipos. Porém, este texto nos chama a dizer o mesmo que o profeta: As coisas podem “estar pretas”, mas Deus é nossa alegria. O profeta nos demonstra que é possível de verdade confiar em Deus, que é possível deixar tudo nas mãos de Deus, já que, afinal, ele é nossa força, ele é que nos faz andar por onde não pensamos que seja possível.

De Vocações e Expectativas

Com o fim deste ano acadêmico, chego ao fim da minha vida como seminarista. Me formarei, serei bacharel em teologia, e minha vida tomará outros rumos. Ser seminarista foi uma experiência maravilhosa, que me fez mudar muito minha forma de pensar, minha forma de agir. Aqui também encontrei minha vocação, aquilo que me faz feliz, mesmo sendo difícil. Eu gosto de teologia. Eu gosto de estudar. E eu gosto de exegese. É difícil, e ainda tenho muito que aprender, mas eu gosto.
E ai vem a confusão. Quando vim aqui tinha certas expectativas, que agora estão muito longe da minha cabeça e do meu coração. Não que Deus tenha deixado de ser meu Deus. Não que "o chamado" não fosse real. Só que enxergando as coisas desde outros pontos de vista, tudo fica mais complicado, sobretudo porque quando se volta ao redil todos os outros têm a mesma visão que eu deixei há muito, e à qual não pretendo voltar.
Rebeldia? Heresia? Desobediência? Não sei. Sei que muitos esperam de mim algo
que não posso mais oferecer. Sei que minha vida tem uma função, que não vim ao seminário à toa. Mas o que eu quero não estava dentro dos planes originais, e não sei como conciliar o que eu quero com o que se quer de
mim.
Sei que minha vocação é uma: me enfiar nos textos e fazer uma boa exegese. Eu gosto disso, gosto do hebraico, gosto de enxergar no texto coisas novas que nunca vi porque lia com os olhos da dogmática e da tradição. E sei que a exegese enriquece a vida também. Não é simples teoria. A Bíblia é mais complexa do que se pensa. E mais rica do que se fala. E menos rígida do que se impõe na igreja. Por muito tempo fugi da profissão de professora, mas acho que me persegue. Acho que o que eu vou fazer mesmo é ensinar (além da exegese, claro). E para isso tenho que estudar.
Agora minha vida está tomando outros rumos, e ai deixo nas mãos de Deus. Que faça ele o que quiser. Mas que faça e me mostre o que eu hei de fazer, como hei de fazer, como construirei a minha vida.
Eu penso que as pessoas são feitas para desenvolver diferentes tarefas. Na Bíblia também diz, que no corpo existem muitos membros. Eu não me vejo como os outros querem ver-me, mas não por isso acho que esteja fugindo do meu "chamado". Se eu gosto de exegese é por algo. E se fazendo exegese, e ensinando, eu posso fazer a minha parte, não vejo como esteja me afastando da "vocação" e do "chamado". O problema agora é saber o que fazer. Durante quatro anos estudei, me esforcei, vivi muitas coisas belas e ruins, casei, cresci. Agora o mundo está frente a mim, e eu não sei ainda como encará-lo. Tenho uma dívida a pagar, uma responsabilidade a cumprir. E sonhos, metas, ideais, tantos sonhos... tenho uma expectativa própria, também. Porém, por enquanto, tenho de deixá-la de molho. Primeiro tenho que responder às expectativas dos outros, experimentar um caminho, experimentar outro, encontrar meu lugar na vida. E não vou deixar de aproveitar as oportunidades, já que Deus está no controle. Afinal eu vim por isso, porque disse que minha vida estava nas mãos de Deus... e se Deus quer me mostrar um caminho, bem-vindo seja! Meu Deus... os nervos não faltam... o desconhecido dá sempre um pouco de medo!

15 de outubro de 2010

Aborto... coisa feia!

Estes dias o tema do aborto está sendo muito discutido, tendo em conta as posições políticas de Dilma e Serra ao respeito. Mas aqui não quero falar de política, ou de religião. O aborto simplesmente é, para mim, algo que não deveria acontecer. Há casos especiais, como o estupro e a malformação genética, ou quando a mãe corre risco de vida. Esses casos são mais delicados. Mas abortar simplesmente porque é a saída mais fácil para "resolver o probleminha" é uma atitude altamente egoísta.

Para mim o aborto é assassinato, ponto. Desde a sexta semana de gravidez o feto já tem um coração que bate, e é um ser completamente independente da mãe, que só está unido a ela pelo cordão umbilical e a placenta. Ele é outro ser. Se a mulher pode ser dona do seu corpo, não pode tomar a decisão de matar um outro ser, mesmo que esteja dentro dela. Como pode se falar que não se chegou a um acordo sobre quando a criança no ventre passa a ser pessoa? Que desculpa esfarrapada, para "legitimar" a solução fácil (fácil entre aspas, já que o aborto pode trazer muitas complicações para a mãe, que pode estragar seu útero e ficar estéril)! Sabendo que mesmo do tamanho de um feijão o bebezinho já tem coração próprio! É absurdo!

O que eu acho ridículo sobre toda a situação é que em pleno século XXI, onde se têm acesso a camisinhas (nos postos de saúde são de graça), pílulas anticoncepcionais, pílulas do dia seguinte e tantos outros métodos anticoncepcionais, as pessoas não se cuidem de uma gravidez não desejada. Isto é, se não quer ter filhos, ou não faz sexo, ou faz sexo com precaução. E não é coisa de que seja difícil o acesso aos anticoncepcionais: o meu custa somente R$ 15,00. Não é o olho da cara tampouco. E as mulheres e seus parceiros devem fazer as coisas com a cabeça. É tão simples!

Claro, sempre há "arrebatos de paixão". Bom, se você errou, assuma seu erro! O problema do aborto é que se trata de uma vida que está surgindo. Não é como tirar a cera do ouvido porque atrapalha ouvir. É algo vivo! É compreensível o momento do desespero. Mas para mim a vida está acima de tudo.

As ações trazem consequências, se se faz sexo sem proteção a probabilidade de ficar grávida é alta. É simples. Porque as mulheres não se cuidam? Porque os homens não se cuidam, se não querem ter compromissos depois, filhos por quem responder? Ahhh, mas é mais fácil se livrar do problema depois, pensar depois de ter feito as coisas.

Se argumenta que não se tem condições, que não é o momento de ter filhos, que o pai da criança não quer assumir. Porque carambas não se pensou nisso antes do ato sexual? E depois a criancinha no ventre paga as consequências dos atos paternos!

O aborto para mim não é solução. É crime. E não há escusa válida. Se minha mãe tivesse se amparado nessas escusas (em 1987, solteira, com 19 anos, num pais conservador e católico como é a Colômbia) teria tranquilamente se desfeito de mim. Mas não o fez. Enfrentou minha avó, enfrentou a paróquia da qual fazia parte, enfrentou o escárnio do meu avó paterno, o sumiço temporâneo do meu pai, as propostas de sumir da cidade e de fazer aborto, de ser levada a uma casa de mães solteiras, a dor, a solidão. Sofreu muito, mas assumiu as consequências dos seus atos. Graças à sua coragem e a sua proteção é que eu estou neste mundo. Muitas crianças não têm essa proteção materna. É mais fácil se desfazer do problema.

Finalizando, minha própria vida é contra o aborto. Minha mãe não me abortou, e agradeço muito isso, essa oportunidade que tive de vir ao mundo. E minha mãe me ensinou isso, me mostrou o valor da vida, e o valor que se deve ter para enfrentar todas as situações, para assumir todos os erros, para sofrer todas as consequências. O aborto é uma saída fácil para o egoísmo, para não assumir os atos, para se "livrar dos problemas". E assim, a sociedade avança em seu egoísmo, em sua frivolidade. Eu faço as coisas, enfio a cabeça onde não devo, mas não quero saber nada das consequências dos meus atos. Simples assim. E milhares de bebés inocentes pagam pelo egoísmo e a desumanização (ainda não entendo como alguém tem a "coragem" de aceitar tirar de dentro de si uma vida tão pequena, tão indefesa, que não tem nem a possibilidade de se defender) dos seus pais, da sua cultura, da sua sociedade.

1 de outubro de 2010

Por Quê Osvaldo?

Ontem foi um dia normal. Tudo estava normal, a gente foi às aulas na manhã, vimos Osvaldo como sempre, no seu escritório, falamos, aprendemos, saímos. À tarde as coisas foram comuns. E depois chegou a reunião da noite. Não sabíamos, ou pelo menos eu não sabia, o porque da reunião. E o diretor nos disse: A Convenção demitiu o professor e coordenador geral Osvaldo Luiz Ribeiro. Foi um choque.

Eu fiquei pensando em tudo o que aprendi. Foi engraçado. Essa semana mesmo eu pensei que estava com saudades de ter aula com Osvaldo, já que este semestre não tenho ele como professor, e, como acabei a monografia, não tinha mais sessões de orientação.

Para mim Osvaldo foi o professor que mais influenciou na minha formação, quem mais "dicas" sobre a vida me deu, de quem aprendi um jeito novo de ver o mundo, a igreja, a relação com Deus e a Bíblia. Graças a Deus por isso. Graças a Deus por ter tido a oportunidade de estudar com esse professor que me ensinou tanto, que me permitiu conhecer um novo modo de ser cristã. E foi meu orientador. Sem sua ajuda, teria ficado atolada no meio das minhas cambaleantes tentativas de traduzir um texto do hebraico, e minha monografia não teria sido o que agora é. Tive o privilégio de ser a única orientanda de Osvaldo este ano, visto seu trabalho como coordenador, que não lhe deixava muito tempo livre.

Osvaldo marcou mesmo a minha vida. E foi coerente. O que ele fala é o que ele é, e o que ele faz. Já vi muitos exemplos de pastores (lastimosamente minhas experiências em algumas igrejas têm sido meio ruins) e outras pessoas (seminaristas incluídos) que se proclamam "conservadores", filhos e servos de Deus, defensores da doutrina "certa", que não admitem novas formas de pensar. E vi depois que eles não eram coerentes, que muitas vezes eram, não me vem outro termo à cabeça, "safados", em muitos aspectos, na moral, no comportamento com os outros, criticando tudo que tinham pela frente, se importando pouco ou nada com aqueles que precisavam de ajuda. Proclamavam aquilo que não eram, pregavam aos domingos o que apagavam com sua ação logo depois do culto. E cada vez mais percebi que para ter pessoas assim dentro da igreja, melhor ter pessoas como Osvaldo, que falam claro o que pensam, sem por isso impôr seu pensamento aos outros, e que, sobretudo, com seu comportamento ratificam aquilo que falaram. Osvaldo é assim para mim, ele não usa máscaras, não se disfarça de "servo de Deus". Ele demonstra suas dúvidas, e não tem medo de pensar. E eu aprendi muito com ele.

Como ele disse ontem, ele chegou ao seminário fundamentalista, pensando que só sua igreja era salva. E saiu de aqui diferente, aberto, pluralista. Eu estou passando (ainda tenho tantas "crises de seminarista..." pelo mesmo processo: cheguei aqui pensando que tudo era pecado, que por qualquer coisa que fizesse tinha que pedir perdão a Deus, que não podia nem encostar em alguém "do mundo". E percebi que o mundo não é assim, que ser cristão não é assim. E grande parte dessa percepção foi graças ao que aprendi nas aulas com o Osvaldo.

Esse professor que ontem foi demitido de uma forma tão indigna foi muito importante para muitas pessoas, seminaristas, professores. E para mim. Saber que ele não está mais no seminário, que não vou ver mais ele no gabinete quando me dirigir à minha sala de aula, é triste. É triste pensar que muitos alunos desta instituição não vão ter a oportunidade de aprender com ele. Ele é um excelente professor.

Só tenho para dizer que a sua demissão foi causa de muita tristeza para mim. E para muitos outros. Que foi um golpe tão inesperado, que nos deixou tão impotentes! E, repetindo, que Osvaldo é o professor que mais me ensinou, que mais marcas deixou na minha vida, não só na parte acadêmica (aprendi muito mesmo), mas também na parte pessoal. Ele me ensinou que a gente pode pensar livremente. Que a razão não é um bicho papão. Também me ensinou que Deus não está limitado a uma doutrina, que Deus é muito mais do que a gente aprende na igreja. Me ensinou que pensar, mudar, crescer, dói. Agora o que está doendo é ele ter ido embora... e fica a pergunta: por quê Osvaldo?

17 de setembro de 2010

Casar é tudo de bom!

Daqui a pouco vou fazer três meses de casada. Estão sendo os melhores meses da minha vida. Casamento é uma palavra que assusta muitos, deixa prevenidos outros, e uma ilusão não satisfeita para outros. Eu não entendo como tantas pessoas fogem do casamento como se fosse uma praga, quando é algo tão bom. É claro, se tem que pensar com cuidado antes de se casar, escolher com a cabeça, fazer tudo organizadamente. Porém, posso afirmar que casar é tudo de bom. Não somente a cerimônia, que para nós mulheres é o dia em que somos princesas, mas o estar casado, em si, é algo muito bom. Estar junto com o marido, desfrutar a companhia um do outro, se apoiar nas dificuldades, compartilhar todos os momentos da vida. Em um bom casamento até as dívidas não tiram a alegria de ficar juntos. E falo isto porque as dívidas estão presentes na minha vida, dívida disso, daquilo, pagar o aluguel, luz, água, todas as coisas que sempre se têm que pagar. Quando ia casar me falaram que o dinheiro era um problema no casamento, mas pelo menos até agora não tem sido não. A gente simplesmente fala e tenta resolver as dívidas, os problemas que surgem e que precisam de dinheiro, mas ninguém se desespera nem rompe coisas... e a gente cede, cede muito, cedo eu para não sair comprando quanto livro eu queria ter comprado, ele cede para não comprar aquelas coisas de música que ele gosta ou mesmo as coisas que ele precisa...

Casamento é mais do que um mar de rosas, é mais do que um pesadelo, é mais que uma responsabilidade. É saber que se conta com alguém, que se tem alguém esperando por mim quando vou para casa, alguém para cuidar, alguém para quem gosto de cozinhar, alguém com quem falo, rio, brigo, brinco, durmo, trabalho e que sei que sempre vai estar ai... alguém que faz parte da minha vida, alguém sem quem não me imagino viva... e vejo tantas coisas que se falam ao respeito do casamento, e vejo aquele seriado da globo, e penso como essa mulher é ridícula, brigando com o marido pelas coisas mais bobas, pelas expressões que usa ao falar, por não lavar um prato ou por dormir "do lado errado da cama". E penso que o que na verdade mata os casamentos é a intolerância, o egoísmo, o não deixar verdadeiramente de ser um para virar dois. Quando a pessoa não cede, quando pensa ainda como solteira, ai não há muita esperança. Casamento é coisa de dois. É uma luta a dois, onde os problemas são enfrentados mão na mão, um dando o ombro para o outro em caso das lágrimas rolarem pelo rosto, é uma comunhão, que vai além da sexualidade, além da rotina, além da aliança no dedo. Não compreendo aqueles que casam pensando que podem se divorciar. Não compreendo aqueles que casam pensando que tudo vai continuar como antes, sendo eles o centro das próprias vidas. Não compreendo aqueles que traem a confiança do seu companheiro, do seu esposo/a. Não entendo como uma pessoa jura fidelidade eterna, jura que vai aceitar ao outro com os seus defeitos e virtudes, na sua integridade, e depois anda reclamando que o outro é isso ou aquilo. Por isso é que casar é coisa que se deve fazer com calma, sabendo no que se está entrando, conhecendo a pessoa com quem se vai passar o resto da vida. Não é só pela aparência, só pela "paixão". Há muito mais em jogo.

Devo dizer, de novo, que casar é muito bom. Casaria de novo uma e mil vezes, claro, sempre com o meu Leo, não quero ninguém mais, não me vejo com ninguém mais. Muitas coisas ainda ei de enfrentar nesta vida de casada, muitos problemas, lutas, dificuldades, filhos, doenças, dívidas. Mas eu vou estar com o meu amor, meu companheiro, meu amigo, e sei que vou andar adiante, sei que vamos superar todas as coisas, porque estamos juntos. Porque estamos como queremos estar, e não há nada que possa nos tirar o desejo de estar juntos.

Já bastante provação é ter que ficar longe do meu marido quase que a semana toda, estudando no Rio enquanto ele trabalha em Lorena. Já é muito ruim não poder ficar juntos, saber que ele vai chegar em casa e vamos conversar, vamos brincar, vamos rir, e que vai me contar como foi seu dia. Já é muito ruim não poder ver seu rosto todos os dias ao acordar, sentir seu corpo junto ao meu quando vamos dormir. É muito ruim. É um tempo que quero que passe voando. Estou contando os dias, os minutos para me formar, para ir embora para minha casa, para os braços do meu amor. Ai que saudade. Estar sozinho estando casado é a pior coisa do mundo. Estar sozinho, em si, não é nada bom. Já não consigo, já não sou mais só eu. Eu preciso do meu amor, eu preciso do meu esposo.

É tão legal essa lógica do casamento, de deixar de ser um e virar dois... ao estar longe se sinte vazia uma parte do peito, falta metade do coração... eu acho que isso falta em muitos casamentos, essa sensação de serem dois. Para muitos casar é uma forma de legalizar o sexo, ou então para resolver algumas indiscrições, ou para se livrar de uma casa onde a vida é um inferno. Mas casamento não é isso. Casamento é um compromisso, uma entrega ao outro. Sem isso, o casamento não resiste os ataques deste mundo de relações rotas, onde se prega a individualidade e o egoísmo. Casamento, bem pensado, bem decidido, com certeza no fundo do coração, é tudo de bom. Que bom que estou casada. Que bênção!

15 de setembro de 2010

Tengo un dolor en el corazón...

Desde semana pasada recibí muy malas noticias: mi perrito fue golpeado. Él está en Colombia, donde lo dejamos por no poder pagar el pasaje para llevarlo con nosotros. Mi abuelita se encargó de él con mucho cariño, y nosotros lo llevamos en el corazón, y sufrimos mucho por tenerlo que dejar. Pero sabiamos de él, que estaba bien, le contabamos los cumpleaños (el 10 de julio) y bueno, le hacia compañia a mi abuelita. Y ahora, cuando está viejito, ya enfermito, mi abuelita lo lleva a pasear y un tipo sin corazón simplemente me lo deja tirado en la calle de la paliza que le dió. El pobre lloraba, no se podia levantar, cuando lo supe me dió el primer dolor. Pero ahora la pena es completa, porque mi perrito no tiene remédio: el viernes se me muere mi Danfer.
No tengo palabras para expresar toda la tristeza que tengo. Y encima de todo estoy lejos, no le voy a dar un último abrazo, no voy a ver de nuevo esos ojitos expresivos. Mi perro fue muy importante para mi y para mi família, pasamos por tantas cosas juntos, vivimos tantos paseos, tanto tiempo... yo sé que ya estaba viejito, pero todavia podia vivir unos años si no fuera por la golpiza que recibió. Y mi pobre abuelita solita, enfrentando el sufrimiento del perrito, viendolo que no come, viendolo postrado del dolor, y ella solita también, sin nadie que la ayude a llevarlo al veterinário, sin nadie para consolarla. Mi abuelita es muy valiente. Pero a ella también le está dando duro el dolor de mi perrito. Y eso aumenta la tristeza del corazón, porque no estoy allá con ella, no puedo hacer nada desde aqui, sólo llorar y ponerme triste, y mandarle unas palabras de consuelo, que parecen tan frias e impersonales recibidas en un e-mail.

Yo sé que la vida es un ciclo, y que tarde y temprano todos se mueren. Pero morir de esa forma es indignante, morir por culpa de otro ser, que no puede ser llamado "humano", es algo que da rabia. Mucha rabia. La impiedad, la crueldad del ser humano es algo que cada día me desespera más. Cada día me asonbra más. La capacidad que tienen algunos de salir por ahí creyendo ser los únicos dignos de respeto, misericordia e amor, los únicos que sienten dolor cuando los golpean, pero que pueden salir golpeando sin piedad a quien sea, hombres, animales, seres indefensos. Cómo algunos tienen la capacidad de decir "pero si es solo un animal". Y es que los animales no sienten? El ser humano es absurdo a veces.

Y el dolor está ahí, en lo más hondo del corazón, esperando el cumplimiento de la sentencia a muerte. Espero que mi Dios no haga sufrir por mucho más tiempo a mi perrito. Espero que mi abuelita descanse de esa angústia. Espero algún día poder volver a mi tierra... pero ya no voy más a encontrar mi perrito esperando, no lo voy a llevar más de paseo, no lo voy a ver al lado mio cuando estoy en casa. Danfer es uno de esos perros que marcan la vida, de esos que parecía que hablaba con los ojos, con su mirada mansa, a veces triste, siempre fiel. Halaba la correa con el gusto de salir a pasear, corría sin cansarse cuando le lanzábamos el palo, o la pelota, lo que fuera nunca duraba bajo su mordida fuerte. Y las veces en que se subía a la cama, y las veces en que escondía el hueso en el sofá. Y cómo jugaba con mi gato. Ellos se querían tanto que dormían juntos. Y mi Pachito que se me fue también, ellos eran tan amigos. Una vez le gustó tanto el paseo que no quería devolverse, y se tiraba del carro para volver al lugar de donde nos estábamos yendo. Y tuvimos que hacerlo correr, para que se quedara quieto, para poder volver a casa.

Es un perro elegante. Todos se admiraban de su belleza, su porte. Es tan bonito... ahora está sufriendo, con llagas en su cuerpo, heridas en su boca y cuerpo, ahora está tan mal... ay qué dolor en el corazón, qué impotencia, no puedo hacer nada aqui! Y mi abuelita debe sentir lo mismo pero peor, viéndolo así sin poder hacer nada. Esperar la visita del veterinário.

Nunca me olvidaré de mi Danfer. Hace parte de mi vida, es el perrito de la casa, hace parte de la família. Se me está muriendo un ser querido. Y para completar, otro ser querido está sufriendo mucho por eso. Ay abuelita. Ay mi Danfer. Ay, ay, qué dolor en el corazón.

1 de setembro de 2010

O Tempo Passando...

Eis me aqui, depois de dois meses sem escrever nada, sem ter tempo ou vontade (ou simplesmente acesso a internet), passando para reviver meu esquecido blog.
Agora sou senhora casada (epaa), vida boa! Devo dizer que Poços de Caldas, onde foi minha lua de mel, me deixou encantada, não vejo o dia de voltar. Também devo dizer que o dia mesmo de casamento, depois de tão sofridos meses arrumando tudo, passa tão rápido que parece um sonho. Se não fosse pelas fotos me perguntaria se realmente aconteceu.

Agora estou na fase final do meu estudo, se Deus quiser e se consigo fazewr tudo direitinho, este ano me formo teologa! Bom, bacharel em teologia, mas pretendendo continuar o caminho rumo a uma formação teológica mais profunda. A monografia é o grande pesadelo de todos os formandos. A minha estava adiantada, mas entre casamento e cuidado do lar (agora sou dona de casa, ufff...) deixei o tempo rolar, passar voando... e aqui estou, correndo, escrevendo igual a uma maluca, lendo livros desde cedo de manhã até tarde à noite, tentando terminar um assunto que parece inesgotável: o profetismo em Israel. Quem diria que tem tantas opiniões diferentes sobre o mesmo assunto? Quem diria que existem tantos tipos de profeta, funções de profeta, designações de profeta? Foi mais fácil pesquisar sobre a profecia no resto do Oriente Antigo Próximo! E agora tenho um capítulo muito comprido, um não inciado e outro que me da dor de cabeça: teria que fazer análise sintática de um texto, sendo que para a gramática sou fechada...

E o tempo passando, os dias voando, a angústia subindo no meio do pescoço, apertando levemente o peito... e eu aqui escrevendo sobre as sensações, só para descansar um pouco a cabeça, para aliviar um pouco a neura, para deixar de pensar em profetas por um pouco. Profetas, depois desta não quero saber de profetas em um bom tempo!

Espero voltar a escrever mais seguido no meu blog, escrever sobre minhas crises de sempre, sobre esta igreja que me decepciona tanto, sobre o que acontece ao meu redor que nãoi consigo entender... cada dia mais tenho certeza de que o mundo está doido, as pessoas estão doidas. Ou talvez seja eu que não concordo com nada, e por isso mesmo sou uma completa maluca. Por enquanto só tenho isto para escrever, minha cabeça está cansada. E minhas mãos também.

18 de junho de 2010

Quem Sou Eu?

Desde ontem venho ouvindo essa pergunta. Primeiro na sala de aula, e não saiu mais da minha cabeça. Hoje meu outro professor a repetiu. Não é uma pergunta de resposta fácil, já que quem eu sou é para mim um mistério tão grande... mas vamos por partes.

As aulas deste semestre curiosamente têm estado muito relacionadas umas com as outras, os temas convergem e dialogam entre si, e todos levam às mesmas conclusões:

A salvação é coisa para ser vivida na Terra, isso de que ser salvo é ir ao céu é coisa do passado. Nesse sentido, as aulas de ética e teologia têm me servido muito, já que a ética é algo que muitos estão transgredindo, e mesmo dentro da igreja o valor da vida se perdeu, por aquilo de que o ser humano 'é totalmente ruim'. Se somos totalmente uma porcaria, a melhor perspectiva que temos é morrer e ir para o céu. A vida na terra é algo de passagem, por isso, se sofremos aqui, ou se nossos direitos são violados aqui, ou se somos oprimidos e manipulados por ideologias que favorecem aos poderosos, não há como reagir: o mundo é assim, é mau, e não temos perspectivas de mudança ou libertação. Porém, tenho aprendido que o homem não é mau totalmente, é um ser complexo cheio de ambiguidades. Eu poderia falar que sou isso, um ser complexo, mas nem isso responde à pergunta de quem sou eu, porque ela não me está perguntando como sou, mas quem sou.

Outra coisa que aprendi, e que deriva da primeira, é que o sistema atual do mundo é totalmente contrário à mensagem de Jesus, à mensagem da vida, à simples lógica que diz que a vida é importante. Não só a vida dos ricos, não só a vida dos seres humanos. A vida da Terra tem valor, cada pequenino ser humano, criança, mulher, homem, ave, insetos, árvores, tudo é valioso, tudo merece respeito e tudo precisa de atenção. Parece algo que todo mundo sabe, mas acho que de tanto ouvir falar a gente acaba esquecendo a essência do valor da vida. Todo mundo sabe que o planeta está sofrendo, que se não mudamos nossa atitude o aquecimento global acabará conosco. todos sabem, mas todos deixam pra lá. É mais importante o interesse monetário daquela indústria que arrasa com as florestas e contamina os rios, ou daquele grupo insurgente que tira as famílias de suas casas e as condena a uma existência de marginais para poder ter mais terras para cultivar drogas. E esquecemos, nós crentes em Jesus, que foi Deus quem fez o mundo, e nos baseamos na tradução errada do Gênesis para dizer que nós temos o controle sobre o mundo porque Deus mandou. Mas o original não diz para estar sobre a natureza, e sim junto com ela. Somos parte da natureza também, dependemos dela para viver, não somos donos absolutos de cada árvore, cada rio, cada pedaço onde os animais ainda tentam sobreviver. Somos apenas vizinhos destes animais, destes árvores, e, sim, podemos usufruir deles, mas com respeito e cuidado.

O que aprendi que me levou à reflexão da pergunta "Quem sou eu" é um novo caminho de espiritualidade, um desafio muito grande para uma seminarista que mal deixa tempo para ler a Bíblia, para dedicar um tempo em silêncio a Deus. Este caminho o encontrei no livro que tivemos que ler para a matéria de "Aconselhamento Cristão", o qual se chama: 'Crescer, os três movimentos da vida espiritual', de Henri M. Nouwen. Profundamente simples mas tremendamente complexo, ele mostra como ser melhores pessoas na relação consigo mesmos, com os outros e com Deus. Difícil para mim é pôr em prática o que o livro fala (não é receita de bolo ou auto-ajuda, é um simples falar da essência do ser humano, por isso é difícil, acho...), me dedicar a me achar de verdade. O professor, fazendo as reflexões do livro, planteou a pergunta que titula esta postagem. Se respondo - Sou Viviana, ele diz: Não perguntei seu nome. Quem é você? -Sou seminarista.-Não perguntei o que você faz... e assim por diante. Eu já tinha ouvido esta pergunta e essas respostas, muito tempo atrás, nas minhas aulas de filosofia no segundo grau. O professor Roberto Cano falou exatamente as mesmas coisas: Quem é você? Eu não estou perguntando nome, sexo, idade, estado civil ou profissão. Eu perguntei quem é você. Ao ouvir de novo esta pergunta nesse sentido, percebi como deixamos de lado tão facilmente as coisas essenciais da vida, como passamos os anos procurando melhoras profissionais, um bom emprego, e quão pouco nos preocupa-mos em conhecer a nós mesmos. Isto porque tanto nessa época como agora, a resposta é a mesma: não sei. Não sei quem eu sou.

É um pouco desolador não saber quem se é. Eu sei o que estou estudando e o que quero fazer quando me formar. Sei que daqui a uma semana vou estar vivendo meu último dia de solteira, e que vou ser esposa. Sei de onde venho, e que quero ainda ir para muitas partes. Mas quem eu sou? Qual é a minha essência? Para que estou no mundo, quem eu sou?

Espero encontrar-me daqui por diante. Vou precisar aprender a disciplina, encontrar um tempo para mim mesma, sem fugir de mim, sem pôr música ou ligar a tevê para não me sentir só. Preciso ouvir minha voz interior, o quê ela tem para me dizer. E também preciso um tempo em silêncio diante de Deus. Um tempo em que possa ler a Bíblia sem questionar Paulo, ou zoar Davi, ou dizer que Neemias era um racista. Pode que não concorde com eles, mas a questão vital não é concordar ou não, mas escutar o que essa Bíblia que fala a tantos tem a me dizer. Coisa de seminarista: antes eu ouvia, agora só estudo a Bíblia. Estudo no sentido acadêmico, de datas de composição e teologias originais. Eu amo isso. Eu gosto de descobrir a voz do autor dirigida ao seu público de tanto tempo atrás. Mas ainda sei e acredito que Deus usa esses textos para falar às pessoas. Só tenho que voltar a eles com outra perspectiva. Ai, Senhor. Parece tão fácil escrito...

Talvez daqui a uns anos eu leia de novo este texto, talvez tenha esquecido meus propósitos, voltando à correria muda do dia-a-dia. Espero que não, espero ter estabelecido um diálogo comigo mesma, e um diálogo com Deus. Espero ter aprendido um pouquinho de mim, e poder responder, pelo menos em parte, a pergunta: Quem sou eu.

17 de junho de 2010

Blog com Nova Cara...

Pois é, depois de muito tempo, mudei a configuração do meu blog. Agora ele está com uma nova vestimenta... devo confessar que, de princípio, não gostei! Mas como parece que apagaram todos os modelos anteriores, terei que me acostumar com a mudança... Ai, isso passa por curiosa!

11 de junho de 2010

Manual para el Mundial

Llega otra vez -¡¡por fin!!- la Copa Mundo. Muchas personas, sin embargo, no saben bien las normas, estrategias, historia y personajes del fútbol. Es por eso que Postre de Notas abrió una sección de preguntas y respuestas sobre balompié que pretende ayudar a gozar de la ocasión a quienes no son aficionados constantes a la poesía en movimiento con la redonda disculpa de un balón.

P- ¿Qué es exactamente el fútbol?
R- Poesía en movimiento con la redonda disculpa de un balón.

P- ¿Quién inventó el fútbol?
R- En la China se practicaba hace tres mil años un fútbol tosco y primitivo que aún lo juega en Bogotá cierto equipo de uniforme azul y blanco. Los inventores del fútbol-arte moderno fueron, en Colombia, el Club Independiente Santa Fe y, en España, el Barcelona FBC.

P- ¿Por qué alegan los ingleses que ellos crearon el fútbol?
R- Por las mismas razones incomprensibles que los llevan a manejar carro por la izquierda, tomar un agua amarillenta llamada té y comer una especie de bizcocho que se encuentra relleno de (¿están preparados?) ¡¡hígado!!

P- ¿Cómo explica que Colombia solo ha participado en unas pocas de las 18 Copas Mundo ya jugadas?
R- Por una parte, el alto precio de los billetes aéreos. Por otra, el viejo prejuicio que existe en el planeta entero contra nosotros.

P- ¿Quién decidió que el portero fuera el único jugador autorizado para tocar el balón con la mano?
R- Dios. Casi todo lo del fútbol ha sido decidido por Dios. Incluso el gol de Maradona con la mano en el Mundial del 2006.

P- ¿Cuántos árbitros vigilan un partido?
R- Cuatro. En total, son tres ojos, porque el juez central y los laterales suelen ser tuertos, y el cuarto árbitro siempre está ocupado intentando que funcione el tablero que indica los cambios.

P- ¿Es verdad que el árbitro no debe pitar penalti cuando la mano del jugador que toca el balón está completamente pegada al cuerpo?
R- No es verdad. El árbitro se ocupa de episodios futbolísticos, no de fenómenos de degeneración teratogénica.

P- ¿En qué consiste exactamente el saque de banda?
R- En las dictaduras militares es un saque que se realiza al compás de una banda de guerra. En países donde influyen las mafias es el que decreta el juez presionado por una banda de delincuentes.

P- ¿Por qué razón hay doce pasos del punto de penalti a la línea de gol?
R- Se trata de un homenaje a los doce apóstoles.

P- ¿Por qué hay nueve pasos entre el balón y la barrera en el cobro de un tiro libre?
R- Porque solo nueve de los doce apóstoles eran aficionados al balompié. Pedro estaba muy viejo; Juan prefería jugar "oa" y Judas andaba atareado vendiendo y comprando futbolistas.

P- ¿Qué es un tiro libre indirecto?
R- Es un tiro libre que no es libre porque no es directo.

P- ¿Qué puede ocurrir si el árbitro se traga el pito en pleno partido?
R- Caben dos situaciones: que no pueda seguir pitando y sea necesario llamar al árbitro suplente; o que siga pitando y sea necesario llamar al proctólogo.

P- ¿Por qué la portería lleva una malla alrededor?
R- Es un recuerdo de cuando el fútbol era un deporte submarino que practicaban los pescadores.
P- ¿Qué es un fuera de lugar?
R- Está en fuera de juego o de lugar todo jugador situado en la demarcación determinada por el azimut de la portería rival y la hipotenusa del triángulo escaleno comprendido entre la esquina más lejana del campo, el rival más próximo y el centro del terreno, siempre y cuando dos rivales ocupen el área que indica el logaritmo del plano imaginario del paralelipípedo de la portería. O bien cuando al árbitro le dé la p..inche gana de pitar orsay.

Por Daniel Samper Pizano

Nota da dona do blog: Daniel Samper es muy bueno, no podia dejar de destacar esta nota suya... original em www.eltiempo.com